Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
O tempo meteorológico tem uma influência
marcante sobre a Natureza. Também o bem-estar social, mental e físico
do corpo humano depende, de maneira acentuada, das variações
desse tempo. A nossa saúde e mesmo a nossa vida muitas vezes são
ameaçadas pelos maus tempos, temporais, trovoadas, etc. O tempo
já decidiu, inúmeras vezes, o destino de povos, a vitória ou a
derrota de nações nas batalhas ou mesmo o desenvolvimento de uma
dada região. Hora por hora, dia por dia, o tempo tem influenciado
as decisões dos homens. É aconselhável penetrar, então, um
pouco na ciência da previsão do tempo, que é a meteorologia.
Meteorologia
A meteorologia, hoje em dia,
é uma ciência exata, cujos resultados visíveis para o grande público
são os boletins diários das estações meteorológicas. As previsões
destas estações abrangem, em geral, regiões bastante extensas.
Isto tem seu inconveniente pois, infelizmente, só poderá indicar
o caráter principal do tempo esperado. Por este motivo, não é de
se estranhar o fato corriqueiro de que o tempo real mostre variações
locais contrárias às previsões. Como complemento aos boletins
meteorológicos tornam-se, pelo que foi dito, também necessárias
as observações locais. Para fazer estas observações, é
relativamente fácil e satisfatório o uso de um barômetro
adequado.
Para
evitar erros, é bom aprender o modo de trabalho desse
aparelho inteligente. Uma vez compreendidas as reações e correlações
dos diversos fatores que determinam o tempo, é de interesse
acertar, sempre com maior precisão, as previsões do tempo, com a
ajuda de um barômetro.
A
pressão do ar e o barômetro
O Globo Terrestre está recoberto por uma camada de ar,
chamada de atmosfera ou de mar atmosférico.
Como toda massa física (mergulhada num campo de gravidade) o ar
também tem peso. O peso do ar varia sempre e em todos os
lugares. A temperatura e o conteúdo de água são fatores
que afetam o peso do ar. Enquanto o termômetro
só indica a temperatura atual, o higrômetro
só mostra a umidade relativa, o barômetro
serve para medir a pressão do ar, mostrando as condições
atmosféricas vindouras prognosticando, assim, as variações do
tempo.
As
massas atmosféricas aquecidas pelo Sol aumentam de volume,
empurram as massas de ar frias e sobem acima delas. Este processo
causa correntes atmosféricas (ventos). A mudança de temperatura
causa chuvas. Nesta luta permanente entre as massas atmosféricas,
formam-se ondas, semelhantes às de água corrente, cristas
e vales ou turbilhões. O meteorologista chama um crista de
ar como Alta, um vale como Baixa. O peso do ar (ou a
pressão atmosférica) em caso de Alta é maior do
que em caso de Baixa.
Barômetros
Existem barômetros de mercúrio e barômetros metálicos
.
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O primeiro e
mais simples, denominado barômetro
de Torricelli, consiste de um tubo de vidro de
80 cm. Este tubo, completamente cheio de mercúrio, é
emborcado numa tina, também contendo mercúrio. Parte do
mercúrio passa do tubo para a tina, deixando uma câmara
de vácuo na parte superior.
Na pressão
atmosférica média, ao nível do mar, a
coluna de mercúrio neste tubo de vidro fica a 76
cm
acima do nível do mercúrio da tina.
Quando a
pressão atmosférica aumenta, mais mercúrio do
recipiente penetra no tubo, ou seja, o nível de mercúrio
no tubo aumenta ¾ popularmente
se diz que o barômetro sobe. Se a pressão diminui,
uma certa quantidade do mercúrio volta ao recipiente,
ou seja, o nível de mercúrio no tubo diminui ¾
o barômetro desce.
A altura da
coluna de mercúrio (ou seja, a pressão atmosférica
do momento) neste tubo de vidro é legível numa escala
graduada em milímetros.
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A
pressão atmosférica média, ao nível do mar, na temperatura de 0o
C, é de 760 mm de mercúrio. É a denominada pressão normal.
O
barômetro de metal (ou aneróide = 'sem líquido') consiste de uma
câmara metálica (latão) de paredes delgadas, achatadas e curvada
em arco de
círculo,
está vazia de ar e hermeticamente fechada.
