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Fluidodinâmica Prof.
Luiz Ferraz Netto Resistência
do meio Geralmente o fluido exerce no móvel uma força F e um conjugado C. Da força F, o componente Fr segundo a direção da velocidade é sempre oposta a esta e é denominada resistência ao movimento; o componente Fs perpendicular à velocidade é denominada sustentação.
Em vôo horizontal, o peso aparente de um avião é igual à intensidade da sustentação. Para o estudo do assunto em questão são úteis alguns conceitos que passamos a introduzir. Denomina-se linha mestra do móvel o lugar dos pontos comuns ao móvel e a um cilindro de geratrizes paralelas à velocidade e tangentes ao móvel. A linha mestra separa no móvel a região anterior denominada proa, da região posterior denominada popa. Denomina-se secção mestra do móvel a superfície obtida projetando a linha mestra sobre um plano perpendicular à velocidade. Para a determinação da F e C não há teoria geral; em alguns casos particulares o problema pode ser resolvido mediante formulas empíricas mais ou menos aproximadas; os demais casos só se resolvem aplicando a teoria dos modelos (canal hidráulico, túnel aerodinâmico). A resistência dos fluidos se exerce sempre com dissipação de energia. Regimes
de resistência a) Viscosidade do fluido, que dá nascimento a forças de atrito interno no fluido; forças de atrito entre o móvel e o fluido não se desenvolvem, pois a película adjacente ao móvel adere a este, acompanhando-o em seu movimento. b) Inércia do fluido, manifestando-se nos choques do móvel com as partículas que constituem o fluido. O efeito da inércia está intimamente ligado à densidade e, em altas velocidades, à compressibilidade do fluido. Consideram-se baixas aquelas velocidades do moveI para as quais são desprezíveis as acelerações das partículas do fluido e conseqüentemente, também, as forças resultantes que agem nelas; o regime é laminar; nestas condições a resistência ao movimento é determinada preponderantemente pela viscosidade do fluido; ela é denominada resistência viscosa. Em
velocidades maiores, já não são desprezíveis as acelerações das partículas
do fluido, nem as correspondentes forças aceleradoras; portanto são
consideráveis as variações de energia cinética das partículas do
fluido; o regime é turbilhonar; a correspondente resistência do fluido
ao movImento é dita resistência dinâmica. Resistência
viscosa - Lei de Stokes F = - c.v ......... (5) onde v e F recebem sinal positivo ou negativo como em Cinemática, O símbolo c representa o coeficiente de resistência viscosa para o caso; ele depende da natureza do fluido, da forma do móvel e de sua posição. A resistência é viscosa em velocidades inferiores a 2 m/s no ar, e inferiores a 0,03 m/s na água. Consideremos
uma esfera pequena (bola de gude) movendo-se com baixa velocidade em um
fluido viscoso. O fluido exerce na esfera uma força oposta ao movimento,
obedecendo a Lei de Stokes
|F| = 6p.h.r.v ......... (6) Esta lei rege o movimento das gotículas de neblina no ar, das pequenas bolhas gasosas nas bebidas gaseificadas, das partículas sólidas em suspensão nos líquidos e nos gases. A determinação da carga elétrica elementar foi feita mediante a memorável experiência de Millikan, lançando mão da lei apresentada. Resistência
dinâmica - Lei de Newton Resistência hidráulica é determinada predominantemente pela densidade do fluido, sem que intervenha de modo sensível a compressibilidade dele. As correspondentes velocidades são ditas médias; são velocidades compreendidas entre 10 m/s e 200 m/s para o ar, entre 0,05 m/s e 2 m/s para a água. A intensidade da resistência hidráulica é dada pela Lei de Newton (1687):
onde A é a área da secção mestra do móvel, d é a densidade absoluta do fluído, v a velocidade do móvel relativamente ao fluido, e C é um número denominado coeficiente de resistência do fluido para o móvel em questão. O valor de C depende da forma do móvel, da direção e do sentido de seu movimento, e da natureza do fluido. Pode-se admitir C = 0,41 para uma esfera, C = 0,45 para um ciclista, C = 1,40 para um pára-quedas. A resistência hidráulica tem intensidade proporcional ao quadrado da velocidade. Resistência trans-sônica é determinada predominantemente pela densidade e pela compressibilidade do fluido. As correspondentes velocidades são ditas trans-sônicas e são próximas da velocidade de propagação do som no fluido (desde pouco abaixo até pouco acima). No ar, a velocidade do som é vizinha de 340 m/s ~= 1 200 km/h, e o regime trans-sônico se realiza no intervalo de velocidades que se estende de 1 000 km/h até 1 400 km/h. A resistência trans-sônica tem intensidade proporcional a uma potencia n da velocidade, com n >2 :
