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Dilatação dos Sólidos
I
(Determinação de a)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivos
—Observar que o aquecimento de um
sólido provoca um aumento em suas dimensões.
—Medir o aumento no comprimento de um sólido em forma de barra ou tubo.
—Determinar o valor do coeficiente de dilatação linear dos sólidos.
—Concluir que, à materiais diferentes correspondem coeficientes de
dilatação diferentes .
Pré-requisito
Assumir como verdadeira a a expressão L2 = L1(1
+ a.Dt)
a.Dt)
para a dilatação linear de sólidos.
Material
2 lamparinas a álcool ou outra fonte de calor para
ferver água;
1 tubo de alumínio de 50 cm de comprimento e 0,84 cm de diâmetro
externo;
*1 tubo de alumínio de 50 cm de comprimento e 0,70 cm de diâmetro
externo;
*1 tubo de latão de 50 cm de comprimento e 0,70 cm de diâmetro externo;
1 tubo de látex de 50 cm de comprimento e 0,70 cm de diâmetro;
1 tubo de vidro de 10 cm de comprimento e 0,70 cm de diâmetro;
1 tubo de ensaio de 25 mm x 200 mm;
1 rolha de borracha para fechar o tubo de ensaio, com um furo central de ~
0,90 cm;
1 transferidor de papel ou plástico;
1 lâmina para microscópio;
10 percevejos;
1 ponteiro (Veja
Orientação para o professor);
1 termômetro de mercúrio (-10 a 110oC) (Veja
Orientação para o professor);
1 prendedor de roupa, de madeira;
1 suporte universal para laboratório;
1 garra com presilha;
1 anel elástico para dinheiro;
1 régua;
1 prancha de madeira de 50 cm x 10 cm;
Orientação
para o professor
Embora de execução bastante simples, essa atividade exige que a Escola
tenha o material relacionado; caso contrário, o professor (ou grupo de
alunos) deverá acompanhar as sugestões seguintes para a sua obtenção:
[Nota: É obrigação
do professor de Ciências (Física, Química, Biologia) cobrar da Direção
da Escola a presença do material mínimo indispensável para a elaboração
dos trabalhos experimentais.]
1.
Tubo de alumínio - Pode ser obtido a
partir de varetas de antenas externas para televisores. Elas darão bons
resultados mesmo que suas dimensões não sejam exatamente as
especificadas na lista acima.
2. Tubos de outros materiais -
Experimente verificar em casas de ferragens e de refrigeração. Se sua
aquisição não for possível, o professor deverá limitar-se aos três
primeiros objetivos, para o alumínio.
3. Ponteiro do pirômetro - Pode ser
construído a partir de 8 cm de fio de cobre (o fio #10 tem 2,6 mm de diâmetro
e o #12 tem 2,0 mm) ou de qualquer pedaço de arame com cerca de 2 mm de
diâmetro, colando-se (uma gota de superbonder) um cartão recortado em
forma de agulha em seu extremo, conforme se ilustra na fig. 1.
A
determinação do diâmetro desse ponteiro
deve ser feita pelos alunos, conforme o item 16
dos Procedimentos.
4. Termômetro - Servirá para
determinar a temperatura inicial do experimento e a temperatura do vapor
d’água. Esta última poderá ser determinada apenas uma vez pelo
professor ou por um grupo de alunos, e seu valor deve ser então
transmitido à classe, para adotá-lo em seus cálculos. Dessa maneira,
cada grupo de alunos necessitará de apenas um termômetro. Caso a Escola
não disponha de termômetros em número suficiente para todos os grupos,
o professor poderá determinar a temperatura ambiente (aproximada) no
laboratório, com o termômetro disponível, e assumi-la como sendo a
inicial. Essa 'técnica', embora introduza erro, permitirá o cálculo
da dilatação (DL)
e do coeficiente de dilatação linear (a),
dentro da ordem de grandeza esperada.
