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Óptica
Geométrica
(Parte 3 -
Espelhos Esféricos)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Preliminares
Denominaremos por espelho esférico qualquer porção de uma
superfície esférica capaz de exibir, em predominância, o
fenômeno da reflexão regular.
Portanto, o espelho esférico constitui uma região de uma casca
esférica, isto é, uma calota esférica onde se verifica
condições para que se dê com máxima intensidade o fenômeno da
reflexão regular da luz.
Consideraremos que o espelho seja obtido, sempre, pela
intersecção de uma superfície esférica com um plano secante,
como indica a Fig.15-esquerda.
Se
a superfície refletora está voltada para o centro da superfície
esférica, que contém o espelho dado, este denomina-se espelho
côncavo (internamente refletor)-- Fig.15-centro --; se a
superfície refletora é a que não esta voltada para o centro, o
espelho é dito espelho convexo (externamente refletor)--
Fig.15-direita.
Elementos
geométricos
a)
Centro de curvatura (C) - é o centro da superfície
esférica que contém a calota esférica que define o espelho. --
Fig.16.
b) Raio de curvatura (R)
- é o raio da superfície esférica que contém o espelho
esférico dado.
c) Curvatura (r)
- é, por definição, o inverso do seu raio de curvatura: r
= 1/R .
Conclui-se
que a curvatura de um espelho (r)
e seu raio de curvatura (R) guardam uma relação inversa (r.R=1);
realmente, quanto maior for o raio de curvatura, tanto menor será
a sua curvatura e vice-versa.
Observe que, se o raio de curvatura do espelho esférico tender
para o infinito, a curvatura tenderá para zero e, desse modo,
poderemos considerar, por extensão, o espelho plano como sendo um
caso particular de espelho esférico --- raio infinitamente grande
e curvatura nula.
Sendo a curvatura o inverso de um comprimento (o raio), suas
unidades serão: cm-1, m-1 etc.
d)
Vértice (V) - é o pólo da calota que constitui o
espelho.
e) Eixo principal (ep)
- é a reta definida pelo vértice e centro de curvatura do
espelho, constituindo seu eixo de simetria.
f) Eixo secundário (es)
- é toda a reta que, passando pelo centro de curvatura,
'fura" o espelho em um ponto qualquer (que não o vértice).
Existem infinitos eixos secundários nos espelhos esféricos.
g) Diâmetro do espelho
(d) - é o diâmetro (AB) da circunferência que representa
a borda do espelho, ou em outras palavras, é a distância que
separa dois pontos diametralmente opostos do contorno do espelho.
No caso geral, o diâmetro do espelho é menor que o diâmetro da
esfera que o originou. Nos espelhos esféricos que iremos
considerar em óptica geométrica, os diâmetros são
insignificantes em comparação com os raios de curvatura.
h) Abertura (a)
- é o ângulo plano determinado por dois eixos secundários que
passam por pontos diametralmente opostos do contorno do espelho (a
= <ângulo>ACB), como se ilustra na Fig.16.
Portanto, a abertura de um espelho esférico coincide com o ângulo
visual mediante o qual o observador, situado no seu centro de
curvatura, vê o espelho.
A abertura (a)
de um espelho, como mostra a Fig.17, varia diretamente com o
diâmetro d (R é mantido constante) e inversamente,
com o raio de curvatura R (d é mantido constante).
i)
Plano meridiano ou seção principal - é
qualquer plano que contenha o eixo principal (ep) do
espelho. Geralmente representamos os espelhos através de uma
secção principal (que é então o plano do papel, quadro negro
etc.) e nela estudamos os fenômenos de reflexão e a construção
geométrica de imagens.
j) Plano frontal (p)
- é qualquer plano perpendicular ao eixo principal. Tais planos
têm, interesse na construção de imagens, pois, como veremos, os
espelhos que consideraremos são aproximadamente aplanéticos.
Reflexão
da luz nos E.E.
O fenômeno da reflexão da luz nos espelhos esféricos se processa
exatamente da mesma maneira como vimos para os espelhos planos,
cada raio de luz refletido obedecendo às duas leis da reflexão.
Realmente, consideremos raio de luz (R1) que
incide no ponto (I) da superfície de um espelho esférico
(côncavo -Fig.18-esquerda e convexo -Fig.18-direita).
