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Prof.
Luiz Ferraz Netto Introdução Fundamentos
da máquina Kelvin
O interessante do ocorrido é que o corpo eletrizado positivamente (o indutor) não tem o seu desequilíbrio de cargas afetado, contudo, as gotas (o induzido) negativas serão criadas continuamente, desde que a água continue escoando. A energia elétrica origina-se do trabalho realizado pela gravidade (peso da gota), puxando a gota negativa para longe do gotejador aterrado e longe do condutor positivo (o indutor). NOTA: A polaridade da gota pode ser invertida, bastando para tanto que o condutor indutor seja negativo. A descrição será exatamente igual à anterior, porém os sinais das cargas serão invertidos. Suponha agora que você disponha de dois gotejadores, fixados lado a lado, como se ilustra na figura abaixo. Agora basta coletar as cargas das gotas eletrificadas que caem de um deles para carregar ainda mais o condutor indutor do outro, e vice-versa. Desse modo teremos uma eletrização auto-sustentada, num sistema multiplicador de cargas elétricas: as cargas dos indutores aumentam progressivamente e, com isso, aumentam também as cargas induzidas nas gotas. Diagrama geral da máquina Kelvin
Montagem
e operação
2) O reservatório de água do topo da montagem não precisa ser metálico - a própria água incumbe-se do movimento de cargas. Este reservatório pode ser fixado diretamente no suporte do conjunto. Convém aterrar este reservatório, mergulhando uma extremidade de um fio desencapado dentro da água e ligando a outra extremidade numa torneira, janela ou mesa metálica. Atenção: No geral, essas altas tensões não são prejudiciais ao organismo humano em razão da baixíssima corrente elétrica envolvida no fenômeno (na casa dos microampères). A surpresa causada pela faísca na pele pode desencadear atitudes desastrosas da pessoa que a recebeu, principalmente com relação ao mobiliário e equipamentos nas proximidades. Como sempre, os portadores de marca-passo devem ser avisados para se afastar de todos os aparelhos geradores de altas tensões. 3) Os bicos gotejadores não necessitam ser metálicos; podem ser usados conta-gotas de vidro ou plástico. Pode-se dispor de uma torneirinha ou um estrangulador para ajustar o gotejamento. 4) O reservatório inferior, que recebe as gotas neutras, também pode ser de plástico. Dispondo de uma bombinha d'água (movida a pilhas), pode-se bombear a água desse reservatório para aquele do topo da montagem. Isso traz comodidade ao funcionamento contínuo do gerador eletrostático de Kelvin (principalmente quando utilizado em exposições). 5) Os condutores indutores, que irão determinar a separação de cargas nas gotas dos bicos dos gotejadores, devem estar suficientemente próximos deles, mas sem tocá-los.
Deve-se sempre evitar bordas afiladas e rebarbas nestes condutores. No caso da caneca com orifício "no fundo", deve-se repuxar as bordas desse furo "para dentro" da caneca. 6) Os condutores inferiores, que irão recolher as cargas elétricas das gotas, devem funcionar como "coletores de Faraday", ou seja, "cargas depositadas no interior de um condutor metálico transferem-se imediatamente para a superfície externa deste". As gotas devem bater no interior desses recipientes, transferindo suas cargas para a superfície exterior e saindo neutras. Várias técnicas podem ser adotadas para se conseguir esse efeito:
7) Interligar os condutores, em cruz, com fios de cobre encapados, desencapando-os apenas nos pontos de contato e nas extremidades. 8) Nas extremidades dos fios devem ser ligadas esferas de latão ou alças, que servirão como terminais (bornes) para os experimentos. Uma vez iniciado o gotejamento, aguarde alguns segundos para que a alta tensão apareça. Para visualizar se o aparelho está se carregando, algumas tirinhas finas de papel (ou mesmo pedaços de linha de costura) podem ser grudadas nas canecas. Se as extremidades livres dessas tiras começarem a se afastar dos condutores, eles estarão se carregando. Tempo úmido, como sempre acontece em Eletrostática, atrapalha o experimento (um secador de cabelos pode ser usado para minimizar a causa). Toque uma das canecas com suavidade e escute o crepitar de minúsculas faíscas