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Forças
elétricas 1 —
Lei de
Coulomb
(Método estático
- caso das repulsões)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
luizferraz.netto@gmail.com
Influência
da eletrização - Noção de carga elétrica
A 'eletrização' que pode ser obtida e exibida por
certos corpos é um fato experimental incontestável. Avalia-se a
eletrização de um corpo pelas ações mecânicas que ele desperta
sobre outro corpo também eletrizado.
Diremos, pois, que dois corpos idênticos A e A’, de dimensões
muito reduzidas, estão igualmente eletrizados (também se diz
'carregados') quando possuem quantidades de cargas elétricas
iguais. Essa igualdade de quantidade de carga de A e A' se constata
verificando se aplicam a mesma ação elétrica (força) sobre um
terceiro corpo muito pequeno B, também eletrizado, colocado
separadamente, à mesma distância (r) de A e de A'. Do mesmo modo
se verificará que a quantidade de carga de A é 'n' vezes maior
que a de A', se a ação elétrica de A sobre B for 'n' vezes maior
que aquela de A' sobre B, sempre mantendo a mesma distância (r)
entre os corpos.
Forças
elétricas
Assim, as experiências fundamentais da eletrostática estabelecem
que dois corpos eletrizados com cargas elétricas de mesmo sinal se
repelem e que dois corpos eletrizados com cargas de sinais contrários
se atraem; mostram ainda que as intensidades dessas forças de atração
ou de repulsão variam com a quantidade de carga de cada corpo e
com a distâncias que os separa.
Consideremos,
pois, duas cargas elétricas puntiformes q e q', que suporemos de
mesmo sinal e colocadas em dois pontos A e A' separados pela distância
r.
Constata-se
que: q' aplica sobre q uma força repulsiva f proporcional a
q'; q aplica sobre q' uma força repulsiva f', proporcional
a q. Em virtude do princípio da igualdade da ação e reação,
essas duas forças devem ter intensidades iguais e serem
diretamente opostas; vale dizer, têm a mesma linha de ação AA' e
a mesma intensidade proporcional a q e q', de sorte que se pode
escrever:
|
f | = | f' | = f = qq' x j(r)
Influência
da distância - Lei de Coulomb
Coulomb estabeleceu
experimentalmente, em 1785, a seguinte lei, versando sobre o modo
como varia a intensidade da força elétrica que se manifesta entre
duas cargas elétricas, quando se faz variar a distância entre
elas. Essa lei se enuncia:
A
intensidade da força repulsiva ou atrativa que uma carga elétrica
aplica sobre outra é inversamente proporcional ao quadrado da
distância que as separa. Formalmente: f
= constante x qq'/r2 .
Como
eram muito reduzidas as intensidades das forças trabalhadas por
Coulomb, para estabelecer a lei do inverso do quadrado da distância,
suas medições foram realizadas mediante dois métodos
particularmente sensíveis:
--- um método estático, o da balança de torção, que
Coulomb aplicou especialmente ao estudo das forças repulsivas;
--- um método dinâmico, o do pêndulo elétrico, que
Coulomb empregou no estudo das forças atrativas.
Balança
de torção - Descrição
A balança de torção permite equilibrar a força repulsiva
que se manifesta entre duas "bolas
de sabugueiro" pela torção de um fio de prata.
Compõe-se o aparelho de uma caixa cilíndrica de vidro, que
repousa sobre um prato sustentado, por sua vez, por parafusos
niveladores. A caixa pode ser fechada em sua parte superior por um
prato de vidro, no centro do qual se fixou um tubo de vidro T
e que apresenta, perto da borda, uma abertura que permite
introduzir na caixa uma 'bola de sabugueiro A, suspensa numa
haste isolante. A parte superior do tubo T possui uma guarnição
metálica, na qual pode girar um cilindro graduado M, que
constitui o micrômetro de torção.
Nesse
cilindro pode igualmente girar, com
reduzido atrito, um segundo cilindro C de eixo idêntico,
munido de um índice I e de uma pinça na qual se acha
fixada a parte superior do fio de torção F. A parte
inferior do fio de torção está apertada numa segunda pinça que
suporta uma agulha isolante horizontal, terminada numa das
extremidades por uma pequena 'bola de sabugueiro' B, e
na outra extremidade por um pequeno plano de papel B’,
impregnado de essência de terebentina,
servindo de contrapeso à bola B e amortecendo as oscilações
da agulha.
Esta pode girar diante de uma graduação de 0 a 360o,
inscrita em uma fita de papel colada na caixa de vidro: pode-se,
assim, medir o ângulo produzido com a torção do fio F,
quando as bolas A e B recebem eletrizações do mesmo
sinal e se afastam.
Leis
da torção
Quando a equipagem móvel (CFBB') é abandonada a si própria,
a agulha horizontal suspensa no fio F se orienta numa direção
bem determinada. Se a afastarmos de sua posição de equilíbrio
num ângulo q,
o fio de suspensão sofre uma torção, e as reações elásticas
de restituição desenvolvidas no fio por essa deformação tendem
a reconduzir a agulha para sua posição de equilíbrio. A experiência
(resistência dos materiais) mostra que, para mantê-la na direção
que forma ângulo q
com a posição de equilíbrio, devemos aplicar um par, de momento C.q,
proporcional ao ângulo de torção q.