5. Transferidor - Os alunos poderão
desenhá-lo em papel, trazendo-o pronto para a aula prática ou, então,
poderão utilizar um transferidor de plástico.
Introdução
A maioria dos materiais sofrem
variações em suas dimensões, quando submetidos a variações de
temperatura. Alguns se dilatam quando aquecidos (maioria), ao passo que
outros se contraem (por exemplo, a borracha).
Nesta Atividade você irá observar variações no
comprimento de tubos metálicos, quando aquecidos, e irá
determinar o valor do coeficiente de dilatação
linear do material de que é feito cada tubo.
A variação no comprimento do tubo utilizado, quando submetido à diferença
de temperatura da ordem de 100 oC, é apenas uma fração do
milímetro, sendo portanto de difícil observação e medida. Devemos
recorrer, portanto, a um artifício bastante simples (ampliador de
deslocamento) para tornar essa dilatação observável.
Para entender todo o processo aqui utilizado, admita que o tubo esteja
rigidamente preso por
um de seus extremos, estando o outro extremo apoiado sobre um cilindro que
pode girar quando “empurrado” pelo tubo, ao dilatar-se. Um ponteiro
preso ao cilindro indica, sobre uma escala, de que ângulo este girou.
Isso ilustramos na fig. 2.
Inicialmente,
à temperatura ambiente tsala, o comprimento do tubo é Lsala,
a indicação do ponteiro deve estar ajustada em zero no transferidor e a
parte inferior do cilindro deve estar apoiada sobre o ponto O1.
Em seguida, o tubo é aquecido até a temperatura tvapor,
dilatando-se e provocando a rotação do cilindro que irá deslocar-se de
O1 para O2 (translação do eixo geométrico do
ponteiro) e cujo ponteiro indicará um ângulo q
(rotação do ponteiro ao redor do eixo
geométrico). Ilustramos isso na fig. 3.
A
dilatação total do tubo será igual ao
valor do perímetro desenvolvido pelo cilindro, quando sofre uma rotação
de um ângulo q,
mais uma translação igual à distância entre O1 e O2.
O valor dessa dilatação será então:

Nessa
expressão, q
é o ângulo, em graus, indicado pelo ponteiro e r e D são
o raio e o diâmetro do ponteiro, respectivamente. Podemos, então,
explicitar o coeficiente de dilatação linear a, a partir da expressão:

Procedimento
1 —Você poderá fazer uma
montagem como a da fig.6. Observe-a cuidadosamente e acompanhe os
seguintes passos de instruções:
2
—Coloque o tubo de vidro na garra forrada de cortiça e, após preencher
3/4 de volume do tubo com água, feche-o bem com a rolha de 1 orifício,
prenda-o no suporte de laboratório, mantendo-o com uma inclinação de 30o
com a horizontal, aproximadamente, como ilustramos na fig.7.
3
—Coloque a prancha de madeira sobre a mesa e fixe o prendedor de roupas,
com percevejos, em seu extremo, conforme a fig.8(a).
4 —Fixe a lâmina de vidro, com percevejo, ao extremo da tábua,
conforme se ilustra na fig. 8(b).
5
—Conecte um extremo do tubo de látex ao tubo de ensaio e o outro
extremo ao tubo de alumínio.
6 —Prenda o extremo do tubo de alumínio ao prendedor de roupa,
fixando-o bem (fig. 8a). Apóie o extremo livre do tubo de alumínio sobre
a lâmina de vidro. Veja esse detalhe na fig. 8(b).
7 —Faça um furo no centro do transferidor de papel para permitir a
passagem do eixo do ponteiro. Recorte esse transferidor de papel de modo
que seu centro de gravidade fique abaixo do eixo do ponteiro, desse modo,
enquanto o transferidor acompanha o ponteiro em sua translação, manterá
sempre vertical o traço zero de referência. No Procedimento
20 faremos um comentário sobre isso.
