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R.M.S.
(raiz quadrática
média)
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Valor
médio de grandezas variáveis
Freqüentemente se usam, para um dado intervalo de valores de uma
grandeza variável, o seu valor médio como, por exemplo, a
velocidade, a temperatura, a altura etc. O valor médio
corresponde à média aritmética dos valores do referido
intervalo.
Uma grandeza alternante ou alternada também admite o conceito de
valor médio, para a qual se utiliza do sub-índice m
acompanhando o símbolo da grandeza. Para a colheita de valores da
grandeza alternada simétrica se abstrai o sinal negativo, que só
representa uma diferença de sentido, tomando-se apenas os
semiciclos positivos. Esse valor médio pode ser determinado
graficamente, pelo método da ordenada média, como o fazemos no
exemplo abaixo, de um sinal triangular, para salientar sua
validade.
Exemplo
1: Determinar graficamente o
valor médio da corrente, para o semiciclo da onda triangular
abaixo representada.
A
base do triângulo da ilustração foi dividida em 6 partes iguais
e a ordenada (em verde) foi levantada do centro de cada uma dessas
partes:
| No
de ordenadas |
1 |
2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
| Corrente
inst.(A) |
0,5 |
1,5 |
2,5 |
2,5 |
1,5 |
0,5 |
Soma das ordenadas = 9 A
Corrente média = 9/6 = 1,5 A
Nota:
Posto que a altura média de um triângulo é a metade de sua
altura, o resultado obtido nesse caso simples é exato; todavia, se
necessitará bem maior número de ordenadas, em uma curva típica,
para se obter um razoável grau de precisão.
Raiz
quadrática média
Além do valor de pico e do valor médio das grandezas alternadas,
temos o valor quadrático médio, muito mais importante que
os outros dois anteriores, porém, um pouco mais difícil de
compreender; por isso vamos começar com uma aproximação simples.
Comecemos
pela análise de uma corrente direta interrompida (sinal
retangular), como a abaixo ilustrada, que se modifica a cada
segundo, desde zero até 2 A, regressando depois de um segundo,
novamente ao valor zero. O período do ciclo é de 2 segundos (T
= 2 s).
Nosso
problema será determinar que valor de corrente contínua e
constante produzirá o mesmo efeito que essa corrente
retangular em um circuito elétrico. A questão começa
interrogando "que efeito particular usaremos"? Será o
efeito químico? O efeito térmico? O efeito magnético?
Consideraremos
primeiramente o efeito químico, como na carga de uma
bateria ou na galvanoplastia. A primeira lei de Faraday, da
eletrólise, nos informa que "o efeito químico da corrente é
proporcional à quantidade de carga elétrica (Q = I.t)";
assim, ao cabo de 2 segundos (1 ciclo), será:
Qciclo
= 0 x 1 + 2 x 1 = 2 coulombs
A
corrente estacionária que corresponde ao passo de 2 coulombs em 2
segundos tem o valor de 1 ampère; e esse será o valor médio
(Im = Qciclo/T = 2/2 = 1 A).
Poderemos
querer generalizar e pensar que isso se aplica a todos os demais
efeitos da corrente elétrica, porém, em geral, isso não é
assim. No efeito térmico, por exemplo, a quantidade de calor
dissipado é proporcional ao quadrado da intensidade de corrente,
isso porque, é bom lembrar, a energia elétrica convertida em
energia térmica (e dissipada em forma de calor), em 1 segundo, é,
por definição, a potência elétrica: Eelet. = Qdiss.=
Pelet..Dt
. ou Eelet./Dt
= Pelet. . No resistor, teremos: Pelet. = R.I2
.
Assim,
se a corrente considerada (1 ciclo da onda retangular) passa por um
resistor de resistência 1 ohm, a quantidade de energia liberada em
2 segundos será, usando Eelet. = R.I2.Dt
:
Eelet. =
1ohm.02ampère2.2segundos + 1ohm.22ampère2.2segundos
= 4 joules
e a corrente estacionária
necessária para fornecer 4 joules em 2 segundos será:
Eelet.=
1ohm.I2ampère2.2segundos = 4 joules
ou seja, I2 = 2 ou I = raiz quadrada de 2 = 1,414 ampères.
Essa
quantidade se denomina "raiz quadrática média" (rms),
ou ainda "valor quadrático médio", ou ainda "valor
eficaz"; e recebe esse nome porque é a raiz quadrada do
valor médio do quadrado da grandeza. No caso em questão:
Irms
= raiz quadrada[(02 + 22)/2] = 1,414
valor
esse que é maior que o valor médio da corrente (Im
= 1 A).
Para
uma simples demonstração experimental temos abaixo, uma lâmpada
incandescente (L) de baixa tensão, alimentada pela bateria (fonte
CC) através de um reostato, um par de contatos acionados
mecanicamente e um amperômetro (A) de bobina móvel (este
instrumento mede o valor médio da corrente, porque funciona através
da força magnética que o condutor recebe num campo magnético,
sendo a intensidade dessa força proporcional à intensidade de
corrente).
