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Leis
de Ohm e de Pouillet
(Demonstrações
elementares)
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Objeto
das leis de Ohm e de Pouillet
Pode-se considerar que estas têm por objeto resolver três
questões, a saber:
—
Que relação existe entre a
queda de potencial entre dois pontos de um circuito, a intensidade
da corrente e a resistência intercalada entre esses dois pontos?
—
Que relação existe entre a força eletromotriz de um gerador, a
intensidade da corrente e a resistência total do circuito?
—
Que relação existe entre a resistência de um fio metálico homogêneo,
o seu comprimento, secção e natureza, isto é, quais são os
fatores envolvidos na resistência do fio?
Estas
questões foram resolvidas, separadamente, por Ohm e Pouillet,
antes da descoberta da lei de Joule, por meio da qual pode-se
re-encontrar as leis de resistência.
Lei
de Ohm
... demonstrações pela Lei de Joule e pelo modelo atômico da matéria
Consideremos um condutor AB,
de resistência R, percorrido, no sentido da seta, por uma
corrente de intensidade i.
Suporemos
que a porção de condutor AB é homogênea, o que exclui a
possibilidade de um desprendimento de calor por efeito Peltier;
que é imóvel num campo magnético invariável e por conseguinte não
pode dar lugar à produção de um trabalho mecânico ou de uma força
eletromotriz de indução; e, finalmente, que a passagem da
corrente não produz nela a menor variação de energia química.
Nestas condições, toda a potência elétrica fornecida ao
condutor, pelo gerador, é transformada em energia térmica
conforme a lei de Joule.
Ora,
se U = VA - VB é a diferença
de potencial entre as duas extremidades, a potência fornecida pelo
gerador é U.i; a potência que aparece sob a forma de calor
é R.i2; por conseguinte pode-se escrever: U.i
= R.i2 donde resulta U = R.i.
É
a lei de Ohm, via lei de Joule, cujo enunciado, nesse procedimento,
é o seguinte:
A
queda de potencial U entre dois pontos é igual ao produto R.i,
da resistência interposta pela intensidade de corrente, desde
que a energia só apareça sob a forma de energia térmica.
Todavia,
a lei original foi obtida por Ohm em 1827, quatorze anos antes da
descoberta da lei de Joule, quando então procurava resolver
teoricamente, pela análise matemática, o problema da condução
da energia elétrica nos condutores.
Devemos,
pois, reencontra-la, sem 'apelar' para a lei de Joule. Vamos
mostrar como a teoria atômica, sob sua forma elementar, pode
oferece uma excelente interpretação.
O
modelo atômico nos permite assumir que num metal existem elétrons
livres (que formam uma nuvem eletrônica) que podem se deslocar
através de uma trama formada por átomos neutros e íons positivos
fixos. Longe de um campo elétrico, o movimento dos elétrons
livres é desordenado como o das moléculas de um gás: naquela
temperatura, todos os elétrons se acham animados da mesma velocidade
média u, em todas as direções possíveis.
Mas,
se estabelecermos uma diferença de potencial entre dois pontos de
um fio metálico, origina-se um campo elétrico nos diversos pontos
do interior desse condutor, e os elétrons tenderão, em média, a
se deslocar em sentido inverso ao do campo: por conseguinte
produz-se um transporte 'ordenado' de cargas que constitui a
corrente elétrica.
Consideremos,
como se ilustra abaixo, um condutor cilíndrico homogêneo, de seção
de área a, e seja U = V1 - V2
a diferença de potencial existente entre as duas seções retas
AB e CD cuja distância é L.
Iniciemos
calculando a intensidade i da corrente.
Seja
PQ = s o percurso médio que segue um elétron, entre dois
choques consecutivos, contra os átomos ou os íons positivos do
metal; se u é a velocidade média de agitação térmica
dos elétrons livres, o tempo empregado por um elétron para
efetuar seu livre percurso médio s
é q = s/u
; admitiremos que esse breve intervalo de tempo possui o mesmo
valor para todos os elétrons livres.
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O elétron
P que, no intervalo de tempo q
entre dois choques descreveria a trajetória PQ, na
realidade passa a Q’; o campo lhe comunicou o
deslocamento QQ’, paralelamente à sua direção, no
ponto considerado. |
Entre
dois choques, durante o tempo q,
o elétron de carga e e de massa
m, é solicitado pela força F = e.E,
paralela, mas em sentido oposto ao campo elétrico uniforme E,
a qual lhe comunica uma aceleração constante g
= F/m = (e/m).E.
[Lembramos aqui que: E = U/L = (V1- V2)/L]
Durante
o tempo q
e sob a ação da força F, o elétron também se desloca,
pois, paralelamente ao eixo do condutor, mas em sentido inverso ao
campo, de uma quantidade QQ'= z = (1/2).g.q2
.
O
campo elétrico lhe imprime, assim, paralelamente ao eixo, em
sentido inverso ao campo, uma velocidade média v = z/q
= (1/2).g.q
= (1/2)(e/m).q.E
.
O
campo comunica aos elétrons, portanto, um movimento de conjunto de
velocidade média v segundo o eixo, que se superpõe à sua
agitação desordenada.
Assim,
se o metal contém n elétrons livres por unidade de
volume, animados da mesma velocidade
média v segundo o eixo, o número
de elétrons que atravessam uma secção reta do condutor na
unidade de tempo é N = n.a.v . No sistema CGS essa expressão
ficaria assim:

Disso
resulta que a intensidade da corrente é

que
é a lei de Ohm escrita assim: i = (constante).(V1 -
V2) ou i = (constante).U.
A (constante) que ai aparece é a 'condutância' do condutor
(1/R).
Ademais,
como R = (2m/ne2q).L/a
é o inverso da condutância, então, fazendo 2m/(ne2q)
= r ,
tem-se

que
é a lei de Ohm-Pouillet.
Observe
que sendo 2m/e2 uma constante típica do elétron,
r dependerá de n e q
, sendo n característico da substância e q
um fator dependente da temperatura da substância a qual, por sua
vez, afeta a velocidade média quadrática do elétron.
Verificação
experimental
Pode-se verificar experimentalmente a lei de Ohm. A medida da
intensidade de corrente i se faz por meio de um amperômetro,
a medida da diferença de potencial V1- V2
entre as duas extremidades do condutor se efetua por um método
eletrostático, mediante um eletrômetro especial.
[Nota: Recomendo leituras nos seguintes trabalhos, sobre
eletroscópios e
eletrômetros]
Sejam
i, i', i", ... as intensidades das correntes lançadas
sucessivamente no condutor metálico AB; V1- V2
, V'1- V'2 , V"1-
V"2 , ... as diferenças de
potencial correspondentes; verifica-se que:

donde
uma 'nova' definição da resistência:
A
resistência de um condutor é a relação constante
(independente de U e de i) entre a diferença de potencial nas
duas extremidades desse condutor e a intensidade de corrente que
o atravessa.
...
segue ... Conseqüências da lei de Ohm |