Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Campos
magnéticos
Faraday explicou seus resultados utilizando a
idéia das linhas de força magnética. De há muito a Ciência conhecia a
idéia de campo magnético. As forças exercidas por um ímã podem
ser percebidas não somente em seus pólos, mas em toda a região do espaço
que fica próxima do ímã. Se essa região for explorada com a agulha de
uma bússola pequena, poderemos perceber a mudança de direção e de
intensidade das forças, dependendo do lugar particular em que for feita a
medição.
Diz-se
que o espaço em torno de um ímã, no qual sua influência é detetada,
é sede de um campo magnético.
E fácil fazer
um "mapa" do campo magnético existente em torno de um ímã.
Basta simplesmente espalhar limalhas de ferro em uma folha de papel,
colocando-a sobre um ímã. Cada limalha de ferro torna-se um ímã em
miniatura, por um processo chamado indução, e todas se dispõem
sobre linhas curvas. Algumas dessas chamadas linhas de força são
vistas na ilustração abaixo. Cada linha vai de um pólo do ímã ao
outro.
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Linhas de força magnéticas
de
Faraday em torno de um ímã |
Faraday definiu
uma linha de força magnética como uma linha cuja direção em cada ponto
coincide com a direção do campo magnético naquele ponto. Se pudéssemos
isolar de alguma maneira um pequenino pólo norte, colocando-o no ponto A
do diagrama acima, ele não se deslocaria ao longo da mesma linha
de força até encontrar o ímã na extremidade sul; saberia dizer por
que?. Faraday salientou, também, que as linhas de força formam curvas
fechadas, que nunca se cruzam umas com as outras. Deixando o pólo norte
de um ímã, elas se dirigem para o pólo sul, e completam sua trajetória
fechada, dentro do ímã.
Oersted
tinha mostrado, em 1820, que um campo magnético pode também ser
produzido por uma corrente de eletricidade. Isto pode ser demonstrado
fazendo-se passar um fio conduzindo uma corrente através de um papelão,
como na ilustração a seguir. As linhas de força magnéticas são
circunferências concêntricas que formam ângulos retos com a corrente.
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Linhas de força em
torno de uma cor-
rente elétrica retilínea
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Isto pode ser
facilmente provado, seja espalhando limalhas de ferro sobre o cartão,
seja explorando o campo com a agulha de uma pequena bússola. Do mesmo
modo, como no caso de um ímã permanente, uma linha de força circular não
consegue estabelecer uma trajetória circular, coincidente com a linha,
que seria seguida por um pólo norte isolado que tivesse liberdade para
deslocar-se. Entretanto, à época, aceitavam que o pólo isolado
acompanharia a linha de força e aproveitaram tal hipótese para explicar
porque o ímã móvel girava em torno do fio fixo como ilustramos na parte
2 (experiência de Faraday). Reciprocamente, o ímã foi fixado, de
maneira que o fio móvel foi quem girou em torno dele. Em cada um dos
exemplos (motores de Faraday), o fio e o ímã exerceram forças
reciprocamente. Quando um era fixado, o outro se deslocava, em resposta à
força.
O
anel de Faraday
O ano de 1831 foi um ano brilhante para o grande Michael
Faraday. Foi a 24 de novembro daquele ano que ele esboçou o
conceito moderno de campos magnéticos em seu livro Experimental
Researches in Electricity. Sua esperança, diz-nos ele, era descobrir as
analogias entre a eletricidade estática e a eletricidade dinâmica (
eletricidade 'corrente', como era dito à época). Sabia-se que aquela
tinha o poder de "indução"--- a capacidade de provocar uma
eletrização de polaridade oposta nos objetos próximos. Ele imaginou que
as correntes elétricas tinham uma propriedade semelhante.
A princípio, especulou que uma corrente, passando em um circuito, podia
induzir uma corrente a percorrer um circuito próximo, que continuaria
assim, exatamente enquanto durasse a primeira corrente. Faraday descobriu
que sua suposição estava errada; uma corrente era realmente induzida no
segundo circuito, mas ela durava somente um instante. A corrente induzida
subesistia apenas quando a corrente primária era ligada ou interrompida.
Dependia não apenas da existência da corrente primária, como também de
sua variação.
Faraday
ilustrou suas correntes induzidas com um anel de ferro no qual foram
enroladas duas bobinas de fio separadas, como se vê na ilustração.
