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Estudos
de eletricidade Prof.
Luiz Ferraz Netto O
'compasso' Isto não significa que o homem nada sabia sobre a eletricidade ou o magnetismo, antes dos tempos modernos. Um óxido de ferro magnético pode ser encontrado em muitas partes do mundo, e a literatura grega contém grande quantidade de referências à magnetita. Os antigos sabiam que ela pode atrair pedaços de ferro, e que o ferro comum pode ser magnetizado, quando é atritado contra um pedaço de magnetita. Acredita-se que os chineses sabiam, além disso, que um ímã aponta para o norte e para o sul, quando pode girar livremente. No século doze, esta notável propriedade tornou-se conhecida na Europa, e o compasso tornou-se um novo e importante instrumento utilizado na navegação. Os gregos estavam também familiarizados com uma curiosa propriedade do âmbar, resina natural de origem vegetal. Quando o âmbar é friccionado, atrai pequeninos pedaços de papel e poeira. Entretanto, além dessas observações elementares e 'poderes místicos', nada se conhecia sobre a eletricidade e o magnetismo, até que passaram a ser objeto de estudo científico. A primeira investigação experimental sobre o magnetismo foi relatada por Picard Peregrinus em 1269. Peregrinus utilizou uma magnetita esférica, marcando nela dois pólos onde sua atração magnética parecia especialmente forte. Verificou também a tendência de um pólo para procurar a direção norte, enquanto o outro procura a direção sul. Descobriu que pólos iguais se repelem, e que pólos diferentes se atraem; descobriu ainda que uma magnetita pode ser partida em dois pedaços, formando dois ímãs em lugar de um. Peregrinus verificou igualmente a semelhança magnética entre uma magnetita esférica e a terra. Ambas influenciavam uma pequena agulha de bússola, de maneira muito semelhante. Não obstante, os escritores dos séculos seguintes continuaram a supor que a agulha da bússola aponta para a Estrela do Norte, a Grande Ursa, ou para alguma misteriosa montanha localizada no norte. Formas primitivas de compasso, usualmente, nada mais eram que um pequeno pedaço de ferro magnetizado flutuando sobre madeira e colocado sobre um recipiente de madeira cheio com água. 'Compasso' é o nome dessa estrutura toda que contém como elemento básico o magneto. Mais tarde apareceram a agulha com pino e o cartão do compasso --- um disco dividido nos trinta e dois "pontos" iguais do compasso. As bússolas eram montadas de tal maneira que virtualmente não eram afetadas pelos movimentos de um navio. Além de sua utilidade óbvia como instrumento capaz de indicar o norte, o compasso tinha outra característica que levantou o interesse dos navegadores. Durante o século quinze, descobriu-se que a agulha do compasso não aponta precisamente para o pólo geográfico verdadeiro, sendo inclinada segundo um pequeno ângulo, em relação à direção norte-sul verdadeira. Este ângulo varia de lugar para lugar, sendo ocasionalmente igual a zero, como observou Colombo em sua viagem de 1492. 0 desvio angular da agulha do compasso em relação ao norte verdadeiro foi chamado de "desvio magnético", ou variação do compasso". A 'variação
do compasso' foi medida em várias partes do mundo durante grande parte do
século dezesseis. Essas medidas naturalmente tiveram um motivo prático.
Um navegador desejava saber e compensar a variação que existisse em
qualquer lugar que estivesse. Mas havia também uma esperança de que a
variação magnética pudesse fornecer uma solução para o inquietante
problema da determinação da longitude no mar. Em 1544, foi
descoberta por Georg Hartmann,
clérigo alemão, outra propriedade inesperada da agulha magnética. Ela
foi redescoberta independentemente por Robert
Norman, fabricante inglês de bússolas, em 1576. Esses dois
homens descobriram que se uma agulha de compasso for suspensa por seu
centro de gravidade, de tal maneira que fique livre para movimentar-se
tanto vertical quanto horizontalmente, ela não ficará na posição
horizontal, quando estiver em repouso, mas inclinar-se-á para baixo, em
geral, em um ângulo chamado "mergulho" ou
"inclinação", que também varia de lugar para lugar. 0 livro
de Norman, The Newe Attractive (1581), continha a primeira sugestão de
que o lugar para onde aponta o compasso está realmente no interior da
terra. A
Terrella de Gilbert; um Modelo da Terra
Gilbert mostra então como localizar os pólos de uma possante magnetita esférica, utilizando uma agulha minúscula de bússola suspensa sobre um eixo. A agulha do compasso é usada como um indicador sensível para fazer um mapa das propriedades magnéticas da magnetita. Gilbert colocou-a sobre a superfície da magnetita e marcou sua direção com uma linha de giz, que foi prolongada para formar um grande círculo sobre a esfera. Ela foi então deslocada, sendo traçado outro grande círculo, e assim sucessivamente. Todos os círculos passavam por dois pontos opostos da pedra --- os dois pólos magnéticos, A e B --- como se ilustra:
