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Gelo,
água e vapor postos a trabalhar
(Parte 3)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
A
Máquina Perfeita
O grande avanço para nossa compreensão da máquina a vapor
ocorreu em 1824, quando Sadi Carnot
(1796-1832), jovem cientista francês, publicou seu panfleto Reflexões
sobre a Potência Motora do Calor. Este trabalho monumental recebeu
pouca atenção à época, e passou virtualmente desapercebido durante um
quarto de sáculo. Foi "descoberto" por volta de 1847 por W.
Thompson (Lorde Kelvin), tornando-se, a partir daí, um clássico
científico.
A unidade de
pensamento de Carnot era uma máquina reversível o que implica numa relação
mensurável entre o calor e o trabalho útil.
Para ilustrar, imaginemos uma máquina a vapor que produz dez milhões de
libras-pés de trabalho, queimando um bushel de carvão. Suponhamos agora
que a máquina gira para trás; o carvão não será queimado, mas o eixo
da máquina é girado por algum agente externo. Suponhamos também que a
quantidade de trabalho realizado ao girar o eixo seja de 10 milhões de
libras-pés. Se a máquina fosse reversível, o calor seria bombeado do
condensador para a caldeira, em uma quantidade equivalente à queima de um
bushel de carvão.
Na opinião de Carnot, perfeita eficiência significava reversibilidade.
O calor produzido ao comprimir o vapor quando girando para trás é igual
ao calor utilizado para acionar a máquina, quando funcionando
normalmente. Se for produzido menor quantidade de calor quando funcionado
para trás, a máquina não será perfeitamente eficiente, e algum calor
será desperdiçado na operação normal. A idéia de uma máquina reversível
é de grande importância ainda hoje, na teoria de todas as máquinas que
funcionam com o calor, sejam elas a vapor, a gasolina ou a qualquer outro
combustível.
Embora o artigo
de Carnot fosse escrito na forma calórica, é possível que outros tenham
adulterado o manuscrito após sua morte. Em qualquer caso, sabemos por
seus livros de anotações que Carnot tinha um ponto de vista moderno
sobre a natureza do calor.
No excerto seguinte, Carnot aponta a equivalência do calor e do
movimento:
O
calor nada mais é que potência motora, ou antes, movimento que
modificou sua forma. Ê um movimento das partículas de um corpo. Sempre
que a potência motora é destruída, dá-se ao mesmo tempo uma produção
de calor em quantidade precisamente proporcional à quantidade de potência
motora destruída. Inversamente, sempre que há uma destruição de
calor, há uma produção de potência motora, Portanto, pode-se afirmar,
como regra geral, que há uma quantidade constante de potência motora na
natureza, e que para falar corretamente, ela nunca é destruída ou
produzida. Na verdade, ela modifica a forma --- isto é, às vezes produz
uma espécie de movimento e outras vezes produz outra --- mas nunca é
destruída.
Carnot
salientou que a máquina a vapor, embora extremamente bem sucedida, era
pouco compreendida em teoria. As tentativas para melhorá-la em seu tempo
eram ‘‘ainda orientadas quase sempre ao acaso". Para aprender
seus segredos, ele imaginou uma máquina reversível perfeita, e
especulou sobre seu desempenho. Uma tal máquina seria inteiramente isenta
de fricção (atrito), e perfeitamente isolada contra a perda acidental de
calor. O calor é fornecido à máquina na caldeira, e retirado no
condensador, e o movimento é transmitido somente ao eixo-manivela.
Para um motor assim, Carnot mostrou que o trabalho útil realizado
por unidade de calor transferida --- sua eficiência --- depende tão
somente das temperaturas da caldeira e do condensador. É completamente
independente do fluido usado (vapor, na máquina prática) e do desenho da
máquina. De fato, pode ser demonstrado que a eficiência é
simplesmente:
eficiência = (Tentrada
- Tsaída)/Tentrada
onde Tentrada
é a temperatura do vapor que entra no cilindro e Tsaída
é a temperatura do vapor que sai do cilindro. Essas temperaturas são
medidas na escala de temperaturas absolutas; veremos esse conceito
mais adiante.
