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Arco
voltaico - Soldaduras
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Resumo
teórico
Inicialmente consultemos um
dicionário (Aurélio, por exemplo):
Soldadura
1. Ato ou efeito de soldar; soldagem. 2. A parte por onde se
soldou.
Solda
Substância metálica e fusível usada para ligar peças também
metálicas.
1 - Solda autógena.
Solda de dois metais por fusão parcial deles, conseguida por meio do
maçarico.
2 - Solda de bismuto.
A que se efetua com liga de bismuto, chumbo e estanho, de ponto de fusão
muito baixo, usada na selagem dos extintores automáticos de
incêndio.
3 - Solda de chumbo.
A que se efetua mediante liga de chumbo e estanho, de baixo ponto de
fusão, relativamente mole, e pouco resistente.
4 - Solda de prata.
A que se efetua mediante liga de prata, zinco e cobre, e é muito dura e
resistente.
5 - Solda elétrica.
A que se efetua pela ação de um arco elétrico.
Soldadura
elétrica por resistência
O aquecimento mediante corrente
elétrica é amplamente usado para a soldadura de metais. Normalmente se
utiliza da corrente alternada (rede elétrica), a qual é bastante
conveniente para a obtenção das intensas correntes necessárias ao
processo. A técnica mais comum para a obtenção de tais correntes
implica no uso de um transformador abaixador de tensão.
A
figura (a) mostra o princípio da soldadura
de topo. As peças metálicas, a serem unidas pela soldadura
elétrica, são postas em contato e se faz fluir por elas uma intensa
corrente elétrica. A região da junção apresenta uma resistência
elétrica muito maior que aquelas impostas pelas peças metálicas e, por
isso, ali, a temperatura se eleva rapidamente até a temperatura de
soldadura; forças de compressão são aplicadas para completar o
processo.
Um
método diferente, conhecido como soldadura por
pontos, figura (b), é o mais empregado para soldar placas
ou laminas metálicas. As folhas, sobrepostas, são apertas entre dois
eletrodos de uma liga de cobre de grande condutividade, amiúde resfriados
interiormente. Quando passa a corrente entre dois eletrodos, o ponto de
união das lâminas se aquece até a temperatura de soldadura; então se
corta a corrente e se afastam os eletrodos.
A soldadura por pontos é freqüentemente usada em lugar da rebitagem;
com máquinas automáticas de solda elétrica por pontos o processo
torna-se uniforme e rápido, demorando a soldadura de cada ponto apenas
una fração de segundo.
Os
métodos esboçados acima denominam-se soldaduras
por resistência, porque se baseiam na resistência elétrica das
superfícies metálicas em contacto. Existe outro método importante
chamado soldadura autógena ou, ainda, soldadura
de arco; porém, antes de comentarmos sobre isso, vale considerar
primeiro o arco elétrico e suas
propriedades.
Arco
elétrico
Quando a corrente cessa num circuito, mediante a ação de um interruptor
ou é interrompida por qualquer outro modo, se observa a amiúde um
pequeno centelha entre os terminais
metálicos onde ocorreu a interrupção: trata-se de um arco
elétrico momentâneo.
Com altas tensões o arco tende a persistir e não raramente
deve-se recorrer a métodos especiais para suprimi-lo. Por outro lado,
quando controlado apropriadamente, admite úteis aplicações.
No
arco de carvão (carbono) - muito conhecido
por arco voltaico -, são postos em contato dois bastões de
carbono (normalmente revestidos por fina camada de cobre), que são
separados a seguir. A intensa corrente elétrica esquenta os bastões no
ponto de contacto e, quando se separam, o fluxo continua através do vapor
de carbono que há entre eles, formando um arco luminoso, como na figura
(c).
O arco recebe este nome porque a corrente de ar quente que se
eleva, tende a desvia-lo para cima, tomando a forma de um arco.
Grande
parte da intensa luz produzida provém não propriamente do arco e sim d
os extremos superaquecidos dos bastões de carvão. O carvão positivo
(nas aplicações onde o sistema é alimentado por corrente contínua)
alcança uma temperatura ao redor dos 3 500oC, enquanto que o
negativo alcança uns 2 500oC. Isto justifica porque o positivo
contribui com três quartas partes da luz produzida mas, todavia, como
queima muito mais rapidamente que o bastão negativo, fica explicado
também o porque, geralmente, esse bastão é fabricado mais grosso que o
outro (repare isso na figura (c)). Sob corrente contínua, quando
os bastões se encontram próximos, forma-se uma cratera no extremo do
bastão positivo.
A
d.d.p. necessária para manter o arco depende da separação dos bastões
ou barras do material utilizado. Com eletrodos de carvão são
necessários cerca de 40 volts para sua produção e devemos acrescentar
uns 3 volts para cada milímetro de separação; por exemplo, um arco
típico de 5 milímetros de extensão necessitará de 50 a 60 volts para
ser mantido. Com eletrodos metálicos a d.d.p. de funcionamento é muito
menor.
A
lei de Ohm, no geral, não é obedecida para a condução através de um
vapor ou de um gás, sendo isso particularmente correto no caso do arco
elétrico. Se a corrente elétrica que passa pelo arco for controlada e
ajustada mediante um reostato em série e medirmos para sucessivos valores
da intensidade de corrente a d.d.p. entre os extremos do arco, obteremos
uma curva característica como a ilustrada na figura (d).
