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Fluidostática
Equilíbrio
de fluidos pesantes - (parte 3)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Conforme vimos na parte
1, o equilíbrio de um fluido pode ser absoluto (fluido
estacionário em relação a referencial inercial), ou relativo
(fluido estacionário em relação a referencial acelerado). O
problema do equilíbrio relativo será abordado no último
parágrafo dessa parte 3.
Superfície
livre
Entende-se por superfície
livre de um líquido a superfície de separação entre o mesmo e o
meio gasoso ambiente. Nos fluidos em equilíbrio não se
desenvolvem forças tangenciais; portanto:
Dado
um líquido em equilíbrio, um elemento de volume do mesmo, junto
à superfície livre, experimenta por parte do líquido
subjacente a ação de uma força normal à superfície livre.
Da
propriedade enunciada decorre a seguinte:
Dado
um líquido em equilíbrio absoluto sob a ação da gravidade, a
correspondente superfície livre é horizontal.
Do
fato, imaginemos por absurdo que a superfície livre de um líquido
em equilíbrio absoluto sob a ação da gravidade seja não
horizontal, como se representa na ilustração a seguir. Junto à
superfície livre, um elemento de volume do líquido está sujeito
à força de gravidade P e à força N aplicada
pelo líquido subjacente (sendo N
normal à superfície livre, no ponto ocupado pelo elemento de
volume em questão).
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Equilíbrio
absoluto impossível:
a superfície livre de um líquido em equilíbrio absoluto
é neces-
sariamente horizontal. |
Para
que a força N seja equilibrante de P é preciso que
ela seja dirigida verticalmente para cima; portanto a superfície
livre é horizontal.
Esta
propriedade não se aplica à superfícies livres exíguas, nas
quais adquirem importância as forças de tensão superficial; a
propriedade também não se aplica à superfícies livres de
líquidos em equilíbrio relativo (referencial acelerado).
A
superfície livre da água em equilíbrio absoluto em um copo ou em
uma piscina pode ser considerada plana. Em mares e
oceanos a superfície livre acompanha a curvatura da superfície do
geóide. Em qualquer caso, a superfície livre é, em cada ponto,
perpendicular ao fio de prumo no mesmo ponto.
Nível
de bolha contém, como peça essencial, um tubo de vidro
selado, quase completamente cheio de um líquido bem fluido
(álcool, éter); a “bolha de ar" é saturada com o vapor do
líquido. Mais leve do que o líquido, a bolha sobrenada.
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O
tubo é ligeiramente convexo para cima. Na tendência
de formar superfície livre horizontal, a bolha se situa na
parte mais elevada do tubo. Confrontando a posição da
bolha com traços gravados no vidro, pode-se acertar a
horizontalidade da base do instrumento. |
Lei
de Stevin
Consideremos um fluido
homogêneo e incompressível, em equilíbrio absoluto sob a ação
da gravidade, cuja aceleração local tem intensidade g. Sendo d
a densidade absoluta do fluido, seu peso específico é:
g
= d.g ...(01)
Imaginemos
no fluido uma superfície tubular, rígida e fixa T, obturada por
êmbolos, como na figura:
Seja
h a diferença de nível entre os êmbolos. Deslocando-se
lentamente os êmbolos de AB para A'B' e de CD para C’D’, é
nula a soma dos trabalhos das forças externas; estes trabalhos
são realizados pela força de gravidade, e pelas forças Fo
e F aplicadas pelo ambiente sobre os êmbolos; o trabalho
das forças Ft aplicadas pelas paredes do tubo é
nulo.
