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Fritador
de salsichas
(Condução iônica
e efeito Joule)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
Salientar a condução elétrica nos condutores iônicos e a
manifestação do efeito Joule, usando como condutor elétrico uma
salsicha. Apreciar a queda de potencial elétrico ao longo da
salsicha, durante sua 'fritura', através de diodos emissores de
luz (LEDs).
Lastro
teórico
Existem, essencialmente, três tipos de condutores elétricos, a
saber, os sólidos, os líquidos e os gasosos. Melhor que isso, será
caracterizá-los por 'espécies', salientando em cada espécie quem
são os portadores de carga elétrica responsáveis pela corrente
elétrica que os atravessa:
Condutores
de primeira espécie,
que têm como principal exemplo os metais, admitem como
portadores de carga, exclusivamente, elétrons.
Condutores de
segunda espécie,
que têm como principal exemplo as soluções iônicas (eletrólitos),
admitem como portadores de carga, exclusivamente, íons (cátions
+ e ânions -).
Condutores de
terceira espécie,
que têm como principal exemplo os gases ionizados, admitem como
portadores de carga, tanto íons (cátions e ânions) como elétrons.
Independente
da espécie, a passagem da corrente elétrica através deles têm
como conseqüência o 'efeito Joule', ou seja, observa-se neles um
aquecimento oriundo da conversão de energia elétrica em térmica.
O efeito Joule não é o único efeito inerente à corrente elétrica,
há outros, dos quais, o "efeito magnético" é o único
invariavelmente associado a ela.
Nesse
trabalho, vamos salientar a passagem da corrente elétrica através
de um condutor iônico (a salsicha) ligado em série com uma lâmpada
incandescente e a manifestação do efeito Joule que nela se
processa (pela 'fritura' da salsicha).
Você poderá incrementar esse experimento, calculando, num dado
intervalo de tempo, quanto de energia elétrica foi consumida e
dissipada no cozimento da salsicha. Para tanto, deverá instalar
dois medidores elétricos, a saber, um voltômetro C.A. com fundo
de escala de 150 V, em paralelo com os garfos e um amperômetro
C.A. com fundo de escala 2 A, em série com os garfos.
A energia consumida no processo pode ser encontrada traçando-se um
gráfico da corrente em função do tempo e integrando (calculando
a área sob o gráfico). Realmente, a intensidade de corrente através
da salsicha é razoavelmente 'constante' e você poderá trabalhar
com o valor médio.
Nada impede, também, de você incluir um termômetro digital
espetado na salsicha e assim ter as temperaturas inicial e final.
A
salsicha
Bem, dizer que alguém sabe de que é feita a salsicha é uma
verdade, dizer que todos sabem de que é feita a salsicha ...
Em teoria poderíamos dizer que a boa salsicha é feita de 'carne
de porco' e 'carne de vaca'. Todavia, sabemos que as salsichas mais
baratas contém tipicamente 'galinha', devido ao baixo custo e à
disponibilidade da galinha mecanicamente separada e, talvez, um
pouco de carne de porco. De todo modo, uma salsicha dentro de um pão,
formando um sanduíche, recebe a denominação de "cachorro
quente", o qual pode ou não ser acompanhado de 'condimentos'
(mostarda, maionese, ketchup, pimentão, cebola, picles
etc.)
Os 'engenheiros de alimentos', de modo geral, consideram o cachorro
quente insalubre, dado o elevado índice de sódio, gordura e
nitratos. Em alguns paises, no intuito de mudar as preferências
dietéticas, o 'miolo' da salsicha foi convertido para peru e
galinha, baixando assim o índice de sal.
Uma coisa é notória, todos esses possíveis ingredientes da
salsicha constituem condutores de segunda espécie, ou seja, são condutores
iônicos.
O
fritador
Nosso fritador de salsichas consiste numa base de madeira (20 x 25
cm) na qual foi instalado um soquete para lâmpada incandescente
comum, dois garfos (todo de aço inox) e um terminal 'Sindall' (além
de fios de ligação). Eis as fotos do fritador já pronto:
Como
se observa, os dois fios provenientes da rede elétrica domiciliar
chegam ao terminal 'Sindall' fixado na base do fritador. De um
desses dois contatos do terminal sai um fio azul (usei fio rígido
#16) que é ligado a um dos terminais do soquete da lâmpada; do
outro contato do terminal sai um fio vermelho (fio rígido #16) que
é ligado a um dos garfos. O terminal restante do soquete da lâmpada
é ligado ao outro garfo. Os garfos de aço inox foram cortados,
ficando apenas 1,5 cm de seu 'cabo', onde foram feitos furos para
passar parafuso de madeira e a seguir dobrados em ângulo de 90o.
Os parafusos fixam tanto os garfos como seus fios. Eis, à
esquerda, o esquema elétrico da montagem:
Procedimento
Comece espetando os extremos da salsicha nos garfos, como se
ilustra acima. A seguir, enrosque uma lâmpada de 127V, 40W no
soquete. Feito isso, ligue o cordão de força (os dois fios que
saem do terminal Sindall e terminam com um plugue) na tomada da
rede domiciliar (127VAC). Se sua rede elétrica for de 220VAC,
troque a lâmpada citada por outra de 220V, 40W.
Repare na salsicha que já começará a se aquecer e algum tempinho
depois começa a inchar devido à formação de gases provenientes
da 'fritura'. O tempo certo de fritura dependerá de vários
fatores e, entre os principais estarão: a potência da lâmpada
instalada em série com a salsicha e a própria salsicha (devido à
seu 'segredo' de fabricação). Se quiser diminuir o tempo de
cozimento basta trocar a lâmpada de 40W por outra de 60W ou ainda
por outra de 100W --- quanto maior a potência da lâmpada, menor a
resistência de seu filamento e conseqüentemente maior será a
intensidade de corrente para a salsicha.
Nota: Não vamos chegar ao exagero de instalar um dimmer no lugar
da lâmpada, né?
Atenção:
Isso é um experimento didático e não um fritador de salsichas
profissional! Se for comer a salsicha (não custa nada dar uma
experimentada no sabor!), corte as regiões onde os garfos foram
espetados pois ali ficará uma marca escura devido aos sub-produtos
da eletrólise com as pontas de aço inox.
Se
você for incrementar o experimento, como sugerido no Lastro Teórico,
o esquema é o indicado à direita, na ilustração acima.
Conclusão
A salsicha é realmente um condutor iônico
de corrente elétrica, tanto é que a lâmpada colocada em série
acendeu! Se a salsicha fosse isolante isso não aconteceria. O
calor transferido para os ingredientes da salsicha determinaram sua
'fritura' e esse calor é proveniente da energia térmica em trânsito
desde os locais por onde passa corrente elétrica e as demais
partes da salsicha. Fica constatado o efeito Joule.
Para
uma Feira de Ciências, para aumentar o dinamismo do experimento,
poderemos por em destaque um efeito, que apesar de óbvio, ou seja,
a queda de potencial elétrico ao longo da salsicha, não deixa de
ser interessante. Para evidenciar isso, basta espetar alguns diodos
emissores de luz (LEDs) na salsicha. Podem ser LEDs comuns,
vermelho, verde, laranja, amarelo etc. Os LEDs acendem! Eis a
ilustração dessa disposição:
Bom
sucesso!
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