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Fluidostática
(Mistura de gases -
Parte 6)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Difusão
de gases
Os gases e vapores são miscíveis em quaisquer proporções. Levando-se
gases diversos a um mesmo recinto (suposto pequeno em confronto com o
globo terrestre), eles se misturam espontaneamente; isto é, mesmo com
exclusão de quaisquer correntes na massa gasosa, cada componente invade
todo o espaço disponível. A conseqüência disto é que, após algum
tempo, as moléculas de cada espécie estão distribuídas uniformemente
no recinto. Esse fenômeno de mistura e homogeneização espontâneas é
denominado difusão; é fenômeno
decorrente do movimento molecular (agitação térmica das moléculas).
A
difusão é evidenciada sugestivamente mediante gases ou vapores de cheiro
acentuado e característico (perfumes, gás sulfídrico, mercáptans).
Notas
1) A difusão molecular é fenômeno exibido pela matéria em qualquer
estado de agregação; ela é relativamente lenta entre líquidos, lentíssima
entre sólidos.
2) A difusão de um gás na película superficial de um sólido é
denominada adsorção; ela desempenha
papel importante em fenômenos de catalise.
3) A difusão de um gás em um liquido é denominada absorção
ou dissolução; a este fenômeno
aplica-se a lei de Henry.
4) A difusão através de membranas semipermeáveis é denominada osmose.
Pressões
parciais - Lei de Dalton
Seja dada uma mistura gasosa
ocupando o volume V à temperatura T, sob pressão p. Denomina-se pressão
parcial de um componente qualquer da mistura a pressão pj
que ele exerceria na ausência dos demais componentes, a mesma temperatura
T e no mesmo volume V. Aplica-se a lei de
Dalton:
A
pressão de uma mistura de gases é soma das pressões parciais dos
componentes.
Simbolicamente:
p = S
pj
...(01)
Vejamos
alguns comentários relativos à lei de Dalton.
Consideremos,
por simplicidade, que temos um dado volume de ar seco, composto de oxigênio,
nitrogênio e argônio (outros gases estão presentes em quantidades bem
menores que estes três).
De acordo com a Lei de Dalton, a pressão exercida por uma mistura de
gases perfeitos é igual à soma das pressões exercidas pelos gases
individuais ocupando o mesmo volume sozinhos. Essa pressão individual de
cada gás é a denominada pressão parcial.
No nível do mar a pressão é de aproximadamente 1 atm (que é
igual a 1 kgf/cm2). Nessa situação temos, aproximadamente, as
seguintes pressões parciais dos gases:
Nitrogênio
= 0,78 atm (pn)
Oxigênio = 0,21 atm (po)
Argônio = 0,0096 atm (pa)
Sendo
Pt a pressão total, tem-se: Pt
= pn + po + pa ou,
1 atm = 0,78 atm + 0,21 atm + 0,0096 atm
Se comprimirmos esse volume de gás, diminuindo-o até que Pt
assuma valor de 2 atm, teremos:
2 x (1 atm) = 2 x (0,78 atm + 0,21 atm + 0,0096 atm)
e, portanto, as pressões parciais serão, após a compressão:
Nitrogênio
= 1,56 atm Oxigênio = 0,42 atm
Argônio = 0,0192 atm
A
seguir, ao invés de comprimirmos o gás diminuindo o volume, vamos manter
o volume original dado e adicionar gás hélio, até que a pressão total
assuma novamente o valor de 2 atm; teríamos segundo a lei de Dalton:
Pt
= pn + po + pa +phe
ou 2 atm = 0,78 atm + 0,21 atm + 0,0096 atm +1 atm
onde
phe é a pressão parcial de hélio.
Observe que neste caso as pressões parciais do oxigênio, nitrogênio e
argônio não mudaram, e, portanto, de acordo com a lei de Henry, a
solubilidade desses gases em líquido também não aumenta.
Volumes
parciais - Lei de Amagat
Denomina-se volume parcial
de um componente de uma mistura de gases o volume Vj que seria
ocupado por este componente, isolado dos demais, a mesma temperatura T e
sob a mesma pressão p da mistura (admitindo, por hipótese,
que nestas condições o componente em questão ainda obedeça às leis
dos gases). Aplica-se a lei
de Amagat:
O
volume de uma mistura de gases é soma dos volumes parciais dos
componentes.
Simbolicamente:
V = S
Vj
...(02)
Notas
1) As leis de Dalton e Amagat
se equivalem, pois uma pode ser deduzida a partir da outra, através das
leis dos gases.
2) A lei de Amagat depende da hipótese enunciada; quando esta não é
satisfeita realmente, idealiza-se o gás fictício que lhe obedeça.
3) Na teoria e nas aplicações dá-se preferência à lei de Dalton,
por ser conforme com a natureza e admitir fácil interpretação física
(Teoria Cinética dos Gases).
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