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Ponta
metálica e Densidade elétrica
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
(a) Evidenciar
o fato de que pontas metálicas próximas do gerador de Van de Graaff em
funcionamento impedem-no de atingir altos potenciais elétricos.
(b) Recordar a Teoria
do Poder das Pontas.
(c) Discutir a densidade elétrica
superficial (Ds). Evidenciar a variação da Ds.
(a)
Ponta próxima à cúpula
do VDG
Material
Arame de cobre, alumínio ou latão;
base de madeira envernizada, corrente de bijuteria.
Montagem
Com o arame de cobre, alumínio ou latão,
construa a ponta metálica esquematizada. Uma correntinha tipo bijuteria
permite a ligação dessa ponta à Terra (um cano d’água, um armário
metálico etc).
Repita a experiência com a garrafa de Leiden na ausência da ponta e na
presença da ponta metálica próxima á cúpula do gerador. Você
observará facilmente, que na presença da ponta não mais saltarão as faíscas
para a esferinha do capacitor, pois o gerador não consegue mais alcançar
um alto potencial elétrico.
A ponta descarrega continuamente a cúpula
impedindo-a de atingir os potenciais esperados. Faça a experiência no
escuro e você observará um penacho luminoso em volta da ponta metálica.

(b)
Poder das
pontas - Teoria
Vejamos, de início, alguns parâmetros
relacionados a uma esfera metálica isolada e ligada a um gerador eletrostático
de Van de Graaff.
O
potencial elétrico da fonte é V, mantido constante. Ao interligarmos o
GVDG com a esfera 1, ocorre transferência de cargas elétricas até que a
esfera adquira o mesmo potencial elétrico V. A quantidade de carga extra
(Q1) que essa esfera recebe depende exclusivamente da capacitância
da esfera (C1)(*) naquele meio envolvente (supostamente, o ar),
uma vez que o potencial está definido (V). Essas grandezas se relacionam
assim:
Q1
= C1 . V
A
densidade elétrica superficial de carga (D1) nos indicará
quanto de carga estará distribuída, por unidade de área. Seu cálculo
se faz por meio da expressão:
D1
= Q1 / A1
onde
A1 é a área da superfície esférica dada por:
A1
= 4.p.R12.
Assim,

A
capacitância da esfera isolada (C1), é função
exclusiva do raio da esfera (R1) e do meio envolvente (de
constante eletrostática K), assim relacionados:
C1
= R1 / K
Levando-se
para a expressão de D1, obtemos:

onde
agrupamos em a
todas as constantes em questão

O
que observamos é que a densidade elétrica de cargas é inversamente
proporcional ao raio da esfera. Em outras palavras, quanto menor o raio,
maior será a concentração de cargas por unidade de área (mantidas
constantes as demais grandezas envolvidas).
Essa
densidade de cargas é um excelente indicador da intensidade de campo elétrico
em cada região do corpo eletrizado. No caso de uma esfera isolada,
com distribuição uniforme de cargas, o campo elétrico também terá uma
distribuição regular ao redor da esfera, o que teria, em uma representação
por linhas de campo, o seguinte aspecto:
Se
interligarmos, mediante longos fios condutores, a esfera 1 com outra
esfera 2 (de raio R2 < R1) mantendo-se a ligação
com a fonte (garantia da constância do potencial elétrico V), como se
ilustra, chegaremos à conclusão de que a densidade superficial de cargas
nessa nova esfera é maior do que na esfera 1.
O
campo elétrico ao redor da esfera 2 será mais intenso do que ao redor da
esfera 1. Sob mesmo potencial elétrico V, conforme diminui o raio, a
densidade elétrica superficial aumenta, e com ela a intensidade do campo
elétrico.
Seguindo
esse raciocínio, podemos ir interligando esferas de raios cada vez
menores. Essa interligação não necessita ser feita através de fios (*),
para tanto, basta encostar uma na outra, como na ilustração.
Eis
a nossa ponta!
Nota:
Dispensamos nessa interligação os longos fios e, com isso, se peca em
seguir o equacionamento acima, uma vez que a proximidade das esferas
altera sua capacitância. Todavia, o modelo é válido, uma vez que
corresponde ao que a natureza nos mostra --- o efeito das pontas.
Com
um grande número de esferas, de raio cada vez menor, teremos um visual
mais definido do que se entende por ponta. O campo ao redor dessa ponta
terá o seguinte aspecto:
Observe
a tremenda intensidade de campo na região pontiaguda. É esse campo
intenso que irá ionizar o ar ao redor, convertendo esse ar em plasma
(condutor). Quando o ar se torna condutor, ocorre a faísca, ou seja, as
cargas acumuladas na ponta fluem através do plasma (ar ionizado).

