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Correntes de convecção
III
(Latas e tubos)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uolç.com.br
leo@feiradeciencias.com.br
Objetivo
Evidenciar a transferência de calor por deslocamento de massas; a convecção.
Princípio
Quando você, utilizando uma tenaz, leva um bloco de carvão ao rubro da
churrasqueira para uma bacia com água, estará efetuando uma transferência de
calor da fonte quente (churrasqueira) para a fonte fria (água). Este modo do
calor propagar-se, usando de um veículo externo (você, no caso), denomina-se
convecção. No aquecimento dos fluidos (líquidos e gases) o modo de
propagação do calor segue o mesmo princípio, apenas que, o veículo externo é, no
geral, a gravidade terrestre. Massas de fluidos quentes, menos denso, sobem
(levando energia térmica para locais mais frios) e massas de fluidos frios (mais densos) descem, sob
ação da gravidade.
Material
2
latas de boca larga e capacidade para 1 ou 0,5 litro (latas de leite em pó),
4 tubinhos de cobre de 8 cm de comprimento e 0,6 cm de diâmetro (ver detalhes),
1 conjunto de sorinho ("equipo") ou 1 m de tubo plástico transparente,
1 ebulidor simples de 300 a 500 W,
1 termômetro e base de madeira (20 x 60) cm.
Montagem
Comece a operação de montagem fazendo 2
furos em cada lata; um a 1/4 da altura a contar do fundo e outro a 1/4 da altura
a contar da boca. Os diâmetros desses furos devem ser tais que permitam a
passagem dos tubinhos de cobre e estes, por sua vez, de diâmetro ligeiramente
menor que o diâmetro do tubo plástico transparente ou do tubo retirado do
"equipo".
Introduza os tubinhos de cobre nos orifícios, até a metade e, a seguir, solde os
tubos nas latas (esta operação deve ser feita por adulto, com ferro de solda e
estanho adequados).
A seguir, fixe as latas na tábua base.
Esta operação pode ser feita usando parafuso de rosca soberba (e arruela de
couro ou borracha) passando por um furo no centro da base da lata ou soldando
cantoneiras nas bordas inferiores das latas.
Corte dois pedaços de tubo plástico
transparente (ou ´sorinho´), que farão as conexões de uma lata com outra (cerca
de 40 cm cada pedaço); passe cada um desses tubos pelo controle de vazão e
encaixe as extremidades nos tubinhos de cobre que sobressaem das latas.
Procedimento
Ajuste os controles de vazão de modo que obstrua completamente a passagem de
água através dos tubos plásticos (gire o botão do controle para trás). Coloque
água nas duas latas até acima do nível do tubo plástico mais alto; em uma das
latas (a da esquerda, na ilustração) coloque um pouco de corante orgânico,
introduza o ebulidor e o termômetro. Tubo pronto para as experimentações.
Antes do ebulidor ser ligado (na
tomada de 110 V da rede elétrica domiciliar) os controles de vazão devem estar
impedindo qualquer transcurso de água de uma lata para outra; este procedimento é necessário para que o processo de troca de calor não
se inicie antes da água ferver, o que prejudicaria
uma boa observação do fenômeno.
Acompanhe o aumento da temperatura da
água com o termômetro.
Com os tubos de conexão obstruídos (pelos controles de vazão), a água aumenta de temperatura
apenas dentro da lata onde
está o ebulidor.
Quando a água entrar em ebulição, pode-se aproveitar a oportunidade para demonstrar aos alunos que
a temperatura da água permanece
constante enquanto ela ferve (um lei da ebulição).
Depois que a água ferver, os controles
de vazão podem ser abertos (liberar o fluxo de água nos tubos plásticos),
mantendo-se o ebulidor ligado. Aprecie o interior das latas, por cima, e observe
o turbilhão formado pela água quente ao invadir a água fria na outra lata (dai a
vantagem de usar corante na água quente) pelo tubo superior.
O tubo plástico superior se apresenta
ao toque bem quente, enquanto que o inferior se apresenta frio. Mediante o
termômetro pode-se comprovar que a água quente vai esfriando e a água fria vai
esquentando. Está ocorrendo troca de calor da água das duas latas com o ebulidor
(fonte quente); o ebulidor faz (no comentário do princípio de funcionamento) o
papel de churrasqueira, a água quente o papel de carvão em brasa e a água fria o
papel da água fria na bacia --- a gravidade faz o papel de ´veículo externo´ ou
´transportador´. A água fria (mais densa) se desloca em sentido ao ebulidor,
trocando de lugar com a água quente (menos densa) que se afasta dele (sobe).
Assim, a convecção se caracteriza pela
troca de calor através do deslocamento
de porções de água quente e fria. Os
fluxos de água quente através do tubo
superior e água fria pelo tubo inferior são as correntes de convecção.
Conclusão
O processo
de troca de calor por convecção pode ser construído com material de baixo custo.
A atividade é útil para professores de escolas públicas as quais, como sabemos,
com parcos recursos
materiais.
Outra vantagem do experimento
proposto é que a demonstração do
fenômeno não depende da utilização
de um termômetro. O professor que
encontrar dificuldades em conseguir
um termômetro para a realização do
experimento, pode fazer uso da visão
e do tato (experimentando aproximar
cuidadosamente a mão para verificar
qual tubo de alumínio está frio ou
quente e olhando o turbilhão de água
quente dentro do canecão com água
fria ou ainda colocando corante em
um dos canecões) para demonstrar a
troca de calor por convecção. A sugestão fundamental é que os alunos participem
da demonstração verificando os
efeitos descritos pelo professor interativamente.
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