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Experimentos com
Indução
(Transformador
desmontável para fins didático)
Prof. Luiz Ferraz Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br
Sobre os transformadores
Normalmente a energia elétrica não é gerada sob a forma e parâmetros
apropriados a uma determinada utilização e, assim sendo, o problema
de alterações nos valores de tensões e correntes apareceu
logo nas primeiras aplicações industriais. Os aparelhos imaginados
para resolver tais problemas são de concepções que datam de mais de
um século.
Tais aparelhos recebem a denominação genérica de transformadores
e são melhores conhecidos sob adjetivos que especificam mais
acuradamente suas funções particulares, tais como: elevadores de
tensão, abaixadores de tensão, de isolamento, casadores de
impedância, de modulação, de acoplamento, de pulso, de saída, etc.
Transformador desmontável típico
Nessa mesma Sala 13 - Eletromagnetismo - há vários temas sobre
transformadores didáticos. Vale uma consulta. Desta feita vamos nos
restringir ao uso de um "transformador desmontável para fins
didáticos". Eis um visual das partes que constituem esse 'kit',
provavelmente já existente em muitas escolas e faculdades:
Para meu
uso particular e demonstrações para alunos interessados utilizo-me
desse 'kit', o qual recomendo como equipamento básico de
eletricidade para todas as escolas. Eis algumas fotos:
Experimentos com o 'kit'
(A) - Modo
para se obter altas intensidades de correntes -
Aplicação: Solda elétrica.
Como primário usamos a bobina de 250 espiras (ou a de 300 espiras) e
como secundário a bobina de tubo de cobre com 5 ou 6 espiras. Se a
tensão aplicada é de Up = 120 VAC, a corrente no
primário ficará ao redor dos 5 A (Ip = 5 A); se
usarmos a bobina de 300 espiras no primário e a de 5 espiras no
secundário teremos (veja cálculos abaixo, à direita):
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Ip/Is
= Ns/Np
Is = Ip.Np/Ns
=
= 5.300/5 =
= 300 A |
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Aplicação: Solda elétrica - O
transformador acima ilustrado é utilizado para demonstrar o
funcionamento de uma solda elétrica. O secundário é uma bobina de 5
espiras feitas com um tubo de cobre de parede espessa e cerca de 1
cm de diâmetro. Quando o secundário é posto em curto circuito a
corrente assume valores de centenas de ampères. Dois pregos (ou
pedaços de arame) são colocados na parte de soldagem e, quando
entram em contato, esquentam até o rubro e, eventualmente, se
fundem. Várias tiras pequenas de metal podem ser colocadas entre os
pontos de solda; quando estes são apertados contra elas, soldam-se
uma às outras. Há um tubo isolante (fibra) separando o núcleo de
ferro das espiras do secundário.
(B)
Anel de Thompson
O anel de Thompson ou vulgarmente
anel saltitante, é essencialmente um transformador de núcleo aberto
no qual a bobina secundária se reduz a uma única espira de fio
grosso. Na prática, o secundário é um anel metálico, normalmente de
alumínio, de paredes grossas.
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Quando a bobina primária
(250 ou 300 espiras de fio de cobre esmaltado para
corrente de 5 a 10 A) está conectada à rede elétrica
(117 VAC), a corrente induzida na bobina secundária
(anel metálico de parede grossa) é muito intensa (faça
os cálculos!) e gera um forte campo magnético em seu
interior.
A lei de Lenz aplicada ao sentido dessa corrente
justifica a concordância das polaridades desses dois
campos (o indutor e o induzido) e a conseqüente força de
repulsão que surge no anel, fazendo-o saltar. Obviamente
no sistema indutor (núcleo e bobina primária) aparece a
reação dessa força de repulsão, comprimindo o sistema
contra a mesa (ou sobre o prato de uma balança de molas,
se o intuito do experimento é constatar o valor médio da
intensidade dessa força, ou a validade da terceira lei
de Newton). |
É muito interessante observar o que
ocorrerá quando o anel de alumínio (material mais utilizado) é
resfriado em nitrogênio líquido. Tal resfriamento aumenta
substancialmente a condutividade do material do anel, a corrente
induzida adquire valores especialmente notáveis e o anel congelado
saltará muito mais alto.