Quanto
à gravidade, o trabalho se determina tendo em vista que nada se
modifica no espaço A’B’D´C´ , o deslocamento dos êmbolos
produzindo o mesmo efeito como se a porção fluida ABB’A' fosse
deslocada para CDD’C’ (observe bem esse comportamento; equivalência
mostrada na figura acima) ;
resulta:

Para
as forças Fo e F os trabalhos
são:
Dto
= Fo.Dlo
= po.Ao.Dlo
... (03)
Dt
= - F.Dl
= - p.A.Dl
= - p.Ao.Dlo
...(04)
Somando
membro a membro as igualdades (02), (03) e (04), resulta:
0
= Ao.Dlo.d.g.h
+ po.Ao.Dlo
- p.Ao.Dlo
do
se
conclui:
p = po + d.g.h
ou p = po + g.h
...(05)
É
esta a Equação
Fundamental da Hidrostática, que simboliza a Lei
de Stevin (1548 - 1620):
Em
um fluido homogêneo e incompressível em equilíbrio sob a
ação da gravidade, a pressão cresce linearmente com a
profundidade; a diferença de pressão entre dois pontos é igual
ao produto do peso específico do fluido pela diferença de
nível entre os pontos considerados.
Nenhuma
hipótese foi feita com respeito à forma do vaso que contém o
fluido e à forma do tubo imaginário T; portanto a tese se aplica,
seja qual for a forma do vaso.
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Lei de
Stevin: a pressão cresce
linearmente com a profundidade.
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Princípio
de Pascal
Em um fluido em equilíbrio sob a ação da gravidade, os pontos
nos quais reinam pressões iguais pertencem a superfícies
denominadas superfícies de nível; a lei de
Stevin nos dá p = constante
quando h = constante, logo as
superfícies da nível são horizontais.
Se
a pressão po sofrer uma variação
tornando-se po' , a pressão em um ponto qualquer
torna-se
p’=
po' + g.h
...(06)
Subtraindo
membro a membro as igualdades (06) e (05), resulta:
p'
- p = po' - po
...(07)
Esta
igualdade simboliza o Princípio de Pascal
para fluidos pesantes:
Dado
um fluido incompressível em equilíbrio sob a ação da
gravidade, um incremento de pressão em um ponto qualquer é
acompanhado de igual incremento em todos os demais pontos.
As
teses apresentadas aplicam-se também a fluidos compressíveis, em
particular gases, contanto que as diferenças de nível
sejam suficientemente pequenas para que a densidade possa ser
considerada constante em relação ao nível.
Sifão
Uma primeira explicação para o funcionamento do sifão,
abaixo ilustrado, pode ser dada a partir da Lei de Stevin.
Admitamos
inicialmente que o sifão esteja fechado em C e completamente cheio
de líquido em equilíbrio (sifão 'escorvado'). A pressão do
líquido em C é p = pat + d.g.(y-z),
portanto p > pat. Quando abrirmos o sifão em
C, o equilíbrio não pode perdurar; o liquido se escoa da região
de pressão maior (dentro do tubo) para a de pressão menor (fora
do tubo). A altura y deve ser inferior a pat/(d.g)
sob pena de resultar líquido tenso (pressão absoluta negativa)
com risco de formação de uma bolha de vapor; esta interromperia a
coluna líquida e assim faria cessar o escoamento (veja Exemplo 2).
Exemplo
1 - Um caçador submarino mergulhou até a profundidade
de 10 m em água do mar com
densidade absoluta igual a 1030 kg/m3. A pressão
atmosférica é 101 x 103 pascal e a aceleração local
da gravidade é g = 9,80 m/s2. O mergulhador
suporta a pressão absoluta:
p
= pat + d.g.h = 101x103 + 1030x9,80x10 =202 x
103 pascal
que
corresponde a pressão efetiva pe = p - pat
= 101 x 103 pascal. O mergulhador fica submetido à
pressão dupla da pressão atmosférica.
Medição
de pressões mediante colunas líquidas
Os instrumentos para a medição de pressões são denominados barômetros,
manômetros e vacuômetros
(ilustrações, mais adiante, no item Pressão
atmosférica), conforme sejam destinados a medir a pressão
atmosférica, pressões superiores ou inferiores a pressão
atmosférica, respectivamente. Tais instrumentos existem em
diversas modalidades, classificando-se em medidores de pressão metálicos
(manômetros e vacuômetros de Bourdon, barômetro aneróide) e
medidores de pressão de coluna líquida.