O
experimento consiste no seguinte:
(a) fechamos os contatos, com o que se estabelece uma corrente
estacionária que acende a lâmpada com brilho reduzido;
(b) os contatos são abertos e fechados rapidamente (através de um
processo mecânico qualquer), fazendo com isso, que a intensidade
da corrente diminua e, com ela, o brilho da lâmpada.
(c) A parte final consiste em manter constante a freqüência do
fechamento e abertura dos contatos e ajustar o reostato de modo que
a lâmpada volte a apresentar o brilho anterior.
(d) A indicação do amperômetro mostrará que o valor efetivo
(rms) dessa corrente interrompida é maior que o valor médio da
corrente lida no amperômetro, em (a).
RMS
de uma grandeza alternada
O valor eficaz ou rms de uma d.d.p. ou de uma
corrente alternada é definido como sendo a raiz quadrada da média
dos quadrados de seus valores instantâneos; por tanto, é
igual à d.d.p. ou a corrente estacionária que produziria os
mesmos efeitos térmicos ou de potência térmica; por isso é
importante nas medidas de C.A.
O
rms de uma grandeza é representado pelo seu símbolo
corriqueiro (U e I, por exemplo). Os sub-índices são geralmente
omitidos porque, exceto que se diga outra coisa, fica entendido
sempre que estamos nos referindo ao valor rms. Assim, a tensão
nominal de uma fonte de alimentação C.A. ou a intensidade de
corrente nominal de um aparelho elétrico se dá como valor rms;
assim também são, com tais valores, calibrados os instrumentos de
C.A.
O sentido da d.d.p. ou da corrente não influi no valor rms, por
isso poderá ser calculado para apenas um semiciclo, sempre que as
duas metades da 'onda', no seu período, sejam semelhantes (simétricas).
Uma
extensão do método das ordenadas médias facilita o cálculo do
valor rms. Apesar de usarmos no exemplo que se segue a
simples onda triangular que já vista, o método é geral e pode
ser sempre empregado para qualquer forma de onda.
Exemplo
2: Determinar o valor rms da
corrente, tipo onda triangular, do exemplo 1.
Os valores das seis ordenadas são repetidos aqui e são
acrescentados, na tabela, seus quadrados:
| Número
de ordenadas |
1 |
2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
| Corrente
instantânea (A) |
0,5 |
1,5 |
2,5 |
2,5 |
1,5 |
0,5 |
| Quadrado
da ordenada (A2) |
0,25 |
2,25 |
6,25 |
6,25 |
2,25 |
0,25 |
Soma dos quadrados = 17,5 A2
Valor médio de quadrados = 17,5/6 = 2,92 A2
Valor rms = raiz quadrada[2,92 A2] = 1,71 A
Nota:
A ilustração abaixo mostra claramente que o gráfico do quadrado
da corrente (em preto) tem forma diferente do gráfico da corrente
original (triângulo em verde). Em geral, o quadrado de uma
grandeza varia mais acentuadamente que a própria grandeza,
tornando-se assim um tanto mais difícil a determinação precisa
de seu valor médio, para se obter, a seguir, o valor quadrático médio
ou rms. O resultado do exemplo visto acima deveria ser 1,73 A e não
1,71 A. Para contornar isso deveríamos tomar, no mínimo, o dobro
do número de ordenadas na colheita de dados. Faça isso como novo
exercício.
Relação
entre os vários valores da grandeza alternada
Ainda que geralmente se use o valor rms, há ocasiões nas quais
outras indicações são necessárias, por exemplo, o valor médio
de uma corrente pode ser importante quando se retifica, ou podemos
necessitar do valor da tensão de pico para decidir sobre um
apropriado isolamento. A relação entre os valores depende da
forma da onda e será dada pelo 'fator de forma' e pelo 'fator de
pico', assim definidos:
Fator
de forma = valor rms/valor médio
Fator de pico = valor de pico/valor rms
Para
uma típica C.A. o valor de forma situa-se ao redor do 1,1,
enquanto que o fator de pico (ou de crista, como se diz por vezes)
fica ao redor do 1,4. Estes valores variam consideravelmente
sendo, no geral, pequenos para as 'ondas achatadas' e maiores para
as 'ondas bicudas'.
Exemplo
3: Calcular os fatores de
forma e de pico para a corrente de onda triangular dos exemplos 1 e
2.
Valor
rms de I (do exemplo 2) = Irms = 1,73 A
Valor médio de I (do exemplo 1) = Im = 1,50
A
Fator de forma = Irms/Im =
1,73/1,50 = 1,15
Valor de pico de I (do exemplo 1) = Ip = 3,0
A
Fator de pico = Ip/Irms = 3,0/1,73
= 1,73
Um
detalhe digno de nota é que esses valores obtidos no exemplo acima
dependem somente da forma de onda, aplicando-se não só à onda
considerada como também a todas as ondas triangulares independente
de sua amplitude e freqüência.
As
medições de valores rms são tremendamente importantes, assim,
recomendamos uma boa leitura sobre os aparelhos de medida em C.A.
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