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MONGADARWIN
(Efeito de superposição
de imagens)
Revisado em 16 junho de 2011
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
Uma montagem óptica com efeitos de superposição de imagens usando placa
de vidro e controle da intensidade luminosa. Show teatral para,
numa alegoria, mostrar a evolução darwiniana
da 'conversão' do macaco em uma bela garota (e vice-versa) em apenas
alguns minutos. Veja nota no final da página.
Material
1 (Show teatral educativo ou circense)
Tenda ou palco com divisões apropriadas
2 jaulas idênticas
2 garotas de mesmo porte (uma em traje de natação e outra fantasiada de
macaco)
2 lâmpadas de 100 W (spots) e respectivos soquetes
2 'dimmers' para 117 V/ 300 W (loja de artigos elétricos)
1 potenciômetro duplo de mesmo valor que aqueles dos 'dimmers' (optativo)
1 placa de vidro plano nas dimensões apropriadas (ver texto)
fios de ligação, apresentador, etc.
Material
2 (Para Feiras de Ciências Escolares)
Papelão preto (ou comum pintado de preto)
2 bonecas (iguais) com trajes diferentes (banho e macaco)
2 jaulas de varetas para pipas
2 lâmpadas de 12 V x 1 W e respectivos soquetes (árvores de natal)
2 transistores NPN, média potência - BD139B ou equivalente
2
potenciômetros 10 k (pequenos)
fonte de alimentação para 12 V (eliminador de pilhas)
placa de vidro plano; fios, etc.
Recurso
teórico
O espelho plano, como sabemos, para
objetos reais, conjuga imagem virtual e 'invertida'. Todos os pontos da
imagem são simétricos dos respectivos pontos do objeto, em relação ao
espelho. Observe alguns objetos e suas imagens conjugadas pelo espelho
plano:
Na
última figura dessa ilustração, simplesmente colocamos o círculo preto
dentro do quadrado. Isolemos essa última figura e vamos dar ao conjunto
um giro de 45o. Ficará assim:
Nessa ilustração, o quadrado passa a figurar uma jaula e o círculo preto
passa a figurar uma pessoa (vista por cima) dentro da jaula. Observe a
perfeita simetria do sistema. Na prática, o espelho deve ser substituído
por simples placa de vidro plano. Se apenas o objeto 'jaula' estiver
iluminado, o fenômeno da reflexão na placa de vidro prevalece sobre a
refração e a imagem poderá ser facilmente observada para determinadas
posições do observador.
Para que essa imagem possa ser observada, os espectadores devem situar-se
dentro do 'campo do espelho' para o objeto naquela posição. Esse campo
ficará bem delimitado se traçarmos retas que tangenciam as bordas da
placa de vidro, partindo da imagem, como mostramos abaixo:
Os
observadores, representados por pequenos círculos pretos aquém da linha
divisória ab, pertencentes ao campo do espelho verão nitidamente
a imagem do objeto iluminado - a impressão é a de que há uma pessoa
numa jaula bem à sua frente!
Não deixe nenhuma lâmpada acesa no local onde
se situam os expectadores.
Montagens
Com o material 1, eis como ficará
a tenda do show que 'provará' a evolução do macaco para o homem:
O
espectador passa pela cortina de entrada e permanece aquém da grade
(cerca) e, olhando para dentro, verá apenas, à sua frente, uma jaula
vazia e bem iluminada pela lâmpada de 100 W (essa lâmpada deve ficar
dentro de um protetor opaco para evitar que a luz atinja outras partes do
ambiente, além da jaula).
Resumindo: construiu-se duas jaulas idênticas, colocando-se uma
exatamente no lugar da imagem da outra, conjugadas por um vidro plano. O moça (ou o macaco) fica na
jaula 'objeto' numa posição previamente combinada (realmente, há marcas
no chão, para indicar as posições dos pés e marcas nas grades para as
mãos) e sua lâmpada L2 apagada. A outra jaula encontra-se vazia e
iluminada pela lâmpada L1.
NOTA: as lâmpadas L1 e L2 são ligadas em série com dois 'dimmers'
comuns, facilmente encontrados em lojas de artigos elétricos. Veja mais
comentários no final do texto.
Encenação
Toca
uma música de fundo (que tal a da 2001- Uma odisséia no espaço?) e um
narrador(a) começa a dissertar sobre a Teoria da Evolução das Espécies de
Charles Darwin salientando a 'transformação' do 'macaco' em homem (professor
de biologia é uma boa indicação). Nesse
momento, dois homens musculosos entram (pela porta do vestiário - cuja
luz interna está apagada) trazendo o macaco irritado preso por correntes
e o coloca dentro da jaula 'imagem' (urros e gritos...). O macaco, agora
um pouco mais calmo pela voz do narrador, mantém-se quieto (obviamente na
posição previamente combinada - pés e mãos nas marcas feitas, no cão e na
jaula, respectivamente).
Enquanto o narrador comenta o passar dos séculos, dos milênios ... a lâmpada
L1 vai diminuindo lentamente sua intensidade ao mesmo tempo que a L2 vai,
no mesmo ritmo, aumentando sua intensidade (isso se consegue atuando-se
sobre os potenciômetros, como veremos adiante). Com a gradual iluminação
da jaula objeto, os espectadores começam a receber a luz refletida pelo
vidro e sua imagem começa a se formar exatamente sobre a figura do macaco
(que vai progressivamente desvanecendo pela diminuição da intensidade de
L1).