Como
é mais comprida por fora
(face convexa)
que por dentro (face côncava),
curva-se mais e fecha-se mais quando aumenta a pressão atmosférica
e distende de novo, por elasticidade, quando a mesma pressão
diminuí. É uma montagem que lembra o conhecido brinquedo
denominado "língua de sogra".
Um
sistema de alavancas transmite estes movimentos (de 1 a 2 mm,
no máximo!), já com a devida ampliação, ao ponteiro que, por
sua vez, gira ao redor de uma escala circular. Gradua-se este barômetro
por comparação com um barômetro de mercúrio, em geral, com
escala em milímetros de mercúrio. Os barômetros de maior precisão
trabalham com duas câmaras.
Eis um equipamento comercial:
Os
mapas meteorológicos da Europa são feitos com indicações
em milímetros e em milibar. Um milibar (mbar) equivale
a 0,75 mm
de mercúrio
(¾ mmHg). A Inglaterra e os EUA
calibram os barômetros em polegadas de mercúrio.
Alguns barômetros apresentam suas escalar tanto em mm de Hg, como
em mbar e ainda em polegadas.
Quando
a pressão atmosférica aumenta (Alta), gradualmente o
ponteiro desloca-se para a direita ¾
o
barômetro sobe. Pelo contrário, quando a pressão diminui (Baixa),
pouco a pouco o ponteiro gira para a esquerda ¾
o barômetro desce; o tempo piorará e, provavelmente,
passará a chover. Uma baixa repentina é prognóstico de
tempestade.
Os
barômetros de metal são munidos, muitas vezes, de escala com
inscrições sobre previsão do tempo, como bom tempo, variável,
chuva etc. Entretanto, estas indicações não correspondem
sempre com o caráter do tempo real. O céu pode, por exemplo,
clarear-se, quando o barômetro está na Baixa e também
pode haver tempo chuvoso, quando o barômetro está na Alta.
O
essencial mesmo é a tendência crescente (para a direita)
ou decrescente (para a esquerda) do ponteiro do barômetro que
quase sempre prognostica as variações do tempo.
Devido,
principalmente, à grande fragilidade de tão comprido tubo de
vidro como o do barômetro de mercúrio e conseqüente grande
dificuldade de transporte, 99,9% dos barômetros em uso doméstico
são de metal que oferecem também vantagem de regulagem fácil
para qualquer altitude e pela facilidade de sua colocação em
qualquer moldura.
Posição
absoluta e reduzida do barômetro
O limite inferior do mar atmosférico é, via de regra,
o nível superior dos mares aquáticos ¾
onde termina o ar começa a água. Ali a coluna de ar é a mais
alta, a massa de ar é a maior, por isto mais pesada. Se deixarmos
o nível do mar e começarmos a subir, estaremos cada vez mais nos
aproximando do limite superior do mar atmosférico. A cada lance
para cima, a massa atmosférica diminui, ficando mais leve. O corpo
humano sente esta diferença do peso do ar somente em grandes
altitudes. Por meio de um barômetro, porém, ela pode ser medida
com precisão. Levando-se um bom barômetro da mesa para o chão, o
ponteiro gira, acusando quase um décimo de milímetro de mercúrio,
para a direita. Subindo com o barômetro para o terceiro andar de
um edifício, o ponteiro vira para a esquerda, acusando queda de
pressão de 1 milímetro de mercúrio. A cada 10 metros de altitude
o barômetro desce mais ou menos 1 mm. Desta forma, cada altitude
tem a sua própria posição média no barômetro.
Um
barômetro especial para medir alturas (altitudes acima do nível
do mar) chama-se altímetro.
Um
barômetro ajustado para indicar a altitude onde ele se encontra
mostra sempre a posição absoluta conforme a altitude. Para
a observação e a previsão do tempo o meteorologista compara as
posições de barômetros instalados em vários lugares. Como não
vale a pena fazer escalas para todas as altitudes, foi necessário
fazer uma estandardização, ou seja, munir todos os barômetros
com um mesmo tipo de escala. Hoje em dia os barômetros são
ajustados, em geral, à posição reduzida ao nível do mar.
Este sistema é preferível porque muitas vezes as altitudes são
desconhecidas e escalas giráveis não são mais usadas. O
ajuste exato do ponteiro e o controle dos barômetros em uso são
altamente facilitados pelos mapas meteorológicos publicados
diariamente nos jornais.
Como
usar os barômetros
De modo geral o barômetro metálico encontrado em residências
e escolas apresenta dois ponteiros: um preto e outro dourado.
