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Eletricidade
posta a trabalhar Prof.
Luiz Ferraz Netto O
coesor
Uma
delas era normalmente ligada à linha telegráfica, enquanto que a
outra estava presa a uma haste enfiada em terra úmida. Ele
descobriu que as esferas tendiam a fundir-se uma com a outra após
a passagem de uma centelha, podendo entretanto ser separadas
novamente por meio de uma pequena batida. Assim, a resistência
elétrica de uma esfera para a outra era muito alta, antes da
passagem da centelha, e muito baixa, depois dela.
Quando se deu uma centelha em um circuito próximo, as esferas se juntaram, o circuito foi fechado e a campainha começou a tocar, continuando assim até que as esferas fossem separadas por uma pequena pancada. Quando Lodge colocou a campainha no mesmo suporte do coesor, a vibração mecânica da primeira batida da campainha foi suficiente para separar as esferas. Cada centelha foi então assinalada por um toque separado da campainha. Um aparelho melhorado foi logo desenvolvido por Edouard Branly (1846-1900). O aparelho de Branly consistia de um tubo de vidro cheio com pó de metal. Um elétrodo em cada extremidade tornava possível enviar urna corrente fraca através de pó não comprimido. Branly observou que a resistência elétrica do pó diminuía substancialmente em presença de uma centelha próxima. Entretanto, após a pequena pancada, a resistência elevava-se novamente a um valor bastante alto. Por alguma razão, Lodge não fez nenhuma tentativa para transmitir informações utilizando sua nova técnica. Escreveu ele mais tarde, em 1923:
As
primeiras conferências de Lodge inspiraram um grande interesse
pela radiotelegrafia. Henry B. Jackson
(1855-1929), oficial da marinha inglesa que mais tarde se tomou
Primeiro Lorde do Almirantado, levou a cabo experiências secretas
de radiocomunicações telegráficas, em 1895 e 1896, mas não
publicou seus resultados e os estudos não foram seguidos. Na
Alemanha, Adolph Slaby
(1849-1913) começou a fazer experiências com as ondas de rádio,
mas escreveu mais tarde que conseguiu poucos progressos nos
primeiros anos. Na Rússia, Alexandre
Stepanovich Popov (1859-1905) realizou experiências com
um circuito semelhante ao de Lodge. Conseguiu registrar certos
distúrbios elétricos, inclusive os de origem atmosférica, desde
1895. Não há prova conclusiva de que ele tenha realmente
utilizado seu aparelho para transmitir sinais telegráficos. De
qualquer modo, não elaborou nenhum sistema prático de
radiotelegrafia. Nascimento
da telegrafia sem fio
Após estudar os resultados das experiências de Hertz, Marconi voltou às pressas para casa, reuniu uma bobina de indução, um centelhador, uma chave de telegrafia, baterias e um coesor Branly. Seguindo os métodos de Hertz e de Lodge, seu primeiro aparelho enviou sinais da extremidade de uma mesa para a outra. Melhorando o aparelho e utilizando centelhas mais intensas, foi-lhe possível aumentar essa distância para várias milhas. Tudo isto foi realizado com aparelhos que, pelo menos na forma, eram essencialmente iguais aos de seus predecessores. Sendo otimista, ele previu que o alcance eventualmente seria estendido a centenas de milhas. A maior parte dos cientistas da época ridicularizou a opinião de Marconi. Argumentavam que as ondas de rádio têm as mesmas propriedades que as ondas de luz e, assim sendo, somente se propagam em linha reta. Uma vez além do horizonte, elas se perderiam no espaço, e a recepção seria interrompida. A despeito da opinião unânime, Marconi continuou suas experiências, e descobriu um novo princípio. Aprendeu a “amarrar” suas ondas de rádio à superfície da terra, ligando seu transmissor a dois condutores, um estendido bem acima do solo, e o outro mergulhado na terra úmida. Desta maneira, suas ondas eram guiadas em torno da superfície da terra até distâncias de cerca de duzentas milhas. O segredo vital do primeiro sucesso de Marconi foi sua onda ligada à terra. Compreendendo que tinha uma nova força à sua disposição, Marconi concebeu o ousado projeto de