Este
raio se reflete (R'1) formando com a normal (N1)
ao ponto de incidência um angulo (a'1),
igual ao ângulo de incidência (a1).
Nos espelhos esféricos, facilmente podemos concluir que, a normal
ao ponto de incidência passa pelo centro de curvatura e que essas
normais constituem eixos secundários do espelho. Percebe-se
ainda que, o processo de reflexão é o mesmo tanto se trate de
espelho côncavo como de convexo. Por isso, quando se analisa a
reflexão num espelho côncavo, as conclusões a que se chegam
podem ser tomadas também para o espelho convexo.
Ponto
auto-conjugado
Seja P um ponto objeto localizado no centro de curvatura C
de um espelho esférico côncavo ou convexo, conforme se ilustra na
Fig.19 esquerda e direita, respectivamente. O pincel de luz cujo
vértice é P, incide no espelho, de modo que, todos os seus
raios constituintes coincidem com as normais ao espelho pelo ponto
de incidência. Conseqüentemente tais raios se refletem segundo a
mesma direção e o vértice desse pincel emergente define a imagem
P' que se localiza também no centro de curvatura do
espelho. Em decorrência, o centro de curvatura é um ponto
auto-conjugado nos espelhos esféricos, posto que é
simultaneamente objeto e imagem, sendo real nos espelhos côncavos
e virtual nos convexos.
(Nota: pontos pertencentes à superfície refletora são também
auto-conjugados).
Condições
de nitidez de Gauss
Pela Teoria de Gauss, lembramos que, um sistema óptico é
dito estigmático, quando a um ponto objeto ele conjuga um
único ponto imagem, como é o caso do espelho plano.
Lembramos ainda que, um sistema óptico é dito aplanético
quando, a um objeto plano frontal ele conjuga uma imagem plana
frontal, como é o caso do espelho plano.
Introduziremos mais um conceito: um sistema óptico é dito ortoscópico,
quando a um objeto plano ele conjuga uma imagem plana, geometricamente
semelhante ao objeto (isentos de distorções), como é o caso do espelho plano.
Espelho
plano é estigmático, aplanético e ortoscópico.
A
prática põe em detalhe que, os espelhos esféricos só em
determinadas circunstancias podem ser considerados (e ainda
aproximadamente) estigmáticos, aplanéticos e ortoscópicos. Essas
circunstâncias especiais são conhecidas como condições de
nitidez de Gauss, a saber:
Os
raios incidentes devem ser PARA-AXIAIS, isto é, raios próximos
ao eixo principal, paralelos ou pouco inclinados em relação a
ele.
Conseqüências
das condições de Gauss
Destas condições conclui-se que:
a)
a parte realmente útil no espelho esférico de Gauss é uma
pequena região da calota esférica em torno do vértice, ou seja,
um espelho esférico de abertura bastante reduzida (a
< 10o).
b) A necessária obediência
às condições de Gauss cria uma dificuldade no que diz respeito
à construções de imagens. Realmente, os raios de luz para-axiais
se acumulam em torno do eixo principal, pois a incidência se dá
muito próxima ao vértice. Assim sendo, as intersecções dos
raios refletidos ficam muito mal definidas, tornando praticamente
impossível o traçado de raios para a construção de imagens.
Para
contornar essas conseqüências das condições de Gauss, adota-se
um artifício de representação gráfica, que consiste em aumentar
consideravelmente a escala das figuras, na direção transversal ao
eixo principal, ou seja.:
b.1)
ampliar as dimensões transversais do espelho, junto ao vértice, e
b.2) conservar as dimensões
longitudinais do espelho. -- Fig.20.
Assim
sendo os espelhos esféricos côncavos e convexos, passam a ser
representados como se indicam nas fig.21-esquerda e Fig.21-direita,
respectivamente.
Bem,
agora você já sabe porque, na lousa e nos livros, os espelhos
esféricos são 'desenhados' como um segmento de reta 'vertical'
que leva as 'curvinhas' nas extremidades. Nessa representação as
distâncias 'horizontais' podem estar em verdadeira grandeza, mas
as 'verticais' não!. Houve ampliação nessa direção.
Recomendamos que leia o artigo "Aberrações",
posto nesta Sala 09, para recordar a Teoria de Gauss e verificar o que
ocorre quando nos afastamos dela, que é o caso real prático.