Apresentaremos
aqui o barômetro de Torricelli; as descrições dos demais
instrumentos podem ser vistas no artigo Barômetros
e Manômetros, nesta Sala 07.
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Enche-se
completamente com mercúrio um tubo T reto e de
comprimento superior a 80 cm o qual, a seguir, é emborcado
em mercúrio contido em um vaso V (cuba de
mercúrio); mantendo o tubo em direção aproximadamente
vertical. Estabelecido o equilíbrio, verifica-se que a
superfície livre do mercúrio no tubo estaciona em certo
nível N; o desnível do mercúrio no tubo e na cuba
é então da ordem de grandeza de sete decímetros. No
tubo, o espaço livre de mercúrio é denominado
"câmara barométrica"; ele contém vapor de
mercúrio, cuja pressão às temperaturas ordinárias pode
ser desprezada em confronto com a pressão atmosférica;
portanto reina ai quase
vácuo, denominado "vácuo torricelliano". |
A
superfície livre do mercúrio contido na cuba está sujeita
à pressão atmosférica p.
Sendo g a aceleração
local da gravidade,
d a densidade do mercúrio e h o desnível entre as
superfícies livres do mercúrio
no tubo e na cuba (coluna “local” de mercúrio), a lei
de Stevin nos dá:
p
= d.g.h ...(08)
Denominaremos
coluna normal de mercúrio a coluna de mercúrio que
exerce a mesma pressão, sendo supostas normais a gravidade e a
densidade absoluta do mercúrio (gn = 9,806 65 m/s2
; dn = 13 595,1 kg/m3, densidade do mercúrio
a 0 oC), temos pois:
p
= dn.gn.H
...(09)
[Observe! p = (constante).H]
Por
exercerem pressões iguais, as colunas local e normal
são ditas equivalentes. Geralmente tem-se h diferente de
H, sendo que a altura h da coluna local depende de p, d e g,
ao passo que a altura H da coluna normal equivalente só depende
de p (pois dn e gn são fixados
por convenção). O confronto das igualdades (08) e (09) nos dá a
altura H da coluna normal equivalente à coluna local de
altura h:

Unidades
incoerentes de pressão
Da igualdade (09) depreendemos haver proporcionalidade entre a
pressão p, e a altura H da coluna líquida
normal que exerce aquela pressão; esta propriedade sugere exprimir
a pressão p mediante a altura H. Surgiram assim
algumas 'unidades incoerentes de pressão', das quais passamos a
apresentar as mais usuais:
(a)-
Denomina-se “torricelli” (símbolo
Torr) ou “milímetro de mercúrio”
(símbolo mm de mercúrio, ou mm de Hg) a pressão exercida por uma
coluna normal de mercúrio, de altura igual a um milímetro. O número
que mede H em milímetros é igual ao número que
mede p em milímetros de mercúrio. De maneira análoga
definem-se o "centímetro de mercúrio" (cm de
Hg), o "metro de água" (m de ág.), e outras unidades
que tais.
Convertamos torricelli (Torr) para pascal (Pa); pela
expressão (09):
1 mm de
Hg = 1 Torr = 13 595,1 kg/m3
x 9,806 65 m/s2 x 10-3 m ...
(definição) = 133,322 P ...(11)
____ dn ____ ___ gn
____
_1mm_
(b)-
Denomina-se “atmosfera normal”
(símbolo At ou atm, a não ser confundido com o símbolo at
, que simboliza a atmosfera métrica ou técnica equivalente a 1
kgf/cm2) a pressão equivalente a 760 Torr:
1
At = 1 atm = 760 Torr = 101 325 Pa ...(12)
A
atmosfera normal (atm) é ligeiramente superior à atmosfera
técnica métrica (at):
1
At = 1 atm = 1,033 23 at = 1,033 23 kgf/cm2
...(13)
Entende-se
por “pressão normal” a pressão
equivalente a uma atmosfera normal (pN = 1 atm)
Exemplo
2- Admitindo por hipótese que a água não emita vapor,
determinar a maior altura a qual ela pode ser elevada mediante uma
bomba aspirante idealmente perfeita. Supõem-se dados: densidade
absoluta da água (d),
aceleração local da gravidade (g) e pressão atmosférica (pat).