As reações elásticas originadas pela torção do fio e que
equilibram esse par são, pois, também equivalentes a um par, de
momento C.q.
C.q
denomina-se par de torção (ou, conjugado de torção); C
é a 'constante de torção' característica do fio, que depende de
seu comprimento L,
de seu diâmetro d e de sua natureza. Coulomb,
que estabeleceu as leis da torção antes da lei elementar das ações
elétricas, mostrou que se podia escrever:
C
= k.d4/L
onde
k é um coeficiente que depende da natureza do fio.
Com fios de natureza conveniente, suficientemente longos e finos,
as reações de restituição elásticas desenvolvidas pela torção
podem tornar-se suficientemente fracas para equilibrar forças de
intensidade muito pequena; a torção permite, assim, medir forças
de intensidades extremamente reduzidas.
Descrição
das experiências com a balança de torção
Para verificar a lei elementar das ações elétricas, convém
regular preliminarmente a balança. Para
esse fim, gira-se o botão C de maneira que faça o índice I
coincidir com o zero do micrômetro; gira-se em seguida o micrômetro
na guarnição metálica do tubo T, de maneira que ponha a
bola móvel B em contacto com a esfera fixa A;
gira-se finalmente o disco de vidro que fecha a caixa, até que o
sistema das duas esferas em contacto fique diante do zero da caixa.
Tocam-se,
então, as duas esferas A e B, com uma pequena esfera
eletrizada; ambas adquirem eletrizações do mesmo sinal, e a bola B
é repelida pela esfera fixa A, à distância angular a;
Coulomb achou a
= 36o. Gira-se em
seguida o índice I de um ângulo b,
num sentido tal que a torção seja aumentada e B se
aproxime de A. Quando as
distâncias das duas esferas se tornam a/2,
a torção do fio é b
+ a/2
.
Coulomb
achou b
+ a/2
= 144o = 36o x 4, isto conduz a, b
= 144o - a/2
= 144o - 18o = 126o.
Gira-se
finalmente I do ângulo b'
a partir de sua posição
inicial, de maneira que a distância angular das duas esferas
se torne igual a a/4.
Coulomb constatou que a torção total
era muito aproximada de 36o x 16 = 576o (de
acordo com o original de Coulomb, 575o 30' em vez de 576o),
o que dá b'
= 576o - 9o = 567o .
Como
o par de torção que equilibra a força elétrica é proporcional
ao ângulo de torção, a força elétrica é também proporcional
a esse ângulo. Pode-se, portanto, armar o seguinte quadro de distâncias
versus forças:
| Distâncias |
36o |
18o |
9o |
| Forças |
36o |
144o=36ox4 |
576o=36ox16 |
Quando
a distância se torna 2, depois 4 vezes menor, a intensidade da força
se torna 4, e em seguida 16 vezes maior, o que verifica a lei.
Cálculo
exato da experiência
Na realidade, o afastamento das duas esferas não é medido por sua
distância angular, e o braço de alavanca, na extremidade da qual
se exerce a força elétrica, não é o semicomprimento da haste
que suporta a esfera B, como implicitamente o supusemos.
Representemos
em projeção horizontal a esfera fixa A, a alavanca móvel
e a esfera B, o fio de torção e o índice I.

isto
é, o ângulo de torção varia na razão inversa do quadrado da
distância angular entre as duas bolas. Ora, é precisamente isso
que resulta das experiências de Coulomb.
Aplicação
da torção à medida de intensidades de forças
Como observamos acima

a
qual, com os dados experimentais, permite obter intensidade de força.
Suponhamos
esses dados: a
+ b
= 1 radiano; l.cos(a/2)
= 10 cm; L = 50 cm; d = 0,1 mm = 0,02 cm; mantendo-me
no sistema CGS, encontrei para a prata (fio de prata) k =
2,7.1010 uCGS. Obteremos, ainda no CGS, F = 0,54
dinas [se preferir esse resultado em 'newtons', basta lembrar que 1
dina = 10-5 N, logo, F = 0,54.10-5 N].
Se o fio tivesse um diâmetro 10 vezes menor (0,01 mm = 10 µm), o
mesmo ângulo de torção de 1 radiano corresponderia a uma força
10 000 vezes menor. A intensidade de força posta em jogo na
primeira experiência de Coulomb não ultrapassava 0,02 dina; e
utilizando-se fios de quartzo em vez de fios de prata, conseguiu-se
medir intensidades de forças de 10-8 dinas (10-3
N).
Vê-se, assim, a extrema sensibilidade do método do dinamômetro
de torção, que permite medir intensidades de forças de origens
bem diversas: elétricas, magnéticas, de gravitação, de pressão,
de radiação, etc.
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