Focos,
distância focal e plano focal
Foco principal objeto
(F): De um espelho esférico é um ponto do eixo principal
ao qual o espelho conjuga imagem no infinito, sobre o eixo
principal. - Fig.22(a).
Foco principal imagem (F'): De um espelho esférico
é um ponto do eixo principal conjugado pelo espelho, de um ponto
objeto no infinito, sobre o eixo principal. - Fig.22(b).
Distâncias focais (f, f'): As distâncias FV
e F'V (distâncias entre foco e vértice do espelho) são
denominadas respectivamente, distancia focal objeto (f) e distancia
focal imagem (f').
Nota 1: Nos espelhos
esféricos, conclui-se pelo principio do caminho inverso, que os
focos principais objeto e imagem coincidem (F = F'),
donde f = f'. Por conseguinte, fala-se apenas em foco
principal (F) e em distância focal (f). - fig.22(c).
Nota
2: Todo o exposto acima relativo a pontos sobre o eixo
principal, estende-se a qualquer ponto pertencente ao eixo
secundário, definindo-se então foco secundário (Fs).
Ao contrário do foco principal, que é único, existem infinitos
focos secundários. -- Fig.23(a).
Todos
os focos secundários e mais o foco principal definem nos espelhos,
em geral, uma superfície cujo vértice é o foco principal,
denominada superfície focal.(Veja adiante, aberração
de esfericidade).
No caso particular dos espelhos de Gauss, que são os que
nos interessam considerar, tal superfície pode ser representada
por um plano frontal ao espelho, que é denominada plano focal (P).
-- Fig.23(b).
Relação
entre raio de curvatura e distância focal
Demonstra-se com certa
facilidade, que para os espelhos de Gauss, o foco principal (F),
situa-se aproximadamente a meia distância entre o centro de
curvatura (C) e o vértice (V), ou seja, a distância
focal (f) é aproximadamente a metade do raio de curvatura (R).
-- Fig.24.
O
triângulo CFI é isósceles, donde: FC = FI
... (eq.1)
Por tratar-se de um espelho
de Gauss, o ponto de incidência I se localiza nas
proximidades de V, assim, pode-se escrever: FI ~=
FV ... (eq.2)
Comparando-se
(eq.1)
e (eq.2)
pomos FC = FV e, portanto, o ponto F é
aproximadamente ponto médio do segmento CV, ou
seja: f = R/2 (c.q.d.).
Determinação
geométrica das imagens
1- Raios notáveis
Sejam dados, um espelho esférico (côncavo ou convexo) e um objeto
P (real ou virtual). Ao ponto objeto P, o espelho conjuga o
ponto imagem P', que será determinado pela intersecção de
dois (pelo menos) raios refletidos correspondentes a dos raios
incidentes provenientes de P.
Admitindo-se as condições de Gauss (estigmatismo,
aplanetismo, ortoscopismo) podemos escolher dentre todos os raios
provenientes de P alguns que obedecem às chamadas propriedades
fundamentais dos espelhos esféricos (também denominados
"raios notáveis"), a saber:
(P-1)Um
raio de luz (i) que incide paralelamente ao eixo principal,
reflete-se (r),passando pelo foco principal do espelho
(conseqüência da definição de foco). -- Fig.25 (a) e (b).
(P-2)
Um raio de luz (i) que incide, passando pelo centro de
curvatura; reflete-se (r) sobre si mesmo (a incidência é
normal). -- Fig.26 (a) e (b).
(P-3)
Um raio de luz (i) que incide passando pelo foco principal,
reflete-se (r), paralelamente ao eixo principal do espelho
(princípio do caminho inverso aplicado ao P-1). -- Fig.27
(a) e (b).
(P-4)Um
raio de luz (i) que incide no vértice,reflete-se (r),
simetricamente em relação ao eixo principal do espelho (a normal
é o próprio eixo principal). -- Fig.28 (a) e (b).
(P-5)
Um raio de luz (i) que incide paralelamente a um eixo
secundário, reflete-se (r) passando pelo foco secundário
correspondente (definição de foco secundário). -- Fig.29 (a) e
(b).