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Uma bomba
aspirante idealmente perfeita seria capaz de realizar o
vácuo. Então seria:
pat
= d.g.y portanto y = pat/(d.g)
Admitindo
grandezas próximas às reais, 'em números redondos',
têm-se: pat = 105 N/m2; d
= 103 kg/m3 ; g = 10 m/s2
portanto, y = 10 m.
Na prática, admite-se que a água possa ser aspirada até
6 m de altura. |
Equilíbrio
de líquidos não miscíveis
Consideremos dois líquidos L e L’
imiscíveis, juntos e sujeitos a ação da gravidade; suas
densidades sejam d e d’, sendo por hipótese d < d’.
Estabelecido o equilíbrio absoluto dos dois líquidos, a
superfície de separação entre eles é horizontal,
conclusão a qual se pode chegar por redução ao absurdo.
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Equilíbrio
de líquidos
imiscíveis (d' > d).
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Teoricamente
o líquido mais denso poderia situar-se acima do outro; o
equilíbrio seria instável, razão
pela qual ele não se realiza deste modo.
Portanto, o líquido mais
denso se apresenta abaixo do menos denso. |
Vasos
comunicantes
Em Fluidostática, denominam-se “vasos
comunicantes” sistemas de dois ou mais vasos (frascos,
tubos) contendo um ou mais líquidos em equilíbrio e interligados
mediante comunicações banhadas pelos líquidos; as pressões
exercidas nas superfícies livres podendo ser iguais ou diferentes.
Fica subentendido que os vasos sejam suficientemente amplos para
que possa ser desprezado o efeito da tensão superficial
(capilaridade).
O
problema dos vasos comunicantes consiste em relacionar entre
si os níveis relativos das superfícies de separação entre
fluidos, as densidades dos fluidos e as pressões exercidas nas
superfícies livres.
Elucidemos
o assunto mediante um exemplo, considerando o sistema abaixo
esquematizado e suposto em equilíbrio absoluto sob a ação da
gravidade.
Tracemos
o plano horizontal p
que contém a mais baixa das superfícies de separação entre
fluidos do sistema (no caso da figura, esta superfície é Sd).
A superfície Sd está sujeita a pressões p'd
e p'e em suas faces, e para o equilíbrio é
necessário que seja:
p'd
= p'e ...(14)
A
pressão em Se
é:
p"e = pe + de1.g.he1
...(15)
A
pressão que os líquidos do ramo esquerdo exercem em Sd
é:
p'e = p"e +
de2.g.he2 ... (16)
donde,
em vista da igualdade (15), resulta:
p'e = pe + de1.g.he1 +
de2.g.he2 ... (17)
A
pressão que os líquidos do ramo direito exercem em Sd
é:
p'd
= pd + dd.g.hd
... (18)
Em
vista da condição de equilíbrio (14), podemos escrever a
relação procurada:
pe
+ de1.g.he1 + de2.g.he2
= pd + dd.g.hd
... (19)
Estendendo
a conclusão a qualquer sistema de líquidos em equilíbrio em dois
vasos comunicantes, podemos escrever:

Quando
o sistema compreende mais de dois vamos comunicantes, a conclusão
se aplica a cada par deles.
Em
vasos comunicantes que contêm um único líquido suposto
homogêneo, este se eleva ao mesmo nível em todos os ramos desde
que a pressão na superfície livre do líquido seja a mesma em
todos. Quando não se usam bombas de recalque, o abastecimento de
água através de redes hidráulicas urbanas se baseia no principio
dos vasos comunicantes.
Em engenharia de construções, uma mangueira plástica
transparente contendo água e operada como par de vasos
comunicantes permite fazer nivelamento expedito e preciso (nível
de mangueira).
