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Domínios magnéticos
(Ponto Curie)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
A
teoria dos domínios do magnetismo
O relato de William
Gilbert sobre suas primeiras experiências com ímãs naturais,
publicado em 1600, talvez represente o primeiro estudo científico do
magnetismo. Nos anos seguintes, as descobertas feitas por Coulomb,
Oersted e Ampère
aumentaram nosso conhecimento do comportamento dos ímãs e da natureza
das forças magnéticas. Entretanto, os físicos acreditam que somente
durante este último século é que começaram a compreender a verdadeira
natureza do magnetismo. A opinião atual é que as propriedades
magnéticas da matéria são de origem elétrica, resultante, talvez, dos
movimentos dos elétrons dentro dos átomos das substâncias. Como o
elétron é uma partícula eletricamente carregada, esta teoria sugere que
o magnetismo é uma propriedade de uma carga em movimento. Se assim for,
podemos explicar a energia associada às forças magnéticas usando leis
conhecidas da Física.
Dois tipos de movimentos eletrônicos são
importantes neste moderno modelo posto para explicar o magnetismo.
Primeiro um elétron girando em torno
do núcleo de um átomo confere uma propriedade magnética à estrutura
atômica.
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Os elétrons em rotação
conferem proprie-
dades magnéticas ao átomo.
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Quando
os átomos de uma substância são sujeitos à força magnética de um
ímã forte, a força afeta essa propriedade magnética, opondo-se ao
movimento dos elétrons. Os átomos são, assim, repelidos pelo ímã;
isto é diamagnetismo; se o movimento
do elétron em torno do núcleo fosse seu único movimento, todas as
substâncias seriam diamagnéticas. A repulsão diamagnética é bastante
fraca em sua ação sobre a massa total de uma substância, porque os
movimentos térmicos dentro da substância mantêm os ímãs
do átomo agitando-se em direções caóticas, de modo que tendem a
neutralizarem-se mutuamente.
O
Segundo tipo de movimento eletrônico
é o "spin" do elétron em torno do
seu próprio eixo. A propriedade magnética da matéria parece originar-se
basicamente do spin dos elétrons; cada elétron que gira sobre si mesmo
atua como um pequenino imã permanente. Spins opostos são indicados como +
e - spins; os elétrons que giram em direções opostas tendem a
formar pares e, assim, neutralizam seu caráter magnético.
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O magnetismo na matéria
origina-se basicamente do spin dos elétrons.
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O
caráter magnético de um átomo, como um todo, pode ser fraco devido à
interação mútua entre os spins eletrônicos.
As propriedades magnéticas estão associadas a ambos os tipos de
movimentos eletrônicos. Os átomos de algumas substâncias podem possuir
características de ímã permanente devido a um desequilíbrio
entre órbitas e spins. Esses átomos atuam como pequeninos ímãs,
chamados dipolos, e são atraídos por ímãs
fortes. Substâncias nas quais esse efeito excede o diamagnetismo comum a
todos os átomos mostram a propriedade do paramagnetismo.
Nos átomos das substâncias ferromagnéticas existem elétrons
não-emparelhados cujos spins são orientados na mesma direção. O ferro,
o cobalto e o níquel, os elementos de terras raras, gadolínio e
disprósio, algumas ligas desses e de outros elementos e certos óxidos
metálicos, chamados ferritas, exibem fortes
propriedades ferromagnéticas.
Os níveis quânticos eletrônicos internos, ou camadas, das estruturas
atômicas da maioria dos elementos contém apenas elétrons emparelhados.
O nível quântico mais alto, ou camada externa, de cada um dos gases
nobres (exceto o hélio) consiste de um octeto estável de elétrons,
composto de quatro pares eletrônicos, e os átomos de outros elementos
atingem essa configuração estável formando ligações químicas.
Somente em certos elementos de transição, que têm camadas internas
incompletas, é que os elétrons não-emparelhados resultam em
propriedades ferromagnéticas.
A
configuração eletrônica do átomo do ferro, na ilustração abaixo,
mostra quatro elétrons não-emparelhados no terceiro nível quântico
principal. Os spins identicamente orientados desses elétrons explicam seu
forte ferromagnetismo.
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O átomo de ferro tem
fortes propriedades ferromagnéticas.
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Os
domínios magnéticos
Do que se disse acima pareceria que
todo pedaço de ferro deveria comportar-se como ímã. Todavia, os átomos
são agora agrupados em microscópicas regiões magnéticas, chamadas domínios.
Os átomos em cada domínio são magneticamente polarizados, paralelamente
a um eixo de cristal. De ordinário, esses domínios são orientados em
todas as direções possíveis paralelas aos eixos de cristal, de modo que
tendem a cancelar-se mutuamente, e o magnetismo liquido é essencialmente
zero. Na ilustração abaixo, a polaridade de cada domínio em um material
desmagnetizado é representada por uma seta.
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Os domínios de uma
substância ferromagnética desmagnetizada
são polarizados ao longo do eixo do cristal. Os sinais de ponto
e
x representam setas saindo e entrando no monitor,
respectivamente.
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Quando
um material ferromagnético é colocado num campo magnético externo e se
torna imantado, acredita-se que ocorram dois efeitos. Os domínios
favoravelmente orientados no campo magnético podem aumentar de tamanho à
custa dos domínios adjacentes. Outros domínios podem tornar-se mais
favoravelmente orientados com respeito ao campo externo. Se
os limites dos domínios permanecem aumentados até certo ponto, depois
que a força magnetizadora externa foi retirada, diz-se que o material
está "permanentemente" imantado.
A
temperatura Curie
Quando a temperatura de um material
ferromagnético é elevada acima de certo valor crítico, as regiões dos
domínios desaparecem e o material se torna simplesmente paramagnético.
Esta temperatura é conhecida como ponto Curie,
e é normalmente inferior ao ponto de fusão da substância. Os pontos
Curie para certas substâncias ferromagnéticas constam da seguinte
tabela.
PONTOS
CURIE DE ELEMENTOS FERROMAGNÉTICOS
Elemento
Ferro
Cobalto
Níquel
Gadolínio |
Ponto Curie
770oC
1131oC
358oC
16oC |
A
fotomicrografia
Os físicos aperfeiçoaram uma
técnica que lhes permite ver e fotografar os domínios microscópicos num
material ferromagnético, sendo os domínios delineados com partículas
coloidais de óxido de ferro. Uma fotomicrografia típica de domínios
magnéticos aparece na ilustração a seguir, e esta técnica pode ser
usada para indicar o que ocorre dentro de um ímã quando ele é sujeito a
várias manipulações experimentais.
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Foto micrográficas de
domínios magnéticos (Bell Telephone Laboratories).
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Uma
tecnologia de ímãs, baseada num grupo de substâncias ferromagnéticas
conhecidas como ferritas, resulta em ímãs fortes e resistentes, dotados
de propriedades únicas. As ferritas são óxidos de ferro combinados com
óxidos de outros metais como o manganês, o cobalto, o níquel, o cobre e
o magnésio, os quais são pulverizados, moldados na forma desejada sob
pressão e aquecidos a temperaturas elevadas. Como óxidos, as ferritas
têm resistência elétrica muito elevada, propriedade extremamente
importante em algumas aplicações dos materiais ferromagnéticos.
A pedra-ímã original é um material desse tipo, comumente chamado óxido
de ferro magnético; quimicamente, é
uma combinação de óxido de ferro (II), Fe0, e óxido de ferro (III) Fe203.
Julga-se que sua fórmula seja Fe(Fe02)2.
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