(P-6)
Um raio de luz (i) que incide passando por um foco
secundário, reflete-se (r), paralelamente ao eixo
secundário correspondente. -- Fig.30 (a) e (b).
Notas:
a) A imagem P' de um ponto é determinada, em geral,
pelas propriedades (P-1) e (P-2); uma terceira
propriedade pode ser aplicada como confirmação.
Exemplo: Determinar a imagem P'
que o espelho esférico côncavo EÊC conjuga, para o ponto objeto P,
dado. -- Fig.31.
(P-1):
incidente (i1) paralelo a ep ; refletido (r1)
passando por F.
(P-2): incidente (i2) passando por C;
refletido (r2) passando por C.
(P-3): incidente (i3) passando por F;
refletido (r3) paralelo a ep. <===
confirmação!
b)
A imagem A'B', de um objeto retilíneo e frontal AB (B
pertence ao eixo principal) é também retilínea e frontal
(propriedade do aplanetismo) ; B' pertence ao eixo principal
(propriedade P-2 aplicada ao eixo principal) e A'
determina-se pelas P-1 e P-2.
Exemplo: Dado o objeto
retilíneo frontal AB, determinar sua imagem A'B',
conjugada pelo espelho esférico E. -- Fig.32.
c)
A imagem P' de um ponto P dado, no eixo principal, é
determinada pelas propriedades P-2 e P-6 (técnica do
Fs) ou determinando-se a imagem P'T' de um objeto
auxiliar frontal PT.
Exemplo: Obter a imagem P'
do ponto objeto P, formada pelo espelho esférico E, pelas
duas técnicas. -- Fig.33 (a) e (b).
d)
A imagem A'B', com relação ao objeto AB, será direita,
se ambos pertencem ao mesmo semi-plano determinado pelo eixo
principal (ou ambos têm mesmo sentido /|\o
/|\i ou \|/o \|/i
e, será invertida se pertencem a semi-planos opostos (têm
sentidos opostos /|\o \|/i
ou \|/o /|\i).
2-
Determinação geométrica das imagens
Para a determinação geométrica de imagens,consideraremos as
diferentes posições que o objeto pode assumir, em relação ao
foco principal e ao centro de curvatura.
Apesar de tomarmos para o objeto ora natureza REAL, ora VIRTUAL,
acentuamos, no entanto, que são muito mais importantes os casos em
que o objeto é REAL. --- Fig. 34 até Fig. 39, (a) e (b).
Vejamos os diferentes casos:
C1)
Objeto além do centro de curvatura:
C2)
Objeto apoiado no centro de curvatura:
C3)
Objeto entre o centro de curvatura e o foco principal:
C4)
Objeto no plano focal:
C5)
Objeto entre o foco e o vértice (espelho):
C6)
Objeto aquém do vértice:
3-
Movimento relativo de objeto e imagem
Os esquemas a seguir,
esclarecem como varia a POSIÇÃO da imagem e seu TAMANHO quando um
objeto se movimenta sobre o eixo principal do espelho, da esquerda
para a direita, no côncavo e da direita para a esquerda no
convexo.
M1)
Movimento até o plano focal:
M2)
Movimento entre o plano focal e o espelho:
M3)
Movimento aquém do vértice:
Com
base nesses esquemas, podemos estabelecer um esquema único que nos
forneça, de imediato, em qualquer caso, a posição do objeto e a
correspondente posição da imagem:
"Qualquer
reta que passe pelo centro de curvatura intercepta a linha do
objeto na posição do objeto e a linha da imagem na posição de
sua imagem correspondente".
Procure
usar esse esquema e compare o resultado com os já conseguidos
anteriormente através da construção.
Exemplo: Analisar a natureza,
posição e tamanho da imagem que o espelho abaixo conjuga para o
objeto, nas posições P1, P2 e P3.
|

P'1
- real, menor, invertida; entre C e F.
P'2 - real, maior, invertida;
aquém de C.
P'3 - virtual, maior, direita; além de V.
|
Determinação
analítica das imagens
Assim como obtivemos por construções
geométricas as características (natureza, posição, tamanho
e orientação) das imagens conjugadas pelos espelhos esféricos,
podemos determiná-las também por um processo algébrico, ou seja
determinar analiticamente a posição, a altura (tamanho), a
orientação e a natureza da imagem.
