Outro
procedimento com “mutreta” (truque, enganação, engodo), e ainda realmente científico é o da lente
cilíndrica para evidenciar a dispersão e inversão.
A montagem é super simples:
-uma
base de madeira,
-um tubo de ensaio cheio de água (uma rolha de borracha) e
-suporte de lâmina fina de lata para o tubo.
Abaixo
ilustramos a montagem. Deixe uma bolha de ar no tubo!
Na
folha de papel colada na base, sob a região central do tubo escreva o
ilustrado abaixo, exatamente como indicado.
Atenção,
no texto proposto, as palavras CEDIDO, CHICO
e DE são escritas em vermelho
e as palavras POR LÉO, LEIA,
BENTO e MAURÍCIO
são escritas em azul (canetas esferográficas
ou de ponta porosa, é indiferente).
Olhando
essas palavras através da lente cilíndrica (tubo de ensaio com água),
aquelas escritas em vermelha serão vistas normalmente (CEDIDO,
CHICO e DE) e as
escritas em azul serão vistas invertidas (veja na direita da ilustração
acima a linha central ). Porquê?
Essa
é a pergunta que vem na tirinha de papel, também, colada na base: “Por
quê as palavras em azul
invertem e as em vermelho
não?”
Prepare-se
para as respostas do mais profundo teor científico — dispersão, índice
de refração diferente para tais cores, desvios diferentes na lente cilíndrica,
teoria dos dióptros centrados e outras elucubrações.
Nada
disso tem a ver com a proeza, todas invertem,
porém, as palavras escritas em vermelho têm simetria
horizontal (simetria segundo uma linha horizontal que passa pelo meio da
letra); C invertido é C, H invertido é H, I invertido é I etc.
Desse modo, você pode inventar as próprias frases, basta escolher
palavras que têm simetria horizontal e outras que não a tenham.
Outra
observação curiosa é que quando a bolha de ar passeia lentamente
pelo tubo, e você olha as letras através da bolha, todas as palavras são
vistas menor e direita ou seja todas são lidas normalmente (sem
inversão) e são reduzidas.
Esse
'brinquedinho' eu apresentei, também, ao amigo T. N. O. Folmer-Johnson.
Após observações (e boas risadas), levantou-se o problema teórico de
uma simples, dupla ou tripla inversões.
Imediatamente o mestre Johnson propôs:---“Deixa
comigo o brinquedinho, vou mostrar aos netos e aproveito para examinar a
questão teórica”.
Passado
vários dias (não havia pressa, nada de urgência) recebo um envelope.
Vou reproduzi-lo na íntegra para que sirva de modelo a alunos e
professores.
“Caro
Léo:
Ai vai a solução do problema de óptica.
Poder-se-ia
aplicar a equação do dióptro cilíndrico, para solução quantitativa.
No caso da lente de ar, seria preciso fazer hipótese sobre a curvatura
do menisco.
Considero excesso de zelo.
Contento-me com o esquema.
Se você tiver proposta diversa, queira participar-me.
Abraço.
Johnson"
Lente
cilíndrica com bolha de ar
a)
O azul inverte, o vermelho também.
b)
O objeto é AB real. O cilindro gera imagem A’B’ invertida, logo real
(atualmente, é A’B’ < AB). O processo da paralaxe confirma a posição
da imagem.
c)
A bolha de ar entre água e vidro é lente divergente.
A’B’ é objeto virtual e gera a imagem A”B” invertida, logo
virtual também. Se fosse 0C’ = 2.|f|, seria OC” = 2. |f|, e A”B”
= A’B’. A observação de A”B” indica que seu ângulo visual (diâmetro
aparente) é menor que o de A’B’.
|

Lente
cilíndrica |

Lente de ar associada
|
Embora
a distância do olho a C’ seja menor que a do olho a C”, acredito ser
A"B" < A'B', para o que é preciso ser OC' > 2.|f|.
Nota: Com A"B" > A'B', seria |f| < OC' < 2.|f|.