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Conseqüências
da lei de Ohm
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
1.-
Condutibilidade elétrica e fluxo de calor
A lei de Ohm pode ser expressa
de outra forma:

A
intensidade de corrente i que atravessa um condutor homogêneo,
nas extremidades do qual se mantém uma determinada diferença de
potencial U, é tanto maior quanto menor for a resistência R
ou maior o inverso desta. Isso significa que um fio metálico
conduz a corrente tanto mais facilmente quanto
menor for R ou maior 1/R , que define a condutância
do fio; esta se expressa em mhos, quando a resistência é
dada em ohms.
Para um condutor cilíndrico,
pode-se escrever:

onde
l,
inverso da resistividade, é denominado condutividade.
Resulta daí que:

fórmula
inteiramente comparável à que dá a quantidade de calor Q
que atravessa na unidade de tempo uma placa metálica de espessura
uniforme L, de secção a, entre cujas faces se mantém
uma diferença de temperatura qA-qB
com efeito, acha-se que:

sendo
k
o coeficiente de condutibilidade térmica. É interessante lembrar
que os princípios admitidos por Ohm
como base de sua teoria da "propagação da eletricidade"
(1827) apresentavam flagrante analogia com os que Fourier
escolhera como ponto de partida de sua, aliás célebre, teoria da
condutibilidade do calor.
2.-
Nova expressão da lei de Joule
Substituindo i (tirado da lei de Ohm) na expressão da potência
dissipada sob a forma de calor no resistor ôhmico, tem-se:

Por
conseguinte, se reunirmos dois pontos dum circuito por várias
resistências elétricas, as quantidades de calor produzidas em
cada uma delas são inversamente proporcionais às resistências,
— enquanto que, se as resistências estiverem em série e,
portanto, forem atravessadas pela mesma corrente, as quantidades de
calor desprendidas são proporcionais às resistências.
3.-
Condutores eletrolíticos (ou iônicos)
A lei de Ohm aplica-se também aos eletrólitos.
Consideremos
uma solução eletrolítica contida numa cuba em forma de paralelepípedo,
entre dois eletrodos paralelos, cuja largura é a do vaso que os
contém; a passagem da corrente de um eletrodo a outro se faz então
por intermédio de um condutor iônico de seção uniforme. Se o
metal dos eletrodos é o do eletrólito, os eletrodos não se
polarizam, e se mede a sua diferença de potencial, ligando-os a um
eletrômetro. Se, pelo contrário, os eletrodos são quaisquer e se
polarizam, dispõe-se em suas proximidades imediatas duas sondas,
isto é, dois pequenos eletrodos auxiliares de um metal que não
produz ação química ao contacto com o eletrólito e mede-se com
o eletrômetro a diferença de potencial entre os pontos A e B
situados bem junto aos eletrodos.
Acha-se,
assim, que a relação (VA- VB)/i é
independente de i, mas depende: da natureza e da concentração
do eletrólito; da seção de área a e do comprimento L
do condutor eletrolítico. Elementos estes que definem a resistência
da solução.
Pode-se,
pois, escrever, para um condutor eletrolítico como para um
condutor metálico, (VA- VB) = R.i ,
donde (VA- VB).i = R.i2 ou,
ainda, P = R.i2 .
4.-
Mecanismo da passagem da corrente nos eletrólitos e justificação
da lei do Ohm
A teoria dos íons, que permite interpretar a passagem da corrente
elétrica nos eletrólitos, justifica também a lei de Ohm.
Preparemo-nos para essa justificação.
Suponhamos
que se faça passar uma corrente elétrica numa solução de
cloreto de sódio (exemplo), contida num vaso paralelepipédico,
entre dois eletrodos da mesma largura que o recipiente.
Os
íons Na+, cuja carga é positiva, deslocam-se no
sentido do campo elétrico estabelecido entre os eletrodos, os íons
Cl-, carregados negativamente, movem-se em
sentido inverso ao do campo, todavia, os íons de ambos os sinais
ficam animados de um movimento uniforme, com velocidades
proporcionais ao módulo do campo elétrico.
Com
efeito, um íon positivo de carga e é solicitado pela força
F = e.E, devida ao campo elétrico E, que tende a lhe
comunicar um movimento uniformemente variado, é igualmente
submetido, por parte do líquido, a uma resistência viscosa F'
= k.u, dirigida em sentido oposto ao de sua velocidade u
e proporcional a esta. Para um certo valor da velocidade, que deve
ser rapidamente alcançado, as forças F e F' se
equilibram e o íon se desloca com um movimento uniforme. Pode-se,
então, escrever:
e.E
= k.u donde u = (e/k).E
isto
é, a velocidade limite do íon positivo é proporcional à
intensidade do campo elétrico estabelecido. O mesmo acontece
evidentemente para com o íon negativo, de sorte que, se u e
v são as velocidades limites dos íons negativos e
positivos, U e V ditos coeficientes de
proporcionalidade que se designam sob o nome de mobilidades dos
íons, pode-se escrever:
u
= U.E e v =
V.E
Suponhamos
agora que a unidade de volume de solução contenha c moléculas
gramas do eletrólito, isto é, N.c moléculas, sendo N
o número de Avogadro. Seja a
o coeficiente de dissociação
do eletrólito; observe então que, a unidade de volume de solução
encerra a.N.c
íons dos dois sinais.
Se
consideramos, na solução, um plano P
paralelo aos eletrodos e de superfície com área a, os íons
positivos que o atravessam num segundo são os que, no início
desse segundo se achavam compreendidos entre o plano P
e o plano P',
paralelo ao primeiro e à distância u deste.
A
quantidade de carga positiva, carregada pelos cátions, que
atravessa o plano P,
num segundo (ou seja, a intensidade de corrente), e no
sentido do campo, é, pois:
i1
= (aNc).e.u.a
= (aNc).e.(U.E).a
Do
mesmo modo, a quantidade de carga negativa, carregada pelos ânions,
que atravessa o plano P,
num segundo e em sentido oposto ao do campo é:
i2
= (aNc).e.u.a
= (aNc).e.(V.E).a
Como
as correntes i1 e i2, são de
sentidos opostos e transportam cargas de sinais contrários, a
corrente total, no sentido do campo, terá por expressão:
i
= i1 + i2 = (aNc).e.(U
+ V).E.a
Por
conseguinte (lembrando que E = U/L) pode-se escrever:

que
é a lei de Ohm, onde

é
a condutância (1/R) da solução.
A condutividade é l
= aNce(U
+ V), e a condutividade molecular (quociente da
condutividade pela concentração molecular) é m
= aNe(U
+ V). Lembre-se que Ne = 96 490 coulombs (das
leis de Faraday da eletrólise); logo, m
= 96490.a.(U
+ V).
A experiência mostra que a condutibilidade
molecular (m)aumenta
ao mesmo tempo que a diluição e tende para um valor limite,
quando esta aumenta indefinidamente.
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