Para tanto, será necessário introduzir alguns elementos que
quantifiquem essas características. Vejamos isso.
As posições do ponto objeto e do ponto imagem podem ser
fixadas através de um sistema de referência cartesiano ortogonal,
o qual nos fornecerá então as coordenadas (x,y) e (x',y') desses
pontos.
As alturas do objeto e da imagem, no sistema de referência
acima citado, serão as ordenadas y e y'.
As naturezas para objeto e imagem, ficam condicionadas aos
sinais das abscissas x e x'.
A
determinação analítica das imagens ficará, então,
condicionadas pelos seguintes itens:
a) fixação de um referencial para caracterizar as
posições do objeto e imagem;
b) uma 'equação de conjugação' que permita obter a
abscissa da imagem, quando são dados a abscissa do objeto e um
elemento que caracteriza o espelho (a abscissa do foco principal);
c) uma 'equação de aumento linear transversal', que
permita obter a ordenada da imagem, quando são dados a ordenada do
objeto e um elemento que caracteriza o espelho esférico.
Citaremos
para o item (a), dois sistemas de coordenadas de uso
habitual, a saber: o referencial de Gauss e o referencial
de Newton.
1-
Referencial de Gauss
É constituído por um par de eixos ortogonais Op e Oy, com origem
no vértice do espelho esférico. Op coincide com o eixo principal
e o sentido positivo desse eixo é sempre 'contrário' ao da luz
incidente (que se admite, arbitrariamente, incidindo da esquerda
para a direita do observador). - Fig. 45.
Abscissa
(p) : origem:
vértice do espelho; direção: eixo principal; sentido:
contra a luz incidente
Ordenada (y): origem:
vértice do espelho; direção: perpendicular ao eixo
principal; sentido: de baixo para cima
Indicando-se
por p e p', respectivamente, as abscissas
do objeto e da imagem no referencial de Gauss, percebe-se que os
valores dessas são positivos, quando a natureza é real
e negativos, quando a natureza é virtual.
Indicando-se por y e y', respectivamente, as
ordenadas (tamanhos) do objeto e imagem, percebe-se que esses
valores têm sinais contrários, quando a imagem é invertida
em relação ao objeto, e têm mesmo sinal, quando a imagem
é direita em relação ao objeto, conforme se ilustra no
quadro abaixo:
| Objeto |
p >
0 real
p < 0 virtual |
Imagem |
p' >
0 real
p' < 0 virtual |
Imagem
direita
y.y.' > 0 |
Imagem
invertida
y.y' < 0 |
| maior
y' > y |
menor
y'<y |
igual
y' = y |
| espelho
côncavo f > 0 |
espelho
convexo f < 0 |
Exemplo:
Seja dado um objeto de 2 cm de altura disposto perpendicularmente
ao eixo principal, a 20 cm de um espelho côncavo de distância
focal 10 cm. Sobre a imagem conjugada pelo espelho esférico
sabe-se que, sua altura é de 1cm, invertida e se situa a 5 cm
atrás do espelho. Caracteriza quantitativamente objeto e imagem no
referencial de Gauss.
Solução:
A respeito do objeto tem-se: y = + 2cm, p = + 20 cm e f
= + 10 cm.
A respeito da imagem tem-se: y' = - 1 cm e p' = - 5 cm.
A equação de conjugação ou equação dos pontos
conjugados, na forma gaussiana, é: 1/p
+ 1/p' = 1/f ,
que relaciona a abscissa do objeto, a abscissa da imagem e a
distância focal do espelho esférico dado.
A
título de demonstração, o que se segue é dispensável sob o
ponto de vista da Matemática, pois é encaminhada a partir de uma
construção particular (P real, P' real e E.E.Côncavo), porém,
sob o ponto de vista Físico é altamente recomendável para
salientar as aproximações práticas das condições de Gauss.
Acompanhe pela Fig. 46.
2
- Referencial de Newton
É constituído, também,
por um par de eixos cartesianos ortogonais, dispostos em relação
ao espelho esférico, como se ilustra na Fig. 47 (a) e (b):
Abscissa
(x) : origem no foco principal, direção do eixo principal e
sentido oposto ao da luz incidente.
Ordenada (y): origem no foco principal, direção ortogonal ao eixo
principal e sentido para cima.
