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Dilatação
dos sólidos 2
(Aplicações do par
bimetálico)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivos
— Observar que o
aquecimento/resfriamento de um par bimetálico provoca uma alteração na
sua forma.
— Explicar o funcionamento do par bimetálico.
— Indicar algumas aplicações práticas para o par bimetálico.
Pré-requisitos
Conhecimento básico sobre dilatação
térmica de um sólido.
Material
1 par bimetálico (modelo didático ou
equivalente);
1 fonte de calor (fósforo, vela, lamparina etc.); pedras de gelo;
2 lâmpadas de lanterna para 3 V;
2 pilhas comuns de lanterna;
Fios de ligação (cabinho #22);
1 suporte universal para laboratório;
Garras tipo jacaré;
1 starter para lâmpada fluorescente (de 15, 20 ou 40W).
Orientação
sobre a atividade
Dividimos esta atividade em duas partes.
A primeira é uma experiência qualitativa
muito simples, com um roteiro de discussão.
Para efetuá-la, o aluno deve ter apenas uma noção básica do que seja o
fenômeno de dilatação térmica, ou seja, saber que, (a) de modo geral,
uma certa substância se expande ao ser aquecida e se contrai ao ser
resfriada; (b) tendo cada material um certo coeficiente de dilatação,
que indica o quanto ele se expande ou se contrai, ao sofrer uma variação
unitária de temperatura.
Com base nisso, o aluno irá observar e explicar o que ocorre com um par
bimetálico ao ser aquecido e resfriado.
É importante que nas duas situações os alunos observem o par, até
atingir a forma curva (modelo didático).
A
segunda constitui-se na montagem e observação
de um circuito elétrico simples onde se
utiliza um par bimetálico. Por envolver algumas noções de circuitos elétricos,
sugerimos que o professor faça a montagem em classe, explicando aos
alunos cada etapa.
O principal objetivo desta segunda parte é levar os alunos a terem uma idéia
de como podemos utilizar
um par bimetálico como sensor de temperatura. É interessante que eles próprios
tentem também imaginar outras aplicações práticas para o par.
Sugerimos,
a seguir (fig. 1), um circuito elétrico. Cabe ao professor optar por montá-lo
ou não como, também, procurar outras idéias.
O
interruptor térmico
Podemos montar vários circuitos elétricos, utilizando um par bimetálico
para faze-lo funcionar como um interruptor térmico; um sensor de
temperaturas. Sugerimos um circuito que consideramos o mais simples, para
que o aluno possa entender o que ocorre.
Nesse
circuito P1 e P2 são pilhas comuns de lanternas de
1,5V cada, ligadas em série, de modo que a tensão total disponível é
de 3,0 V. L1 e L2 são lâmpadas (para
lanternas de 2 pilhas) associadas em série e PB é um starter
para lâmpada fluorescente (qualquer modelo), normalmente constituído por
um ou dois pares bimetálicos.
O professor deverá acompanhar as instruções
dos itens 1 a 7 para a construção e demonstração do interruptor térmico.
1.
Montar o circuito só com as duas pilhas e as duas lâmpadas em série,
sem o par bimetálico.
2. Dar uma noção do que ocorre nesse circuito; por exemplo, "a
pilha fornece energia que é transportada por certas partículas até
às lâmpadas; daí o brilho das mesmas". A 'profundidade' das
explicações ficará ao cargo do professor, na dependência do nível
escolar da classe. A única observação, para a qual alertamos, é não
usar termos populares, tais como, 'voltagem' e 'amperagem' em lugar de
'diferença de potencial' e 'intensidade de corrente elétrica'.
Ainda,
algo assim, poderão ser acrescentados nessas noções:
•Quanto mais pilhas, mais energia e,
portanto, maior o brilho [use inicialmente uma pilha e depois, duas].
•Como há 2 lâmpadas iguais, a energia das pilhas é
dividida em duas: metade para cada lâmpada.
•Para a energia ser transportada para as lâmpadas,
precisamos ter um circuito fechado. Se abrirmos
esse circuito, em algum ponto, as lâmpadas se apagam.
3.
Quebrar a ampola de vidro do starter para a lâmpada fluorescente (use um
pano para envolve-lo e bata com um martelo) e observá-lo atentamente. Ele
é constituído normalmente de um (B) ou dois (A) pares bimetálicos, como
mostramos na fig. 2.
4.
Verificar que, ao se aquecer (com a chama de uma lamparina) o starter, as
lâminas se unem e ao se resfriar, elas se separam.
5. Ligar o starter em paralelo com uma das lâmpadas (optamos pela L2).
Use fios dotados de jacarés.
6. Verificar e explicar o que ocorre com o brilho da lâmpada quando o
starter for aquecido, através da chama de um fósforo ou da lamparina.
Quando as lâminas estão separadas, não há passagem de corrente elétrica
pelo par (PB), pois o trecho de circuito AB, onde se encontra o PB, está
aberto. As duas lâmpadas brilham como antes de ligarmos o par no
circuito, como se ilustra na fig. 3a.
