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Forças
elétricas 2 — Lei
de Coulomb
(Método dinâmico - caso das
atrações)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
luizferraz.netto@gmail.com
Caso
das atrações
No caso em pauta, em que as duas esferas A
e B possuem cargas de sinais contrários e que produzem, portanto, uma
atração, nem toda posição de equilíbrio da haste ligada ao fio de torção
é necessariamente uma posição de equilíbrio estável. Graças a
experiências realizadas com precauções especiais, Coulomb
pode verificar ainda a lei do inverso do quadrado, tendo também confirmado o
mesmo resultado utilizando um outro método, que é o do pêndulo elétrico.
Pêndulo
elétrico
Princípio - Podemos determinar as
forças atrativas que se aplicam entre dois corpos eletrizados, a diferentes
distâncias, por um processo comparável ao que permite avaliar a ´força da
gravidade´ a diversas distâncias do centro da Terra.
Sabemos que o período de oscilações de um pêndulo simples de
comprimento L, num local em que o peso da unidade de massa tem por valor ´g´,
é dado pela expressão
T
= 2p.(L/g)1/2
Imaginemos,
pois, três pêndulos idênticos, AP, A´P´, A"P", colocados
respectivamente:
---
próximo á superfície da terra, distante do centro de R ~= 6 000 km;
--- à distância dupla 2R, do centro da terra;
--- à distância tripla 3R, do centro da terra.
De
acordo com a lei da atração universal, de Newton, a aceleração devido á
gravidade g varia na razão inversa do quadrado da distância e terá portanto,
sucessivamente, os valores g , g/4, g/9, ...; e se o
pêndulo tem por comprimento L = 0,25 m, teremos os seguintes períodos de
oscilação 1s, 2s, 3s, ...; respectivamente.
Assim,
se a força de atração que a Terra aplica sobre a unidade de massa varia na
razão inversa do quadrado da distância, o período de oscilação do pêndulo
simples (para um dado comprimento fixo L) deve variar proporcionalmente á
distância. Vamos ver isso?
Lei
de Newton da gravitação: g = GM/d2 ;
Período de oscilação do pêndulo: T = 2p(L/g)1/2
então, T = 2p[L/(GM/d2)]1/2
= 2p.d.(L/GM)1/2
= K.d ===> [ T a
d ]
Verificando-se
experimentalmente que o período do pêndulo simples está de acordo com essa
conclusão, verifica-se, pois, a lei da atração universal.
Pêndulo
de Coulomb
Foi mediante um método análogo que Coulomb verificou a lei das atrações
elétricas. Vejamos isso.
Uma grande esfera condutora ("1 pé de diâmetro"), eletrizada
positivamente e isolada, atrai o pequeno disco P, eletrizado
negativamente, de um pequeno pêndulo AP, formado por uma leve agulha
isolante, móvel no plano horizontal que passa pelo centro da esfera, e
suspensa, por um fio sem torção, a uma régua graduada horizontal.
representemos a figura em projeção horizontal:
Fico
devendo, por enquanto, a demonstração do teorema de Coulomb: "A
ação de uma esfera uniformemente eletrizada sobre uma carga elétrica
puntiforme exterior, é a mesma que se verificaria se toda a carga da esfera
estivesse condensada em se centro."
Quando
o pêndulo elétrico se acha em equilíbrio, a agulha AP é, pois,
dirigida para o ponto O; afastada de sua posição de equilíbrio, a
agulha tende a voltar a ela, executando uma série de oscilações. Sem
novidades.
Se a distância d do centro da esfera ao disco P é
suficientemente grande, poderemos admitir que a força atrativa F
aplicada pela esfera sobre o disco eletrizado fica constante (módulo, direção
e sentido), enquanto perdura o movimento.
Seja a
o ângulo que a agulha faz, em relação á sua posição de equilíbrio, no
instante t; o momento da força F, em relação ao eixo de
rotação, de sinal contrário a a
é, então, - F.u.sena,
se u é a distância do disco P ao eixo de rotação.
Desprezando-se
o amortecimento, esse momento é igual ao produto da aceleração angular d2a/dt2
pelo momento de inércia K do pêndulo em relação ao eixo de rotação.
Por conseguinte, a equação do momento é
isto
é, o período das oscilações do pêndulo elétrico será proporcional à
distância d do disco ao centro da esfera.
Coulomb achou períodos de oscilação que estão entre si como os números 1, 2
e , para valores de d que estão entre si como os números 1,2 e 2,7.
Como nas experiências feitas com a balança de torção, intervém aqui uma
certa perda que justifica o afastamento observado na última experiência.
A
lei de Coulomb só é, pois, verificável de uma forma bastante grosseira, por
experiências diretas pouco numerosas; mas, inteiramente justificada e de pleno
acordo com as experimentações de todas as conseqüências que se podem
deduzir.
Expressão
da lei elementar das ações elétricas
Em suma, as forças F e F´,
exercidas uma sobre a outra por duas cargas elétricas puntiformes q e q’,
são dirigidas segundo a reta que as une, iguais e opostas, de intensidades
proporcionais a q, a q’ e a 1/r2 , de sorte
que se pode escrever
|F|
= |F´| = constante.qq´/r2 .
Essas forças
são repulsivas quando as cargas em presença são da mesma natureza;
são atrativas em caso contrário. Vê-se, pois, que, se considerarmos as
cargas como quantidades algébricas positivas e/ou negativas, as forças F e
F´ serão positivas,
no caso da repulsão; negativas, no caso da atração. Sendo k a constante
escolhida e positiva, pode-se escrever em grandeza e em sinal:
F
= F´ = kqq´/r2 .
O
valor da
constante k dessa equação depende do sistema de unidades adotado e do
meio onde as cargas estão mergulhadas. No sistema racionalizado
(sistema internacional de unidades), tal constante é expressa por k
= 1/(4peeo)
, onde e
e eo
são, respectivamente as
permitividades elétricas do meio envolvente (suposto homogêneo) e do
vácuo. No vácuo, k assume o valor 9x109 N.m2/C2.
F
= 9x10 9.q.q´/r2
... no vácuo e em unidades do SI.
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