As
abscissas newtonianas que localizam o objeto e a imagem são
indicadas por x e x', respectivamente; as ordenadas são y e y',
exatamente as mesmas do referencial de Gauss. Observe que os
referenciais de Gauss e de Newton diferem apenas por uma
'translação' definida pelas relações:
x
= p - f
e x' = p' - f
que
são as relações de conversão de um sistema para o outro.
Tendo-se presente a equação de conjugação de Gauss ( 1/f = 1/p
+ 1/p' ) e as relações de conversão acima, a equação de
conjugação de Newton pode ser obtida assim:
p
= x + f , p' = x' + f levadas na equação de Gauss: 1/f =
1/(x +f) + 1/(x' + f) ; desenvolvendo, obtém-se:
f2 + fx + fx' + xx' = 2.f2 + fx + fx' , o que
resulta na equação de Newton: f2 = x.x'
. A Fig. 48 resume essa conclusão:
Aumento
linear transversal
Entende-se por aumento linear transversal da imagem, em
relação ao objeto, à relação entre o tamanho da imagem
(ordenada da imagem) e o tamanho do objeto (ordenada do
objeto); assim:
A.L.T.
= i/o = y'/y
O
A.L.T. (grandeza adimensional) pode ser expresso em função das
abscissas do objeto e da imagem, dadas, quer no referencial de
Gauss como de Newton:
A.L.T.
= y'/y = - p'/p = - x'/f = - f/x
Se
A.L.T > 0 tem-se imagem direita; se A.L.T. < 0 tem-se imagem
invertida. Se |A.L.T.| > 1 tem-se imagem maior (que o
objeto), se |A.L.T.| < 1 tem-se imagem menor (que o
objeto) e, se |A.L.T.| = 1 tem imagem igual (ao tamanho do
objeto).
Aplicações
dos espelhos esféricos
1.
Os espelhos côncavos são empregados com freqüência quando se
deseja obter uma imagem virtual e ampliada de um objeto, como é o
caso dos espelhos de barbear, toalete, de dentista, espelho de
otorrinolaringologia etc.
b)
Para concentrar a luz proveniente de uma fonte sobre um objeto que
deva ser intensamente iluminado, como por exemplo o porta-objetos
de um microscópio, utilizam-se geralmente espelhos esféricos
côncavos.
c)
Em Medicina, o exame do condutor auditivo, da cavidade nasal e do
fundo do olho é realizado com dispositivos denominados,
respectivamente otoscópio, rinoscópio e oftalmoscópio. Esses
instrumentos constam, basicamente, de um espelho côncavo que
concentra a luz proveniente de una fonte, sobre o órgão
examinado.
d)
Nos projetores utilizam-se espelhos côncavos esféricos. O
filamento da lâmpada é colocado no centro de curvatura do
espelho, formando-se na mesma posição uma imagem real do
filamento; com isso, duplica-se a potencia de iluminação
propiciada pelo projetor.
e)
Os espelhos convexos são empregados às vezes como retrovisores em
veículos. Sua vantagem sobre o espelho plano, nesse particular, é
ter maior campo visual. Têm, entretanto, o inconveniente de não
darem noção da distancia.
Aberração
de esfericidade
Quando os espelhos esféricos não satisfazem as condições de
Gauss, apresentam a aberração de esfericidade; fig. 49 (a e b),
abaixo.
Suponhamos
que um espelho côncavo, nessas condições sofra a incidência de
raios paralelos ao eixo principal.
Os raios
refletidos não se cruzam em único ponto. O cruzamento se
dá tanto mais próximo ao vértice quanto mais distante
estiver o ponto de incidência do vértice do espelho.
O conjunto dos pontos de cruzamento em torno do eixo
principal individualiza uma mancha luminosa em forma
cônica, denominada cáustica de
reflexão.
Aqui se vê com clareza a importância das condições de
Gauss imposta aos espelhos esféricos; com efeito, a imagem
de um ponto objeto, como se ilustra ao lado, pode não ser
um ponto. A cáustica é uma epiciclóide que pode ser
gerada por um ponto de uma circunferência de raio R/4 que
roda sobre outra circunferência de centro C e raio R/2. Se
essa cáustica for interceptada por um anteparo frontal ao
espelho, obtém-se a figura de contorno circular, cujo
diâmetro varia com a posição do anteparo. |

|
Para
pontos situados fora do eixo principal, também obtemos a cáustica
da reflexão. Nesse caso, a projeção em anteparo fornece figuras
singulares, com forma de vírgulas, cabeleira, cometa etc,
denominada COMA.
