Objetivo
Ação do campo eletrostático uniforme sobre uma partícula eletrizada. Aplicação à
determinação da carga elementar.
Apresentação
Uma partícula eletrizada, possuindo carga elétrica q, colocada num campo
eletrostático uniforme E, fica submetida a uma força elétrica F =
q.E, constante em intensidade e orientação, e da qual vamos estudar os
efeitos, no caso particular que realizam as experiências de MILLIKAN relativas à
determinação da carga elétrica elementar.
Algumas gotículas esféricas, muito finas, dum líquido pouco
volátil (óleo, glicerina, etc.), obtidas por pulverização do líquido, são
introduzidas no espaço compreendido entre dois pratos horizontais A e B,
dispostos no interior duma caixa de vidro e apresentando uma diferença de
potencial que origina entre os pratos um campo eletrostático vertical (para
baixo), uniforme, de 3 000 a 4 000 volts por cm. O atrito que acompanha o
processo de pulverização basta para eletrizar as gotas, que são iluminadas
lateralmente e que um microscópio M permite observar.
Consideremos a gotícula G e seja r o seu
raio, que é da ordem do micron. Acha-se ela, primariamente, submetida a
seu peso aparente (diferença entre seu peso real e o empuxo de Arquimedes por
parte do ar), que passamos a calcular:
Pap. = Preal - EArq. = (4/3)pr3Dg
- (4/3)pr3dg =
(4/3)pr3(D - d)
permite obter q , se se conhece o raio r
da gota ou o peso aparente Pap.. Tal é o princípio do método.
Obtenção de r
A medida de r se efetua do seguinte modo: Suponhamos que o campo
elétrico seja nulo entre os pratos; nessa condição a gotícula cai, então, sob a
ação de seu peso aparente Pap.,mas sofre, por parte do gás no qual se
desloca, uma resistência viscosa R, proporcional à velocidade de queda e ao raio
r, a qual cresce progressivamente até que se tenha Pap. = R.
Assim, ao cabo de um intervalo de tempo muito curto, o movimento se torna
uniforme. Se vo é a velocidade limite adquirida pela gota, pode-se
escrever:
(4/3)pr3(D
- d) = k.r.vo ..... (1)
(peso aparente = resistência do gás)
sendo k um coeficiente que depende da natureza do gás
e cujo valor é conhecido.
A ocular do microscópio M é munida de um retículo de três
fios horizontais equidistantes, e determina-se o tempo que separa as passagens
da gota em dois fios consecutivos do retículo; deduz-se assim a velocidade vo,
e, por conseguinte, r e, finalmente, o peso aparente Pap..
Desta sorte se efetua uma verdadeira pesagem da gota.
Obtenção da carga
Quando existe entre os pratos um campo eletrostático muito fraco para equilibrar
o peso aparente, a gotícula se desloca, e sua velocidade limite v1
verifica a equação:
Pap. - q.E = k.r.v1
Mas, segundo a fórmula (1) acima, Pap. = k.r.vo
, tem-se, pois:
k.r.vo - q.E = k.r.v1 ou
q.E = k.r(vo - v1)
donde se tira

isto é, a carga da gota pode ainda ser determinada, através
da medida da nova velocidade limite.
Pode-se, assim, observar a mesma gota durante várias horas.
Ora, acontece freqüentemente que ela é vista partir brusca e verticalmente para
cima ou para baixo. Essas repentinas variações de velocidade são devidas a
bruscas variações da carga q. Isto ocorre devido ao fato que o
tubo de raios X permite produzir à vontade íons gasosos nos gases, e a
gotícula recebe de quando em quando um desses íons, que lhe comunica uma carga
positiva ou negativa. É por isso que somos levados a medir cargas q
diferentes para uma mesma gota. Constata-se que as cargas assim determinadas são
iguais a 1, 2, 3, ... vezes, isto é, um número inteiro de vezes, um máximo
divisor comum, que é precisamente a carga elementar e, igual a 1,591 x 10-19
coulombs, ou seja, sensivelmente, 1,6x10-19 C.
Toda observação e comentário é bem vinda ... Ciência tem essa
virtude; não se prende à ´palavras de autoridade´. Léo