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Anel de Faraday, o
primeiro transformador elétrico
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Um galvanômetro
foi ligado a uma das bobinas, e uma bateria voltaica à outra de maneira
tal que o circuito da bateria podia ser aberto ou fechado por um
interruptor. Ligando ou interrompendo a corrente no circuito primário,
uma deflexão do ponteiro do galvanômetro indicou que um impulso
repentino de corrente também percorreu o circuito secundário. Mas as
correntes induzidas, ao dar partida ou interromper o circuito primário,
tinham sentidos opostos--- como indicavam as deflexões opostas do galvanômetro.
Assim que o
interruptor é desligado, forma-se uma corrente na bobina primária, que
vai de zero até uma certa magnitude que depende da lei de Ohm. À medida
que ela aumenta, a corrente variável provoca um campo magnético variável
no ferro que, por sua vez, induz uma tensão elétrica na bobina secundária.
Como esta forma um circuito fechado com o galvanômetro, a tensão total
induzida (força eletromotriz) envia uma corrente através do circuito
secundário. Logo que a corrente primária e, portanto, o campo magnético,
firma-se em um valor, a força eletromotriz induzida e a corrente no
secundário caem a zero.
Faraday logo
descobriu que uma corrente pode ser induzida de muitas maneiras, em um
circuito experimental: variando a intensidade da corrente em um circuito
vizinho; deslocando um ímã próximo do circuito experimental; ou
deslocando o referido circuito nas proximidades de outra corrente ou outro
magneto. Em todos estes exemplos, a indução de uma corrente depende do movimento
relativo do circuito experimental e das linhas de força magnética em
suas proximidades. Sempre que um condutor é "cortado" ou
cruzado por essas linhas magnéticas de força, uma força eletromotriz é
induzida no condutor. Se o condutor for fechado para formar um circuito, a
força eletromotriz faz passar uma corrente. A magnitude da tensão total
induzida no condutor depende apenas do número de linhas magnéticas de
força interceptadas pelo condutor em um segundo.
O
dínamo
Em 1821, Faraday tinha convertido 'eletricidade' em movimento
mecânico. Dez anos mais tarde, ele mostrou que um movimento mecânico
pode ser usado para gerar eletricidade. Seu aparelho está ilustrado
abaixo.
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Dínamo de Faraday, ou
gerador elétrico
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Um disco de
cobre sustentado por um eixo de metal, foi posto a girar entre os pólos
de um ímã em forma de ferradura. O eixo e a extremidade do disco foram
ligados a um galvanômetro por fios que tocavam ligeiramente as partes móveis.
Quando o disco girava, uma deflexão no galvanômetro mostrava que uma
corrente induzida havia sido gerada nele.
A ilustração
abaixo mostra o princípio do dínamo ou gerador de eletricidade. Um ímã
estabelece um campo magnético na região de um núcleo ou armadura móvel,
feito de ferro doce, em torno do qual são enroladas muitas voltas de fio
de cobre.
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Gerador elétrico de
corrente alternada
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A armadura e
sua bobina de cobre são postas a girar em um eixo colocado entre os pólos
do ímã por uma fonte de energia mecânica tal como uma máquina a vapor
ou uma roda d'água. Cada terminal da bobina da armadura é ligado a um
anel metálico isolado, que é preso à armadura. O contacto é feito com
os anéis por meio de escovas fixas, de metal ou de carbono, cada uma das
quais passa de encontro a um dos anéis móveis. As escovas são ligadas a
uma resistência elétrica tal como a lâmpada incandescente R.
Quando a
armadura gira, as espiras cortam transversalmente as linhas magnéticas de
força produzidas pelos pólos do ímã. Desta maneira, uma força
eletromotriz é induzida nas espiras e transmitida através dos anéis e
das escovas até a resistência R. Uma corrente passa através do
circuito ilustrado, com sentido indicado pelas setas.
A corrente
descrita acima é uma corrente alternante, que reverte o sentido de
seu fluxo pelo circuito da lâmpada a cada meia volta da armadura.
Similarmente, a tensão nas escovas é chamada de tensão alternante
ou alternada.
No instante representado no diagrama, a corrente deixa o gerador na escova
A e retorna na escova B. Consideremos agora a situação
meia volta mais tarde. As partes superiores e inferiores do enrolamento da
armadura trocaram de lugar, e a corrente sai em B e retorna em A.