Para melhorar o
rendimento de uma máquina, é necessário aumentar a temperatura do vapor
ou reduzir a temperatura do condensador, ou seja, aumentar o numerador da fração
eficiência acima ou diminuir o denominador. Isto explica por
que a invenção do condensador feita por Watt foi tão fenomenalmente bem
sucedida.
Quando o vapor do escapamento é liberado diretamente para a atmosfera,
sua temperatura não pode ser inferior a 100 oC, do contrário
teria sido anteriormente condensado em água. O condensador resfriado a água
de Watt reduziu Tsaída a aproximadamente 30 oC,
melhoramento significativo, que aumentou o numerador da equação da eficiência.
Carnot imaginou
uma máquina funcionando pelo calor como uma máquina que transfere calor
de uma temperatura elevada para uma temperatura baixa, realizando um
trabalho durante o processo. Quanto maior a variação de temperatura,
tanto maior a quantidade de trabalho realizado. Ele imaginou também o
calor como uma forma de movimento --- um movimento ao acaso, das moléculas
da substância. À medida que a temperatura do vapor é reduzida em uma máquina,
parte de seu movimento molecular é convertida no movimento de um
eixo-manivela. Estas idéias foram tomadas e desenvolvidas por Joule,
Lorde Kelvin, Clausius e outros, na metade do século dezenove.
O
Equivalente Mecânico do Calor
Embora as experiências do Conde
Rumford tenham demolido claramente a teoria calórica, ela se
recusava teimosamente a morrer. A inércia intelectual da época resistiu
a todos os esforços para relegá-la ao descanso.
Entretanto, Rumford conseguiu convencer alguns poucos. Um desses foi o
jovem Humphrey Davy, que estava
destinado a distinguir-se mais tarde. Davy estava convencido de que
"o calor não pode ser considerado como matéria", mas como um
"movimento peculiar, provavelmente uma vibração dos corpúsculos
dos corpos". Carnot sustentou opinião semelhante.
Em 1842, J. R. Mayer, de Heilbron,
Alemanha, calculou o chamado equivalente mecânico
do calor. Encontrou que o calor utilizado para elevar a temperatura
de um dado peso de água de 0o para 1o
corresponde à queda de um igual peso de água de uma altura de 365 metros
(1 198 pés).
Embora os
resultados de Mayer se baseassem em um raciocínio correto, caíram em
ouvidos moucos. O mundo da Ciência não ficaria convencido até que se
apresentassem provas experimentais positivas, para apoiar a hipótese
absurda de Mayer. Tais provas foram fornecidas em 1843 por James
Prescott Joule (1818-1889).
Joule
nasceu em Salford, Inglaterra, e foi discípulo de Dalton.
Tomou-se renomado como experimentador, devido às
suas medições precisas e a uma excelente técnica de experimentação.
Sua grande contribuição para a Ciência foi a prova de que o calor e
o trabalho são formas diferentes da mesma coisa.
Como físico, Joule estava a par do conceito de energia cinética.
Era uma expressão matemática igual à metade da massa (m) de um objeto
em movimento, multiplicada pelo quadrado da velocidade (v).
energia
= (1/2) massa x (velocidade)2 = (1/2)mv2
Outra grandeza
física empregada na mecânica de Newton foi chamada de trabalho,
ou seja, o produto da força (f) pela distância (d)
trabalho
= força x distância = f.d
Ele sabia que
estes conceitos eram relacionados, e imaginou como o calor poderia entrar
em tal quadro. Acreditava firmemente na teoria mecânica
do calor, e começou uma longa série de experiências para mostrar
que a energia, o trabalho e o calor têm muita coisa em comum.
A experiência
mais famosa de Joule foi o aproveitamento da queda de um peso para fazer
girar um agitador (eixo dotado de pás) imerso em uma
cuba de água. Abaixo ilustramos seu aparelho.
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Aparelho
de Joule para medir o equivalente mecânico do calor.
A queda do peso P fez girar as paletas imersas em um tubo de água. O
trabalho realizado pelo peso ao cair produziu uma elevação de
temperatura na água |
Deixou
cair o peso P a uma distância equivalente a h, fazendo
girar as paletas e agitando a água. Joule sabia que o trabalho realizado
pela queda do peso se mostraria sob a forma de uma elevação da
temperatura da água. Seu aparelho era capaz de converter uma quantidade
mensurável de trabalho em uma quantidade mensurável de calor.
