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Gêiser
(Uma
fonte cíclica de água quente)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Gêiseres naturais, fontes cíclicas
de água quente, ocorrem quando câmaras subterrâneas cheias de água
são geotermicamente aquecidas. Quando a água atinge o seu ponto
de ebulição, o gêiser entra em erupção e lança para fora seu
conteúdo e se acalma ... o ciclo reinicia.
O
modelo didático que apresentamos é o recomendado para montagens
em Laboratórios e Feiras de Ciências, dada a sua simplicidade
construtiva. Ele permite ilustrar além do peculiar funcionamento
periódico de jorrar água quente para cima, conceitos relativos ao
calor, tais como: ebulição forçada, pressão dos gases, conversão
de calor em trabalho, conversão de energia etc.
Material
Indicaremos material para 2
tipos de montagem, a escolher:
1)
... comum em laboratórios:
base de ferro, anéis com garras, tela de amianto, frasco de
Erlenmeyer, tubo de vidro (>1 m), bacia plástica, aquecedor elétrico
ou bico de Bunsen e cola.
2)
... para montagem específica:
tubo de alumínio ou ferro (1 a 2 metros), bacia de alumínio,
reservatório metálico, bico de Bunsen, suporte para a montagem e
água.
Montagem
da opção (1)
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1)
Abra um orifício no centro da base do recipiente plástico.
O uso de uma broca com diâmetro igual ao do tubo de vidro
é o mais recomendável.
2)
Prepare o suporte metálico, comum em laboratórios, com
duas argolas dotadas de presilhas de aperto. A distância
entre elas, de modo a proporcionar um bom apoio, será
ajustada posteriormente.
3)
Insira uma das extremidades do tubo de vidro, que tem cerca
de 1 metro de comprimento, no orifício da rolha de
borracha. Use um pano para segurar o tubo nessa operação
para prevenir eventual quebra e conseqüentes cortes na mão.
Afunde o tubo até que a borda dessa extremidade fique
rente com a base da rolha. Para facilitar essa operação,
na qual o tubo deve entrar bem apertado, pode-se unta-lo
com cola para altas temperaturas (uma pequena porção pode
ser obtida gratuitamente em uma oficina para consertos de
automóveis). Um pequeno porção de cola sobre a face
superior da rolha poderá evitar vazamentos.
4)
Encha o frasco de Erlenmeyer com água e feche-o com a
rolha de borracha (já com o tubo de vidro). Aperte bem a
rolha no gargalo de vidro pirex porém, faça isso com
segurança e cuidados.
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5)
Insira a outra extremidade do tubo de vidro primeiro na argola
superior do suporte e depois no orifício praticado no fundo da
bacia plástica. Deixe que essa extremidade ultrapasse cerca de 2
cm para dentro da bacia mas, ainda bastante afastado da borda. Use
de cola para vidro ou cola epóxi para vedar qualquer possível
vazamento.
6)
Apóie a bacia na argola superior e o Erlenmeyer na argola inferior
(revestida com tela de amianto). Ajuste bem as argolas para uma boa
distribuição do peso do conjunto.
7)
Coloque água na bacia até cobrir a extremidade livre do tubo de
vidro em cerca de 1 cm.
8)
Coloque o aquecedor elétrico (ou o bico de Bunsen) sob o
Erlenmeyer.
Procedimento
Ligue a fonte de calor ... e
afaste-se do conjunto. Aguarde o aquecimento da água.
Após
a primeira erupção do gêiser, ele se reajustará por si só,
"chupando" água fresca da bacia para o interior da
tubulação e Erlenmeyer. Várias erupções ocorrerão antes que a
água da bacia fique bastante quente a ponto de paralisar o
funcionamento. Quando isso ocorrer, basta desligar a fonte de calor
e aguardar o resfriamento da água (ou, com muito cuidado, substituí-la
por água fresca).
Observando
e anotando
De uma distância segura,
assista o que acontece quando a água esquenta e ferve.
Quantas
fases distintas você pode reconhecer no ciclo de funcionamento
desse gêiser?
Use
um cronômetro e registre o intervalo de tempo entre erupções
(período) além de qualquer outro ciclo que consiga observar.
Explicando
Há três fases principais
para o ciclo desse gêiser: aquecimento
da água, erupção e refluxo.
Aquecimento:
o tempo de aquecimento no processo, para causar a erupção,
depende de dois fatores básicos --- a quantidade de calor
fornecida pela fonte térmica (aquecedor elétrico, bico de Bunsen
etc.) e o comprimento do tubo de vidro.
