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Usina
termelétrica
(Fluxo das
energias)
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Sabemos perfeitamente que a energia térmica pode ser transformada
em energia mecânica ou elétrica. Inversamente, a energia mecânica
ou a energia elétrica podem ser convertidas em energia térmica. O
primeiro caminho é bem mais dificultoso que o segundo. Uma central
termelétrica operando a partir de energia térmica (da
queima do carvão, por exemplo) mostra, perfeitamente, o ciclo
completo das transformações de energia. É o que propomos mostrar
aqui.
Transformações
A energia vem para a usina como 'carvão', isto é, energia química
armazenada na estrutura dos constituintes do carvão. Os elementos
constituintes do carvão combinam-se com o oxigênio do ar e,
assim, nesse processo denominado 'combustão' (ou oxidação),
convertem a energia química em energia térmica.
Uma certa porcentagem desta energia térmica é transferida para a
caldeira e produz vapor. A razão entre a quantidade de energia térmica
aproveitada pela caldeira (útil) e a quantidade de energia térmica
libera pelo carvão (fornecida) é denominada 'rendimento da
caldeira', de modo que, indicando-se esse rendimento por n
tem-se: n = energia térmica útil/energia térmica
fornecida.
Em todas as etapas das transformações teremos um rendimento específico,
ou seja, "quanto se aproveitou daquilo que recebeu"; em
outras palavras, em todas as etapas, como o rendimento nunca é
100%, teremos perdas, energia desperdiçada. Continuemos.
A
expansão do vapor nos cilindros da máquina ou nos injetores e
palhetas da turbina, transformam a energia térmica do vapor em
energia mecânica. O vapor quente produz movimento. Essa etapa tem
um baixo rendimento.
Esta
energia mecânica disponível na saída da turbina é usada para
acionar o gerador elétrico o qual, por sua vez, converte uma
grande proporção (alto rendimento) da energia mecânica que
recebe, em energia elétrica.
Uma certa quantidade dessa energia elétrica volta a se transformar
em calor nos fios, barras-gerais, transformadores e no sistema de
transmissão.
Finalmente,
a energia elétrica restante é aproveitada para fazer funcionar
motores, acender lâmpadas, acionar máquinas elétricas ou ser
utilizada em processos químicos (eletrólise, galvanoplastia,
niquelação etc.). Em última análise, toda a energia aparece de
novo como energia térmica ou convertida em outras formas de
energia.
Rendimentos
A tabela abaixo mostra, aproximadamente, a que se reduzem cada 100
unidades de energia térmica existentes inicialmente no carvão,
numa boa e eficiente usina termelétrica da atualidade, operando
nas melhores condições.
| Rendimentos
nas conversões de energia |
| Local |
Forma
de
energia |
Rendimento
por cento |
Unidades
energia convertidas |
Carvão
Caldeira
Turbina
Gerador
Sistema de transmissão
(até a utilização)
Transformadores de subestação
Motores grandes (média)
Motores pequenos (média)
Lâmpadas |
Química
Térmica
Mecânica
Elétrica
Elétrica
Elétrica
Mecânica
Mecânica
Luminosa |
..........
85
30
96
80
98
85
65
3,5 |
100,0
85,0
25,5
24,5
19,6
19,2
16,3
12,5
0,67 |
Fluxo
das transformações
A ilustração abaixo mostra o percurso da energia (expresso em
unidades de potência) num típico sistema elétrico, desde a
energia química no carvão, tal como ele é levado às grelhas
transportadoras nas caldeiras, até o ponto de utilização final
(nesta caso, representado por motores).
Em
(X) a energia é entregue aos alimentadores, na forma de
carvão, à quantidade de 94 800 BTU/s, correspondendo a 100 000
kW.
Na figura acima, as letras maiúsculas (A, B etc.) junto às
setas azuis, indicam a potência transportada de uma etapa para
outra; as letras minúsculas (a, b etc.), junto às setas
pretas, indicam as perdas de potência nessas etapas. Y é a
energia mecânica disponível nos eixos dos motores, a cada segundo
de funcionamento. Na linha inferior estão indicados os rendimentos
(n) nas diversas etapas.
As
potências transportadas e as de perdas são as abaixo indicadas,
expressas em duas unidades; uma do Sistema Internacional, kW = 103
W e outra do Sistema Inglês, BTU/s.
X
- 100 000 kW = 94 800 BTU/s, chegam à caldeira;
a - 15 000 kW = 14 230 BTU/s, perdas na caldeira;
A - 85 000 kW = 80 630 BTU/s, para a turbina a vapor;
b - 59 500 kW = 56 500 BTU/s, perdas na turbina;
B - 25 500 kW = 24 189 BTU/s, para o alternador;
c - 1 020 kW = 968 BTU/s, perdas no alternador;
C - 24 500 kW = 23250 BTU/s, para o sistema de transmissão;
d - 4 900 kW = 4 650 BTU/s, perdas na transmissão;
D - 19 600 kW = 18 600 BTU/s, para o transformador;
e - 390 kW = 370 BTU/s, perdas no transformador;
E - 19 200 kW = 18 220 BTU/s, para os motores;
-- - (as perdas estimadas nos motores foram de 2 880 kW)
Y - 16 320 kW = 15 487 BTU/s = 21 900 HP, potência disponível
nos motores.
Comentários
Para simplificar a esquematização, muitos detalhes secundários
foram omitidos, como chaves, trafo-elevadores, barras-gerais etc.
Deve ser observado, todavia, que o rendimento parcial com turbinas
a vapor, mesmo numa moderna instalação do tipo, é bem pouco econômica,
pois converte apenas 30% do total de energia térmica recebida, em
energia mecânica a ser entregue para o alternador. O rendimento
total, nas melhores usinas do tipo, ainda não é alto, visto que,
do carvão até os motores elétricos (do exemplo), aproveitam-se
apenas 19,2 %. Se for levado em conta a eficiência dos motores, lâmpadas
e outros aparelhos, o rendimento global cairá ainda mais.
Falta
aqui, e isso é absolutamente indispensável, os comentários sobre
os efeitos nocivos à natureza do uso de tal tipo de usina; mas,
infelizmente, essa não é minha praia. Aceitarei, de bom grato, os
comentários pertinentes a esse tema. Todavia, sejam justos. Léo.
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