Em laboratório, vasos comunicantes encontram aplicação na
determinação de densidades e na medição de pressões.
Exemplo
3 -
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Óleo
não se mistura com água. Para a
determinação da densidade absoluta de um óleo efetuou-se
a experiência esquematizada. Admitindo que a densidade
absoluta da água seja da
= 1000 kg/m3 , determinar a densidade
absoluta do do óleo.
Temos: do/da
= ha/ho ou do/1000
= 16/20
do
= 800 kg/m3 |
Exemplo
4 -
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Para
comparar as densidades de líquidos miscíveis pode-se
adotar o tubo de HARE , conforme o esquema. Aspiram-se os
líquidos pelo tubo T , que se pinça em seguida. A
mistura de ar e vapores que permanece na parte superior do
aparelho exerce pressões iguais nas duas colunas. A
densidade absoluta d do álcool resulta da proporção:
d/1000
= 27/30 portanto d = 900 kg/m3
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Empuxo
em superfícies planas
Consideremos uma superfície plana S de
contorno qualquer e área A , sujeita em uma de suas faces a ação
de um líquido homogêneo de peso especifico g
e em equilíbrio absoluto.
Num
elemento de superfície de área DA
o líquido exerce empuxo de intensidade:

Têm-se:
SDA
= A , e Sh.DA
= momento estático da superfície S em relação à superfície
livre do líquido; este último é igual ao produto da área A pela
distancia de seu centróide à superfície livre do líquido, isto
é:
S
h.DA
= hG.A ...(23)
Podemos
escrever
:
Fres.= (pat + g.hG).A
...(24)
donde
enfim:
Fres. = pG.A ...(25)
A
intensidade do empuxo que um liquido pesante em equilíbrio
absoluto exerce em uma superfície plana é igual ao produto da
área desta superfície pela pressão que o líquido exerce em
seu centróide.
O
empuxo resultante Fres. aplica-se em um ponto C
denominado “centro de empuxo” da superfície em questão.
Quando a superfície S é horizontal, o centro de empuxo coincide
com o centróide; quando a superfície
é oblíqua, o centro de empuxo situa-se abaixo do centróide.
Paradoxo
hidrostático
Da lei de Stevin resulta um aparente contra-senso, denominado “paradoxo
hidrostático”. Consideremos o sistema abaixo ilustrado:
Sendo
pat a pressão atmosférica, d a
densidade absoluta do liquido e g a aceleração local
da gravidade, a pressão que o líquido exerce no fundo do vaso
é: p = pat + d.g.h .
Sendo A a área do fundo do vaso, o
empuxo resultante no mesmo é:
Fres. = (p - pat).A = d.g.h.A .
O
produto h.A nos dá o volume de líquido que cabe no
vaso cilíndrico imaginário de base A e altura h (indicado em
linha tracejada); portanto o empuxo no fundo é igual ao peso do
líquido que preenchesse aquele vaso imaginário. Assim sendo, o
empuxo no fundo é maior do que o peso do líquido realmente
presente, o que à primeira vista pode parecer absurdo.
Para a elucidação do problema basta ter em conta as forças que
as regiões oblíquas da parede do vaso exercem sobre o liquido, e
que admitem componentes verticais dirigidas para baixo.
Aparelho
de HALDAT - Um suporte S mantém fixo um cilindro
C ao qual se adapta por cima um vaso V (parafusado no cilindro),
por baixo há um disco D (simplesmente encostado). O disco está
suspenso ao travessão de uma balança. O vaso V pode ser
substituído por outros de formas diferentes e alturas iguais.
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Cada vaso
instalado é preenchido completamente com água. A
carga m é a menor que equilibra o disco
D. Constata-se que o empuxo da água sobre o disco D
(medido pelo peso m.g) não depende da forma do vaso. |
Exemplo
5 - Em uma piscina completamente cheia uma das
faces laterais é um retângulo de base b = 10,0 m e
altura h = 2,0 m. Adotar g = 10,0 m/s2.
Determinar o empuxo efetivo na face considerada.