Nota:
Aqui utilizamos o eixo horizontal para as intensidades de corrente e o
eixo vertical para as correspondentes d.d.p., técnica pouco comum para o
levantamento de curvas características. A razão disso é que o arco não
manterá uma corrente constante para uma d.d.p. fixada, porém,
inversamente, se a intensidade de corrente for mantida constante (mediante
um controle externo), a d.d.p. se manterá fixa. Assim, a intensidade de
corrente aqui é a variável 'independente' e, como tal, grafada no eixo
horizontal.
A
curva mostra que, ao aumentarmos a intensidade de corrente, diminui a
d.d.p. através do arco. Um fator de contribui para isso é o aumento na
seção transversal do arco, o que determina uma diminuição em sua
resistência efetiva. Uma conseqüência importante disso é que o arco
torna-se instável quando se opera com uma fonte de tensão constante; se
a corrente diminui, a d.d.p. (que é constante) torna-se inadequada para
manter o arco e esse se extingue; se a corrente aumenta, a d.d.p. (que é
constante) comporta-se muito alta para a operação e o arco se fortalece
até formar um verdadeiro curto circuito.
Com o propósito de manter estacionária a corrente, deve-se associar em
série um resistor de lastro.
A
curva característica do arco de carvão da figura (d) foi
reproduzida na figura (e), com o objetivo de investigar o efeito de
se intercalar um resistor de lastro de resistência de 1 ohm.
A
curva característica do resistor é uma reta, pela origem, porque obedece
a lei de Ohm; também, como sua resistência é de 1 ohm, a razão
entre a d.d.p. e a intensidade de corrente ao longo da linha reta é a
unidade (U/i = 1). As características combinadas do resistor e do arco em
serie se obtém somando-se as ordenadas; por exemplo, para uma corrente de
20 ampères, a tensão, AC, entre os terminais do resistor é de 20 volts
e entre os extremos do arco, AB, é de 52 volts; então, a tensão total
para resistor e arco será de 72 volts, como é indicado por AD. As
características combinadas têm seu ponto de mínimo em P, que
corresponde a uma intensidade de corrente de 8 ampères. Abaixo deste
valor de corrente o circuito é instável, porém, acima desse valor sua
operação é estável como se observa pela curva característica que se
eleva. Quanto maior for o valor da resistência de lastre, tanto menor
será a corrente com a qual se chega à estabilidade.
Como alternativa ao resistor de lastro, pode ser utilizado um gerador
especial como fonte de alimentação para o arco.
Soldadura
elétrica por arco
Esta soldadura difere daquela de resistência por dois aspectos: não só
o arco elétrico é responsável pela obtenção da temperatura de fusão,
como também se acrescenta metal fundido extra para completar a soldadura.
Por tanto, esta é uma forma de solda por fusão, distinta da solda
por pressão, onde o metal tendo chegado à temperatura de solda,
é unido por pressão, como ocorre na soldadura por resistência.
A
figura (f) representa o principio da soldadura por arco,
formando-se este entre o eletrodo e a união das duas placas. Quando
se utiliza um eletrodo metálico, o calor do arco funde sua ponta,
obtendo-se assim o metal extra necessário para a soldadura. São
necessários uns 50 volts, para formar o arco e uns 20 volts para
mantê-lo, enquanto que a corrente, em um caso típico, fica ao redor de
uns 100 ampères. Esses dados requerem uma 'atualização' e, assim,
sugestões de profissionais do ramo seriam altamente bem vindas.
Com
um eletrodo de carvão, figura (g), o trabalho se conecta, via de
regra, ao positivo da fonte, chegando-se assim mais facilmente à
temperatura de soldadura. O metal extra se fabrica em forma de varetas que
serão fundidas na chama do arco. O arco se forma com a aplicação de uns
80 volts e se mantém sob uns 45 volts com correntes de mais de 600
ampères.
Parte
Experimental
Objetivo
Produção de intensa luminosidade;
condução gasosa; obtenção de altas temperaturas; forno elétrico.
Material
Dois
bastões de carvão, com cobertura de fina camada de cobre (carvões
usados em projetores cinematográficos antigos, diâmetro 0,4 a 1 cm,
comprimento acima de 15 cm);
um resistor para chuveiro (220 V, 3000 W);
suporte metálicos em latão;
cordão de força para 15 A e interruptor para 15 A;
base para montagem (piso cerâmico).
Montagem
Comentário
Os carvões podem ser retirados de pilhas de
telefone gastas, ou ainda, obtidos de projetores cinematográficos antigos
(procure em cinemas antigos e você achará caixas desses bastões
totalmente sem uso). A distância entre os bastões verticais é de 0,5
cm. A excitação inicial, efetuada entre as extremidades livres, pode ser
feita com o carvão de um lápis de carpinteiro, tocando simultaneamente
as duas pontas.
Uma vez incandescentes, o
arco se estabelece e se mantém mesmo retirando o excitador.
Mantenha
a vista protegida da luz produzida, pois é fortíssima!
Esses
bastões de carvão, para cinema, são produzidos com carvão
pulverizado e, a seguir, aglomerados dentro de um tubo de cobre de paredes
bem finas.
Para
arcos voltaicos de pequena potência (para demonstrações em sala de
aula, por exemplo), podemos utilizar os carvões (grafites) retirados
de lápis de carpinteiro. Em lugar do resistor de chuveiro pode-se
experimentar, na série, lâmpadas desde 40 até 200 W. Outra
possibilidade é usar os carvões retirados de pilhas de telefone.
Eis
a montagem (sem escala) dessa variante, com grafites de lápis de
carpinteiros:
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