Se a bobina primária é 'energizada' e então abandonarmos o anel no
centro do núcleo de ferro, ele irá levitar. Se tentarmos arrastá-lo
para baixo, até o topo da bobina primária, iremos sentir uma força
repulsiva muito intensa; talvez até consigamos levá-lo até lá ---
mas, prepare-se para soltá-lo rapidamente pois o aquecimento que se
manifestará será um bocado intenso. Não nos esqueçamos da lei de
Joule! A energia desenvolvida sob a forma de calor é proporcional à
resistência elétrica do anel, ao quadrado da intensidade de
corrente nele induzida e do intervalo de tempo que dura a
indução.
Para uma explicação rápida do fenômeno
(para os jovens da 8a série, por exemplo) basta informar que a
bobina primária e o anel secundário comportam-se como duas barras
magnéticas cujos pólos de mesmo nome se defrontam.
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Para que
o anel salte, o campo magnético gerado pela bobina não
pode estar confinado ao núcleo (o que acontece quando o
núcleo está fechado, como na foto ao lado). Ele deve se
'espalhar', de modo que B (vetor indução magnética)
admita um componente vertical (que é responsável pelo
estrangulamento do anel) e um componente
horizontal/radial (que é responsável pela repulsão do
anel para cima). Se substituirmos o anel rígido
por uma espiral toroidal fechada de fio de cobre,
pode-se verificar o estrangulamento do anel toroidal.
Nota: Quando o fluxo está crescendo, o sentido da força
de Lorentz sobre o anel é o de repulsão e, quando está
decrescendo, é o de atração. Este fato e a inércia do
anel deveria impedir qualquer movimento, todavia, o
desequilíbrio ocorre por conta da pequena indutância do
anel, que atrasa um pouco a corrente e faz com que, numa
pequena fração do ciclo, ocorra a concordância entre o
sentido da corrente e o do campo, necessário para
ocorrer a repulsão.
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Obviamente nenhuma das
explicações dadas para o anel saltador aqui apresentadas
no texto acima
é completa; o aluno do ensino médio ainda não tem os
recursos necessários para o entendimento da não
uniformi-dade de campo magnético que se origina no núcleo
e seus efeitos sobre o anel. Se fecharmos o núcleo (como
na ilustração acima) o anel não mais apresentará
qualquer tendência de 'saltar'; o que justifica esse meu
parágrafo sobre a 'não uniformidade do campo'. Com o
núcleo fechado não ocorre considerável espalhamento do
campo para fora do núcleo, o que é indispensável para o
pulo do anel.
Nota:
Estou construindo o anel que não para de saltar, fica
saltando continuamente de um lado para outro do núcleo
aberto. |
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Anel saltador ou
saltitante: há um sistema que liga/desliga a corrente
nos seus devidos tempos. Tudo em fase de construção.
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(C)
Modo de se obter
muito alta intensidade de corrente -
Aplicação: Forno de indução
Para esta experimentação usamos da "calha". Esta consiste de
um aro metálico (cobre ou latão), que comporta uma canaleta (um
rebaixo) no círculo médio, fixado a um punho de madeira. No fundo é
uma chapa circular com um sulco na região central capaz de reter uma
pequena quantidade de água. Montando o sistema como se ilustra e
ligando-se a corrente primária esta água ferve em segundos (2 ou 3
segundos!). Em 5 s toda a água já terá se vaporizado. Colocando-se a
cabeça de um palito de fósforo nesta calha (em substituição à água),
o fósforo arderá em segundos. A calha passa a ser uma espira única e
de resistência desprezível; a corrente induzida alcança a casa dos
mil ampères facilmente.
