Modelo Mecânico do Resistor
(Conceito
de resistência elétrica)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
Essa
montagem, com madeira, pregos e esferas de aço, propicia um
excelente modelo mecânico para estudo do comportamento do resistor
no circuito elétrico. A foto mostra o aspecto final desse projeto.
Montagem
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Errata: Nessa
figura maior os pregos devem estar perpendiculares à rampa.
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Procedimento
Coloque
20 a 30 bolinhas no patamar (plataforma) superior e as abandone. Elas
descem a rampa de obstáculos e chegam ao patamar inferior,
praticamente sem velocidade alguma. Elas perdem
energia potencial gravitacional e não ganham
energia cinética!
A
energia potencial foi consumida nos choques com os pregos —
há aquecimento
dos pregos e das bolinhas, além da produção de som.
Os
pregos simulam as partículas constituintes do próprio corpo do
resistor, as esferinhas simulam os portadores de carga que constituem
a corrente elétrica, a diferença de potencial gravitacional entre
patamares simula a diferença de potencial elétrico entre terminais
do resistor.
Os choques entre bolinhas e pregos simulam as interações de campo
entre portadores de carga elétrica e partículas do material
condutor (átomos). Uma falha que se aponta na simulação é
o som —
entre os átomos
do resistor reina vácuo -
não há propagação sonora. Bolinhas batendo em pregos produz sons. O
efeito Joule pode ser posto em evidência através do aquecimento dos
pregos e das bolinhas, devido aos choques.
“Todo
condutor atravessado por corrente elétrica experimenta um
aquecimento.”
Conceito
de resistência elétrica
A
propriedade básica dos resistores nos circuitos elétricos é sua resistência
elétrica que, nada mais é que o "número
de choques entre portadores e partículas do material por unidade de
volume", para um dado estado de agitação térmica
dessas partículas do material. Evite conceituar resistência de um
condutor através da palavra "oposição" à passagem da
corrente elétrica, uma vez que 'oposição' não explica e nem
justifica a realidade dos acontecimentos.
Como a contagem de tais choques, no mundo microscópico, é
deveras complicada (se não impossível!), devemos obter esse
resultado, no mundo macroscópico, por outras vias.
Aqui entra o mérito de George Simon Ohm;
ele verificou que, mantendo-se a temperatura
(T) do material constante (para garantir a invariabilidade do
estado de agitação térmica das partículas do material), a
resistência elétrica (R) imposta pelo
material em questão podia ser obtida pelo quociente entre a d.d.p.
aplicada (U) entre seus terminais
(equivalente ao desnível entre os dois patamares no experimento
acima) e a intensidade de corrente (I)
que circula pelo material. Ou,
R
= U / I = constante (sob T constante)
Desse
modo, R é uma característica do
condutor,
R
dependente:
(a)
do material de que é feito (pois
isso afeta o número de partículas do material contidas na unidade
de volume),
(b) de sua geometria (pois
afeta o volume total de percurso)
o
que, para fios comuns, se engloba sob a forma:
R
= r.
L/A
onde
r
é a 'resistividade do
material', L é o comprimento do
fio e A a área de sua seção
transversal,
(c)
e da sua temperatura (pois afeta
o estado de vibração de suas partículas)
porém,
(1)
independente da particular d.d.p.
aplicada
(2) e independente da intensidade de
corrente circulante.
Nota
1: Devo chamar atenção para essa conceituação de
'resistência elétrica'. Foi como eu a aprendi à época em que no
Brasil se adotava a Escola Européia
(notadamente a francesa) como modelo de ensino nas escolas
estaduais (... que saudade daqueles colégios de outrora; recordam do
Roosevelt da Rua São Joaquim - SP, do D. Pedro II, do Paraíso
Cavalcanti em Bebedouro?).
Hoje adota-se o modelo americano no
ensino ... portanto, não percam tempo procurando essa conceituação
(e centenas de outras) na enorme maioria dos livros nacionais
adotados em nossas escolas. E, se algum dia aparecer um modelo de
ensino pior que o modelo americano podem ficar certos que nossa
primorosa e prendada classe política irá adota-lo!
Nota
2: Como você faria para simular, em nosso modelo
mecânico, o efeito da área da secção reta na resistência de um
condutor? Eis um visual comparativo:
Observe,
a 'mesma quantidade de bolinhas' deve passar por um 'corredor mais
estreito'. Para simular isso, basta colocar uma régua plástica
longa (60 cm) limitando o 'corredor' por onde a totalidade das
bolinhas devem passar. Como exemplo, divida com a régua, a largura
do corredor pela metade e faça as bolinhas passarem por uma dessas
metades.
Note que o tempo de percurso aumenta, pois o número de choques por
unidade de área (modelo bidimensional) aumenta, diminuindo a
velocidade média dos portadores; a resistência aumenta, a
intensidade de corrente diminui.
Como você simularia um reostato?
Nota
3: O modelo mecânico apresentado obviamente refere-se a
uma 'corrente contínua'. Como você
faria para adaptar o modelo para o caso de uma corrente
alternada?
Uma 'solução' simples eu apresento abaixo, onde o operador,
através do cordoné AB (que passa pela polia fixa PF),
levanta e abaixa a extremidade A do modelo que pode girar em
torno do eixo O. Pode-se pensar em outras soluções
mecânicas ou mesmo eletromecânicas. Escreva-me apresentando sua
sugestão (basta clicar na figura abaixo
e enviar-me um e-mail).
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