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Fotoscópio
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
Construir um dispositivo bastante simples, porém capaz de detetar
pequenas variações de intensidade luminosa. Conversão de energia
luminosa em energia elétrica. Vamos "ouvir" as luzes?
Introdução
Um transistor comum de potência pode ser preparado para funcionar
como um sensível receptor de sinais ópticos, oferecendo respostas
rápidas e suficientemente capaz de 'sentir' formas e variações
de intensidades luminosas que não percebemos. Com um dispositivo
assim montado, poderemos verificar a existência de infravermelho
remoto em várias fontes 'invisíveis', variações luminosas em
fontes de luz distantes (lâmpadas, estrelas etc.) e, até mesmo,
fazer um telégrafo experimental com ondas luminosas.
Todos
os transistores são componentes sensíveis à luz; dai o fato de
todos serem produzidos 'encapsulados' para que a luz ambiente não
interfira em seu funcionamento normal. Transistores especiais,
denominados fototransistores são projetados com uma 'janela
transparente' em seu invólucro, justamente para aproveitar essa
propriedade de ser sensível à luz.
Um
transistor apresenta três terminais e é representado como se
ilustra abaixo, em (a). O fototransistor, por sua vez, pode
apresentar apenas dois terminais (coletor e emissor), e sua
representação gráfica é como se vê abaixo, em (b), com setas
voltadas para a base mostrando que essa é sensível à luz.
Desse
modo, quando a base do fototransistor é sensibilizada pela luz
(incidindo nas junções semicondutoras e liberando portadores de
carga), ele estará habilitado a conduzir; quando essa não for
sensibilizada ele estará bloqueado. Essa chave eletrônica, mais
propriamente, esse registro controlado pela onda eletromagnética,
comandará a corrente entre coletor e emissor.
O
projeto
A idéia, como se expõe acima, é simples: converter as variações
da intensidade da luz em impulsos elétricos que podem, a seguir,
serem convertidos em energia mecânica, quer acionando nosso
galvanoscópio ou um medidor VU ou ainda um fone de ouvido, sendo,
portanto, traduzidos em sons. Nosso conversor de luz em impulsos elétricos
não será um fototransistor comercial (não teria 'graça'!), será
um fototransistor improvisado a partir de um transistor de potência
fora de uso ou mesmo aproveitado de um velho amplificador ou
televisor. Podemos utilizar o conhecido 2N3055 (abaixo
ilustrado), o AD162 ou qualquer outro que tenha uma cobertura metálica
em seu invólucro (e que possa ser retirada sem danificar o 'chip'
de silício de seu interior!).
Com
uma serra de dentes finos, corte ao redor da 'tampa' do transistor,
fixando-o à morsa pela sua parte plana (coletor). Já consegui
tirar esse 'chapeuzinho' com uma boa chave de fenda!
Expondo a pastilha de silício (chip) à luz ela converterá a
energia luminosa incidente em energia elétrica útil; é o mesmo
princípio das pilhas e células solares. Um só transistor assim
preparado, não pode converter muita energia (pois a quantidade de
portadores liberados depende do tamanho da pastilha), que no caso
é bem pequena: a tensão entre coletor e emissor é da ordem dos
0,6 V sob correntes de alguns miliampères.
Para obter mesma tensão, porém correntes mais intensas, teremos
que associar em paralelos (coletor com coletor, emissor com
emissor), vários transistores assim preparados. Para aumentar a
tensão disponível eles devem ser associados em série (coletor
com emissor). Eis uma associação mista bem conveniente para a
alimentação de projetos de pequena potência (motores CC,
calculadoras, relógios digitais etc.):
Contentemo-nos
com um e deixaremos ao cargo do leitor outras incursões e variações
nas montagens.
Essa tensão variável com a
intensidade da luz incidente, disponível entre coletor e emissor
em nosso fotoscópio, é suficiente para excitar fones de ouvido e
até pequenos alto falantes ou instrumentos de medidas bem sensível
(galvanoscópio, medidor VU etc.).
Experimentos
Eis abaixo a ilustração de um VU-meter (microamperímetro) ligado
ao 2N3055 sem sua cobertura, excelente para demonstrar a conversão
de energia luminosa em elétrica ao iluminarmos o chip do
transistor.
Para
nosso fotoscópio, como pesquisador, interessa mais as variações
da intensidade da luz pois, como vamos usar um fone de ouvido como
transdutor (em lugar do VU-meter acima), elas serão convertidas em
som (ilustração abaixo, à esquerda). Um novo mundo sonoro se
descortina.
Apontando a parte sensível do fotoscópio para uma lâmpada
fluorescente, você ouvirá um ronco que traduz a modulação de
120 Hz (a lâmpada fluorescente acende e apaga 120 vezes por
segundo na rede elétrica de 60 Hz). Esse experimento fica mais
direcional e sensível se você adaptar um tubo de papelão ou PVC
sobre a parte cortada do transistor e colocar uma pequena lente
nesse tubo. Ilustramos abaixo, à direita, essas adaptações.
Observe
que o foco da lente deve recair sobre a pastilha sensível. O mais
recomendável é você obter uma lente convergente de pequena distância
focal, digamos 5 a 7 cm, e cortar o tubo de acordo com essa distância
focal. Se a distância focal for de 5 cm, ou seja, 0,05 m, essa
lente terá 1/0,05 = +20 di (20 graus, no linguajar popular), e a
distância da lente até o fundo do tubo deverá ser de 5 cm.
Encerrando
Os sons ouvidos no fone representam as variações da intensidade
da luz (ou radiação) incidente, que podem ser muito rápidas para
que sejam percebidas por nossos olhos. Vire o tubo para a fonte,
que pode ser:
lâmpada
fluorescente,
TV,
lâmpada comum,
Lua,
estrelas,
lâmpadas distantes,
vela,
LED do controle remoto (enquanto está sendo acionado numa dada
função) etc.,
e
aprecie os mais variados tipos de sons (procure explicar aquilo que
está ouvindo).
Na ligação do fone ao transistor, um dos fios vai à carcaça do
transistor (coletor), o outro é ligado à base, ao emissor ou
ambos, escolha aquela que determinar maior sensibilidade.
Divirta-se
com a Ciência.
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