Quando a linha foi colocada em qualquer ponto eqüidistante de A e B --- sobre o equador magnético --- verificou-se que a agulha permanecia paralela à superfície da magnetita, como em C. 0 mergulho magnético no equador era sempre igual a zero. Entretanto, quando colocada nos pólos, a agulha ficava sempre perpendicular à superfície. Nos pontos intermediários, a inclinação da agulha em relação à superfície variava com sua distância dos pólos, como nos pontos E, F, G e H. Ele então traçou círculos paralelos ao equador, correspondendo aos lugares de igual inclinação da agulha. 0 comportamento magnético de sua magnetita globular levou Gilbert a conceber a Terra como um imenso ímã esférico. Sua magnetita experimental era meramente uma miniatura da Terra, pelo que ele a chamou de terrella.Gilbert investigou também o efeito de dividir um ímã em dois. Começou com uma magnetita alongada, a qual tinha os pólos norte e sul conforme ilustramos:
Cortou-a então em dois pedaços aproximadamente iguais, ficando com dois ímãs separados. Os pólos originais permaneceram sem alteração, mas um novo pólo apareceu em cada uma das faces recentemente cortadas. Foi também salientado em De Magnete que, embora a Terra faça um ímã girar (ação orientadora), ela não o desloca como um todo. Se um ímã estiver flutuando sobre um pedaço de madeira, ele gira meramente para se alinhar com a direção norte-sul. Não há tendência para o ímã deslocar-se seja para o norte ou para o sul, sob a influência do magnetismo terrestre. Atração
Elétrica Ele fabricou um
eletroscópio elementar e utilizou-o para detectar a presença de
cargas elétricas. Seu instrumento era meramente uma agulha metálica
equilibrada para girar com facilidade em torno de seu centro, que era
apoiado em um suporte em ponto. Friccionava a substância em estudo,
levando-a para junto de uma das extremidades da agulha. Se a fricção
tivesse produzido uma carga elétrica, a agulha seria atraída e giraria
em direção ao corpo eletricamente carregado. Repulsão
Elétrica Guericke descobriu este efeito com sua máquina elétrica de fricção. Esta consistia de uma esfera de enxofre que podia ser girada sobre um eixo de ferro, conforme ilustramos abaixo.
Ele passava a mão sobre a esfera rotativa de enxofre e a fricção gerava uma carga elétrica em sua superfície. A carga atraía papel, penas e muitos objetos leves. Enquanto trabalhava com sua máquina, ele percebeu que um corpo é muitas vezes atraído para a esfera e depois repelido violentamente por ela. Tais corpos ficam então capazes de atrair outros objetos leves, como se tivessem adquirido uma carga. Em uma das experiências, uma pena colocada entre o enxofre eletrificado e o solo, pulou para cima e para baixo, entre os dois. Primeiramente ela foi atraída pela esfera, junto à qual adquiriu uma quantidade de eletricidade; em seguida, foi repelida para o solo, onde permaneceu até que a eletricidade se escoasse para a terra. Logo após, foi uma vez mais atraída pela esfera, iniciando um novo ciclo.Guericke descobriu também que a eletricidade pode propagar-se até a extremidade de um longo fio de linho --- o primeiro exemplo de cargas elétricas deslocando-se ao longo de um condutor elétrico. Mais tarde, ele descobriu que certos objetos podiam ser eletrificados simplesmente colocando-os junto de sua esfera de enxofre. Todas estas observações constituíam 'mistério' para os cientistas da época, não havendo nenhuma teoria que fosse capaz de explicá-las. Por esta razão, o progresso foi extremamente lento, porque as novas descobertas tinham que ser feitas exclusivamente ao acaso, sem a orientação da especulação teórica. De todas as ciências exatas, a eletricidade foi a última a sobrepujar esta deficiência. Não foi senão depois de bem entrado o século dezoito que a pesquisa elétrica começou a beneficiar-se de indícios importantes extraídos das idéias teóricas. Condutores
e Isoladores
Quando ele friccionava o tubo de vidro, descobriu que os efeitos elétricos foram transmitidos do tubo, através da rolha e do fio, até a bola de marfim, que passou a atrair uma pena. A distância máxima usada na experiência foi de 765 pés. 0 fio foi mantido acima do solo, por meio de linhas de sustentação, feitas de fios de seda. 0 uso da seda foi necessário porque os fios de material comum permitiriam à eletricidade escoar-se para a terra, e nenhuma carga poderia ser transmitida para a bola de marfim. As
experiências de Gray estabeleceram uma aguda
distinção entre os materiais que podem conduzir a eletricidade de um
lugar para outro (condutores elétricos), e
os que não podem fazê-lo (isoladores elétricos). *** Segue Estudos de eletricidade (parte 2) ***
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