A
quantidade de calor fornecida pela fonte por unidade de tempo, ou
seja, sua potência térmica é um fator de trivial reconhecimento.
Quanto mais potente a fonte térmica menor será o tempo de
aquecimento e conseqüentemente, menor o período de erupção.
O
comprimento do tubo de vidro, mais especificamente, a altura da
coluna de água, afeta a pressão no interior do Erlenmeyer,
elevando-a acima da pressão atmosférica. Isso implica numa elevação
no ponto de ebulição da água levando-a ao estado de sobre-ebulição
(ebulição com pressão acima da pressão normal). Isso,
evidentemente, requer maior quantidade de calor da fonte térmica
e, como a potência térmica é suposta constante, resultará num
maior tempo de aquecimento. Quanto mais longo o tubo, maior a pressão
no frasco, mais elevada a temperatura de sobre-ebulição, maior
será o tempo de aquecimento e maior será o período das erupções.
Erupção:
cada centímetro cúbico de água, ao passar ao estado de vapor,
tem seu volume aumentado para cerca de 1 500 centímetros cúbicos!
Se isso não é permitido, a pressão sobe a ponto de elevar o líquido
contido no tubo, levando-o para a bacia. Com isso, a pressão no
frasco diminui, abaixa bruscamente o ponto de ebulição da água,
ocorrendo uma vigorosa conversão de líquido para vapor e então,
temos a erupção.
Refluxo:
depois que a erupção reduz sua velocidade, uma pequena quantidade
de água fresca da bacia fluirá tubo abaixo e ocasionará uma
condensação parcial do vapor do tubo e frasco. Isto diminuirá a
pressão no interior do aparelho (um "vácuo" parcial)
permitindo que a pressão atmosférica faça entrar mais água
fresca no frasco; nova condensação, nova queda de pressão, nova
entrada de água fresca, é o refluxo. O refluxo dá-se com um som
característico, algo parecido a um arroto.
E
tudo recomeça ...
Além
da ebulição e erupção podem ser observados tremores de vários
tipos, como também o efeito de martelo-d'água (golpe de aríete)
quando a água fica, momentaneamente, impedida de retornar ao tubo
pela pressão de vapor existente.
Cuidados
O funcionamento do gêiser
é bastante seguro. Devendo-se tomar as devidas precauções ao
manusear a fonte térmica (aquecedor elétrico ou bico de Bunsen).
Alguns respingos de água quente (não mais quente que a água de
um chuveiro elétrico) poderão ser evitados, afastando-se do
equipamento durante as erupções.
Montagens
da opção (2)
Essas montagens, com
equipamento menos frágil, são mais recomendada para Feiras de Ciências
e locais de exposição e demonstração ao público. São
simplesmente réplicas da montagem didática, em laboratórios,
substituindo-se as partes mais frágeis (tubo de vidro, bacia de plástico,
frasco de Erlenmeyer, suporte, cola) por outras mais resistentes
(tubo de alumínio ou ferro, bacia de alumínio, reservatório metálico,
suporte de ferro ou madeira, tipo estante, além de rosca, arruelas
e porcas).
Eis
duas versões:
A
primeira, cujo suporte pode ser feito com ferro de construção de
3/8", tem um reservatório inferior também de ferro e soldado
no tubo de ferro galvanizado de ½". A extremidade superior
desse tubo apresenta rosca em uma extensão de 10cm e foi utilizada
para fixar, mediante arruelas e porcas, a bandeja de alumínio.
A
segunda é totalmente feita com folha de flandres (material usado,
por exemplo, para calhas de residências). Trabalho de funileiro,
com excelente rigidez e apresentação. Esse modelo de gêiser, com
tubo de 2 metros de comprimento e sob ação da chama baixa de um
bico de Bunsen, entra em erupção de 4 em 4 minutos,
aproximadamente. A água no reservatório inferior entra em ebulição
ao redor dos 107 graus célsius.
Fui informado, por e-mail, que
um grupo de alunos de uma escola efetuou a montagem acima, substituindo
o tubo de ferro ou alumínio por uma mangueira de alta pressão, com
excelentes resultados. Ah! Informaram, ainda, que para o reservatório
inferior foi utilizado o corpo de uma espiriteira (lamparina) metálica.
Parabéns!
A Escola está de especial
parabéns, pela ética aprimorada, citando a fonte do projeto e o nome do
autor, como informou o consulente que assistiu à Feira de Ciências dessa
escola.
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