8 —Introduza o ponteiro pelo furo do transferidor, apoiando-o sobre a lâmina
de vidro e mantendo-o sob o extremo do tubo metálico.
9 —Mantenha o tubo metálico ligeiramente pressionado contra o eixo do
ponteiro, utilizando para isso um elástico e percevejo, conforme se vê
na fig. 8(b). Ajuste o ponteiro, de modo a indicar zero grau no
transferidor.
10 —Meça e anote o comprimento Lsala compreendido entre a
parte fixa do tubo de alumínio e o eixo do ponteiro.
11 —Peça orientação ao seu professor para determinar a temperatura
inicial do sistema e a temperatura do vapor. Anote essas temperaturas.
12 —Prepare duas lamparinas a álcool, coloque-as sob o tubo de ensaio e
acenda-as.
13 —Aguarde a água entrar em ebulição e observe o movimento do
ponteiro. Anote o máximo ângulo q
indicado.
14 —Repita todos os itens anteriores, utilizando tubos metálicos de
outros materiais e de outros diâmetros, fornecidos pelo seu professor.
15 —Coloque o ponteiro sobre uma folha de papel e faça-o dar 10 voltas
completas sem deslizar.
Veja fig. 9. Determine o valor da distância
P1P2 correspondente a essas 10 voltas.
16
—Calcule e anote o valor do raio do ponteiro, lembrando que a distância
P1P2 corresponde a 10 voltas do ponteiro e deve ser
igual a 10 vezes o perímetro do ponteiro, ou seja:
P1P2
= 10 x 2.p.r
==> r = (P1P2)/(20p)
Cálculos
17 —Com os dados coletados,
calcule o valor da dilatação DL
para cada tubo metálico.
18 —Calcule o valor do coeficiente de dilatação linear de cada
material disponível.
Perguntas
19 —O valor da dilatação linear depende das dimensões do tubo? E o
coeficiente de dilatação linear?
20 —Que modificações deveriam ser introduzidas na determinação da
dilatação linear sofrida pelo tubo, se o eixo do ponteiro girasse sobre
o seu eixo geométrico (sobre o eixo geométrico do cilindro do ponteiro),
ao invés de rolar sobre a placa de vidro, como na técnica indicada em 7?
Respostas
e Comentários
Item 17 - Os
resultados desse item dependem essencialmente do equipamento utilizado
(tubo e ponteiro) e da diferença de temperatura atingida.
Item
18 - Os valores teóricos estão
tabelados a seguir. O valor experimental depende do cuidado de cada grupo
e da precisão do equipamento utilizado. E aceitável um resultado com a
ordem de grandeza 10-6. Uma média de todos os grupos mostrará
que o coeficiente do alumínio é maior que o do latão e o do latão é
maior que o do cobre.
|
Metal |
oC-1 |
| Alumínio |
25.10-6 |
| Latão |
19.10-6 |
| Cobre |
17.10-6 |
| Ferro |
12.10-6 |
Item
19 - Um tubo muito longo sofre uma
maior dilatação, em valor absoluto, do que um curto, sendo do mesmo
material. O coeficiente de dilatação depende apenas do material de que
é feito o corpo em questão.
Item
20 - Deveria ser considerado o perímetro
correspondente a um ângulo q apenas
uma vez (e não multiplicado por 2 como o fizemos). Porém, como a dilatação
depende somente da diferença de temperatura, para um mesmo corpo, seu
valor (DL)
seria o mesmo, o que leva a concluir que o ângulo q,
agora, deve ter o dobro do valor anterior. Em outras palavras: se o
ponteiro girar e transladar o DL
será igual ao dobro do perímetro correspondente ao deslocamento angular q
e se o ponteiro apenas girar (não
transladar) o mesmo DL
será igual a apenas uma vez o deslocamento angular q'
(acontece, porém, que esse q'
será o dobro do anterior q).
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