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Aberrações
Prof. Luiz Ferraz Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Uma aberração óptica refere-se a um defeito pelo qual um sistema óptico
forma, do objeto, uma imagem imperfeita, ou seja, uma imagem que não é semelhante ao objeto ou, então, tem outra
coloração quanto ao objeto.
De início, lembramos que a teoria de Gauss, relativa à formação das imagens, segundo a qual a pontos do espaço-objeto
correspondem pontos do espaço-imagem,
a retas correspondem retas, a planos
correspondem planos, é válida somente
quando o campo e a abertura dos sistemas ópticos têm valores muito pequenos.
As leis da teoria gaussiana perdem o significado nos sistemas ópticos de uso corrente na prática e a imagem de um ponto luminoso, por exemplo, não é mais
um único ponto.
As aberrações são independentes de eventuais defeitos de construção, mas estão relacionadas com a forma geométrica e com as características
ópticas dos meios que compõem o sistema.
Classificações
As aberrações que normalmente se distinguem são seis, das quais cinco são de
caráter geométrico e, por isso, denominadas por
aberrações de figura, enquanto a sexta, que
depende da natureza da luz, toma o nome de aberração
cromática.
São também
classificadas em:
a) monocromáticas,
quando há falta de semelhança geométrica entre objeto e imagem, também
com radiação monocromática;
b) cromáticas, quando há imagens com a borda
iridescente;
c) axiais, quando são determinadas por pontos irradiantes
sobre o
eixo óptico do sistema e são insensíveis
ao deslocamento do diafragma;
d) extra-axiais, quando se originam somente de
pontos fora do eixo e variam com a
variação da posição do diafragma.
Quando se diz que um sistema óptico está certo ou se quer corrigir certa aberração, não significa que aquela aberração não está mais presente, o que geralmente é impossível, mas apenas que os seus efeitos estão reduzidos a valores aceitáveis.
Aberração esférica
Tome-se uma superfície esférica refringente que separe dois
meios, um menos refringente, outro mais
refringente, que seja atingida por um
feixe de raios de luz monocromática paralelos ao eixo óptico. Levando-se em
consideração os raios simétricos dois
a dois com relação ao eixo principal, os dois
raios simétricos paraxiais, isto é, os que
estão infinitamente perto do eixo óptico,
se refratam no ponto A (foco paraxial), enquanto os dois raios simétricos
marginais, ou seja, os dois raios mais extremos que atingem a lente, se refratam
no ponto B (foco marginal). Todos os raios compreendidos entre estes dois
pontos se refratam em pontos intermediários ao segmento A-B e tanto mais perto
do vértice da superfície esférica quanto maior for a altura de incidência.
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Aos raios de luz monocromática proveniente de um ponto luminoso colocado
no eixo óptico correspondem, portanto,
raios emergentes que não passam todos
pelo mesmo ponto também colocado no eixo, mas raios que se apóiam em um
pequeno segmento do próprio eixo,
envolvendo uma superfície estriada de
rotação, sob forma de funil vazado
denominado cáustica de reflexão. Seccionado esta
superfície com planos ortogonais ao eixo, obtêm-se círculos, um dos quais,
compreendido dentro do pequeno segmento, tem o raio mínimo. Ele pode ser encarado como a imagem
do ponto luminoso e se denomina círculo
de mínima confusão.
Pode-se observar a
imagem de um ponto luminoso dada por
um sistema óptico afetado somente por
aberração esférica pondo-se um anteparo
que receba a imagem colhida normalmente no eixo e deslocando-o de A para B. Em A se
verá um ponto muito brilhante, contos nado por uma grande
auréola; depois a auréola irá diminuindo
de diâmetro e aumentando de luminosidade até o plano em que, atingido o círculo de
mínima confusão, o esplendor
será máximo; após o que a auréola recomeçará a crescer e a figura começa rapidamente a tornar-se confusa.
Se os raios incidentes são paralelos ao eixo, o comprimento do segmento toma o nome de aberração esférica longitudinal, enquanto o raio do círculo mínimo mede a aberração esférica transversal. De tudo quanto se expôs, conclui- se que a aberração esférica longitudinal depende do diâmetro de abertura, razão por que esta aberração toma também o nome de aberração de abertura.
Para corrigir a aberração de esfericidade, recorre-se ao fato de que as lentes convergentes e as divergentes têm aberração de sentido oposto e, portanto, combinando-os oportunamente, consegue-se corrigir o sistema óptico desta aberração. Quando, num sistema, o foco marginal é anterior ao foco paraxial, o sistema se denomina sub_correto; quando é posterior, super_correto.