Ao
aquecermos o starter, as lâminas se juntam e fecham o circuito no trecho
AB que contém PB. Como ele tem resistência muito pequena (praticamente,
zero), quase toda corrente elétrica (I’) passa pelo par PB e não pela
lâmpada L2. L2 se apaga e L1 brilha
mais, pois agora a corrente que passa por L1 (I') é maior que
antes (I), uma vez que L2 não consome energia das pilhas.
Ilustramos isso na fig. 3b.
7.
Aquecer (por meio de um fósforo) e resfriar (soprando) o par PB várias
vezes e observar, em seguida, que a lâmpada L2 se acende e
apaga enquanto L1 aumenta e diminui o brilho. Veja pergunta
sobre 'Alarme de incêndio' (Proced. 9)
Explicando
o funcionamento do bimetal
Você já deve ter observado e estudado o que ocorre quando aquecemos e
resfriamos uma substância. No primeiro caso, há uma expansão da mesma e
no segundo, uma contração. Habitualmente se usa o termo 'dilatação'
quando se refere apenas à expansão; não deve ser assim, o termo dilatação
deve se referir tanto à expansão como a contração. Ocorre 'dilatação'
quando a substância sofre uma variação de temperatura.
Você também já deve ter constatado que cada objeto sofre uma dada
dilatação, quando sujeito à uma determinada variação de temperatura,
cujo valor depende essencialmente de suas dimensões e do coeficiente de
dilatação do material de que é feito o objeto. Este coeficiente é uma
característica da substância.
Imagine,
por exemplo, a seguinte situação:
Duas barras de metais diferentes, de mesmo comprimento inicial, são
aquecidas simultaneamente por uma mesma fonte de calor.
Se o material de que é feita a barra A tem coeficiente de dilatação
linear maior do que o da barra B, verificaremos que A se dilata mais do
que B, conforme ilustramos na fig. 4a.
Imagine
agora que soldamos essas duas barras, uma sobre a outra, tal como mostra a
fig. 4b.
O que você espera que ocorra ao aquecermos esse conjunto?
É justamente isso que você irá observar nesta atividade.
A
esse conjunto de duas lâminas de materiais diferentes, unidas uma sobre a
outra, damos o nome de par bimetálico.
Você irá aquecer e resfriar um par bimetálico tal como o da fig.5
(modelo didático) e observar o que ocorre.
Procedimento
- Parte A
1 — Faça uma marca qualquer em um dos lados do par bimetálico,
para identificar suas faces.
2 — Aqueça o par, por meio de uma fonte de calor, em duas posições,
tal como mostra a fig. 6.
Descreva
o que ocorre com o par em cada situação e procure explicar o porquê.
3
— Com base no que você observou em (2), identifique a lâmina que mais
se dilatou ao ser aquecida.
4 — Coloque agora o par em contato com o gelo: do mesmo modo que em (2),
uma vez cada face.
Descreva o que você observou.
5
— Com base no que você observou em (4), identifique a lâmina que mais
se contraiu ao ser resfriada.
6 — Compare o comportamento do par nas situações (2) e (4), de
aquecimento e resfriamento.
Explique a diferença.
7 — Identifique a lâmina que possuí maior coeficiente de dilatação.
8 — Procure imaginar algumas aplicações práticas para o par bimetálico.
9 — Como você poderia montar um circuito de alarme contra o fogo,
utilizando um par bimetálico?
Desenhe esse circuito e
descreva seu funcionamento.
Procedimento
- Parte B
Efetue com este par uma aplicação. Para isso, peça orientação
ao seu professor... ou, invente à vontade!
Comentários
Itens 2 e
3 - A fig. 7a ilustra o que ocorre com o par bimetálico,
quando aquecido. O material de que é feita a lâmina B tem maior
coeficiente de dilatação do que o da lâmina A e, portanto, dilata-se
mais.
Itens
4 e 5 - A fig. 7b ilustra o que ocorre quando o par bimetálico
é resfriado. A lâmina B se contrai mais do que a A, o que confirma que o
coeficiente de dilatação de B é maior que o de A.
Item
6 - Estando o par sem deformação
(lâminas planas) à temperatura ambiente, ele se curvará num sentido,
quando aquecido acima da temperatura ambiente e se curvará no sentido
oposto, quando resfriado abaixo da temperatura ambiente.
Item
7 - Veja as respostas dos itens 2 e 5.
Item
8 - Algumas aplicações para o par
bimetálico: termostatos para geladeiras; ferro automático de passar
roupa; alarmes contra incêndio; termômetros para altas temperaturas etc.
Item
9 - O mesmo circuito da fig. 3a. Quando a fonte de calor é
mantida junto ao par bimetálico, uma das lâmpadas permanecerá acesa e a
outra apagada. Uma das lâmpadas pode ser indicadora da situação normal
e a outra, da situação de incêndio.
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