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Teoria
Ondulatória Prof.
Luiz Ferraz Netto Essa Parte 1 da Teoria Ondulatória contém: Fundamentos físicos; Velocidade de uma onda e Dedução da equação das ondas elásticas longitudinais. Fundamentos
físicos Como exemplo consideremos uma onda de compressão como a ilustrada abaixo:
Golpeando-se com um martelo a extremidade de uma barra metálica longa, cria-se assim, nesta extremidade da barra, uma perturbação (compressão). A princípio, a primeira camada tem sua pressão aumentada: suas partículas se afastam, por isto, da posição de equilíbrio a uma distância x, que serve como medida da perturbação. A perturbação se propaga, uma vez que as partículas individuais se vinculam reciprocamente, por meio de forças elásticas. As secções transversais vizinhas vão sofrendo sucessivamente um deslocamento e retornam ao equilíbrio: a perturbação “caminha”. Para que a perturbação realmente se propague, e com isto se crie uma onda propriamente dita, a vinculação é essencial. Vê-se isto, de um modo particularmente claro, no caso da cadeia de ondas, um sistema de muitos pêndulos de torção ligados (experimento recomendado: clique aqui). Na maioria dos casos, embora nem sempre, associa-se a uma propagação de ondas um transporte de energia. Nas ondas devem-se distinguir as ondas transversais, em cujo caso a perturbação x é normal à direção da propagação (à esquerda, abaixo) e as ondas longitudinais, para as quais o deslocamento se dá na direção da propagação (à direita, abaixo)
Deve-se, contudo, observar que numa onda as partículas não se afastam continuamente, porém oscilam em torno da posição de equilíbrio. Essencial ainda, para toda a teoria ondulatória, é o princípio da superposição: duas perturbações da mesma espécie x1 e x2 compõem aditivamente uma perturbação resultante x = x1 + x2 .(Demonstração com ondas na água - cuba de ondas). Velocidade
de uma onda Caracterizamos a perturbação por meio de uma grandeza x, que é função da posição e do tempo. Para que uma tal função constitua uma onda, deve satisfazer à condição seguinte: A perturbação x deve ter, para os diversos pontos da reta x, para o tempo t = 0, os valores dados na curva A: x(x,0) = f(x) .
Esta
onda deve se mover com a velocidade de propagação u dirigida para
a direita (segundo os valores crescentes de x). A perturbação que, para o
tempo t (curva B), achamos numa determinada posição x,
apresentara-se, para t = 0, na posição xo = x - ut . x(x,t) = x(xo,0) = f(xo) = f(x - ut) Vemos portanto, que uma função que contém x e t somente na ligação (x - ut), constitui uma onda que se propaga com a velocidade u. A velocidade de propagação u depende das propriedades do meio transmissor. Com a ajuda de considerações dimensionais, pode-se muitas vezes determinar u, a menos de um fator numérico. Exemplo
- 1: No caso de ondas longitudinais elásticas, u deve
depender do módulo de elasticidade E (módulo de Young) e da
densidade absoluta r:
u = f(r,E).
Para o aço (E = 2,2 x 1011 newton/m2 ; r = 7 800 kg/m3) torna-se u = 5 000 m/s.
Exemplo - 2: Na propagação de ondas aquáticas em águas rasas (ondas pesadas), entra em jogo a profundidade h da água bem como a grandeza da aceleração da gravidade g e, portanto: u =f(h,g) . A massa não figura neste caso, como em todos os movimentos, devido ao peso (massa inerte = massa pesada). Como [u] = m.s-1 , [h] = m e [g] = m.s-2
Para h = 0,05 m, g = 9,81 ms-2 será u = 0,7 ms-1. Dedução
da equação das ondas no exemplo de ondas elásticas longitudinais.
Neste caso a perturbação consiste no deslocamento das partículas de uma secção transversal a uma distância x, na direção x. Estes deslocamentos processam-se sob a influência de tensões elásticas t (tração, compressão; t = F/A). Designaremos a tração na posição x, no instante t, com t (x, t); na posição x + dx a compressão será, então, igual a
Visualizemos, agora, o elemento da barra compreendido entre as duas secções x e x + dx. Os deslocamentos
nas suas extremidades são diferentes. Este elemento da barra alongou-se, portanto, sob a influência das forças.
Esta é a chamada equação das ondas para a onda elástica ao longo de uma barra. Veremos, a seguir, que a expressão representativa de uma onda longitudinal propagando-se ao longo do eixo x , a saber, x = f(x - ut) , satisfaz realmente à equação de ondas.
Segue Tratamento matemático da onda - Parte 2.
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