(D)
Modo de se obter alta
tensão - Aplicação: Chifre elétrico
O transformador elevador de tensão apresenta como primário uma
bobina de 150 ou 300 espiras e como secundário uma bobina de 12 000
ou 24 000 espiras. A razão de transformação é a mesma nos dois
casos:
Up/Us = Np/Ns
, então, 110V~/Us = 150/12000 ==> Us
= 8 800 V~
Up/Us = Np/Ns
, então, 110V~/Us = 300/24000 ==> Us
= 8 800 V~
Nos
terminais da bobina secundário, onde teremos disponível a alta
tensão alternada, ligam-se duas varetas metálicas, dispostas na
vertical, em forma de V, lembrando um par de chifres. Eis as
ilustrações:
Os
detalhes do funcionamento e as causas da subida da faísca nos
chifres podem ser vistos, em detalhes, no trabalho:
www.feiradeciencias.com.br/sala14/14_04.asp , que trata
especificamente do "chifre elétrico".
(E)
Circuito L-C
- Variação da Impedância indutiva
(F)
Linha de transmissão -
Vantagens da alta tensão
(H)
Verificar a relação entre número de espiras
- Es = (ns/np).Ep
Material
Núcleo em
U com armadura e dispositivo de aperto,
Bobina com 500 espiras (np),
Fio longo com pinos banana,
Multiteste ou voltômetro AC (0__10 V ou 0__3 V),
Interruptor.
Montagem
Procedimento
Após
efetuada a montagem como ilustrada acima, a chave interruptora é
aciona. Os alunos/expectadores poderão observar, pela leitura no
voltômetro, que no laço feito com o condutor que envolve o núcleo
foi gerada uma tensão induzida (cerca de 0,2 V --- na figura a chave
seletora do medidor está em 'X2'; a tensão aparece multiplicada por
2).
A seguir,
o condutor é enrolado duas voltas ao redor do núcleo e nova medida é
feita; a tensão induzida dobrou. Em continuação, o apresentador dá 3
voltas do fio ao redor do núcleo, como ilustrado abaixo. E assim em
diante, até que o comprimento do condutor permita.
Claramente a proporcionalidade entre a tensão induzida e o número de
espiras é observada.
A
expressão ideal (transformador ideal --- sem perda de fluxo
magnético) Es = (ns/np).Ep
pode ser facilmente constatada:
1
volta ==> Es =(1/500).110 = 0,22 V
2 voltas ==> Es =(2/500).110 = 0,44 V
3 voltas ==> Es =(3/500).110 = 0,66 V
(I)
A corrente no primário depende da carga no
secundário
Uma lâmpada de 117V/40W colocada em série com o primário (250
ou 300 espiras) acende com fraco brilho quando o secundário (que
contém uma lâmpada de automóvel de 12V/70W) está aberto. Ao se
fechar o circuito secundário, a lâmpada de 12V brilha e a lâmpada da
110V/40W brilha mais intensamente, acusando um aumento da
intensidade de corrente no primário.
(J)
Sistema Edson de distribuição (três fios)
A bobina secundária de 300 espiras dotada de ´center tap´
(derivação central) dá margem a uma excelente apresentação didática
do Sistema Edson de Distribuição de energia elétrica. É o conhecido
Sistema de Três Fios ainda bastante usado nos campos, fazendas,
etc., para distribuição monofásica e bifásica.
Adaptada a devida tensão elétrica no primário do transformador (na
ilustração abaixo, 13,8kV proveniente da rede elétrica), no
secundário teremos: entre o centro da bobina e cada extremo uma
tensão de 110 VAC e entre os dois terminais extremos (enrolamento
total) uma tensão de 220 VAC.
Em
relação ao center tap da bobina secundária, os potenciais elétricos
dos dois extremos estão defasados de 180º.
(K)
Motor com espira de sombra
1- Resumo teórico
Uma das maneiras mais simples de produzir um campo magnético que
desloca sua posição de uma região de um pólo para outra é usar o
recurso ilustrado a seguir.
Em cada um dos pólos do estator produz-se um
entalhe, efetuado a cerca de um terço de distância da borda das
lâminas do núcleo. Ao redor da menor das duas seções
retangulares limitadas pelo entalhe é colocado uma bobina, de
uma só espira de grosso fio (ou lâmina) de cobre, em
curto-circuito. É a denominada espira de sombra; a região
do pólo de ferro laminado que contém tal espira é denominado
pólo sombreado. A porção livre deste pólo é a parte
não-sombreada. A bobina de excitação, não mostrada na ilustração
acima, abraça o pólo inteiro (não-sombreada + sombreada).