O trabalho
realizado pela queda do peso era simplesmente igual ao produto do peso
pela distância.
Joule mediu também a temperatura da água, antes e depois da experiência.
Sabia a massa da água e de outros materiais que foram aquecidos, bem como
seus calores específicos. Com essa informação foi possível calcular a
quantidade de calor gerado pela fricção entre as paletas e a água.
Joule demonstrou que o trabalho foi convertido em calor na proporção
de 772 libras-pés de trabalho para cada BTU de calor. O dado atual é de
778 libras-pés por BTU (É o famoso '4,18 J/cal' que os alunos tanto
conhecem hoje).
No sistema CGS,
a unidade de trabalho é o erg. Um erg de trabalho é realizado em um
objeto quando a força de um dine é aplicada sobre ele, deslocando-o na
direção e sentido da força, ao longo da distância de 1 centímetro.
Como esta unidade é bastante pequena, foi criada uma unidade maior, o
'joule' (J), batizada em homenagem a James P. Joule:
1
joule = 10000000 de ergs. Utilizando estas unidades, o equivalente mecânico
do calor é de 4 186 joules de trabalho por quilocaloria de calor ou 4,18
J/cal.
Durante a década
seguinte, o mundo científico convenceu-se de que todas
as formas de energia são equivalentes, e a energia pode ser
convertida de uma forma para outra. Energia cinética ou energia de
movimento; trabalho, produto de uma força pela distância através da
qual ela age; energia elétrica; a energia potencial da água represada
por uma barragem --- tudo isto são manifestações da mesma coisa, energia.
Concluiu-se também que a energia não pode ser criada nem destruída ---
a muito importante Lei da Conservação da Energia. Finalmente, a
termodinâmica tinha-se transformado em uma ciência.
O equivalente
mecânico do calor apresentado por Joule teve fria recepção, a princípio.
Então, em um congresso científico realizado em Oxford, em 1847, ele foi
designado para discutir suas últimas experiências. No auditório estava
o jovem e brilhante físico William Thompson,
mais tarde Lorde Kelvin (1824 -1907).
Embora tivesse apenas vinte e três anos de idade, Thompson era um
cientista respeitado, e Professor de Filosofia Natural (Ciência) na
Universidade de Glasgow.
Thompson tinha
ido a Oxford expressamente para criticar o trabalho de Joule. Havia
estudado o panfleto de Carnot em sua forma "calórica", ficando
abalado por seu brilhante raciocínio. Mas ao lado de sua grandeza havia
um erro. O documento de Carnot declarava que a quantidade de calórico que
entra no condensador de uma máquina a vapor é precisamente a mesma que
é transmitida ao vapor pela caldeira. Isto implicava que nenhuma parte do
calor era convertida em trabalho útil. Portanto, não havia equivalência
entre o calor e o trabalho.
Após ouvir a fala de Joule, Thompson convenceu-se de que havia muita
verdade no que ele dizia. Os dois homens se tornaram amigos para toda a
vida, e Joule freqüentemente agia como um catalisador para a mente
brilhante de Thompson. Embora ficasse impressionado com o trabalho de
Joule, Thompson não pôde rejeitar as idéias de Carnot. Também não pôde
conciliar a pesquisa convincente de Joule com a teoria de Carnot. Como
veremos depois, a resposta veio apenas três anos mais tarde. Mas antes
que isto acontecesse, Thompson realizou uma descoberta de importância
fundamental para a termodinâmica.
Temperatura
Absoluta
Em 1848, Thompson concluiu que devia haver uma escala
absoluta de temperatura. A água em ebulição, sob pressão normal,
por exemplo, tinha a temperatura de 100 oC ou 212 oF,
dependendo do termômetro que fosse usado --- centígrado (hoje, Célsius)
ou Fahrenheit. Cada uma dessas leituras
de temperatura é puramente arbitrária, dependendo da escala escolhida
pelo inventor. Na base do raciocínio termodinâmico, Thompson provou que
o zero absoluto de temperatura era aproximadamente igual a -
460 oF, ou - 273 oC.
A prova
termodinâmica da descoberta de Thompson está além do escopo deste
trabalho de divulgação científica, mas podemos seguir facilmente uma
linha de raciocínio que confirma sua conclusão.