O
centróide da face fica à profundidade h/2 = 1,0 m. A
pressão efetiva no centróide é pG = d.g.h/2 = 1
000 x 10,0 x 1,0 (S.I.); logo, pG = 10,0 x 103
Pa. A área da face é A = 20,0 m2. A intensidade
do empuxo efetivo é: F = pG.A = 10,0 x 103
x 20,0 = 2,00 x 105 N ~= 20 tf
Pressão
atmosférica
Qualquer superfície horizontal que imaginarmos no ar atmosférico
suporta o peso de todo o ar que lhe fica por cima; daí resulta a pressão
atmosférica. Em cada ponto, a pressão atmosférica se exerce
com igual intensidade qualquer que seja a direção em que se faça
a sua medição --- na linguagem simplificada diz-se que "a
pressão se exerce igualmente em todas as direções". No
tampo de uma mesa as forças decorrentes da pressão
atmosférica agem de cima para baixo na face superior, de baixo
para cima na face inferior --- pressão não se representa com
"setas"; as forças decorrentes dessas pressões sim.
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Em
camada horizontal com espessura da ordem de algumas dezenas
de metros, o ar atmosférico pode ser considerado
sensivelmente homogêneo; então, pode-se aplicar-lhe a Lei
de Stevin.
Junto
à superfície da Terra observa-se na pressão atmosférica
diminuição de 1 Torr em correspondência com aumento de
cota igual a 10,5 m.
Em
camadas mais grossas é preciso considerar a
compressibilidade do ar; quanto maior for a pressão do ar,
tanto maior é o numero de moléculas por unidade de
volume; em temperatura constante a densidade varia na
razão direta da pressão (veja parte 2, densidade dos
gases).
Em
atmosfera suposta isotérmica, a pressão atmosférica
varia com a altitude segundo a fórmula:
h
= 18 400 x (2,8808 - log p) (26) (p em Torr, h em metros)
...(26)
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Tubo
barométrico
|
Por
ser relativamente simples a medição da pressão
atmosférica p , a equação precedente (26) e outras mais
perfeitas se prestam excelentemente para a determinação de
altitudes; o processo é chamado
nivelamento barométrico. Levando em conta a temperatura
absoluta T do ar, aplica-se com boa aproximação a
formula:
h
= 29,4.T.(Dp/p)
...(27)
sendo
h o desnível entre dois pontos nos quais a diferença das
pressões é Dp
; p e T são pressão e temperatura medias;
h pode atingir alguns quilômetros.

Barômetro
aneróide. A pressão
atmosférica pat age sobre a mem-
brana ondulada M; a deformação
desta se transmite ao ponteiro P. |

Pressão
atmosférica em função
da altitude; h em km, p em cm
de Hg. |

Vacuômetro
barométrico
(de Regnault):
p = d.g.y
|

(a)
Manômetro a ar livre:
p = pat + d.g.y . (b) Manômetro a
ar comprimido. Aplica-se a lei
de Boyle-Mariotte. |
Equilíbrio
relativo
Caso comum de equilíbrio
relativo é o de um tanque em translação retilínea com
aceleração constante, e contendo um fluido (detalhes sobre Equilíbrio
relativo pode ser visto no artigos Vertical
Para Cima - Mecânica de Newton em referenciais acelerados e O
empuxo de Newton). Esclareçamos o assunto, nesse caso comum,
mediante um exemplo.
Exemplo
6 - Um carro-tanque, parcialmente cheio de um líquido
homogêneo, percorre com aceleração constante a
um trecho reto e horizontal de estrada, Determinar o ângulo j
que a superfície livre do líquido, suposto em equilíbrio, forma
com o horizonte.
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Estando
o líquido em equilíbrio (necessariamente relativo), o
sistema não se deforma durante o movimento; todos os
pontos do sistema, e em
particular um
corpúsculo P junto à superfície
livre, têm a mesma
aceleração a
. A superfície livre apresenta-se inclinada de um
ângulo j
. |
A
força m.a
agente no corpúsculo (cuja massa é m) é resultante da força de
campo m.g (de gravidade) e da força de contato N (do
líquido subjacente), Com |a|
= a , a poligonal vetorial
nos dá:
tgj
= m.a/m.g
portanto tgj
= a/g
Em
movimento uniforme (a
= 0) resulta j =
0 (superfície livre horizontal).