elétricas. Obtenha uma pequena lâmpada néon (lâmpada de "teste" dos eletricistas); segure-a por um de seus terminais e toque uma caneca com o outro terminal, você deverá ver um flash laranja escuro. Toque, com este terminal livre da lâmpada, ora uma ora outra caneca; você deverá perceber as faíscas e lampejos. Não ligue diretamente os dois terminais da lâmpada néon, um em cada condutor da montagem; haveria descargas rápidas demais para serem observadas e logo a carga toda desaparece. Se você colocar um resistor de 500 000 ohms (ou 1/4W, carvão retirado de um velho rádio ou obtido em lojas de componentes eletrônicos) em série com a lâmpada, contudo, poderá observar lampejos intermitentes - você terá montado um circuito de relaxação. Outro modo de visualizar lampejos intermitentes, sem o resistor, é fixar um dos terminais da lâmpada num dos condutores em cruz e posicionar o outro bem próximo ao outro condutor; de tempo em tempo a lâmpada dará um lampejo. Sugestão (a) a umidade atmosférica está alta demais (tente passar o jato do secador de cabelo pela estrutura); (b) seu dispositivo está tendo dificuldade para "decidir" que condutor será positivo e qual será negativo (a umidade é a principal causa disso). Para sanar este problema, esfregue um pente no cabelo e encoste o pente em uma das canecas (pode-se usar um balão de borracha pré-atritado com uma blusa de lã, um bastão de vidro que tenha sido esfregado com seda etc.). Este procedimento definirá a carga inicial de cada condutor. Observação Com esse aumento de tensão, as gotas começarão a sair do gotejador cada vez mais lentamente, pois tendo cargas de sinal igual o do indutor próximo, serão repelidas e, em suas quedas, poderão até alterar seus trajetos, pois as forças de repulsão passam a admitir uma componente horizontal devido às imperfeições das bordas e a centralização do gotejamento. CUIDADO DETALHE Ao trabalhar com altas tensões tenha toda sua atenção voltada ao trabalho! Modelo
em "linha"
Chuva elétrica com montagem "em linha". 1- Gotejador principal: não precisa ser metálico; pode-se ligar uma mangueirinha no reservatório principal de água e, na extremidade desta mangueirinha, adaptar um conta-gotas de plástico ou vidro. Este gotejador pode até mesmo ser um pulverizador, de onde saiam várias gotas por segundo; o importante é sair em gotas (ou gotículas) --- não pode ser um fio de água! 2 - Primeiro Indutor (que aqui batizamos de positivo): pode ser feito em forma de toróide (formato de um biscoito do tipo "rosquinha"), um anel de fio de cobre ou alumínio grosso, uma lata sem fundo e sem tampa ou uma caneca de alumínio com o fundo abaulado (para fora) e com furo central (é importante que as bordas deste furo seja rebaixadas para dentro). Fixar esta caneca (de boca para baixo) com material isolante na armação de apoio. 3 - Gota transportando carga negativa, desde sua saída do bico do gotejador. 4 - Primeiro Coletor (de cargas negativas, em nossa ilustração): pode ser feito de uma lata sem tampa e sem fundo, dotada de uma tela interna e de um funil de plástico abaixo dela. As gotas que saem por este funil já deixaram sua carga elétrica na superfície externa deste coletor. 5 - Funil de eletrização por indução. O que ocorre com a gota, ao sair do bico deste funil, é o mesmo fenômeno que ocorre no bico do gotejador principal. Ele deve ser metálico e aterrado. 6 - Segundo Indutor (de sinal oposto ao do primeiro indutor). Mesmos comentários do primeiro indutor. 7 - Gota transportando carga positiva proveniente do funil de eletrização. 8 - Segundo Coletor de cargas (de sinal oposto ao primeiro coletor): mesmos comentários do primeiro coletor. 9 - Receptor final de gotas neutras: neste receptor pode-se instalar uma pequena bomba d'água (tipo motor usado em limpadores de pára-brisa de automóveis) para retornar a água ao reservatório principal. 10 - Aterramento das partes do conjunto (fio de cobre 16). 11 - Ligação entre primeiro indutor, segundo coletor e terminal para ensaios: use fio de cobre 16 e solde uma esfera de latão como terminal de ensaio. 12 - Ligação entre primeiro coletor, segundo indutor e terminal para ensaios: idem 11. ISOLAÇÃO |
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