Espectroscópio
(Fundamentos e
construção)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Um espectroscópio é um
instrumento destinado a separar os diferentes componentes de um espectro
óptico. Constitui-se essencialmente de uma fresta situada no plano focal
de um colimador, um prisma ou rede de difração e um anteparo (tela)
onde se projeta (imagem real) o feixe dispersado.
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Ainda
que seu fundamento, a decomposição da luz branca em diferentes
cores que a compõem, data do século XVIII, devido ao físico,
matemático e astrônomo Isaac Newton, não foi senão no início do
século XX. A partir de então, passou a ser utilizado para
observar, analisar e medir os diferentes aspectos físico-químicos
(temperatura, composição química, velocidade etc.) da luz
proveniente das estrelas, das galáxias e demais objetos astronômicos,
inaugurando, dessa forma, uma nova era na Astronomia: a Astrofísica. |

Isaac Newton
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Decomposição
por prisma
Para produzir a decomposição de
uma luz composta de várias cores (freqüências) Newton utilizou um
prisma, que desvia em diferentes ângulos de emergência cada cor
(comprimentos de onda) ao ser atravessado pelo feixe composto. Abaixo
ilustramos essa decomposição para três diferentes ângulos de incidência
do feixe de luz branca.
Decomposição
por rede de difração
Posteriormente se utilizaram de redes
de difração, que consistem num suporte (transparente ou
refletor) com ranhuras (linhas) finíssimas, em cada milímetro de extensão
podem caber nada menos de 500 a 1000 dessas ranhuras (linhas), que fazem
com que, inicialmente, cada cor do feixe de luz incidente se disperse em
todas as direções (difração). A seguir, segundo direções
determinadas desse feixe difratado, cores iguais (comprimentos de ondas
iguais) sofrem interferência construtiva e se reforçam (somam
geometricamente suas amplitudes) e em outras direções sofrem interferência
destrutiva. O resultado final é equivalente a aquele obtido mediante o
prisma, a saber, a decomposição de um feixe de luz policromática em
seus componentes monocromáticos, porém desta vez, com maior eficiência,
quer dizer, com melhor e mais uniforme separação dos mesmos.
Abaixo
ilustramos a decomposição da luz branca ao incidir num disco compacto (C.D.),
entrando pela fresta que, na figura indicamos por 'janela'. Detalharemos
isso no experimento do "espectroscópio simples", a seguir.
Espectros
de emissão
Abaixo ilustramos os espectros de
emissão de alguns elementos químicos:
A
seguir, alguns espectros de emissão de alguns elementos em comparação
com o espectro da luz solar (espectro de absorção):
Espectroscópio
simples
Nessa parte experimental vamos
mostrar como construir um espectroscópio muito simples e econômico, mas
que apresenta uma excelente relação qualidade/precisão (medida pelo
poder separador das cores). Seu poder separador se baseia no fenômeno de
difração produzido, neste caso, por 'espelhinhos' microscópicos para a
leitura do laser em um disco compacto (CD). Em um CD típico há 1000
pontos de difração para cada milímetro do disco, o que permite separar
muito bem as cores elementares.
Material
Montagem
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Inicialmente vamos partir o CD em vários
pedaços (com o devido cuidado para não cortar-se!). Pode-se usar um
tesoura de cozinha ou mesmo uma de cortar finas chapas de ferro para
essa tarefa. Necessitaremos de um pedaço de CD de aproximadamente 1/8
do disco.
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A seguir, com uma lâmina protegida,
vamos abrir uma pequena janela na parte superior da caixa de fósforo.
Oriente-se nas figuras abaixo para bem localizar essa janela. Corte e
dobre esse pedaço de madeira (ou papelão) de modo a funcionar como
uma janela.
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Cole, a seguir, o pedaço de CD no
centro da gaveta da caixa de fósforos. Isso deve ser feito de modo
que, abrindo-se ligeiramente a gaveta para permitir a entrada da luz
solar, o pincel refletido e difratado saia pela janela praticada na
face superior. Eis a ilustração disso:
Procedimento
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Pegue
seu espectroscópio e oriente-o para a luz proveniente, por exemplo, de
uma lâmpada incandescente comum. O que você observa?
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Experimente
agora com uma lâmpada fluorescente. Que diferença você pode
observar?
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Experimente
agora observar o espectro solar (espectro de absorção). Tome cuidado
para não focalizar diretamente o Sol. Procure identificar com cuidado
as linhas mais características.
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Você
poderá também observar os espectros de emissão de algumas lâmpadas
para iluminação pública (branca, de mercúrio, de sódio etc.) e
aquele de alguns anúncios luminosos (gás néon etc.).
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No
laboratório de Química, seu professor poderá 'queimar' pedaços de
cobre, zinco, alumínio etc. ou sais sobre o bico de Bunsen; as luzes
emitidas poderão ser observadas e analisadas com seu espectroscópio.