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Acústica Prof.
Luiz Ferraz Netto Som Ultra-som
e Infra-som
Escala das Ondas Mecânicas
Como citamos na tabela acima, os ultra-sons de altas potencias podem ser produzidos por emissores piezelétricos (quartzo vibrante) e encontram larga aplicação nos sonares. Em Química, os ultra-sons provocam oxidações e despolimerizações; em Físico-Química, fazem cessar estados de equilíbrio instáveis (superfusão, supersaturação) e impressionam a chapa fotográfica. Em Física, provocam a coagulação dos aerossóis, determinam nos líquidos o fenômeno de cavitação, excitam a luminescência de certos líquidos. Em Biologia, determinam a segmentação dos microrganismos e, por vezes, sua destruição (aplicação a esterilização do leite). Sons
Musicais e Ruídos
Fisicamente, entende-se por som musical ao resultado da superposição de ondas sonoras periódicas ou aproximadamente periódicas; ruídos correspondem a ondas sonoras não-periódicas e breves, que mudam imprevisivelmente de características. O som musical pode ser simples, quando corresponde a uma única onda harmônica e composto quando compõe-se de duas ou mais ondas harmônicas.
Fontes
Sonoras
Qualidades
Fisiológicas do Som A intensidade fisiológica do som esta ligada à amplitude das vibrações (e, portanto à energia transportada pela onda sonora); é a qualidade pela qual um som forte (grande amplitude — muita energia) se distingue de um som fraco (pequena amplitude — pouca energia).
Apesar de variarem num mesmo sentido, é preciso não confundir intensidade fisiológica (ou intensidade auditiva ou ainda nível sonoro) com a intensidade física (ou intensidade sonora, quando se trata de onda sonora) da onda que é uma grandeza física associada ao fenômeno vibratório. Vamos detalhar isso um pouco mais. Vale lembrar que, durante a propagação das ondas tem lugar um transporte de energia, no entanto, as partículas do meio não se deslocam no sentido da propagação das ondas, limitando-se a realizar movimentos oscilatórios nas proximidades da posição de equilíbrio (quando a amplitude das ondas é pequena e o meio em que se propagam não é viscoso). A grandeza que é numericamente igual à energia média transportada pela onda, por unidade de tempo, através de uma unidade de área da superfície da onda é denominada intensidade física da onda. Essa intensidade é medida em W/m2. A intensidade das ondas acústicas é denominada intensidade física do som ou, simplesmente, intensidade sonora. Durante a propagação das ondas mecânicas, a velocidade e a aceleração das partículas do meio variam de acordo com a mesmo tipo da lei do deslocamento (espaço, elongação), ou seja, uma lei harmônica. Quando a 'amplitude' do deslocamento (elongação máxima) das partículas durante a propagação de uma onda harmônica plana de pulsação w apresenta o valor a, a 'amplitude' máxima da velocidade da oscilação terá o valor vmáx. = w.a a 'amplitude' máxima da aceleração da oscilação terá o valor gmáx.= w2.a e a intensidade física da onda será dada por I = (1/2).V.r.w2.a2 onde
r
é a massa específica do meio onde a onda se propaga, V é a velocidade de
propagação. I = k.f2.a2 ---
para uma dada freqüência, a intensidade física é diretamente
proporcional ao quadrado da amplitude; O nível de variação da intensidade fisiológica (DS) cuja unidade é o bell (b) e a intensidade física (I) cuja unidade é o W/m2 relacionam-se mediante uma lei experimental ou lei de Weber-Fechner: A variação da intensidade fisiológica (DS), na zona central do campo de audibilidade é proporcional à variação dos logaritmos das intensidades físicas correspondentes. Assim, seja So uma intensidade fisiológica de referência e Io a correspondente intensidade física. Se S é outra intensidade fisiológica qualquer e I a intensidade física correspondente, a lei de Weber-Fechner permite escrever: adotando-se So ==> Io e tomando-se S ==> I vem S - So = log(I/Io), em bell (b). Exemplo: Numa conversação fraca (conversa baixa), seja I1 = 10 mW/cm2 a intensidade física recebida por um ouvinte. Calcular qual será a variação da intensidade auditiva percebida pelo ouvinte, quando a intensidade da onda sonora da conversação aumentar para I2 = 100 mW/cm2. Solução: I1 = 10 mW/cm2 ==> S1 e I2 = 100 mW/cm2 ==> S2 , pergunta-se o valor de DS = S2 - S1 ; pomos DS = log10(I2/I1) = log10(100/10) = log1010 = 1 bell Comumente, em vez de usarmos o bell como nível de variação de intensidade auditiva, usa-se o decibel, de modo que, podemos por: DS = S2 - S1 = 10.log10(I2/I1) (db) Por convenção internacional, definiu-se So= 0, para Io = 10-12 W/m2 como sendo a intensidade auditiva de referência, relativa a um som simples de freqüência 1000 Hz. Essa intensidade corresponde ao limiar de audição.