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Todas as lentes simples são afetadas por aberração de esfericidade e, dentre todas as construídas com vidro do mesmo índice de refração, a que, em igualdade de potência e de abertura apresenta o mínimo de aberração esférica, é a plano-convexa com a convexidade voltada para a parte da coordenada maior. Também os espelhos esféricos são sempre afetados por esta aberração, com exceção para o caso particular em que a fonte luminosa se encontra no centro de curvatura. Os espelhos parabólicos, ao contrário, não possuem aberrações esféricas, devido a uma fonte axial no infinito e, portanto, são empregados nos telescópios astronômicos.
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Um sistema óptico correto (ou corrigido) de aberração esférica denomina-se aplanético.
Coma
Apresenta-se quando o ponto luminoso está fora do eixo óptico e a lente
não é diafragmada (colimada). Pode ser considerada
como um caso particular da aberração
esférica; efetivamente, os raios emergentes envolvem ainda um conjunto de linhas chamado
cáustica, a qual, todavia,
já não é de rotação; as suas seções com
planos ortogonais ao eixo óptico não são
mais circulares, porém, de forma alongada, com a aparência de um cometa, do
qual toma o nome.
A coma é, portanto,
a aberração que deriva da deformação
da cáustica de uma lente, quando a onda
luminosa, procedente de uma fonte, encontra a lente obliquamente, devido à
diferença de percurso que se produz entre os raios pertencentes a cada cone de
luz da onda. Caracterizando-se por dessimetria de imagem, é também chamada
aberração de assimetria. É precisamente este seu caráter de assimetria que faz da
coma uma das aberrações mais prejudiciais e, ao mesmo tempo, mais difíceis
de serem estimadas.
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Nenhum sistema óptico simples está, por natureza, isento da coma; ela cresce
rapidamente com a abertura e com a inclinação dos raios de luz, mas geralmente,
os sistemas isentos de aberração esférica se ressentem
menos da
aberração de coma.
A correção dos sistemas ópticos desta aberração se faz seguindo os mesmos critérios adotados
para a esférica. Se a objetiva tem um campo
de utilização limitado (campo colimado) é possível, recorrendo a oportunos
acoplamentos de vidros, obter uma boa correção, tanto de
esférica como de coma. Em outros casos,
recorre-se a dois elementos separados ou
a mais elementos colados.
Dá-se o nome de isoplanético a um sistema óptico privado de coma.
A imagem de um ponto luminoso dada por uma lente afetada de coma apresenta-se como um pequeno círculo luminoso com uma cauda que gradativamente se alarga com um ângulo de aproximadamente 60o; a densidade da energia luminosa, no seu interior, diminuiu rapidamente em direção à cauda e pode-se considerar que é inversamente proporcional à distância do vértice do ângulo.
Astigmatismo
Impede de ter simultaneamente nítidas as imagens das linhas verticais e horizontais de um
objeto. Tem
lugar com fontes puntiformes fora do
eixo óptico e com lentes também estreitamente diafragmadas (colimadas). Se se considera
um
quadradinho luminoso, de dimensões bem
pequenas, colocado num plano ortogonal ao eixo da lente, verifica-se que os
raios emergentes que correspondem aos
seus vários pontos envolvem uma superfície estriada que se apóia em
dois pequenos segmentos, ortogonais
entre si; destes, o primeiro está no plano que passa pelo centro do quadradinho
e pelo
eixo da lente, e é denominado imagem tangencial, enquanto o outro,
que se encontra no plano que passa pelo referido centro e ortogonal ao primeiro,
denomina-se imagem sagital.
Entre estas duas imagens, as seções da superfície estriada são retangulares com relação de lados variável continuamente e, dentre todas as seções, há uma quadrada, que às vezes é encarada como imagem do quadradinho luminoso. O astigmatismo é nulo, por razões de simetria sobre o eixo, e vai aumentando à medida que se afasta dele. O feixe refratado é, todavia, astigmático mesmo quando o ponto luminoso está no eixo e se o centro do diafragma está fora do eixo.
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Curvatura de campo
O valor do astigmatismo varia com a variação da inclinação, sobre o eixo, dos feixes oblíquos
de luz; e a curvatura de campo deve-se
precisamente a este valor diverso do
astigmatismo.
