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Geradores de Energia
Elétrica
(Conceitos
básicos)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Geradores
Mecânicos de Energia Elétrica
Todo dispositivo cuja finalidade é produzir energia elétrica à custa
de energia mecânica constitui uma máquina geradora de energia
elétrica (diz-se também, impropriamente, máquina geradora de
eletricidade --- eletricidade não é uma
grandeza física, é um ramo da Física).
O funcionamento dessas máquinas se baseia ou em
fenômenos eletrostáticos (como no caso
do gerador Van de Graaff), ou na indução
eletromagnética (como no caso do
disco
de Faraday). Nas aplicações industriais a energia elétrica
provém quase exclusivamente de geradores mecânicos cujo princípio é
o fenômeno da indução eletromagnética (e dos quais o disco de
Faraday é um simples precursor); os geradores mecânicos de corrente
alternante são também denominados alternadores;
os geradores mecânicos de corrente contínua são também denominados
dínamos. Vale, desde já, notar que:
"dínamo" de bicicleta não é dínamo e sim 'alternador'.
Numa máquina elétrica (seja gerador ou
motor), distinguem-se essencialmente duas partes, a saber: o
estator, conjunto de órgãos ligados
rigidamente à carcaça e o rotor,
sistema rígido que gira em torno de um eixo apoiado em mancais fixos
na carcaça. Sob ponto dê vista funcional distinguem-se o
indutor, que produz o campo magnético,
e o induzido que engendra a corrente
induzida.
No dínamo o rotor é o induzido e o estator é o indutor; nos
alternador dá-se geralmente o contrario.
A corrente induzida produz campo
magnético que, em acordo com a Lei de Lenz, exerce forças contrárias
à rotação do rotor; por isso em dínamos e alternadores, o rotor
precisa ser acionado mecanicamente. O mesmo concluímos do Princípio
de Conservação da Energia: a energia elétrica extraída da máquina,
acrescida de eventuais perdas, é compensada por suprimento de
energia mecânica.
Princípio de
Funcionamento dos Alternadores
Para esclarecer o principio de funcionamento dos alternadores,
descrevamos inicialmente o mais simples deles (usado em faroletes de
acionamento manual e de bicicleta, e em ignição de motores de explosão
para motonetas). Acompanhemos pela ilustração:
Diante de uma bobina fixa B
(induzido) põe-se a girar um ímã SN (indutor), como ilustrado
acima. O ímã mantém um campo do qual o fluxo concatenado com a
bobina varia periodicamente, com a mesma freqüência de revolução do
ímã. Se a rotação do ímã for lenta, um galvanômetro sensível G
indica aproximadamente a corrente instantânea no decurso do tempo;
se a rotação for rápida, é necessário um osciloscópio.
Na ilustração abaixo representamos fases consecutivas do fenômeno.
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Convenção:
Corrente
positiva, vetor unitário,
fluxo positivo. |
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Nessa seqüência de ilustrações acima
apresentamos as fases mais representativas no funcionamento de um
alternador. É a variação de fluxo que induz corrente. O fluxo varia
enquanto aumenta ou diminui. Quando o fluxo é máximo, ele não varia;
a FEM induzida é nula; a
corrente é nula e muda de sentido. O campo magnético produzido pela
corrente induzida exerce no ímã forças contrarias à sua rotação.
A FEM
induzida não é senoidal mas segue, grosso modo, o gráfico posto
acima, onde ilustramos no mesmo par de eixos, o fluxo de indução e a
corrente induzida em um alternador, em um período (T).
Enquanto o fluxo de indução diminui, a corrente é positiva; quando o
fluxo aumenta, a corrente é negativa, segundo a convenção
apresentada. Fluxo máximo ou mínimo corresponde a corrente induzida
nula. O fluxo de indução varia mais acentuadamente quando próximo de
ZERO; então a corrente tem intensidade máxima (com sinal + ou -).
Mais perfeito é o sistema que
examinaremos em seguida. Consideremos um a espira plana de forma
qualquer, abrangendo uma área A; seja
l
uma reta no plano desta espira. Introduzamos a espira em um campo de
indução B uniforme, dispondo a reta
l
perpendicularmente ao campo B. Façamos a espira girar em
torno da reta l
como eixo, com velocidade angular
w
constante. Determinemos a força eletromotriz induzida na espira
girante.
Adotemos como origem dos tempos um dos
instantes em que a normal n à espira forma com o campo de
indução B ângulo igual a um reto, passando de agudo para
obtuso.
Com a notação da ilustração acima, o fluxo de indução na espira em
qualquer instante é dado por:
f =
B.A.cos(w.t
+ p/2)
= - B.A.sen w.t
Sendo E = - df/dt,
vem: E =
w.B.A.cos
w.t
Se a espira for substituída por uma
bobina de N espiras, a força eletromotriz induzida é:
E = N.w.B.A.cos
w.t
Como vemos, esta força eletromotriz
induzida obedece a uma lei harmônica cuja amplitude é:
Emáx.=
N.w.B.A
Em função do tempo, a força eletromotriz
induzida tem a representação cartesiana dada na ilustração acima
(figura da direita). A mudança de sinal da força eletromotriz
significa fisicamente que ela muda de polaridade, impulsionando uma
corrente elétrica ora em um sentido, ora em sentido oposto.