A intensidade do som captada pelo ouvido corresponde à sensação do que se denomina popularmente de volume do som. Quando o som tem uma determinada intensidade mínima, o ouvido humano não capta o som. Essa intensidade mínima é denominada nível mínimo de audição, ou como colocamos acima, limiar de audição e esse mínimo difere segundo a freqüência dos sons. Quando a intensidade é elevada, o som provoca uma sensação dolorosa. A intensidade mínima a que um som ainda provoca sensação dolorosa tem o nome de limiar da sensação dolorosa. A intensidade auditiva também pode ser referida em fons e, para tanto, basta que se fixe as seguintes referências: freqüência de 1000 Hz; intensidade física de 10-12 W/m2 ==> So = 0 fon. Com essas convenções a lei de Weber-Fechner torna-se: S (em fons) = 10.log10 (I/10-12), com I em W/m2 . Exemplo: Sabendo-se que uma onda sonora apresenta intensidade física de 1 W/m2 dizer, em fons, a intensidade auditiva percebida por um observador. Solução:
So = 0 ==> 10-12 W/m2 S = 10.log10(1/10-12) = 10.log101012 = 120 fons Notas: A altura do som está ligada unicamente à sua freqüência; é a qualidade pela qual um som grave (som baixo --- freqüência baixa) se distingue de um som agudo (som alto --- freqüência alta).
É fácil perceber que essa característica do som depende tão somente da freqüência; sabe-se, por exemplo, que encurtando-se uma lamina elástica (gilete presa no bordo da mesa), aumenta-se a freqüência de suas vibrações e, correlativamente, constata-se que o som emitido se torna mais e mais agudo.
O
quociente das freqüências de dois sons, define um intervalo
sonoro (i), em particular, se i = 2, ou seja, f2/f1
= 2, teremos um intervalo de uma oitava — a
freqüência do som mais agudo é o dobro da freqüência do outro.
Intervalos
fundamentais:
1o) tom maior = 9/8 ...
(f2/f1 = 9/8) Relação com a tônica (dó1): 1 9/8 5/4 4/3 3/2 5/3 15/8 2
A fim de que os diversos instrumentos musicais possam dar as mesmas notas,foi necessário fixar a altura absoluta de uma certa nota, isto é, sua freqüência. Um congresso internacional fixou: freqüência do lá3 = 435 Hz Em
musica, utilizam-se nove oitavas, cada uma
delas sendo caracterizada por um índice compreendido entre -1 e +9
(não se usa o índice zero): -1__1__2__3__4__5__6__7__8__9. Exemplo: Conhecida a freqüência do lá3 = 435 Hz, determinar a freqüência do si-1. Solução: Inicialmente deve-se determinar a freqüência do lá-1(que pertence à mesma gama do si-1):
Os limites extremos da voz humana são cerca de 60 e 550 Hz para o homem e 110 e 1300 Hz para a mulher. Imagine a 'incompatibilidade auditiva' que deve existir entre um casal cujo homem fala na base dos 60 Hz e a mulher na base dos 1300 Hz! [Nota: Nos E.U.A. há casos de divórcios baseados em incompatibilidade auditiva.] O
timbre depende dos harmônicos
associados ao som fundamental no caso dos sons musicais
ou das ondas que se superpõem, no caso dos sons compostos em geral. No
caso dos sons musicais, é a qualidade que permite distinguir dois sons de
mesma altura emitidos por fontes sonoras diferentes; uma flauta e um
violino, por exemplo, ambos emitindo, digamos, o dó3.
Abaixo,
esquerda, ilustramos a forma de onda denominada dente de serra. O som
correspondente é produzido à partir do som fundamental de freqüência f
ao qual se superpõem os sons de freqüências 2f, 3f, 4f, ...,
respectivamente, com amplitudes 1/2, 1/3, 1/4, ... f(t)=sin(2·p·440·t)+sin(2·p·880·t)/2+sin(2·p·1320·t)/3+sin(2·p·1760·t)/4+.... Nesse exemplo, a freqüência fundamental é a de 440 Hz. Fazendo 2·p·440·t = x, 2·p·880·t = 2x, etc. a função será: y = f(x) = sinx + (sin2x)/2 + (sin3x)/3 + (sin4x)/4 + ...
Acima,
direita, ilustramos a forma de onda denominada onda quadrada. O som
correspondente é produzido à partir do som fundamental de freqüência f
ao qual se superpõem os sons de freqüências 3f, 5f, 7f, ...,
respectivamente, com amplitudes 1/3, 1/5, 1/7, ... f(t)=sin(2·p·440·t)+sin(2·p·1320·t)/3+sin(2·p·2200·t)/5+sin(2·p·3080·t)/7+... Nesse
exemplo, a freqüência fundamental é a de 440 Hz.
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