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Eletricidade
posta a trabalhar
(Parte
12)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Ele
decidiu tentar ... a descarga oscilatória
Em meado de 1886, Hertz
observou um efeito que lhe deu um ponto de partida no caminho
certo. Seu aparelho está ilustrado abaixo.
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Aparelho de Hertz para induzir uma centelha
em um circuito secundário |
Um
pedaço de fio de cobre foi curvado na forma de um retângulo, de
tal maneira que as extremidades do fio em A ficassem
separadas por uma folga muito pequena. Este retângulo foi colocado
perto de uma bobina de indução que podia produzir uma descarga de
centelha quando o interruptor fosse operado. Hertz descobriu que
uma centelha secundária era induzida na brecha A, sempre
que uma centelha fosse produzida
no circuito primário que continha a bobina de indução. Hertz
descobrira uma maneira de detectar os fenômenos elétricos a uma
certa distância de sua fonte.
Hertz
observou também que a intensidade da centelha secundária dependia
das dimensões do retângulo. Um certo tamanho específico deu a
centelha mais intensa. Se o retângulo fosse ligeiramente maior ou
menor, a centelha tomava-se mais fraca. Isto é um exemplo de ressonância
elétrica, uma propriedade muito importante dos circuitos de
corrente alternada.
A
natureza das centelhas
Antes de podermos
compreender a importância da ressonância elétrica na
experiência de Hertz, devemos considerar a natureza de uma
descarga de centelha. Suponhamos um circuito como o apresentado na
ilustração abaixo (a), consistindo de um vaso de Leyden ou
'condensador', uma bobina de indução e uma abertura de centelha
formada por duas esferas.
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Comprovação
da natureza ondulatória da descarga por centelha |
Carreguemos
agora o capacitor, ligando-o momentaneamente a uma fonte de alta
tensão. À medida que aproximamos as duas esferas uma da outra, a
tensão existente entre as placas do 'condensador' provoca
subitamente uma descarga de centelha na abertura. Quando Hertz
realizou esta experiência, descobriu uma propriedade interessante
da centelha. A corrente que produziu o fenômeno visível não
fluía continuamente em uma direção; oscilava de um lado para o
outro da abertura, durante a passagem da centelha. Permanecia assim
até que toda energia elétrica se dissipasse. Ali estava um
fenômeno elétrico análogo ao movimento de um pêndulo.
A
natureza oscilatória da descarga de uma centelha pode ser provada
cortando o fio em um ponto qualquer, conforme se
vê na parte (b) do diagrama, e inserindo um pedaço
de papel mata-borrão embebido em uma solução de iodeto de
potássio, misturada com amido. A corrente oscilatória deve agora
passar pelo papel mata-borrão, da mesma maneira que pelas outras
partes do circuito. Quando a corrente passa pelo iodeto de
potássio, a eletrólise resultante libera iodo no elétrodo positivo.
O iodo dá ao amido uma coloração azul intensa. Se a corrente
se deslocar apenas em um sentido, a região do papel mata-borrão
que ficar mais próxima do terminal positivo deve tornar-se azul,
enquanto que a outra ponta do papel não deve apresentar nenhuma
modificação de cor. Mas a experiência mostra que o amido
torna-se azul nas proximidades de ambos os terminais que o põem em
contato com o circuito. Portanto, a corrente não é unidirecional,
mas oscila de um lado para o outro, através do circuito e da
descarga da centelha. Uma centelha é uma corrente alternada
acompanhada de uma incandescência.
Os modernos equipamentos detetores, osciloscópio por exemplo,
mostram que pode haver muitos milhares de oscilações em uma
única descarga de centelha, a qual normalmente dura menos de um
milésimo de segundo. O número de oscilações por segundo, nessas
descargas — a freqüência da corrente — é medido em
milhões de ciclos por segundo.
Ressonância
De acordo com a experiência
de Hertz, o importante sobre a descarga de uma centelha é que ela
é uma corrente alternativa de freqüência enormemente grande.