Resistência balística ou super-sônica é a que se verifica em velocidades ditas altas, sensivelmente superiores à velocidade do som. Aplica-se a lei precedente, porém com n diminuindo e avizinhando-se de 2 à medida que a velocidade aumenta. A mesma lei de Newton aplica-se aos regimes trans-sônico e balístico, contanto que se conceba o coeficiente de resistência C como função da velocidade; essa função é adequadamente representada mediante gráficos cartesianos. Evidentemente, as proporcionalidades acima mencionadas valem em igualdade de todas as outras condições; a natureza do fluido, a forma do corpo e suas dimensões, a direção e o sentido do seu movimento devem ser conservados, variando unicamente a força de resistência do fluido e a velocidade. Velocidade
limite Analiticamente
pode-se demonstrar que o móvel tende à velocidade limite sem atingi-la o
que explica sua designação. Via de regra, pode-se considerar atingida a
velocidade limite após queda inferior a um quilometro no ar, sob ação
da gravidade. Vale
a pena destacar: Um
exemplo
Com
nebulizador pode-se produzir minúsculas gotas de óleo que caem
lentamente no ar. As gotas são excessivamente pequenas para que seu raio
possa ser determinado diretamente, mesmo sob microscópio. Todavia, sob
microscópio é fácil determinar a velocidade de queda de uma gota; a
equação precedente permite então determinar o raio da gota, conseqüentemente
sua massa e seu peso. Outro
exemplo Aplica-se diretamente a fórmula de Newton: 1,0x103 = 1,4x(1,2x6,02/2).A ==> A = 33 m2 . O diâmetro do pára-quedas é próximo de 6,5 m. A potência mecânica dissipada no fenômeno é: Potmec.= P.v = 1,0x103x6,0 (SI) = 6,0x103 W = 6,0 kW . Número
de Reynolds
uma grandeza adimensional (impropriamente dito 'número puro') que depende da densidade absoluta d do fluido, da velocidade media v de escoamento, do raio r do tubo e da viscosidade dinâmica h do fluido. O número de Reynolds não depende das unidades de medida adotadas, desde que pertençam a algum dos sistemas coerentes usuais. A grandeza r pode ser qualquer comprimento convenientemente escolhido (raio ou diâmetro de uma esfera que se move no fluido, raio ou diâmetro do tubo cilíndrico pelo qual se escoa o fluido), devendo ser especificada em cada caso a escolha que se fez. O número de Reynolds pode ser interpretado como razão entre forças aceleradoras e forças viscosas em fluido escoante; aplica-se a fenômenos fluidodinâmicos nos quais intervém inércia e viscosidade; ele goza de propriedades que lhe conferem enorme importância em Fluidodinâmica. Em sistemas geometricamente semelhantes, basta o número de Reynolds para caracterizar o regime de escoamento; para fluidos escoando em tubos cilíndricos, por exemplo, o regime é laminar quando NR < 1160, sendo então aplicável a lei de Hagen-Poiseuille; a lei de Stokes aplica-se quando NR < 1. Além disso, o número de Reynolds permite unificar a expressão da resistência do meio ao movimento dos corpos; seja qual for o regime, aplica-se a lei de Newton, na qual o coeficiente de resistência C é concebido como função do numero de Reynolds. Obtém-se assim a lei de Hagen-Poiseuille fazendo C = 8/NR, a lei de Stokes fazendo C = 12/NR. O estudo analítico dos fenômenos em que intervem a resistência de fluidos esbarra com dificuldades matemáticas intransponíveis; daí a necessidade da pesquisa experimental desses fenômenos. Quando o sistema é avantajado, reduzem-se os custos efetuando as experiências em modelos reduzidos (embarcações, aeronaves, portos, barragens, regularização de rios, etc.). Através
do número de Reynolds estabelece-se o conceito de semelhança
fluidodinâmica: dizemos
que dois sistemas geometricamente semelhantes gozam de semelhança
fluidodinâmica quando os correspondentes números de Reynolds são iguais
(embora possam ser desiguais as velocidades, as densidades e as
viscosidades dos fluidos em escoamento). O número de Reynolds é uma dentre diversas "variáveis adimensionais" (número p); outra é o número de Mach, que se aplica ao escoamento de fluidos compressíveis (caso das aeronaves): M = velocidade de escoamento/velocidade do som ....... (10) **** segue parte 3 - Lei de Bernouilli ***
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