Espelhos
parabólicos
A superfície refletora dos espelhos parabólicos constitui um
parabolóide de revolução, que, numa seção principal, é
representada por uma parábola. Esses espelhos são rigorosamente
estigmáticos em relação ao seu foco principal. Assim, eles fazem
convergir para o foco todos os raios incidentes paralelos, daí
decorrendo duas principais aplicações:
a-
Forno solar
Se os raios do Sol convergirem sobre um espelho parabólico, esses
serão concentrados em seu foco, decorrendo daí que nesse ponto
teremos grande concentração de energia. Conseqüentemente podemos
chegar a derreter metais com tal forno, em vista da enorme
quantidade de energia térmica de que se dispõe. As fig. 50 (a e
b) ilustram isso.
b-
Holofotes e faróis
Nos holofotes e faróis o interesse é obter-se um facho de luz em
que os raios sejam rigorosamente paralelos, para que seja possível
a iluminação a distancia. Realmente, se o facho for divergente,
perde-se em aclaramento à medida que o objeto iluminado se afasta
da fonte.
Coloca-se então o filamento(pequeno, mas de grande potência) no
foco de um espelho parabólico. Destarte, obtém-se um facho
luminoso rigorosamente paralelo ao eixo principal.
A fim de evitar-se que exista, ao lado do facho paralelo, um outro
desnecessário, divergente, coloca-se na frente do filamento um
pequeno espelho esférico côncavo de modo que o filamento se situe
exatamente no centro de curvatura deste. Assim, como na mesma
posição forma-se uma imagem real do filamento, além de eliminar
o facho parasita, duplicamos a intensidade luminosa.
Os holofotes são largamente empregados na navegação noturna,
aérea e marítima, na defesa antiaérea etc.
Nos faróis de automóveis, pelas mesmas razoes acima apresentadas,
utilizam-se espelhos parabólicos.
c-
Telescópios
Nos telescópios astronômicos, utilizam-se espelhos parabólicos
que convergem para o foco os raios, praticamente paralelos,
provenientes de um astro. Com isso melhoramos muito as condições
de visualização dos astros.
Nos grandes observatórios, como em Monte Palomar, os telescópios
não são para observação direta, pois nossos órgãos visuais
são muito pouco sensíveis. Os raios refletidos pelo espelho são
recolhidos em uma chapa fotográfica, onde fica registrada a imagem
do astro. É lógicos que, para isso, o tempo de exposição deve
ser suficientemente longo e as películas altamente sensíveis; já
foi possível, com esses dispositivos, registrar galáxias situadas
a 1022 Km da Terra.
É comum nos grandes observatórios associar-se um espectroscópio
ao telescópio, o que permite a análise espectral da luz
proveniente dos astros examinados.
Espelhos
elípticos
A superfície refletora dos espelhos elípticos é um elipsóide de
revolução. Numa seção principal esses espelhos ficam
representados por uma elipse. Os espelhos elípticos são
rigorosamente estigmáticos em relação aos seus focos, F e F' que
são conjugados entre si. Assim, qualquer raio que passe por F,
incidindo no espelho, obrigatoriamente se reflete passando por F' e
vice-versa; fig. 51.
Os
espelhos elípticos são utilizados na iluminação de palcos de
teatro. Num dos focos do espelho se situa o objeto a ser iluminado
e no outro a fonte.
Espelhos
cilíndricos e cilindro-parabólicos
Os espelhos cilíndricos são aqueles em que a superfície
refletora é uma porção de um cilindro. Os espelhos
cilindro-parabólicos apresentam uma superfície refletora que
deriva do movimento de uma parábola ao longo de um eixo. Numa
secção principal os primeiros são representados por arcos de
circunferência e os últimos por parábolas. Tanto os espelhos
cilíndricos como os espelhos cilindro-parabólicos são
denominados anamórficos, porque fornecem dos objetos imagens
grotescas e deformadas. Por essa razão eles são encontrados nos
chamados "palácios do riso", nos parques de diversão.
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