(c)
Densidade elétrica
superficial - (Ds =
Q/A)
Destaquemos o visto acima, mais uma vez, através das ilustrações
abaixo:
Ou
seja, condutores eletrizados com a mesma quantidade de carga elétrica
podem apresentar potenciais elétricos diferentes, função de suas superfícies
úteis externas. Assim, esferas metálicas com a mesma quantidade de carga
elétrica, terá maior potencial elétrico aquela que tiver menor raio,
isto porque a concentração de carga por unidade de área (densidade elétrica
superficial --- Ds) aumenta.
Podemos
demonstrar essa propriedade lançando mão de uma montagem bastante
interessante e, ao mesmo tempo, bem simples. Ilustremos a montagem:
Trata-se
de um painel vertical de acrílico (azul, na ilustração) de 50 cm de
altura por 30 cm de largura, incrustado numa base de madeira densa. Um
cilindro de borracha (aproveitado de uma velha máquina de escrever)
dotado de eixo e manivela pode girar em mancais de acrílico colados no
painel vertical.
Nesse cilindro enrola-se uma tira de papel alumínio (uso doméstico) de
20 cm de largura. Essa tira tem os bordos arredondados na extremidade
livre. Para manter o papel alumínio esticado durante as operações de
enrolar e desenrolar, foi colado (enrolado e colado), na extremidade
livre, uma fina tira de chumbo. Ainda nessa extremidade livre foi colado
um par de pêndulos elétricos (bolinhas de isopor grafitadas).
Eletriza-se a folha de alumínio (qualquer processo) e observa-se o
afastamento dos pêndulos. A seguir, mediante a manivela, enrola-se a
folha de papel alumínio no rolo de borracha e, como a área livre útil
diminui, a concentração de carga aumenta (o potencial elétrica da folha
aumenta) e os pêndulos afastam-se ainda mais. Com o desenrolar da folha
observa-se a aproximação dos pêndulos.
O
rolo de borracha pode ser substituído por um tubo de PVC (uma camada de
parafina pode ser depositada ao seu redor, mergulhando-o em parafina líquida);
os pêndulos podem ser substituídos por finas tiras de alumínio ou outro
tipo de eletrômetro.
Uma
variante interessante, e uma boa questão para ser proposta em sala de
aula, é a ilustrada a seguir:
"Uma
tira de alumínio foi cortada com forma triangular e suspensa pela base,
mediante um bastão de vidro. Ao longo do segmento vertical que passa pelo
vértice, prende-se pêndulos elétricos. Indique como se dispõem esses pêndulos
após a eletrização da tira. Justifique."
Outra
variante interessante, com material bem simples é a que passamos a
comentar:
Material
- Papel laminado (uma face papel comum, outra face folha de alumínio),
papel de seda, canudo de refresco, linha, bolinhas de isopor, toco de
madeira.
Montagem
1 - corte o papel laminado no formato indicado abaixo (procure não deixar
'rebarbas' que funcionem como 'pontas');
2 - fixe o canudo de refresco (tipo grosso, resistente) na base de madeira
e cole a figura de papel laminado (pela face não condutora) neste canudo;
3
- fixe na parte condutora do laminado pêndulos elétricos (linha +
bolinha de isopor grafitada) de mesmo comprimento (para poder comparar os
afastamentos);
nota: esses pêndulos podem ser substituídos por
tiras de papel de seda de 2mm de largura por 3 cm de comprimento.
4 - eletrize o laminado (qualquer técnica serve, até mesmo esfregar um
canudo de refresco com papel higiênico) e observe os afastamentos dos pêndulos
ou tiras de papel de seda.
Observação:
Os pêndulos da região de menor área do papel laminado (região de
curvatura mais acentuada) afastam-se mais que os outros, da vertical; ali
a densidade de carga é maior. |