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Estudando as imagens - 1 Prof.
Luiz Ferraz Netto A
determinação geométrica e analítica das imagens conjugadas pelas vários
sistemas ópticos é conhecimento indispensável na física dos fenômenos
luminosos. Vamos iniciar nossos estudos abordando casos específicos, não
triviais, sobre espelhos e lentes. Questão 1. Obter a imagem da pessoa AB, conjugada pelo espelho plano, na situação ilustrada abaixo.
Esse
é um caso não trivial. Não são poucas as pessoas que pensam assim:
"para ter imagem é preciso ficar na frente do espelho; diante dele.
Na ilustração proposta o espelho está muito acima e, portanto, não
haverá imagem alguma."
Não
é nada difícil entender que para construir a imagem basta tomar o
prolongamento do espelho e construir a imagem simétrica em relação a
esse prolongamento. Não, tal pessoa não verá sua própria imagem, pelo fato do espelho estar bem acima e, além disso, inclinado de forma desfavorável. Em outras palavras, o olho da pessoa-objeto está fora do campo do espelho. Uma outra pessoa, com o olho na região A'B' indicada, poderá enxergá-la. Essa outra pessoa (olho) está dentro do campo do espelho para o objeto em questão. Veja o conceito de campo do espelho para um dado ponto objeto em nosso resumo teórico. Analisemos a seguir as imagens conjugadas por um sistema de dois espelhos planos perpendiculares entre si (sistema refletor ortogonal).
Em (a) temos o ponto objeto P no diedro refletor desse sistema. Esse ponto P permite dividir esse diedro em quatro regiões, como se indica em (b). Raios de luz provenientes de P e incidentes nos espelhos nas regiões (1) e (2), como se ilustra em (c), sofrerão reflexões simples e definirão as imagens P1 e P2. Raios de luz emergentes de P e que dirigem-se para a região (4), não incidem nos espelhos e não conjugarão imagem alguma. Raios de luz que partem de P, na região (3) incidirão num dos dois espelhos, refletem-se e incidem no outro espelho, abandonando o sistema após duas reflexões. Cada uma dessas primeiras reflexões simples colaboram na conjugação das imagens P1 e P2 mas, as segundas reflexões definirão as imagens P12 e P21 que são coincidentes e pertencem ao plano que contém P e a aresta da união dos dois espelhos. P12 = P21 são formadas por duplas reflexões. Assim, nesse caso, teremos três imagens conjugadas (e não apenas duas), duas delas obtidas por uma única reflexão de raios incidentes (as duas triviais) e a terceira por raios que experimentam dupla reflexão, uma em cada espelho. Um modo 'virtual' de encarar a questão é imaginar que as imagens P1 e P2 passam a funcionar como objetos 'reais' para os espelhos E2 e E1, respectivamente. Assim, para P1 o espelho E2 conjuga a imagem P12 e, para P2 o espelho E1 conjuga a imagem P21 as quais, dadas as simetrias, coincidem espacialmente. Questão 2. Obter a imagem da seta luminosa (objeto real), conjugada pela lente convergente, na situação ilustrada abaixo, em (a).
Essa
resolução gráfica é trivial e a resposta está indicada em (b), acima,
onde utilizamos alguns dos 'raios notáveis'. Agora, vamos supor que a
metade superior da lente seja obstruída por uma placa opaca, como se
indica em (c). Não
diga precipitadamente que a imagem desaparece! Isso é um equivoco. Não
esqueça que a imagem de qualquer ponto da seta-objeto (seu extremo
superior, por exemplo) não é formada por apenas dois ou três
raios de luz que se interceptam (como fazemos habitualmente nas construções
geométricas) e sim por infinitos deles como se ilustra em (d), acima.
Desse modo o obstáculo opaco irá interceptar apenas uma parte (ilustrada
em amarelo em (e)) desse pincel que atravessa a lente e conjuga a imagem.
Como apenas parte do pincel foi utilizada na obtenção da imagem,
entende-se porque ela se mostrará menos brilhante. Todas
as questões propostas sobre sistemas ópticos corriqueiros, tais como
espelhos e lentes, normalmente desprezam, implicitamente, os defeitos
inerentes a tais sistemas. O termo 'defeito', na realidade, nem é
exatamente bem apropriado pois não se trata de insuficientes aleatórias,
por exemplo, das lentes e sim de cuidar das propriedades básicas da Óptica
Geométrica.
Esses
raios, após refratarem-se na lente, cortarão o eixo principal em pontos
distintos, como se ilustra acima em (a). O foco da lente (ponto de convergência
de todos os raios paralelos que incidiram na lente) resulta espalhado
sobre uma região do eixo principal (DF)
e a imagem do objeto distante não é nada nítida. Questão 3. Obter a direção do raio AA' após atravessar a lente convergente. Para um outro raio incidente BB' conhecemos a direção que toma o raio emergente da lente, como se ilustra abaixo, em (a).