Quando o enrolamento excitador é conectado a
uma fonte de corrente alternada, a linha central magnética é
deslocada da parte não-sombreada para a parte sombreada. Este
deslocamento do eixo magnético é, em efeito, equivalente a mover
o pólo fisicamente; o resultado é que o rotor em
gaiola-de-esquilo é solicitado a girar em sentido da parte
não-sombreada para a parte sombreada. Para bem entender o
processo considere a ilustração a seguir:
2- Formação do campo girante
Vamos assumir, de início, que a
corrente de excitação siga uma onda senoidal e em tal sentido que no
pólo em destaque tenhamos um Pólo Norte (N). A discussão será
dividida em três partes, conforme a intensidade de corrente muda de
0 para a, depois de a para b e a seguir
de b para 0.
Parte (1) - A intensidade de corrente sobe
muito rapidamente ao longo da curva senoidal, de 0 para a;
sob esta circunstância uma tensão será induzida na espira de sombra
desenvolvendo uma alta intensidade de corrente na espira de baixa
resistência. Esta corrente ocorrerá em um sentido que tenderá
opor-se à rápida variação do fluxo que a originou (Lei de Lenz).
Devido a isto o fluxo do campo é, em sua maior parte, deslocado para
a parte não-sombreada; a linha central magnética ficará ao longo da
seta, perto do centro da parte não-sombreada (A).
Parte (2) - A intensidade de corrente
varia muito pouco no trecho de a para b percorrendo o
topo da curva senoidal; sob tal condição, praticamente nenhuma
tensão será induzida na espira curto-circuitante, nenhuma corrente,
consequentemente, circulará pela bobina de sombra. O fluxo originado
pela bobina de excitação terá seu valor máximo e estará
uniformemente distribuído sobre a face total do pólo; a linha
central magnética desloca-se, então, para o centro do pólo, como
indicado pela seta (B).
Parte (3) - A intensidade de corrente
diminui rapidamente de b para 0 ao longo da curva
senoidal; sob esta circunstância uma tensão será induzida na espira
sombra que produzirá uma alta corrente, devido sua baixa
resistência. Tal corrente terá um sentido que tentará impedir que o
fluxo diminua (Lei de Lenz), isto é, originará um forte Pólo Norte
na parte sombreada do pólo. A linha magnética se deslocará do centro
para a parte sombreada do pólo, como se indica pela seta (C).
Conclusão - A
linha central magnética se deslocará de A a B a C,
da parte não-sombreada à parte sombreada do pólo. Este deslocamento,
na realidade, ocorre gradualmente, não em etapas, de um lado para
outro e, como a metade negativa da onda senoidal será a seguir
aplicada na bobina excitadora do pólo, um Pólo Sul se arrastará
longitudinalmente. O efeito geral é como se os pólos girassem
através do espaço, da esquerda para a direita, propiciando o devido
torque para o rotor de gaiola.
Os motores simples, que funcionam deste modo, não
podem inverter o sentido de rotação do rotor. Os motores
especialmente projetados na técnica dos pólos sombreados, podem
inverter o sentido de rotação, mas são demasiado complicados para o
uso geral.
3- Parte experimental
Num pequeno núcleo de (4 x 4 x 5) cm foi efetuado um
entalhe de 2 cm de profundidade e 3 mm de abertura; neste contorno
foi curto-circuitado (soldada com ferro de 100 W) uma espira de fio
de cobre de 2,5 mm de diâmetro.
Um
rotor de gaiola, retirado de um velho motor de toca-discos, disposto
horizontalmente sobre o pólo assim preparado gira velozmente ao ser
ligada a alimentação de 127 Vac na bobina excitadora de 250 espiras.
Uma lata de refrigerante com eixo longitudinal disposta sobre tal
pólo também gira a mais de 2000 rpm.
Outra aplicação experimental interessante pode ser vista na Sala 22,
motor 15; clique no link a seguir:
www.feiradeciencias.com.br/sala22/motor15.asp .
(L)
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... segue
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