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Velocidade
da Luz Prof.
Luiz Ferraz Netto Definição - A Óptica é a parte da Física que trata da luz e dos fenômenos da visão. Histórico - Durante muito tempo sua história seguiu a invenção dos diversos instrumentos: os egípcios utilizavam espelhos planos metálicos, os romanos fabricaram espelhos côncavos e convexos. Mais tarde, no século XIV, foram inventados os óculos; no século XVI, a câmara escura, a lanterna mágica, o microscópio, a luneta de aproximação, o telescópio e a luneta astronômica. Depois novos fenômenos foram observados: no século XVII a difração, a coloração nas lâminas delgadas, a dupla refração e a polarização. É no século XVIII que as bases da fotometria são lançadas e no início do XIX que se descobriram as interferências. O estudo da evolução das teorias ópticas não é menos interessante. Mas se os antigos já possuíam suas idéias sobre a natureza da luz e do mecanismo da visão, é apenas no século XVII que aparecem as primeiras teorias com Newton (teoria da emissão), Huyghens, Young e Fresnel (teoria ondulatória). Outras invenções e outras teorias vieram a lume depois e, atualmente, a Óptica é uma ciência complexa e muito extensa. É dividida em Óptica Geométrica e em Óptica Física, incluindo esta a Óptica Ondulatória, a Óptica Eletromagnética e a Óptica Energética. Conhecem-se as hipóteses que estão na base da Óptica Geométrica: existência dos raios luminosos e sua mútua independência, propagação retilínea e leis de Descartes. A Óptica Física trata dos fenômenos luminosos que não podem ser explicados sem fazer hipóteses sobre a natureza da luz. Em Óptica Geométrica não importa a velocidade da luz; ao contrário, a existência desta velocidade e seu valor representam um grande papel em Óptica Física. Velocidade da luz. Princípio dos métodos ópticos Admitindo-se
que a luz se propaga em movimento uniforme, sua velocidade c é o
quociente da distância percorrida D pelo intervalo de tempo Dt
gasto em percorrê-la: c = D/Dt A velocidade da luz foi medida por diferentes métodos dos quais exporemos apenas os principais. Método Astronômico - baseado na observação dos eclipses dos satélites de Júpiter, por Olaus Roemer, em 1672 (1675 segundo outros autores), trabalhando no Observatório de Paris. A Terra e Júpiter giram em torno do Sol, sendo as suas durações de revolução, respectivamente, um e doze anos. A ilustração a seguir representa as órbitas da Terra (T) e de Júpiter (J) em torno do Sol (S) assim como a órbita de um dos satélites de Júpiter (o mais próximo).
Em
cada uma de suas revoluções este satélite entra no cone de sombra de Júpiter
e desaparece para o observador terrestre; ele gira com velocidade
constante e pode-se medir o intervalo de tempo t
entre duas entradas consecutivas no cone de sombra. O
mesmo método foi retomado por Glasenapp que
encontrou Dt
= 1 002 s. O erro mais importante vem do diâmetro da órbita terrestre
(2,99.108 km com um erro da ordem de 0,5%). Método da roda dentada - (H. I. Fizeau, em 1849) A luz de uma fonte S refletida por um vidro sem espelhamento G, conforme ilustramos, passa entre os dentes de uma roda dentada R e se reflete, a uma distância D da ordem de alguns quilômetros, em um espelho plano M. Uma lente concentra o feixe luminoso sobre a roda dentada, uma outra fornece um feixe de raios sensivelmente paralelos e, por fim, uma terceira concentra os raios sobre o espelho M.
Seja N o número de dentes da roda dentada, os quais apresentam a mesma largura que os intervalos ou vazios. Façamos a roda girar lentamente, com uma freqüência n tal que: 1/N.n > 1/10 de segundo sendo 1/10 de segundo a duração da persistência das impressões luminosas (persistência retiniana). Em 1/10 de segundo a luz pode percorrer 30 000 km, em conseqüência, o observador colocado atrás do vidro sem espelhamento G não percebe a luz de retorno senão periodicamente. Aumentemos a freqüência (1/N.n < 1/10 de segundo) ; devido à persistência das impressões luminosas, o observador vê a luz de retorno de maneira contínua. Aumentando ainda mais a freqüência da roda, dando-se a n um valor tal que durante o tempo Dt, gasto pela luz para realizar a ida e a volta 2D, um dente assuma o lugar de um vazio: o feixe luminoso de retorno é interceptado, diz-se que há eclipse. A velocidade procurada é portanto: c = 2D/Dt com Dt = 1/2N.n vem c = 4NnD Nas
experiências, quando se faz n variar, o clarão da imagem de
retorno passa, em realidade, por um mínimo, disto resultando alguma
imprecisão quanto ao valor de n. k dentes, k vazios e um dente, em
lugar de um dente. Por outro lado há interesse em aumentar a distância D
para não ser necessário dar à roda uma freqüência perigosa. Método do espelho girante - (J. L. Foucault, em 1862; em 1850 segundo outros autores) Um delgado feixe de raios de luz, saído de uma fenda S, atravessa um vidro sem espelhamento G e uma lente (não representados na ilustração abaixo) sendo em seguida refletido por um espelho girante m situado no centro de um espelho côncavo M, fixo.
Sejam
S1 a imagem que se obteria da fenda S se o espelho não
cortasse os raios luminosos e S’ a imagem de S no espelho côncavo.
Quando o espelho m não gira, o raio refletido pelo espelho côncavo
M volta segundo S’OS. Dt = 2D/c A
seguir, dá-se ao espelho uma freqüência assaz grande para que ele tenha
girado de um ângulo a
apreciável durante o intervalo de tempo Dt.
A luz que se reflete em m no instante zero continua seu caminho
para M independentemente do movimento do espelho m, reflete-se em M
e, na volta, não mais encontrara no mesmo lugar o espelho m que
terá girado de um ângulo a.
Então o espelho m fornece de S’ uma imagem
S2 tal que S1OS2 = 2a,
de acordo com uma propriedade bem conhecida dos espelhos girantes
("para um raio incidente fixo, quando o espelho gira de a
o correspondente raio refletido
gira de 2a"). O
feixe de raios OS” reflete-se no vidro sem espelhamento (ilustrado
acima) e sua direção é marcada por meio de uma luneta. Do ângulo 2a
medido deduz-se a velocidade da luz c. a = 2pnDt de outro lado: Dt = 2D/c vem, portanto: 2a = 8pnD/c Nas experiências de Foucault os valores adotados eram n = 800 Hz, D = 20 m, donde 2a = 0,001 4 rad, ou seja, 4,8' (ângulo perfeitamente determinável).
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