Esse não é um exercício trivial e assim, os alunos 'bitolados' nos 'raios notáveis' e no conhecimento prévio do foco da lente, sem dúvida, sair-se-ão mal. Apesar do foco não estar evidente, ele poderá ser encontrado o que sem dúvida ajudará na resolução da questão. Nesses casos, é habitual a introdução de um objeto auxiliar usando um dos pontos do raio incidente (BB') cujo raio emergente (B'B") é conhecido. Coloquemos uma seta-objeto auxiliar em C, como se ilustra em (b), acima. De C tiramos o raio incidente CO que atravessa a lente sem sofrer desvio. Esse raio intercepta o raio emergente conhecido B'B" em E. Em E estará a imagem de C conjugada pela lente (seta tracejada). Todos os demais raios que partem de C e atravessam a lente deverão convergir para E, em particular aquele que parte de C paralelamente ao eixo principal, ele se refrata e emerge passando pelo foco F e indo para E. Temos o foco F. Podemos introduzir uma nova seta-objeto, agora com seu extremo sobre um ponto do raio incidente AA', como ilustramos em (c). Com dois raios notáveis, um AO e outro paralelo ao eixo principal, podemos determinar a imagem de A. Ora, todos os raios que partem de A deverão convergir sobre essa imagem e portanto podemos obter o raio emergente correspondente ao incidente AA', como se apresenta em (c). Essa
solução 'não é muito elegante' pois girou sobre a terrível busca do
foco principal e ajuda de dois objetos auxiliares. Ele não é necessário. Questão 4. Análoga á anterior, trocando-se a lente convergente por uma divergente. Obter a direção do raio AA' após atravessar a lente divergente. Para um outro raio incidente BB' conhecemos a direção que toma o raio emergente da lente, como se ilustra abaixo, em (a).
Tracemos
por O o raio paralelo a BB' (em vermelho, na ilustração (b)).
Construamos o prolongamento do raio emergente correspondente ao incidente
BB'; esse raio traçado por O e o prolongamento interceptam num foco
secundário virtual. Traçamos o plano focal virtual, perpendicular a ep e
passando por esse foco secundário virtual. Questão 5. Para um dado objeto pode uma lente conjugar, ao mesmo tempo, uma imagem real e outra virtual? Pode,
e para tanto basta pensar numa fina haste deitada sobre o eixo principal
de uma lente convergente, com uma extremidade aquém do foco e outra
extremidade entre o foco e a lente. Um ponto A dessa haste situado antes
do foco dará imagem real (do lado da lente em que a luz emerge) e um
outro ponto B situado entre o foco e a lente dará imagem virtual (do lado
da lente em que a luz incide). A medida que esses pontos escolhidos A e B
se deslocam em sentido ao foco suas imagens caminham para o infinito, á
esquerda e á direita. Questão 6. Temos duas lentes convergentes de eixos principais coincidentes e distâncias focais distintas. Construir a imagem final conjugada por esse sistema de uma seta-objeto disposta como se ilustra em (a). Os focos da lente L1 são indicados por x e os da lente L2 por o.
Um pensamento comum que ocorre entre os alunos é o seguinte: "Primeiro construímos a imagem conjugada pela primeira lente sem considerar a existência da segunda e, a seguir, usaremos essa imagem obtida como sendo objeto para a segunda lente, sem considerar a existência da primeira delas." Esse é um erro bem característico. Várias vezes já escutei essa resposta que é falsa. Essa construção está indicada acima na ilustração (c). Construímos primeiro a imagem conjugada pela lente L1 (seta vinho, fina) e a partir dela a imagem conjugada pela lente L2 (seta vinho larga). Vejamos a construção correta (ilustrada em (b)) que servirá de confronto para essa construção falsa em (c). Do
topo da seta-objeto tiramos dois raios notáveis que, após atravessarem
L1, incidem em L2. Pelo centro óptico da segunda lente traçamos as
linhas paralelas a esses raios emergentes da lente L1. Como sabemos das
questões precedentes, essas retas cortam o plano focal da L2 nos focos
secundários, por onde devem emergir os raios que incidem na lente L2. Na
intersecção desses raios emergentes de L2 temos o ponto imagem final do
topo da seta-objeto (seta vinho estreita e menor que o objeto). O que aconteceu na construção (c) foi uma falha 'técnica' porém, entretanto, esse método pode ser usado tomando-se os devidos cuidados. Para ilustrar isso, e mostrar que os dois métodos realmente funcionam e dão resultados coincidentes, propomos a situação onde a seta-objeto encontra-se entre o foco da lente L1 e a lente L1.
Em (a) ilustramos a construção segundo o método que recomendo e em (b) a construção típica obtendo-se primeiro a imagem conjugada pela lente L1 e usando-a como objeto para a lente L2. Observe que os resultados coincidem --- apesar do trabalho extra!
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