Sabemos agora que esta circunstância feliz mostrou-lhe a
conveniência do uso da ressonância elétrica para
construir um dispositivo sensível que captasse as ondas
eletromagnéticas.
A
ressonância elétrica é análoga à ressonância acústica.
Suponhamos que dispomos de duas cordas de violino esticadas de tal
maneira que ambas produzem a mesma nota. Se uma for puxada,
permanecendo a outra em repouso, as ondas sonoras atravessam o ar e
fazem a segunda corda vibrar por sua própria conta. As cordas são
ressonantes uma com a outra. Esse estado de ressonância desaparece
se as cordas forem sintonizadas em freqüências naturais
diferentes. A ressonância é seletiva de freqüência.
O
circuito auxiliar detetor ilustrado à direita da ilustração de
abertura desse texto, tinha as dimensões exatamente adequadas —
cerca de 2 pés de cada lado — para entrar em ressonância com a
corrente alternativa que passava pela descarga da centelha. À
medida que a corrente do circuito primário oscilava para um lado e
para o outro, ela induzia correntes correspondentes no circuito
secundário. Devido à ressonância, as correntes oscilatórias
deste último circuito aumentavam rapidamente de magnitude, até
surgir uma centelha na abertura de ar do circuito.
A
corrente oscilatória em um circuito auxiliar detetor igual ao
usado por Hertz é centenas de vezes maior que para um circuito
auxiliar não ressonante. Se ele não tivesse feito uso da
ressonância, é duvidoso que pudesse ter prosseguido com suas
experiências posteriores. Não teria havido nenhuma centelha
visível no circuito auxiliar detetor e, portanto, não haveria
nenhum aparelho sensível para receber as fracas ondas
eletromagnéticas que sua centelha era capaz de gerar.
A
descoberta das ondas de rádio
A descoberta feita por Hertz
de que podem ser provocadas centelhas na abertura de um circuito
secundário, desde que este tenha as dimensões necessárias para
entrar em ressonância, foi a chave de seus sucessos
posteriores. Dispondo de um detetor adequado de ondas
eletromagnéticas, ele estava agora em condições de testar a teoria
de Maxwell por meios diretos.
Seu
equipamento básico está ilustrado abaixo.
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Aparelho de
Hertz usado para transmitir e
receber ondas de rádio |
O
“condutor primário” — ou antena, como diríamos hoje —
consistia de duas placas
quadradas de latão, de cerca de 40 centímetros (aproximadamente
16 polegadas) de lado, ligadas por um fio de cobre de 60
centímetros (cerca de 2 pés) de comprimento. Na metade do fio
havia uma abertura de centelha, na qual oscilações de centelha
eram produzidas por poderosas descargas de uma bobina de indução.
O condutor foi colocado a 1,5 metros (cerca de 9 pés) acima do
piso, com o plano das placas na vertical. O circuito secundário
era igual ao que já foi descrito — um fio de comprimento
adequado, curvado para formar um circuito quase fechado. Suas
dimensões foram cuidadosamente escolhidas, de maneira que sua
freqüência natural de oscilação fosse a mesma do circuito
primário. Os dois circuitos estavam em ressonância elétrica.
As
placas de latão do circuito primário são realmente as duas
placas de um vaso de Leyden modificado, tendo o ar entre elas no
papel de dielétrico. Devido ao espaçamento relativamente grande,
o campo elétrico entre eles estende-se por uma grande região, em
vez de confinar-se a um espaço estreito, como no
caso de um capacitor comum. Este arranjo garante que a antena
irradie uma grande quantidade de sua energia sob a forma de ondas
eletromagnéticas, a cada oscilação da corrente entre as placas.