Em 1660, Robert Boyle tinha descoberto
como se relacionam a pressão e o volume dos gases. A lei de Boyle
estabelece que a pressão P e o volume V são inversamente proporcionais,
se a temperatura for mantida constante:
lei de Boyle:
volume a
1/pressão ... ou ... V a
1/P ... (1)
Em 1801, o químico
francês Gay-Lussac anunciou outra lei
que relacionava o volume e a temperatura de um gás. A lei de Gay-Lussac
estabelece que, sob pressão constante, o volume V de um gás é
diretamente proporcional à temperatura T:
lei de
Gay-Lussac: volume a
Temperatura ... ou ... V a
T ...(2)
A lei diz-nos
que cada grau de modificação da temperatura de um gás é acompanhado
por uma modificação idêntica no volume, se a pressão for mantida
constante. Gay-lussac indicou que Jacques Charles
(1746-1823), outro cientista francês, o havia precedido na descoberta da
lei, mas não tinha publicado os resultados. Por esta razão, a lei é
também conhecida como lei de Charles.
A lei de
Gay-Lussac pode ser combinada com a lei de Boyle para dar-nos um
relacionamento importante e único:
Volume
a
Temperatura/Pressão ... ou ... V a
T/P ... (3)
Esta expressão,
que revela-nos que o volume de um gás depende diretamente de sua
temperatura e, inversamente, de sua pressão, pode ser transformada na
"equação de estado" para os
gases, pela introdução de uma constante, K, que depende das unidades
empregadas para medir V, T e P:
V = k.(T/P)
... ou, melhor, ... PV/T = k ... (4)
Podemos usar
esta equação para determinar o zero absoluto de temperatura. Para fazê-lo,
imaginemos um cilindro cheio de ar, conforme se ilustra abaixo.
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Aparelho
para determinar a temperatura mais baixa possível, o zero absoluto. |
O cilindro é
fechado por um pistão móvel à prova de ar, e um manômetro mede a pressão
do ar no interior do cilindro. Um termômetro, não mostrado, indica que a
temperatura do ar no interior do cilindro é 0 oC. O volume
inicial do gás é também conhecido. Suponhamos agora que reduzimos a
temperatura do gás de precisamente 1 oC. Que acontece ao
volume e à pressão? Primeiramente, o volume permanece inalterado, porque
não movimentamos o pistão. Somente a pressão podia ter-se modificado,
como vemos pela equação (4).
A equação estabelece que PV/T é igual a um número
constante, K, de maneira que PV/T permanece inalterado. Já
notamos que V não se modificou. Assim sendo, P deve ter sido reduzido
juntamente com T, para que a relação permaneça inalterada.
Voltemos agora
à Pressão inicial, comprimindo ligeiramente o
ar no interior do cilindro, enquanto mantemos a temperatura a
-1 oC. Podemos fazer isto simplesmente empurrando o pistão
um pouco para baixo, no interior do cilindro,
até que o manômetro indique a leitura da pressão inicial. A condição
do ar no interior do cilindro é agora
a seguinte:
1.
A temperatura é um grau inferior à do inicio, -1 oC.
2. A pressão permanece a mesma.
3. O volume está ligeiramente reduzido.
Quando medirmos
o novo volume, descobriremos que é inferior em 1/273 do volume inicial.
Em outras palavras, uma redução de 1 oC na temperatura
produziu uma redução de 1/273 no volume, com a pressão mantida
constante. Se reduzirmos mais outro grau na temperatura, vamos descobrir
que precisamos empurrar o pistão exatamente na mesma quantidade, para
manter a pressão constante. Cada vez que baixamos a temperatura de um
grau, o volume deve ser reduzido de 1/273, relativamente ao volume a 0 oC.
Se o processo
continuasse durante bastante tempo, teríamos a impressão de que todo o gás
desapareceria quando a temperatura atingisse -273 oC.
Isto não é possível, naturalmente, porque todos os gases transformam-se
em líquidos antes que seja atingida uma temperatura tão baixa. Mas a
temperatura na qual teoricamente o gás deixa de ter volume é chamada de
"zero absoluto".