Exemplo
7 - O carro-tanque do exercício anterior é abandonado
em um plano inclinado perfeitamente liso e que forma com o
horizonte o ângulo q
. Determinar o ângulo j
que a superfície livre do líquido forma com o horizonte, em sua
configuração de equilíbrio (relativo).
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|
O
carro e o líquido contido nele realizam movimento de
translação segundo uma reta de maior declive do plano,
com aceleração de intensidade:
a
= |a|
= g.senq
.
No corpúsculo P de
massa m e situado junto à superfície livre do
líquido atua uma força resultante de
intensidade: m.a
= m.g.senq
, paralela às linhas de
maior declive do plano, e em sentido descendente.
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Projetando
as forças sobre uma reta de maior declive do plano, obtemos:
m.g.cos(90o
- q)
- N.sen(q
- j)
= m.a
m.g.senq
- N.sen(q
- j)
= m.g.senq
sen(q
- j)
=0
j =
q
Isto
é: A superfície livre do líquido é paralela ao plano inclinado.
Referencial
acelerado - forças de inércia
O estudo do equilíbrio relativo pode
simplificar-se mediante adoção de referencial preso no vaso e
introdução das forças de inércia correspondentes.
Em
relação ao vaso, o fluido se comporta como se a aceleração da
gravidade fosse g' = g - a
, sendo g a aceleração local da gravidade, a
a aceleração do vaso em sua translação retilínea, ambas em
relação a Terra. Por exemplo, deixa-se cair livremente uma lata
contendo água, fundo em baixo, Despreza-se a resistência do ar. A
aceleração do sistema é a
= g , portanto em relação
a lata a água se comporta como
se a aceleração da gravidade fosse g’ = 0 . Conclui-se
que a pressão da água é a mesma em todos os seus pontos, igual a
pressão atmosférica, Se a lata fosse furada no fundo e nos
flancos, constataríamos que a água não se escoa pelos furos,
Faça a experiência!
Retomemos
aos exemplos precedentes, adotando referencial fixo no vaso.
Exemplo
8 - No exemplo 6,
com referencial fixo no vaso o corpúsculo P se apresenta em
repouso sob a ação das três forças esquematizadas em (a).
A
força de contato N equilibra a resultante m.g'
das forças de gravidade m.g e de inércia -m.a,
conforme o esquema (b). Em relação ao vaso, o líquido se
comporta como se a força de gravidade fosse m.g' e a
aceleração da gravidade fosse g' = g - a
; resulta novamente: tgj
= a/g
.
No
exemplo 7 , o líquido se comporta, em relação ao vaso,
como se a força de gravidade fosse m.g' = m.g - m.a
com |a| =
g.senq
; resulta g' perpendicular ao plano inclinado.
Portanto a superfície livre do líquido, perpendicular g' ,
é paralela ao plano inclinado.
Outro
caso interessante é o de um vaso que gira uniformemente em torno
de um eixo vertical.
Uma
partícula P na superfície livre do líquido contido
apresenta-se em equilíbrio relativo sob a ação do peso m.g,
da força centrifuga de inércia -m.a
e da força de conta to N exercida pelo líquido subjacente;
esta é normal a superfície livre em P. A superfície livre
toma a forma de um parabolóide de revolução tanto mais
aprofundado quanto mais veloz for a rotação. O fenômeno encontra
aplicação na medição de velocidade angu lar, por exemplo em
centrífugas; o vaso é um tubo de vidro coaxial. com o eixo da
centrífuga e solidário a ele; ao nível do vértice do
parabolóide lê-se a freqüência de revolução do eixo, numa
escala gravada no tubo.
A
seguir: Impulsão e Lei de
Arquimedes (Parte 4)
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