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Onda
sonora e onda de choque
Luiz
Ferraz Netto Introdução --- Como poderemos explicar esses fatos do ponto de vista da estrutura molecular e do movimento térmico? Conceito
Como
as moléculas do ar devem deslocar-se ao longo de uma distância
relativamente grande (a chamada trajetória livre ou livre
percurso médio) antes de atingirem as moléculas da camada
seguinte, a velocidade de propagação é essencialmente determinada pela
velocidade térmica das moléculas. Esse quadro dinâmico explica os fatos
acima citados, concernentes à velocidade do som. Na
verdade, a velocidade térmica das moléculas permanece igual a, uma
mesma temperatura, independentemente do grau de compressão ou
rarefação do gás. Por outro
lado, como a energia cinética das moléculas é proporcional à
temperatura absoluta, sua velocidade aumenta na razão direta da raiz
quadrada da temperatura. E, o
que se verifica para a velocidade das moléculas, deve ser também verídico
para a velocidade do som. Uma situação inteiramente diversa ocorre quando a velocidade do objeto que produz a compressão no gás excede a velocidade do movimento térmico molecular sob condições dadas. Isso acontece, por exemplo, quando os gases quentes formados em uma explosão deslocam o ar circundante, ou quando o ar é empurrado para os lados pelas asas e pela fuselagem de um avião ou projétil supersônico. Neste caso, a velocidade térmica das moléculas não é suficientemente alta para fugir ao propulsor que avança e começam a se empilhar umas sobre as outras, com o resultante aumento de densidade. A diferença entre este caso e o previamente discutido está, esquematicamente, na ilustração a seguir.
(Esquerda)
- Formação de uma onda sonora num caso em que o propulsor se move mais
lentamente do que as moléculas; A
frente progressiva de gás, altamente comprimido, forma o que é chamado onda
de choque. Em razão da densidade grandemente aumentada,
as ondas de choque têm superpressão correspondentemente aumentada, o que
explica seus efeitos destrutivos. No
caso das explosões, a expansão dos gases quentes se retarda, a compressão
do ar se separa do propulsor
e continua deslocando-se como onda
de choque. No caso dos aviões e projéteis supersônicos, que se deslocam à velocidade constante, impulsionados por seus motores, a onda de choque permanece estacionária relativamente ao corpo em movimento (ou seja, a onda permanece colada ao corpo) e é, por isso, conhecida como choque constante.
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