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Barquinho
pop pop
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
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Eis o
meu barquinho pop pop.
Não me perguntem porque eu o guardei
por tanto tempo ou onde o comprei.
Mas esse é o segundo texto que escrevo
sobre ele; o primeiro 'sumiu' na escalada
da vida.
Léo |

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Esse
pequeno barco de brinquedo tem uma propulsão incrível. É uma máquina
térmica, e como tal,
tem seu rendimento preso pela 'camisa de força' do ciclo de Carnot.
Nele há dois tubos de cobre que saem pela popa do barco, provenientes de
uma pequena caldeira,
fixados entre o centro do barco e a
proa por uma braçadeira de lata. Quando a caldeira é aquecida por uma
vela, o vapor que se forma obriga a água a sair pelos tubos, e o barco
move-se para a frente. Quando se consome a água que estava na caldeira,
o barco deveria parar, mas o que acontece é que os tubos aspiram mais água
para dentro da caldeira, e o processo repete-se. E assim o barco segue
seu caminho (há um pequeno leme na popa) até a extinção da vela.
Quanto
apreciei pela primeira vez esse barquinho notável uma pergunta imediata
veio á tona: Por que
a água é aspirada? A resposta
pareceu-me simples porém, anos depois, uma outra pergunta veio á mente:
Quando isso acontece, por que o barco não percorre para trás a mesma
distância que tinha percorrido para a frente? Essa
foi mais 'cabeluda' ... como você responderia a tais perguntas?
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Vejamos
como me saí:
Primeira
resposta: O calor transferido pela chama da vela converte em
uma bolha de vapor uma
parte da água que está na caldeira; a pressão exercida
por esse vapor desenvolve forças sobre a superfície da água que resta
na caldeira e impulsiona as
colunas
de água através dos tubos, fazendo-as emergir,
junto com o vapor, em
jato na traseira do barco. Quando
água e vapor saem
da caldeira, parte do vapor
restante condensa-se
nos tubos, que estão mais frios, e contrai-se, diminuindo a pressão e,
com isso, aspirando água
fria para dentro do
tubo
morno e caldeira quente.
E o ciclo recomeça. Essas compressões
e descompressões ocorridas na caldeira é que originam o ruído
'pop-pop' ou a vibração do sistema.
Segunda resposta: O
fato fundamental, durante a
aspiração,
é que a água entra no tubo segundo todas as direções contidas num
hemisfério, e não segundo uma única direção.
Há uma propulsão resultante para a frente motivada pela assimetria na
emissão do jato para a retaguarda e também pelo fato da água entrar
segundo todas as direções contidas no hemisfério de trás. Faço uma
analogia mais adiante; prossiga com a leitura.
O
barulho pop-pop é uma boa alegoria do sistema e é proveniente da oscilação
brusca da lâmina flexível, também de cobre
(ou de bronze fosforoso)
com espessura
ao redor do 0,2
mm,
que reveste o topo da caldeira, nas fases de expulsão e aspiração da
água. Essa lâmina é conhecida por 'diafragma'.
Uma caldeira rígida, sem essa lâmina, também funcionará ---
sem fazer barulho.
Nesses barcos a caldeira rígida consta, simplesmente, de 1 ou 2 espiras
feitas com o próprio tubo de cobre.
Abaixo, ilustramos duas versões do barquinho pop-pop --- logo,
com diafragmas.
Para
uma analogia, o próprio ser humano "é um barco pop-pop" ... e
só não sai voando enquanto respira
devido
à pequena
potência do processo.
Nossa musculatura peitoral faz o papel do diafragma;
nossos pulmões, o da caldeira ... o ar, o da água. Temos nossa dupla
tubulação até o nariz (que faz o papel da parte dos tubinhos que fica
dentro da água do lago ou piscina). O jato de ar quente
que sai pelo nariz na fase da expiração o
faz em forma de jato concentrado numa
pequena seção (coloque as costas de sua mão junto ao nariz e faça uma
expiração forçada para sentir esse jato de ar) mas, na fase
de aspiração o ar não entra pela mesma seção e sim por
todo o contorno biselado do nariz. Ao aspirar você não sente a
presença de um jato entrando; o ar da aspiração é proveniente mais da
região que contorna o nariz.
Quando a curvatura dos bordos do nariz é destruída (tais como a dos
pugilistas socados diretamente no nariz) a tendência é a pessoa começar
a aspirar o mesmo ar que expirou e, para evitar isso, deve ficar
constantemente movendo a cabeça. Já reparou
nisso?
No nariz íntegro há uma resultante propulsora (que empurra o ser humano
para cima) durante a respiração.
Peço escusas aos biólogos se falei alguma bobagem na analogia proposta
... e, por favor, corrijam-me.
Ainda
não experimentei, mas tenho firme convicção que ajustando a tuberia
de saída dos tubos no barquinho, em forma de curvatura do nariz, o
rendimento do processo deve aumentar.
Para
os 'hobbistas' interessados eis as medidas tiradas de meu exemplar:
Bom
sucesso! Apreciaria receber daqueles que 'colocaram mãos à obra' a
descrição das dificuldades e 'transtornos' que encontraram ... e
venceram. Isso poderá ser muito útil aos nossos consulentes.
Prof. Léo-Luiz Ferraz Netto - leobarretos@uol.com.br
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