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"Pequeno"
Tesla para 150 000 V
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Uma
descarga elétrica oscilante, em alta freqüência, consiste numa corrente
elétrica que inverte seu sentido de percurso, milhões de vezes por
segundo. A rapidíssima variação de fluxo magnético, devido a esta
descarga oscilante, pode determinar efeitos de indução eletromagnética
sobre circuitos postos em sua vizinhança e decorrente geração de ondas
eletromagnéticas.
O
dispositivo original de Tesla para evidenciar tal fenômeno consistia
em:
(a) — uma bobina de Ruhmkorff,
(b) — uma garrafa de Leiden (ou uma associação delas),
(c) —um centelhador,
(d) — uma bobina primária (com poucas espiras de fio grosso) e
(e) — uma bobina secundária (com muitas espiras de fio fino).
Abaixo
ilustramos o esquema e a correspondente montagem do dispositivo original
de Tesla.
A
bobina de indução carrega o capacitor (garrafa de Leiden) e este se
descarrega (alternadamente) durante o centelhamento, através da bobina
primária. O campo de indução eletromagnética produzido por essa
descarga oscilante
induz, na bobina secundária uma alta tensão entre seus terminais.
Originalmente, o conjunto [(d) (e)] era mergulhado em óleo mineral para
garantir melhor isolamento, prevenindo faíscas indesejáveis entre as
bobinas (d) e (e) e mesmo entre as espiras de (e).
Uma
melhoria sensível, não incluída nas ilustrações (a) e (b) acima, foi
introduzida, usando-se de duas garrafas de Leiden, em série com a bobina
primária e centelhador. Isso reduz a tensão aplicada pela bobina de
indução, em cada garrafa, à metade. Tal condição contribui bastante
para a integridade do dielétrico (isolante) do capacitor. Ilustramos essa
adaptação, a seguir:
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Melhorias na bobina de
Tesla original |
Nosso
projeto
Nosso
modelo didático da bobina de Tesla, utiliza um transformador para tubo
néon (1), primário 110/220V, secundário para 2000 V x 20 mA (*),
em substituição à bobina de Ruhmkorff. A garrafa de Leiden, por
sua vez, é substituída por um capacitor de mica (C), de 0,004 mf
x 5000 V, sucata de um velho transmissor valvulado. Pode-se utilizar dois,
em série, de isolação para 2000 V, numa montagem como a sugerida na
melhoria posta na ilustração acima.
Esse capacitor pode, também, ser substituído por capacitor de vidro
plano (10 x 10) cm e placas de alumínio de (8 x 8) cm. As bobinas,
primária (P) e secundária (S), são de construção caseira (ver
adiante). As bases de sustentação, para adequados isolamentos, são
placas de acrílico (B1, B2 e B3), de (25
x 15) cm e 1 cm de espessura.
(*)
O transformador em questão, aqui utilizado, é da marca LINSA NEON,
Indústria Eletro Mecânica Linsa Ltda, Modelo IT 2000. Pode ser
visualisado em: http://www.linsa.com.br/neon_it.htm
.
Abaixo
ilustramos o esquema geral de nosso projeto.
A
seguir os detalhes e comentários da montagem, iniciando, conforme mostra
a ilustração abaixo, com uma visão geral do projeto.
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Visão geral da
montagem |
As
três bases de sustentação, confeccionadas em acrílico com espessura de
1 cm, têm furações adequadas para o uso de um transformador para néon,
industrial. O autor utilizou um da marca LISA, com dimensões (13 x 7 x 5)
cm, para 110/220V (P) e 2000 V, 20 mA (5). Alterar as furações se
utilizar outro tipo e marca de transformador (o que provavelmente
acontecerá ... nem sei se essa firma ainda existe!)
O
molde ilustrado a seguir é adequado para o transformador sugerido
e também para um capacitor de mica de 0,004 mF
x 5000 V de dimensões (5 x 5 x 3) cm, com terminais de parafusos no “topo”.
Alterar as furações para outro modelo de capacitor.
Para
a construção da bobina primária (P), use fio de cobre 16 (AWG),
rígido, com isolação de plástico (não tire a capa do fio). Ao enrolar
as espiras sobre a forma (tubo de papelão, PVC, garrafa de vidro etc)
coloque uma gota de adesivo rápido (“super-bond”) entre elas, para
não abrir o enrolamento ao ser retirado da forma. Envolva todas as
bobinas desse primário com cadarço para enrolamentos de motores (tiras
de pano, largura 1 cm, 100% algodão). Grampos feitos do mesmo fio ((f),
na ilustração) ajudam a manter a rigidez da montagem.
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Detalhes da bobina
primária |
Repare
que essa bobina será auto-suportada, pelos terminais (a) e (d) e pelo fio
de apoio (f). São 8 espiras no total, em grupos de 3, 2 e 3, afastadas 4
cm uma da outra.
O enrolamento cerrado da bobina secundária utiliza fio de cobre esmaltado
no
34 ou no 32. Use como carretel, um tubo de PVC, ou
papelão, ou fibra, de diâmetro entre 3 a 3,5 cm. Não esqueça que essa
bobina, depois de pronta deve entrar, com muita folga no interior da
bobina primária. Duas rolhas de borracha (ou tampões de PVC) fecham esse
tubo e levam em seus centros os parafusos de latão, que serão os
terminais da bobina.
Veja
detalhes dessa bobina na ilustração a seguir:
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Detalhes da bobina
secundária |
As
ilustrações, a seguir, mostram a fixação das bobinas, do capacitor e
do transformador nas bases de acrílico. Use espaçadores isolantes (tubos
de plástico maciço) e parafusos para interligar as bases B1,
B2 e B3.
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Fixação da bobina
secundária |
Coloque
na estrutura final, quatro pés de borracha de boa altura, para não
saltar faísca na mesa de trabalho. O centelhador é feito com tarugos de
latão, de secção quadrada de (1 x 1) cm, com furos (e roscas) nas bases
e laterais.
Os
ajustes das distâncias de centelhamento são feitos através dos
parafusos (i). Obviamente você não vai querer ajustar essa distância
com o aparelho funcionando!
Siga
as ligações do esquema geral e observe as posições dos fios nas
figuras dos detalhes. Agora é só aproveitar os 150 000 V para seus
experimentos em alta tensão e altas freqüências.
Ah! Na nossa Sala
03 há vários outros projetos de "Fontes
para altas tensões".
Bom
sucesso e, para dúvidas/sugestões/comentários entre em contato com o
autor: leobarretos@uol.com.br
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