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O
eletróforo
(Um
gerador eletrostático bem simples) |
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Apresentação
Denominamos máquinas eletrostáticas
a todos os aparelhos capazes de fornecerem, de modo contínuo, quantidades
notáveis de cargas elétricas sob alto potencial elétrico. Tais
aparelhos sempre foram e serão atrações em Feiras de Ciências. Existem
máquinas de bom porte como o gerador de Van De Graaff, o de Wimshurst, o
de Kelvin etc. Entretanto, para trabalhos em laboratórios e demonstrações
simples em sala de aula a mais recomendada delas é o
Eletróforo
de Volta.
Material
Disco de alumínio ou madeira
envernizada ou papelão com cerca de 25 cm de diâmetro; folha de papel
alumínio gomada (tipo "Contact"), caso a opção anterior seja
para o disco de madeira ou papelão; cabo isolante (20 cm de tubo plástico);
folha espessa de plástico (para empacotamentos especiais, capas de
arquivos, sacos de lixo etc.) e material para eletrização por atrito
(pele artificial, suéter de lã, peruca, meia de seda etc.).
Montagem
A descrição será feita a partir
da opção --- disco de papelão. Recorte um disco de papelão com diâmetro
de 25 cm. Cubra uma de suas faces com papel alumínio (de preferência
tipo "Contact" alumínio, que já vem com cola), deixando sobrar
cerca de 5cm em todo o contorno. Esta sobra deve ser dobrada e colada na
outra face (faça cortes nesta sobra para facilitar a dobra e a colagem).
Toda essa tarefa será dispensada se o montador optou por disco de alumínio.
Nota: As folhas de papel alumínio auto-colantes, recobertas por fina
camada de plástico em ambas as faces, não servem. Recorra ao papel alumínio
dos rolos, para cozinhas.
No
centro desse disco e do lado em que foi grudada a sobra do papel alumínio,
fixe um cabo isolante (tubo ou bastão plástico) com cerca de 20 cm de
comprimento. O tubo pode ser fixado com cola forte; o bastão, mediante
parafuso de cabeça chata. Quando segurar o aparelho pelo cabo, verifique
que sua mão fique distante da borda de papel alumínio; seus dedos não
devem tocá-lo.
Procedimento
O eletróforo de Volta funcionará
bem em dias secos. Para testar a umidade relativa do ar, atrite a lâmina
de plástico com a meia de lã e verifique se, chegando o braço perto
dessa lâmina, os pêlos do braço ficam eriçados (levantados). Se isto não
acontecer, aguarde um dia seco para refazer o experimento ou vá para um
ambiente onde se tenha ar condicionado, que geralmente é bem seco.
Para
operar o eletróforo, coloque a folha de plástico sobre uma mesa e
esfregue bem sua superfície com a pele, suéter ou peruca. Apóie o disco
sobre o plástico, segurando-o pelo cabo isolante. Com o disco ainda sobre
o plástico, toque o papel alumínio com seu dedo. Isto vai permitir a
passagem de carga elétrica de seu corpo para o disco.
Agora,
após retirar o dedo e segurando pelo cabo, afaste o disco do plástico. O
disco estará carregado (eletrizado) e sua carga poderá ser utilizada
para realizar vários experimentos tais como: fazer piscar uma pequena lâmpada
de néon (NE-2), produzir pequenas faíscas, mover a agulha de um eletrômetro,
carregar uma garrafa de Leyden, fazer girar um torniquete elétrico,
atrair a bolinha de um pêndulo eletrostático, curvar o fio de água que
escorre de uma torneira, eletrizar outros corpos por contato, eletrizar
outros corpos por indução, separar as folhas de um eletroscópio etc.
Após
o uso do disco em algum experimento ele ficará descarregado. Para
recarregá-lo basta colocá-lo novamente sobre a folha de plástico, tocar
com dedo a borda de alumínio e retira-lo de cima da folha. Não é necessário
esfregar a folha de plástico com a pele ou suéter, pois ela não perdeu
sua carga (a menos que o ambiente esteja úmido).
Explicando
A carga que carrega o eletróforo não
veio do plástico e sim por intermédio seu corpo, por ocasião do toque
com o dedo. Parece impossível, não ? O plástico eletrizado, nestas
experimentações sucessivas funciona como uma fonte de energia e não
perde sua força quando atrai as cargas contrárias do papel alumínio que
recobre o disco do eletróforo. De onde vem a energia então? Ela vem do
trabalho realizado pelos músculos de seu braço para puxar o disco para
longe da folha de plástico.
Ao
ser atritada, a folha de plástico fica eletrizada com carga cujo sinal
vai depender do "par de material" que entra em atrito. Admitamos
que ela adquira carga negativa. Ao colocarmos o disco metálico sobre a
folha de plástico esse (o disco) sofre o efeito da indução eletrostática.
A separação de cargas no disco será tal que, as cargas positivas ficam
na face inferior (lado voltado para o plástico negativo) e as negativas
irão para a face superior (bordas coladas por cima do papelão). Quando o
dedo toca a parte metálica do disco, os elétrons em excesso da face
superior escoam através do corpo para a terra, ficando as cargas
positivas da face inferior "presas" pela presença das cargas
negativas do plástico. Ao retirar o dedo a situação se mantém: face
superior neutra e face inferior eletrizada positivamente (e fortemente
atraída pelas cargas negativas do plástico). Na fase "retirar o
disco de cima do plástico" é que comparece o trabalho do operador
vencendo as forças de atração eletrostática. Esse trabalho fica
armazenado no disco sob a forma de energia potencial eletrostática.
Com
o afastamento do disco as forças externas de atração elétrica
praticamente desaparecem e as cargas positivas espalham-se (por repulsão)
por toda a superfície metálica do disco --- ele fica eletrizado
positivamente (sinal contrário ao das cargas do plástico).
Nota:
Em boas condições, a carga acumulada no eletróforo de Volta é
suficiente para fazer funcionar nosso motor eletrostático de garrafas.
Simplificando
e eletrizando por indução
Um modelo simples de eletróforo
pode ser construído utilizando-se de uma forma de pudim (na qual
isolou-se sua protuberância central com um cone de isopor) e um prato de
plástico. Atritando-se o prato de plástico com um pedaço de flanela,
ele fica eletrizado negativamente. O processo para eletrizar a forma de
pudim (eletróforo), por indução, segue 4 etapas:
1-
aproximar a forma (neutra) do prato eletrizado (não é necessário
encostar). Nessa fase, as cargas negativas fixas no prato induzem separação
de cargas na forma de pudim; sua base fica positiva e sua parte superior
fica negativa.
2-
mantendo-se a forma próxima do prato, toca-se a forma com o dedo. Nessa
fase, os elétrons da parte superior da forma escoam pelo dedo, corpo e vão
à terra. As cargas positivas na base da forma continuam presas por atração.
3-
retira-se o dedo da forma. As posições das cargas mantém-se.
4-
afasta-se a forma do prato (nessa fase o operador realiza trabalho contra
as forças de atração eletrostáticas). Durante esse afastamento ocorre
nova redistribuição das cargas positivas.
Acompanhe
essas etapas, na animação:
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