Uma força eletromotriz que muda de
polaridade periodicamente é designada como
força eletromotriz alternante; no caso presente, trata-se de
uma força eletromotriz alternante harmônica.
A força eletromotriz que impele a
corrente em nossas instalações elétricas domiciliares é do tipo
alternante harmônica; em São Paulo, a força eletromotriz eficaz é
igual a 117 volts (oportunamente daremos detalhes disso). Um exemplo
numérico virá bem a calhar.
Exemplo:
Uma leve moldura de fibra, retangular, de área A = 0,0100 m2
funciona como carretel onde se enrolam N = 42 espiras de fio de
cobre esmaltado. Esse quadro é posto a girar com freqüência f = 60
Hz (r.p.s.) em um campo de indução uniforme de intensidade B = 1,00
Wb/m2 ( o mesmo que, B = 1,00 tesla = 1,00 T). Reporte-se à
ilustração acima.
Determinar a lei de variação da força
eletromotriz induzida, em função do tempo.
Solução:
A velocidade angular do quadro
é: w
= 2.p.f
= 377 rd.s-1, aproximadamente.
Aplicando a equação E = N.w.B.A.cos
w.t
resulta: E =
158.cos377.t sendo
E em volts e t em segundos, tendo-se, portanto, Emáx= 158
V.
O valor nominal desta tensão, ou seja, o valor rms (Urms)
é igual ao valor máximo dividido por raiz quadrada de 2, ou, Urms=
0,7.Emáx.= 110,6 V.
Os aparelhos eletrodomésticos
construídos para funcionarem sob tensão alternante rms de 117 V, 60 Hz,
devem ser submetidos a uma tensão que obedece, aproximadamente, a
lei supra.
Para intensificar o fenômeno, as espiras
do rotor são dispostas sobre um núcleo de ferro, cujo efeito
consiste em elevar o fluxo de
indução concatenado com o quadro.
Os terminais do quadro são soldados a
“anéis coletores” ; estes anéis são metálicos, presos rigidamente ao
eixo mas eletricamente isolados do mesmo; em cada anel apóia-se uma
“escova”, corpo sólido e condutor (geralmente de grafite),
comprimido elasticamente contra o anel, de modo a garantir bom
contato elétrico do mesmo; as escovas estão presas a um suporte
isolante; a elas liga-se a parte externa do circuito.
Aqui ilustramos as bases de um
alternadores de pequeno porte. O estator é constituído por um ímã
permanente e opera como indutor. O sistema é conhecido como
‘magneto', e é (foi) usado para campainha de telefone, ou para ignição em
pequenos motores de explosão (motocicletas). O estator poderia ser
um eletroímã (foto acima, direita: anel de Gramme) abastecido com
corrente contínua de uma fonte adequada.
Abaixo temos a foto de um alternador
elementar/didático onde o rotor é um ímã permanente (cuja rotação
gera a variação de fluxo) e o estator é uma bobina (300 espiras de
fio esmaltado #28 a #30) dotada de núcleo de ferro em U. A rotação
do ímã permanente é conseguida mediante um barbante que deve ser
enrolado no eixo (entre as pernas do U de cobre, mancal do eixo) e a
seguir puxado. A pequena lâmpada de lanterna de 1,5 V vista nessa
foto poderá ser substituída por vários LEDs
(diodos emissores de luz).
Nos alternador de grande porte, o
estator é induzido (onde se recolhe a corrente alternante) e o rotor
é indutor (geralmente são eletroímãs alimentados por corrente
contínua, por meio de anéis coletores).
Sistema AC -
Gerador/Motor
Princípio
de funcionamento dos dínamos
Nos geradores tipo
alternadores (como os ilustrados acima) um artifício simples permite
retificar a corrente, ou seja, fazer com que fluam sempre num mesmo
sentido. Substituamos o par de anéis coletores por um comutador
(veja ilustração abaixo); é um anel coletor dividido em dois
segmentos simétricos e nos quais se apóiam escovas em posições
diametralmente opostas. As escovas são pequenos blocos de grafite e
estacionários, comprimidos elasticamente contra o comutador; este é
solidário com o rotor e pode ser concebido como tubo de cobre
secionado longitudinalmente.
Nos instantes em que o fluxo de indução no rotor é máximo ou mínimo
a corrente induzida é nula; nos mesmos instantes invertem-se as
conexões das escovas com os segmentos do comutador pois são
permutados os segmentos em contato com as escovas; portanto são
invariáveis a polaridade das escovas e o sentido da corrente no
circuito externo (abaixo, em -b-, a corrente retificada). Tal
corrente externa, cuja intensidade varia periodicamente mas cujo sentido se
conserva, é denominada corrente pulsante. Vista pelo 'dínamo'
a corrente é sempre alternante; vista pelo 'circuito exterior' a
corrente é sempre pulsante.
Dispondo sobre o mesmo núcleo diversos
quadros iguais, distribuídos simetricamente em torno do eixo e
associados todos em série, e dotando o comutador de outros tantos
pares de segmentos, obtém-se no circuito externo uma corrente
pulsante praticamente contínua.
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