O sentido da corrente oscila para frente e para trás a uma razão de freqüência
igual ao número de revoluções por segundo executadas pela armadura.
Um gerador de corrente
alternada (A. C.) pode ser transformado em um gerador
unidirecional ou de corrente contínua (D.C.),
substituindo-se os anéis por um comutador. Como ilustramos abaixo,
um comutador simples é um anel dividido em duas metades isoladas,
chamadas segmentos, que são montadas na armadura.
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Gerador elétrico de
corrente contínua
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Cada terminal
da bobina da armadura é ligado a um segmento do comutador. Quando a
armadura gira, uma corrente alternada é induzida na bobina, exatamente
como no gerador de corrente alternada. Mas antes que a corrente chegue à
resistência externa, R, ela é transformada em corrente contínua
pelo comutador. Os segmentos mudam de escova a cada meia volta da
armadura, mantendo, desta maneira, uma corrente unidirecional através da
parte externa do circuito.
O gerador de
corrente contínua ou direta (DC) pode ser operado como motor,
simplesmente substituindo a resistência R por uma fonte de força
eletromotriz, tal como uma bateria. Sua operação é ilustrada a seguir.
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Motor de corrente contínua
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A corrente
passa pelo enrolamento da armadura, produzindo um pólo norte na sua
extremidade da esquerda, e um pólo sul na direita. A repulsão entre cada
pólo de mesmo sinal da armadura e do ímã fixo obriga a armadura a dar
uma meia volta. Nesse ponto, o comutador reverte o sentido do fluxo da
corrente que passa pelo enrolamento, invertendo conseqüentemente seus pólos.
Novamente, a extremidade esquerda da armadura tem um pólo norte, e a
extremidade direita, um pólo sul. A repulsão entre cada pólo de mesmo
sinal da armadura e do ímã fixo provoca outra volta da armadura. O
processo repete-se indefinidamente, e a armadura continua a girar
permanentemente em um só sentido. Invertendo-se a polaridade da bateria
inverte-se o sentido de rotação da armadura do motor.
O
transformador elétrico
Depois que descobriu a indução eletromagnética, Faraday voltou-se para
a Química, deixando a exploração da eletricidade para outros.
Lá pela metade do século dezenove, a nova indústria elétrica estava
firmemente estabelecida. Em 1857, tinham sido construídos poderosos
geradores para emprego do arco elétrico nas luzes dos faróis e, pelo fim
do século, grandes usinas termoelétricas tinham sido construídas para
fornecer 'eletricidade' para uso público e particular.
O anel de
Faraday (ilustrado anteriormente), agora chamado de transformador,
desempenhou parte importante no desenvolvimento da indústria elétrica.
Uma tensão alternada, é aplicada ao enrolamento primário, enviando uma
corrente AC através desse enrolamento. Como a magnitude da
corrente varia constantemente no curso do tempo, o campo magnético
resultante também varia em intensidade, de um instante para outro. Tal
campo magnético variável induz uma nova tensão alternada,
correspondente, no enrolamento secundário do transformador. Quando este
é ligado a uma resistência elétrica, formando um circuito completo, uma
corrente AC passa pelo circuito secundário.
A magnitude da
tensão induzida no enrolamento secundário depende da relação do número
de espiras nos dois enrolamentos. Se o secundário tiver duas vezes mais
espiras que o primário, a tensão induzida será duas vezes a que foi
aplicada no primário (transformador elevador de tensão) --- exceto
quanto a pequenas ineficiências do transformador. Se o secundário tiver
menos espiras que o primário, sua tensão será correspondentemente mais
baixa (transformador abaixador de tensão).
O uso de transformadores torna possível variar de maneira fácil e
conveniente a tensão de distribuição da energia elétrica, para
satisfazer às aplicações específicas. Eles são usados nas
"usinas de força" a fim de aumentar a tensão dos geradores AC
a muitos milhares de volts, para sua eficiente transmissão pelas
"linhas de força". Nos pontos de distribuição locais, eles
reduzem a tensão a níveis relativamente seguros, para uso nas casas e na
indústria. Esta propriedade única e valiosa do anel de Faraday é a
principal razão pela qual todos os sistemas de geração de energia elétrica
modernos utilizam corrente alternada, em vez da corrente continua.
*** segue
Estudos
de eletricidade (parte 8) ***