Cada
vez que é produzida uma centelha no aparelho ilustrado acima,
passa uma corrente oscilatória na abertura do primário. Isto
significa que a corrente modifica muitos milhões de vezes por
segundo o sentido de seu fluxo na abertura. Significa também que a
carga em cada terminal da abertura modifica-se de positivo para
negativo na mesma razão. A carga nos terminais da abertura passa
para cada placa de latão, dando-lhe uma carga de polaridade
correspondente. Assim, a carga nas placas modifica-se de positivo
para negativo em uma razão igual à freqüência da descarga
oscilante da centelha. Finalmente, uma corrente alternativa deve
passar em cada fio de ligação, para efetuar as mudanças na carga
elétrica sobre as placas. Assim, o condutor primário de
Hertz, ou antena, experimenta uma corrente oscilatória que faz a
carga em cada placa de latão mudar continuamente de positiva para
negativa, em uma razão extremamente rápida.
Esta
carga elétrica gera um campo elétrico devido à sua presença nas
placas, e um campo magnético, devido ao seu movimento. Ambos os
campos variam continuamente em 'força' e sentido, devido ao
movimento oscilatório da carga elétrica. Durante cada
oscilação, as linhas de força elétricas movem-se para fora, no
espaço circundante, como na ilustração abaixo.
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Propagação
das ondas de rádio |
Quando
a carga em cada placa atinge sua maior magnitude, as linhas param
de deslocar-se para fora, passando a apresentar a tendência de
contrair-se para dentro, em sentido à antena. Mas as linhas de
força externas contraem-se de
tal maneira que suas partes tocam umas às outras, a alguma
distância da antena. A porção de cada uma dessas linhas de
força que fica mais distante da antena toma a forma de uma figura
fechada. À medida que o resto da linha de força contrai-se em
sentido à antena, tal figura toma-se mais destacada, e é
propagada para fora, como uma onda eletromagnética ou de rádio.
Quando esses campos se afastam da antena, tornam-se cada vez mais
amplos, expandindo-se para abranger todo o espaço através do qual
podem propagar-se.
Ondas
de rádio desta espécie foram detetadas por Hertz a alguma
distância da antena, como campos elétricos e magnéticos em
contínua variação. Ele provou que elas se deslocam a uma
velocidade quase igual à da luz. Podem ser refletidas, refratadas
ou polarizadas. Ele as enviou através de uma abertura feita em uma
grande folha de metal, e descobriu que eram difratadas ou “desviadas
em direção à sombra”, exatamente como acontece com a luz,
quando passa por uma fenda estreita. As descobertas de Hertz não
deixaram dúvida de que as equações de Maxwell constituíam uma
descrição matemática verdadeira da luz e de outras formas de
radiação eletromagnética. Ele mostrou que a luz e as ondas de
rádio obedecem a princípios idênticos, diferindo apenas nas
freqüências muitíssimo maiores, que são uma característica da
luz. Ambas consistem de campos elétricos e magnéticos que são
propagados pelo espaço de acordo com as equações de Maxwell.
As
experiências de Hertz tornaram claro também que as direções dos
campos elétricos e magnéticos formam ângulos retos umas com as
outras, e que ambas formam ângulos retos com a direção de
deslocamento da onda. Para compreender o porquê, consideremos a
antena vertical ilustrada abaixo.
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Uma antena
irradiando ondas eletromagnéticas |
Um
observador colocado à direita do diagrama detecta um campo
elétrico que faria uma pequena carga positiva deslocar-se na
direção vertical. Similarmente, o campo magnético faria um pólo
norte magnético deslocar-se para sua esquerda, fora do plano do
papel. Se ele estiver suficientemente afastado da antena, ambos os
movimentos constituiriam essencialmente linhas retas. Sob tais
condições, a radiação é chamada de onda eletromagnética
plana. Como as ondas
propagam-se pelo espaço, elas se aproximam do observador em uma
direção perpendicular ao plano dos campos elétrico e magnético.
Diz-se que a onda é “verticalmente polarizada” se o campo
elétrico exercer forças na direção vertical, e “horizontalmente
polarizada”, se o campo elétrico estiver na direção
horizontal.
Segue
Parte 13 ... o coesor e suas variantes
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