O
preto, que é o que fornecerá as indicações para a previsão do
tempo, deverá ser ajustado mediante um parafuso (que tem uma fenda
na cabeça) que se localiza atrás do aparelho. Ele permite um
ajuste em função da altitude local. Aparelhos de procedência
alemã já vem pré-ajustado para funcionamento médio entre
altitudes de 0,400 a 800 metros. O ponteiro preto, em todo caso,
deverá ser ajustado para ficar sempre ao redor dos 760 ( 0
metros).
O
dourado, por fora do aparelho, em cima do vidro, não tem qualquer
ligação com o ponteiro preto. Este ponteiro, que move-se sob a ação
do botão central, serve apenas para saber se houve alguma alteração
na posição do ponteiro preto. É um ponteiro de referência.
Um
conselho
Ao fazer a leitura da posição do ponteiro preto, em comparação
à posição do ponteiro dourado, dê sempre umas pancadinhas com
os dedos no vidro do aparelho. O ponteiro preto se deslocará um
pouquinho para a esquerda ou direita. A explicação dessa
recomendação é simples: o barômetro funciona como o nossa
orelha
(antigamente o termo era 'ouvido').
Ao subir certas altitudes (ou descê-las), o nossos
aparelhos
auditivos
não se sincronizam, passo a passo, com a altitude na qual nos
encontramos, mas sim, de repente sentimos a mudança de pressão
como se tivéssemos apertado o tímpano. Assim é o barômetro também..
Ao olhá-lo, a mola talvez não tenha transmitido inteiramente a
mudança; uma pancadinha irá aliviá-la.
Dados
científicos
Pressão (P)
é uma grandeza física escalar que nos informa como as forças se
distribuem
sobre as superfícies. É como uma taxa de
distribuição, algo como uma 'densidade'.
Ela é calculada pelo quociente entre a intensidade (F)
da
força distribuída normalmente sobre a superfície e a área
(A) desta
superfície. Simbolicamente:
P = F/A
No
Sistema Internacional de Unidades a pressão é expressa em N/m2
e, a esta unidade, dá-se o nome de pascal (Pa).
Para
a pressão atmosférica, a
intensidade da
força em questão é o peso do ar (P),
que pode ser medido em newtons, quilogramas-força e dina (unidade
em desuso); a superfície em questão são todas as superfícies
banhadas pelo ar atmosférico, cujas áreas podem ser
medidas em metros quadrados, centímetros quadrados e milímetros
quadrados.
Lembre-se: peso do ar é a
intensidade da força gravitacional que o campo gravitacional da
Terra faz nascer sobre a referida massa de ar; é uma grandeza
escalar.
Para
pesar o ar que se apóia
sobre uma superfície horizontal de
área de 1cm2, Torricelli lançou mão de uma balança
de mercúrio. Um dos pratos de mercúrio (o mercúrio da
tina na experiência de Torricelli) está exposto ao ar atmosférico
e, o outro prato de mercúrio (o mercúrio contido no tubo)
está no vácuo (parte interior, superior, do tubo). Com este
experimento ele verificou que, ao nível do mar e a 0oC,
o peso de uma coluna de ar atmosférico (de altura até a exosfera)
de base 1cm2 é equilibrada por uma coluna de mercúrio
de 760mm de altura e base 1cm2.
O
peso (PHg)
de uma coluna de mercúrio de 760mm de altura e base 1cm2
é calculado por:
PHg
= m.g = d.V.g = d.h.A.g
PHg
= 13
600 (kg/m3).0,76 (m).10-4 (m2).9,8
(m/s2) = 10,1293 N
A
pressão exercida pelo peso desta coluna sobre sua base é
calculada por:
P
= PHg/A
= 10,1293 (N)/ 10-4 (m2) = 101
293 N/m2 = 101 293 Pa
A
pressão atmosférica normal vale 101 293 Pa.
Outras
unidades:
1
bária
= 1 dina/1 cm2 = 0,1 Pa
1
B = 1 bar = 106 bárias
= 105 Pa
1
mB =1 milibar = 10-3 bar = 103 barias = 100
Pa @
0,75 mmHg
1
kgf/m2 = 9,8 N/ 1m2 = 9,8 Pa
1
at = 1 kgf/cm2 = 9,8 N/ 10-4 m2 =
98 000 Pa
1
atm = 760 mmHg = 101 330 Pa = 1 013,3 mB