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Distribuição
de energia elétrica Prof. Luiz Ferraz Netto Objetivo Introdução
Esse
é o motor primário de toda uma
posterior cadeia tecnológica que lhe permite, por exemplo, ler na sua
tela, isso que estou escrevendo. Não pense que foi fácil chegar a essa
explicação, plenamente satisfatória, dada nas poucas palavras
acima. Nota:
Antes desses modelos, que são os grandes sucessos da Ciência, tais
explicações recaiam sobre os ombros das mais variadas divindades, cada
uma, conforme a cultura de cada povo, explicava tudo, até mesmo a origem
dos homens. Hoje, centenas dessas divindades ainda sub-existem como
desejos íntimos de muitos, e tais seguidores, inexplicavelmente,
buscam avidamente 'provas científicas', ou seja, prova dentro de tais
modelos, para seus deuses e mitos. Agora, já temos água estocada 'lá em cima', nas nuvens, armazenando enorme quantidade de energia potencial gravitacional (outro belo modelo da ciência, o da gravitação. Por que será que destaquei o 'lá em cima'? Será que em alguma situação poderia ter dito 'lá em baixo'?). A
geração da energia elétrica Estamos quase chegando lá no gerador da Usina Hidrelétrica. Entretanto, se começássemos por ele, muita coisa ficaria escondida na provável 'justificação', "as águas da barragem armazenam energia potencial", como sempre se lê nos compêndios. Se você se contenta com os textos dos compêndios, está dispensado de ler as explicações acima! (...) Comece daqui (...). Na
barragem há uma tubulação que permite, sob controle, a vazão da água
da represa. Ao entrar nessa tubulação a água converte boa parte de sua
energia potencial em energia cinética e faz girar uma turbina. Após
passar pela turbina (e forçar sua rotação) a água ainda apresenta
energia potencial suficiente para seguir, nível abaixo, o antigo leito do
rio. Esse gerador de energia elétrica, movido pela turbina (em geral do tipo Francis), gira a 120 r.pm. (rotações por minuto) e, por motivos técnico-econômicos, por maiores que sejam, são projetados para gerar tensões de até no máximo 25 kV. A potência desses geradores, ou seja, quanto de energia elétrica eles produzem por unidade de tempo, é enorme, de centenas de Mw (milhões de watts). Outro
fato que merece destaque é que as usinas hidroelétricas são
construídas longe dos grandes centros consumidores, o que implica em
transmitir a energia elétrica a longas distâncias. Pretendemos
transmitir uma potência de 50 MW com fator de potência de 0,85, por meio
de uma linha de transmissão trifásica com condutores de alumínio, desde
a usina hidroelétrica, cuja tensão nominal do gerador é 13,8 kV, até o
centro consumidor situado a 100 km. Admitindo-se uma perda por efeito
Joule de 2,5 % na linha, determine o diâmetro do cabo nos seguintes
casos: Não vamos aqui colocar todos os cálculos de engenharia elétrica e sim, apenas, colocar os resultados que interessam. Mas, aos interessados, basta ==> clicar aqui <==, para ter os detalhes desses cálculos. Como resultados que interessam, vamos apenas mostrar na figura a seguir, em escala real (verdadeira grandeza), os diâmetros dos cabos calculados:
O cabo para conduzir a energia em questão sob tensão de 13,8 kV deverá ter diâmetro de 13 cm e aquele para o mesmo propósito, mas sob tensão de 138 kV deverá ter diâmetro de 1,3 cm. Isso deixa claro o porque das linhas de transmissão da usina até os centros consumidores 'funcionarem' sob altas tensões. Para atingir esse propósito, ora elevar, ora baixar as tensões elétricas, entram em cena os transformadores. Entre o gerador da usina hidrelétrica e o inicio da linha de transmissão coloca-se um transformador elevador de tensão (a distância que os separa é da ordem dos 500 m) e no final da linha de transmissão, onde está a sub-estação, coloca-se um transformador abaixador de tensão. As tensões realmente utilizadas nos sistemas de geração e transmissão variam muito. Entre elas, por serem relativamente comuns, destacamos aquela em que o gerador fornece 13,8 kV, o transformador elevador de tensão eleva-a para 138 kV e o transformador abaixador de tensão, na sub-estação (geralmente nos arredores do centro consumidor) abaixa-a para 13,8 kV ou 11,95 kV etc. Eis uma ilustração disso:
Na sub-estação, como vimos, há um transformador abaixador de tensão. Ela converte os 138 kV da linha de transmissão para os 13,8 kV (ou outro valor próximo disso) e os entrega para a rede secundária (aquele fios mais elevados que você vê passando pelos postes de sua rua). Algo assim:
As
sub-estações de distribuição, em geral, fornecem tensões alternadas
num sistema trifásico de três fios. Nesse sistema, os potenciais
elétricos estão defasados de 120o e têm mesma amplitude, em
geral, proveniente de ligações estrela (ou deita) dos enrolamentos dos
transformadores. Abaixo ilustramos uma sub-estação com distribuição
trifásica, de três fios, com potenciais “nominais” de 13 800 V.
