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Fluidodinâmica Prof.
Luiz Ferraz Netto
a) O nível d’água no vaso V é relativamente baixo. A água colorida descreve uma trajetória estável, cuja forma acompanha a do tubo de escoamento da água (seja ele reto ou curvo); é o escoamento laminar. b) O nível d’água no vaso V é relativamente alto. A água colorida descreve trajetórias que variam rapidamente de forma,espalhando-se por toda a água que se escoa; é o escoamento turbilhonar. O regime laminar é sereno; as partículas do fluido descrevem trajetórias invariáveis, o fluido podendo ser entendido como composto de lâminas de formas definidas deslizando umas sobre as outras; este regime se estabelece em velocidades relativamente baixas. O regime turbilhonar é, como diz o nome, turbulento; as partículas do fluido descrevem trajetórias que variam de instante a instante; este regime se estabelece em velocidades relativamente altas. Nota: Para um certo intervalo de variação do nível da água no vaso V, o regime de escoamento pode ser laminar ou turbilhonar, mudando de um para outro espontaneamente, sem causa aparente. Nestas condições observa-se que a velocidade de escoamento é maior no regime laminar do que no turbilhonar; portanto a resistência ao escoamento é maior no regime turbilhonar do que no laminar. Viscosidade
No fluido, a lamina elementar adjacente à placa adere a esta e acompanha-a em seu movimento; a lamina elementar seguinte desliza sobre a primeira, apresentando velocidade menor que a da placa; quanto mais distante da placa for a lamina líquida considerada, tanto menor é sua velocidade. O fluido pode ser considerado em laminas paralelas à placa, cada uma deslizando sobre as contíguas, sendo arrastada pela mais veloz e arrastando a mais lenta. O dito aplica-se também a fluidos gasosos.
Generalizando, consideremos um fluído em escoamento laminar com velocidade variável de lamina para lâmina (ilustração abaixo). Seja Dx a espessura de uma tal lâmina, as velocidades de escoamento em suas faces sejam v e v + Dv. Na lâmina em questão, consideremos uma região L cujas faces apresentam área A. Nestas faces as lâminas contíguas exercem forças normais (de pressão) e tangenciais (de cisalhamento); interessam-nos estas últimas.
No
elemento L, a lamina contígua mais veloz exerce uma força F a favor do
movimento, ao passo que a lamina contígua mais lenta exerce a força - F
contrária ao movimento. Pondo-se a girar um copo com água em torno de seu eixo de revolução, pouco a pouco toda a água adquire o movimento do copo devido as forças de viscosidade que se exercem entre as lâminas tubulares concêntricas de água. Na extensão Dx medida perpendicularmente à velocidade, esta apresenta o incremento Dv; a grandeza Dv/Dx é denominada “gradiente de velocidade”. Deve-se a Newton (1687) a lei que rege as forças em questão:
Esta lei é tanto mais rigorosa quanto menor for Dx. O símbolo h representa uma grandeza física denominada coeficiente de viscosidade dinâmica, ou simplesmente viscosidade do fluido em questão; tem-se
Em homenagem a Poiseuille, a unidade CGS de viscosidade é denominada poise (símbolo P); é muito usual o submúltiplo centi-poise (cP), que é sensivelmente igual à viscosidade da água a 20 oC.
As outras unidades coerentes de viscosidade são definidas de modo análogo, conforme se resume na tabela seguinte:
Quando
a temperatura se eleva, o coeficiente de viscosidade diminui
acentuadamente para os líquidos, aumenta para os gases, devido a causas
distintas.
Nota: Chama-se viscosidade cinemática de um fluido o quociente da viscosidade dinâmica pela densidade absoluta do fluido. Lei
de Hagen-Poiseuille
No
escoamento através de um conduto o líquido adere às paredes que o
limitam. Por causa do atrito interno aparecerá então uma variação de
velocidade. Junto à parede do conduto a velocidade v dependerá somente da
distância r ao eixo do conduto: v = v(r) . O fenômeno
foi investigado independentemente por Hagen
e Poiseuille, que estabeleceram a lei
(1840).
Sobre este volume de líquido atuam, paralelamente ao eixo do conduto, as seguintes forças: 1- A força de pressão, a saber, pressão vezes a seção: pr2p1 - pr2p2 = pr2(p1-p2) = pr2|Dp| . 2- A força de atrito : hA(dv/dr) = h.2prl(dv/dr) . Num escoamento estacionário, devem ser iguais e diretamente opostas as forças de pressão e de atrito, logo, teremos: pr2|Dp| = - h.2prl(dv/dr) ou dv/dr = - (1/2h)(|Dp|/l).r donde, integrando, v = (1/4h)(|Dp|/l).(R2 - r2) sendo
R o raio do conduto que aparece no resultado final como constante de
integração, determinada pela condição: v(R)= 0. Calcularemos
ainda o volume total de líquido que escoa através do conduto na unidade de
tempo (que, afinal, é a vazão, motivo dessa demonstração!). df = 2prdr.v(r) = 2prdr(1/4h)(|Dp|/l).(R2 - r2) A quantidade de líquido que escoa através de todo o conduto, por segundo, ou seja a vazão f, resulta portanto igual a: f = (integral de 0 a rmáx.)2prdr.v(r) donde
A grandeza |Dp|/l é denominada “gradiente de pressão”. A lei evidencia que a vazão é proporcional ao gradiente de pressão, ao inverso da viscosidade e à quarta potencia do raio útil do tubo. Medindo-se a vazão, pode-se determinar a viscosidade de um líquido, a partir da lei de Hagen-Poiseuille. também os gases têm uma certa viscosidade, embora pequena. Maxwell descobriu que a viscosidade dos gases independe da pressão (veja experimento na Sala 07). Isto, entretanto, só é verdadeiro para pressões elevadas. A pressões bastante pequenas dá-se um decréscimo do atrito interno; algo assim, para o ar:
Excetuando os vasos maiores, a circulação sanguínea obedece à lei enunciada. *** segue parte 2 - Resistência do meio ***
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