cruzar o Atlântico. Instalou um poderoso transmissor em Poldhu, Cornwall, na Inglaterra, e um sistema receptor em St. John’s, Newfoundland, no ano de 1901. (Um grande sistema de antena em Cape Cod tinha acabado de ser derrubado por um furacão.) Depois de encontrar considerável dificuldade com antenas sustentadas por balões e “papagaios” em St. John’s, conseguiu manter no ar, a 12 de dezembro, um fio de 400 pés de comprimento, durante o tempo suficiente para convencê-lo de que tinha recebido os sinais de Poldhu. A letra S, três traços em código Morse, tinha sido transmitida de Poldhu para Newfoundland, a cerca de 2 000 milhas de distância. Em sua transmissão através do oceano, suas ondas de rádio tinham passado sobre uma montanha de água de mais de 100 milhas de altura! A afirmativa de Marconi era tão incrível que muitos cientistas e leigos simplesmente não podiam acreditar. Entretanto, recebeu os sinais de Poldhu a bordo do vapor Philadelphia, navegando a aproximadamente duas mil milhas. Quando o navio encostou nas docas de Nova Iorque em março daquele ano, ele desceu a escada de bordo e estendeu aos repórteres jardas de fita “telegráfica” mostrando traços e pontos gravados automaticamente enquanto viajava através do oceano.
Em
sua viagem através do Atlântico, Marconi descobriu que o alcance
de recepção era maior à noite do que durante o dia. Tendo
recebido sinais a até 2000 milhas, verificou que durante o dia o
alcance era de apenas um terço. Suas experiências subseqüentes
mostraram, entretanto, que a diferença entre o alcance à noite e
durante o dia podia ser reduzida pelo uso de comprimentos de onda
extremamente longos. Esta pesquisa culminou em 1907 com o
estabelecimento do primeiro serviço radiotelegráfico
transatlântico, entre a Nova Escócia e a Irlanda. O transmissor
de centelha de Marconi gerava ondas de rádio que tinham
comprimentos de onda de vários milhares de metros. Pelo menos 50
quilowatts de potência elétrica foram usados para gerar essas
ondas, tendo sido construídas antenas gigantescas para
transmiti-las e recebê-las. Em anos seguintes, os comprimentos de
onda atingiram 10000 metros, tendo sido construídas antenas de uma
milha de comprimento estendidas a 1 000 pés acima do solo, para
recebê-las. A
ionosfera A resposta foi primeiramente sugerida por A. E. Kennelly em 1902, ao concluir que uma camada condutora de cargas elétricas deve existir na atmosfera superior da Terra, a uma altitude de 80 quilômetros. Ele calculou que a camada teria uma condutividade elétrica cerca de vinte vezes maior que a água do mar. Era bem conhecido que uma grande superfície condutora era bom refletor de ondas de rádio. Hertz tinha demonstrado tal fato pela experiência. Talvez a atmosfera superior contivesse um grande espelho de rádio, que refletisse as ondas de rádio de volta para a Terra. A água do mar e a terra molhada são também bons condutores de carga elétrica, havendo assim, na realidade, dois espelhos envolvidos. Nas palavras do próprio Kennelly:
Pouco após ter sido publicado o documento de Kennelly, Oliver Heaviside fez uma sugestão semelhante:
A camada de Kennelly-Heaviside, como foi chamada, foi ridicularizada e menosprezada por quase uma geração. A maior parte dos cientistas tentou explicar os resultados de Marconi com base na difração, ou curvatura em direção à sombra da Terra. Eles salientaram que os comprimentos de onda eram excessivamente longos, e que podia ocorrer suficiente refração para responsabilizar-se pelos resultados observados. Embora uma pequena quantidade de desvio por difração das ondas longas de rádio realmente ocorra, nenhuma teoria completamente satisfatória foi desenvolvida para explicar os alcances de 2000 milhas ou mais. Não obstante, a camada de Kennehly-Heaviside, ou ionosfera, como agora é chamada, não foi aceita universalmente e teve que esperar até que Marconi fizesse sua segunda grande descoberta —com auxílio dos radioamadores. Segue Parte 14 (final) --- crepúsculo do rádio
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