Observe
que, nesse sistema de distribuição, a d.d.p entre dois quaisquer fios é
de 13,8 kV e não 27,6 kV (como alguém poderia esperar!), devido às
particulares fases Esse sistema de distribuição (trifásica, três fios) é quem alimenta o transformador de distribuição, nos postes de sua rua. Abaixo ilustramos parte da rede primária (13,8 kV) e uma parte da rede secundária.
No
secundário do transformador de sua rua (transformador abaixador de
tensão) as duas bobinas do enrolamento estão ligadas em série e em
concordância. Por isso, em relação ao ponto médio do enrolamento (fio
(b), os outros dois estarão defasados, em tensão, de 180o.
Veja os gráficos de potenciais elétricos, desses fios, em relação ao
tempo, com o potencial do fio (b) tomado como referência.
Subtraia,
ponto a ponto, as ordenadas, nos gráficos (a) e (b) (Va - Vb) e você
terá a tensão elétrica (ddp) entre os fios (a) e (b), em cada instante.
Faça o mesmo nos gráficos (b) e (c) e nos gráficos (a) e (c). Eis os
resultados dessas subtrações:
Nota:
Nesse estudo, não houve qualquer preocupação à respeito da amplitude
da tensão alternada (110 V, 127 V etc), pico, eficaz, rms, nominal etc.,
pois não é do escopo do trabalho. Dentro
de sua casa
A diferença de potencial (ou tensão elétrica) entre pontos dos fios (a) e (b) é Va - Vb= 110 V, entre pontos de (b) e (c) é Vb - Vc = 110 V e entre pontos de (a) e (c) é Va - Vc = 220 V. Essas d.d.p(s), assim como suas defasagens, podem ser facilmente observadas mediante o uso de um osciloscópio de traço duplo e uso de resistor limitador (R):
Parte
experimental Projeto 1 - Simulando a rede secundária Material geral Você
deve iniciar esse projeto, mostrando ao público, mediante um bonito
cartaz, o esboço de uma distribuição da energia elétrica, desde a
SUB-ESTAÇÃO, até o local da Feira, destacando a “tomada” de energia
elétrica de seu “box” (ou da bancada do laboratório de sua escola).
Nesse
(ou em outro) cartaz, você pode acrescentar mais detalhes à respeito das
tensões elétricas em jogo, seus valores e suas defasagens. Em
Feiras de Ciências, não é recomendável colocar ao alcance do público,
sistemas elétricos ligados diretamente à rede domiciliar (tomada), sem
as devidas normas de segurança. Desse modo, é desaconselhável mostrar
circuitos série, paralelo, campainhas abertas etc., que trabalhem direto
com os 110/220V da rede. Uma criança poderá facilmente enfiar o dedo em
um soquete! Vamos,
por isso, baixar novamente a tensão elétrica para os diversos
experimentos de bancada, em Feiras de Ciências.
Desse
modo, você terá para uso, um novo sistema Edson, bifásico, de 3 fios,
porém de tensão elétrica bem baixa (6V), sem qualquer perigos no
manuseio. Eis o esquema geral até então:
É
bom que seu transformador tenha enrolamento secundário para uns 5 A,
desse modo, 5 A sob 6 V, dá uma boa potência de 30 W. Que
fazer com essa sua linha particular de distribuição (6 V, 0 V, 6 V), 5
A? Bem, há uma infinidade de experimentos que aí cabem! Você
poderá fazer experimentos usando diretamente essa tensão elétrica (6
V); experimentos com baixa tensão (e alta corrente) e experimentos com
alta tensão (e baixa corrente). De
início, vejamos um experimento com baixa tensão e alta corrente. Para
tanto, desmonte um transformador de primário qualquer (110 ou 220 V) e
secundário para 6 V. Desenrole todo o fio fino relativo à bobina
primária. Se ela estiver por cima do enrolamento de baixa tensão, o que
não é o normal, pode parar por aí pois o enrolamento de 6 V é o que
usaremos. No
lugar do enrolamento primário faça um novo enrolamento, com 5 espiras de
fio de cobre esmaltado no 10. Se o enrolamento primário do
transformador que está desmontando, estiver por baixo do enrolamento de 6
V (fio grosso, poucas espiras), você terá que desmanchar, também, esse
enrolamento para depois refazê-lo.