Um objeto que esteja num
plano ortogonal ao eixo óptico, tem uma
imagem que não é plana, mas pertence a
uma superfície curva com vértice no
eixo. Um ponto de radiação colocado
fora do eixo, sendo afetado por astigmatismo, tem duas imagens, uma tangencial e uma sagital; se
esse ponto se afasta
do eixo na direção que lhe é normal, as
suas duas imagens afastam-se entre si, aproximando-se ambas da lente e descrevendo duas curvas tangentes entre
elas, em correspondência com o eixo óptico. A rotação destas duas curvas em
torno do eixo óptico descreve duas superfícies, a curvatura tangencial e a
curvatura sagital, as
quais constituem duas
imagens distintas de um plano perpendicular ao eixo óptico. A presença nociva
desta aberração é particularmente notada
nas objetivas fotográficas, porque nestas
o campo imagem deveria sempre ser
plano para poder coincidir com o da
lâmina ou do filme sensível, de modo
que todos os pontos do campo resultem
em foco.
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Distorção
Distingue-se das demais aberrações de figura porque, ao contrário
destas, não se refere à limpidez da imagem, mas tem apenas por efeito deslocar a posição do ponto imagem relativamente à fornecida pela homografia
óptica.
Isto depende do fato de que a ampliação
não é constante, mas varia em função da
distância dos pontos luminosos do eixo
da lente. Portanto, a imagem não é mais
semelhante ao objeto. Uma reta que não
passe pelo eixo tem como imagem uma
curva que pode ser côncava ou convexa.
Tal aberração se evidencia claramente
quando o objeto é constituído por um
quadriculado posto num plano ortogonal
ao eixo; a sua imagem é constituída por
duas séries de curvas dispostas simetricamente em relação a duas retas centrais, semelhantes a duas retas do objeto
que se encontram no eixo e cujas curvaturas aumentam à medida que delas
se afastam. Quando afastando-se do
eixo, a ampliação diminui chama-se distorção em forma de barril, isto é, as
citadas curvas dirigem sua concavidade
para as duas retas centrais; quando a
ampliação aumenta, a distorção se chama em forma
de almofada, e as curvas
dirigem para as duas retas centrais a
sua convexidade. Tem-se uma ou outra
destas curvaturas segundo a posição do
diafragma.
A distorção é realmente nociva só para raios fortemente inclinados
sobre o eixo, mas para algumas aplicações, como, por exemplo, a fotogrametria, deve
ser eliminada com cautela ou reduzida a valores quase irrisórios.
Os sistemas ópticos corrigidos para a distorção chamam-se ortoscópicos.
Aberração cromática
Depende da dispersão da luz, isto é, da variabilidade do
índice de refração com a cor da luz. Por
esta razão, uma lente tem potência diferente para as radiações de cor diferente;
a potência de uma lente delgada é expressa pela fórmula:
j = 1/f = (n-1)(1/r1 - 1/r2)
Por causa disso, uma lente convergente, na qual incida uma luz composta proveniente de um ponto luminoso, fornece deste tantas imagens quantas forem as cores componentes, e como o plano de formação das imagens está focalizado para um único comprimento de onda, que geralmente é o central do espectro, a imagem de um ponto que emita luz branca se apresenta como uma manchinha mais luminosa na parte central e que se dispersa num halo iridescente. Os raios de luz violeta são mais desviados que os de luz vermelha, por ser o índice de refração do violeta maior do que o do vermelho e, portanto, a distância focal do violeta é mais curta que a distância focal do vermelho; os focos relativos às demais cores do espectro estão compreendidos entre aqueles dois.
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O segmento Ff --- Fc mede a aberração cromática longitudinal; ela é tão maior quanto mais
dispersivo é o vidro com que foi feita a lente. Um sistema óptico correto
(corrigido) de
aberração cromática denomina-se acromático. Acoplando-se duas lentes constituídas com vidros que tenham índice
de refração diferente (flint e crown)
pode-se obter uma acromatização bastante satisfatória. Os feixes emergentes
cônicos de vértices Ff e Fc são cortados
segundo um círculo colocado no plano
focal imagem Fd da radiação média do
espectro. este círculo pode ser considerado como a melhor imagem de uma fonte
puntiforme de luz branca posta no infinito sobre o eixo. Seu raio mede a aberração
cromática transversal.
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A condição de acromatismo para um sistema constituído por k lentes finas
coladas é:
Para um acoplamento constituído por duas lentes delgadas coladas, de distância focal igual à unidade, devem ser satisfeitas as duas seguintes condições:

do que resulta que a potência das lentes deve ser de sinal contrário. Frequentemente, no acromatismo é suficiente fazer coincidir as imagens das radiações extremas, F e C, do espectro visível; portanto, fica um resíduo que constitui o espectro secundário e que em muitos casos pode ser reduzido a pequenos valores com uma oportuna escolha de vidros, tendo índices de refração de baixa dispersão. Obtém-se assim, para todas as radiações do espectro visível, uma distância focal igual e o sistema óptico denomina-se apocromático.
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