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Pisca-pisca,
por dilatação
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Apresentação
Para a montagem desse
interessante dispositivo dinâmico, que evidencia a dilatação dos gases
(ar, no caso), necessita-se do seguinte material:
- uma lâmpada incandescente de 40 ou 60 W (110 V) e
seu respectivo soquete,
- uma lata cilíndrica com tampa destacável (tipo fermento em pó, leite
em pó etc),
- tubo de vidro em U (diâmetro de 3 a 5 mm),
- pequena quantidade de mercúrio (Hg) [ou água levemente acidulada],
- conexão de borracha ou látex e
- fios de ligação.
Abaixo ilustramos
aspecto final da montagem, para facilitar a descrição a seguir (uma
figura vale mais que mil palavras!).
Um pequeno tubo de
cobre ou latão, em forma de L, deve ser parcialmente introduzido num orifício
praticado no centro da tampa da lata e a seguir soldado (use soldador de
100 W e solda comum). Um pequeno tubo de borracha ou látex fará a conexão
desse tubo metálico com o tubo de vidro em forma de U. Dois fios de cobre
encapados (tipo extensão de telefone) são introduzidos no tubo de vidro.
No ramo da esquerda, esses fios têm uma pequena porção de seu
isolamento retirado, lixando-se as extremidades descobertas.
Introduz-se
Hg no tubo de vidro, até cobrir as extremidades desencapadas dos dois
fios, conforme se ilustra acima.
Um dos fios que saem pelo ramo da direita vai direto a um dos pólos da
rede elétrica domiciliar (110 V) e o outro vai a um dos terminais do
soquete da lâmpada. Do outro terminal do soquete vai um fio de ligação
até o outro pólo da tomada da rede elétrica.
A lâmpada pode ser colocada sob a lata (como na primeira ilustração),
ao lado dela, ou, com as devidas adaptações, dentro da própria lata,
ficando lá hermeticamente fechada (colocar bornes isolados da lata para
as ligações do soquete) .
Na
temperatura ambiente (na qual foi feita a montagem), o Hg “molha” as
duas extremidades desencapadas dos fios, fechando o circuito elétrico —
a lâmpada acende.
Com o aquecimento, o ar do interior da lata expandese (devido à irradiação
e/ou convecção provocada pela lâmpada acesa) e empurra o Hg do ramo da
esquerda do tubo em U (a pressão do ar na lata toma-se maior que a pressão
atmosférica), descobrindo as extremidades dos fios, interrompendo o
circuito elétrico — a lâmpada apaga.
Trocando
calor com o ambiente, o ar do interior da lata esfria, contrai-se, sua
pressão diminui e o mercúrio retoma ao nível primitivo (igual nos dois
ramos), restabelecendo o circuito (lâmpada acende). O ciclo reinicia.
Para
se aproveitar da energia radiante da lâmpada acesa (caso a lâmpada seja
colocada ao lado da lata), convém pintar o exterior da lata com tinta
preta opaca. Os devidos suportes para tal montagem ficam por conta da
habilidade do montador.
O
experimento destaca:
a)
a dilatação térmica dos gases;
b) a lei: sob volume constante,
a pressão do gás é diretamente proporcional à temperatura absoluta.
Nota: A variação de volume devido ao
abaixamento do nível de Hg é bem pequena em confronto como volume do ar
da lata. Para medir a temperatura do ar basta introduzir um termômetro
(com rolha, através da tampa) na lata; a pressão é medida pelo desnível
do Hg nos dois ramos;
c) a convecção do ar,
transferindo calor da lâmpada para a lata, quando a lâmpada é colocada
sob a lata;
d) o calor radiante proveniente
da lâmpada e a absorção de parte desse calor pela superfície negra da
lata; e) um
interruptor de Hg;
f) um “feedback”
positivo: a própria temperatura, desliga a fonte de calor;
g) um manômetro de Hg;
h) um termômetro a gás a
volume constante.
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