Para
o observador haverá a superposição de duas imagens, uma pela refração
da luz vinda diretamente do macaco parcialmente iluminado por L1 e outra,
por reflexão, vinda da moça também parcialmente iluminada por L2. A
ilustração abaixo mostra isso. Nessa ilustração é a garota (na jaula
imagem) que está transformando-se em macaco (na jaula objeto); essas posições
são intercambiáveis.
Continuando
com o processo, diminuindo a intensidade de L1 ao mesmo tempo que aumenta
a intensidade de L2, chegará o momento em que L1 fica apagada e L2 acesa
(brilho máximo). Para o espectador o efeito de refração no vidro
desaparece (não há mais fonte de luz atrás do vidro!) e com isso a
imagem do macaco; prevalece a reflexão e o espectador vê apenas a imagem
da garota (alegre, sorridente e cantarolando).
Novamente o narrador, inventando uma peripécia qualquer (citando um falso
cientista), mostrará o
processo inverso, transformação da garota em macaco. Para tanto, basta
girar lentamente o potenciômetro duplo em sentido inverso; a L2 vai
diminuindo sua intensidade e L1 aumentando. Ao final, lá está o
macaco em sua jaula, rosnando e esbravejando. Os homens o retiram da
jaula e a platéia é dispensada ao som da música e palavras
'darwinistas' do acontecimento.
Parte elétrica
Falemos
dos 'dimmers' e suas ligações. Tais dimmers são facilmente encontrados
e substituem os interruptores comuns das casas, para controle da
luminosidade de lâmpadas incandescentes. Eles fazem um controle da potência
entregue às lâmpadas mediante 'cortes' da onda senoidal comandadas por
um TRIAC. Para a demonstração são necessários dois desses 'dimmers', 110V x
300W,
um para cada lâmpada; servem, também, dimmers de 110Vx400W ou 110Vx1000W.
Aqui em Barretos, na Eletro Mundial (esquina 26X19), o de 110Vx1000W está
por R$ 6,00, hoje, 16/06/2011). Estes dimmers irão alimentar as lâmpadas
incandescentes de 110Vx100W; uma ou duas para cada jaula, conforme
necessário. Se for usar duas lâmpadas por jaula, ambas, de uma mesma jaula,
devem ser ligadas em paralelo (em tracejado na ilustração abaixo).
Entretanto, é razoavelmente difícil controlar, ao mesmo tempo, os dois
potenciômetros (um para cada jaula), tentando girar
lentamente um no sentido horário e outro no sentido anti-horário para
aumentar a potência numa lâmpada enquanto diminui na outra. Para isso há
dois recursos:
(a)
- o mais indicado -
colocar os eixos dos potenciômetros dos dois controles frente a frente,
por um em posição de máximo, outro em posição de mínimo e colá-los.
Uma vareta presa a esse novo eixo comum servirá de alavanca para o
controle simultâneo dos dois dimmers.
(b)
- optativo -
retirar os potenciômetros dos dimmers 1 e 2 e substituí-los por
um potenciômetro duplo, de mesmo valor. Nesse caso, será necessário
soldar 6 fios nesse potenciômetro duplo; repare que foi efetuada uma
inversão na ordem dos fios do potenciômetro 2 (na figura, os terminais 1
e 3) de modo que, ao girar o eixo, num deles a resistência posta em
jogo diminui enquanto que no outro aumenta. Essa inversão é para
diminuir a intensidade em L1 enquanto aumenta em L2 (e vice-versa).
Um esquema para a
montagem e as
ligações:
Nota:
Em nossa Sala 03 temos um projeto
para a montagem desse dimmer.
Recomendamos uma leitura nesse projeto:
www.feiradeciencias.com.br/sala03/03_09.asp . No caso, basta montar
dois desses circuito e adquirir um potenciômetro duplo de 100K / 100K.
Material 2
Para demonstrações em Feiras de Ciências ou trabalhos escolares, pode-se
preparar um modelo em papelão preto --- três caixas de sapato serão
suficientes --- (ou papelão comum pintado internamente com tinta preta
opaca), seguindo-se exatamente as condições descritas acima. A nova
ilustração fica assim:
Para
esse modelo da MongaDarwin pode-se usar lâmpadas incandescentes de 12V x 1W
retiradas de iluminação de árvores de natal (as mais antigas, não as de LEDs)
e um eliminador de pilhas para 12V (usado para acionar equipamentos
portáteis - rádios, TVs, etc.).
Abaixo, à esquerda, damos os detalhes da montagem de um dos reostatos
eletrônicos (potenciômetro + transistor) e todo o circuito elétrico; à
direita o circuito completo contendo os dois reostatos e as duas lâmpadas.
Note que os reostatos são vistos de frente; para montar o controle, deve-se
girar um deles de 180º para defrontar o outro.
A seguir algumas
fotos para esclarecimentos; repare a lâmina que controla os dois reostatos
simultaneamente.
Bom
sucesso nesse projeto da 'evolução das espécies'!
Nota: Se sua escola não lhe apresenta
em sua grade curricular normal o tópico "Evolução das Espécies",
substituindo-o por um misticismo religioso,
entre em contato com a Secretaria da Educação
e relate o fato.
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