Qualquer
que seja o caso exposto acima, o transformador remontado deve terminar
assim: primário para 6 V, 5 A e secundário de 5 espiras de fio esmaltado
no 10. Aos
terminais do secundário (5 espiras) do seu transformador modificado,
ligue uns 5 cm de fio de ferro fino (pode ser um prego) e veja-o ficar
incandescente e após isso derreter! Vejamos, a seguir, um experimento para alta tensão e baixa corrente, onde usamos uma bobina de ignição automotiva para 6 ou 12V. Siga as ilustrações:
Abaixo ilustramos o circuito completo, em sua bancada de trabalho, com o transformador abaixador de tensão de 110 V para ( 6, 0, 6) V, o experimento com baixa tensão e alta corrente e o experimento com alta tensão e baixa corrente:
Projeto 2 - Simulando a rede secundária (ensino básico) Para
alunos do ensino básico (5a/8a), recomenda-se a simulação do sistema
Edson, de 3 fios, usando-se de pilhas, em substituição aos
transformadores. Uma
pilha A, de 1,5V, simulará uma das bobinas secundárias do transformador
da rua, com terminais (a) (+) e (b) (-). Outra pilha B, de 1,5V, simulará
a outra bobina
Este
poste, com as pilhas A e B ligadas em série, simulam o secundário do
transformador da rua. Apenas a tensão elétrica disponível é menor (1,5
V e 3,0 V, em lugar de 110 V e 220 V) e o tipo de tensão (contínua, em
lugar de alternada). Recomenda-se,
por apresentar mais energia química disponível, o uso de pilhas para
telefone (em lugar das pilhas comuns para lanternas, rádios etc). No caso
das pilhas de telefone não é necessário o uso de soldas, pois essas
pilhas têm terminais com rosca, em sua parte superior.
Para utilizar (e completar) essa simulação, adquira três soquetes para lâmpadas miniaturas, duas lampadinhas para 1,5 V e uma lampadinha para 3,0V. Faça a montagem esquematizada abaixo:
O
circuito apresentado, com as três lâmpadas, simula uma ligação
domiciliar. A Iampadinha (1) representa a lâmpada da sala (110 V), a
Iampadinha (2) representa a lâmpada do quarto (110 V) e a (3) representa
o chuveiro (220 V). Mostre
ao espectador que, desligando a lâmpada da sala (desenrosque a lampadinha
(1)), a lâmpada do quarto e o chuveiro não são afetado. (não ficam nem
mais forte, nem mais fraca). Mostre como cada um funciona independente dos
outros! Nota
1: Troque as pilhas, quando desligando uma, as outras acendem com maior
brilho. Isso indica que a resistência interna da pilha atingiu valores
muito elevado, coisa que não acontece com a instalação original, com o
transformador. Nota 2: As lampadinhas de lanterna de 1,5 V e 3,0 V podem ser substituídas por LEDs (vermelho ou verde). Nestes casos, um resistor deve ser colocado em série com o LED; assim: LED + 15 ohms para ligar em 1,5 V; LED + 90 ohms para ligar em 3,0 V. Use valores comerciais mais próximos de 15 e 90 ohms. Não esqueça que LED tem polaridade certa (terminal anodo e terminal catodo) para funcionar ao ser ligado na "rede" de 1,5 ou 3,0 V --- se não acender, inverta a ordem dos terminais. Seu professor de Ciências poderá lhe auxiliar nas montagens e sugerir novos arranjos e experimentos nessa simulação. Bom trabalho! ... e escreva-me (leobarretos@uol.com.br) contando suas dificuldades/sucessos e modificações no projeto geral. Isso poderá ser útil a seus colegas de nosso Brasil. Veja, nessa Sala 12, um Usina Termelétrica (fluxo das energias) .
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