O hélio se liquefaz a -268,9 oC, e congela-se a um pouco menos
de -272 oC. Em laboratório, têm sido obtidas temperaturas de
alguns décimos de grau acima do zero absoluto. Na escala Fahrenheit, o
zero absoluto corresponde a - 460 oF. De acordo com a
teoria moderna, nenhuma substância pode ser mais fria que - 273 oC
ou - 460 oF.
As
duas leis da termodinâmica
Em 1849, Thompson publicou um trabalho científico intitulado Carnot’s
Theory of the Motive Power of Heat with Numerical Results Deduced from
Regnault’s Experiments on Steam.
Foi este trabalho que introduziu as idéias de Carnot no mundo científico.
Nele também foi analisado o desempenho da máquina a vapor Cornish em
Fowey Consols, uma das máquinas mais eficientes então existentes. Usando
a teoria de Carnot, ele provou que a máquina estava produzindo potência
a apenas um pouco mais da metade de
suas possibilidades teóricas.
Infelizmente, o documento ainda estava baseado na teoria calórica. Não
foi senão no ano seguinte que ele resolveu seu grande dilema e
convenceu-se de que o conceito de Joule referente ao equivalente mecânico
do calor podia ser conciliado com o trabalho de Carnot. Entretanto, antes
que ele pudesse publicar suas idéias, a solução apareceu em um trabalho
de Rudolf Clausius (1822-1888).
Clausius foi um
renomado cientista alemão, professor de Física em Berlim. Mostrou que não
há um verdadeiro conflito entre as teorias de Carnot e as experiências
de Joule. Ali estava a dificuldade. Se a teoria calórica fosse
verdadeira, então a quantidade de calórico que entrava na máquina a
vapor devia ser a mesma que a que saía. Este conceito é análogo ao princípio
da roda de água --- não há perda de água quando esta faz a roda
girar. Tal princípio foi defendido no trabalho de Carnot --- pelo menos
na versão de que dispunha Thompson. Mas se o calor é uma forma de
movimento, como sustentava Joule, então o próprio calor é transformado
no trabalho útil da máquina.
Clausius
salientou que a idéia do calor como uma forma de movimento,
"não
se opõe ao princípio fundamental real de Carnot, mas sim ao acréscimo
'nenhum calor se perde', pois é perfeitamente possível que, na produção
de trabalho, as duas coisas ocorram ao mesmo tempo; uma certa porção do
calor pode ser consumida, e a outra porção transmitida de um corpo
quente (a caldeira) a um frio (o condensador), e ambas as porções podem
manter uma certa relação definida com a quantidade de trabalho
produzido".
Ele mostrou, em
outras palavras, que parte do calor da caldeira foi convertida em
trabalho, sendo o remanescente enviado ao condensador.
Com base nesta
nova interpretação do trabalho de Carnot, Clausius pôde elaborar um
novo e importante princípio:
é
impossível a qualquer máquina automática, sem auxílio de alguma agência
externa, transferir calor de um corpo para outro que tenha temperatura
mais elevada.
Este princípio
veio a ser conhecido como a Segunda Lei da Termodinâmica.
Aplicado à máquina a vapor, mostra-nos que o condensador não pode ser
mais quente que a caldeira. Qualquer alternativa implicaria a
possibilidade de uma "máquina de moto contínuo".
Para ilustrar, imaginemos uma máquina a vapor em que a temperatura da
caldeira seja de 100 oC, e a do condensador, 500 oC.
Além de fornecer trabalho mecânico, a máquina realmente supriria vapor
ao condensador a uma temperatura muito elevada. Por que não alimentar a
caldeira com uma parte do vapor quente do escapamento?
O motor operaria então indefinidamente, sem necessidade de combustível.
Thompson
descobriu a Segunda Lei da Termodinâmica independentemente, formulando-a
de forma diferente, mas equivalente. Além disso, estabeleceu que toda a
teoria da potência motora do calor depende de outro princípio,
atualmente conhecido como a Primeira Lei da Termodinâmica:
sempre
que o calor é transformado em trabalho, ou vice-versa, a quantidade de
energia que desaparece em uma forma é exatamente equivalente à
quantidade que é produzida sob a outra forma.
A Primeira Lei
nada mais é que a Lei da Conservação da Energia aplicada aos sistemas
termodinâmicos.
*** Segue --- Gelo,
água e vapor postos a trabalhar --- parte 4 ***
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