|
Interações Magnéticas
(Parte 3- Campo magnético de ímãs)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
3 -
Campo magnético de ímãs
Campo magnético caracteriza-se pela força que ele exerce
em partícula eletrizada em movimento; em particular,
sobre corrente elétrica. Campo
magnético pode ser gerado
por corrente elétrica, ou por campo elétrico variável
com o tempo.
Ímã ou
magneto é corpo que, sem corrente elétrica
ostensiva (corrente livre ou verdadeira, em bobina ou
enrolamento) gera campo magnético. Possuindo esta
propriedade, o corpo é dito imantado ou
magnetizado; ou então, que ele possui magnetismo.
Chama-se Magnetismo,
também, a parte da
Física que estuda o campo magnético no vácuo e na
matéria, seus efeitos sobre a matéria, sobre a carga
elétrica em movimento e sobre a corrente elétrica; e os
ímãs em particular. Há mais de um milênio já se usava do
ímã como bússola.
3.1
- Corrente elétrica gera campo magnético
Há séculos, acreditava-se que o magnetismo fosse
fenômeno análogo à eletricidade, mas independente desta.
Em 1820, Oersted, descobriu um fato que desmente esta
presunção: corrente elétrica gera
campo magnético. Logo, magnetismo é manifestação
de cargas elétricas em movimento.
Em ímã não há corrente elétrica livre (ou verdadeira),
mas existem correntes elétricas “intrínsecas” (correntes
ligadas, ou de magnetização) associadas à própria
estrutura da matéria. Ímãs possantes são constituídos
essencialmente por ferro ou por ligas tais como “alnico”
e “permalloy”; são materiais ditos ferromagnéticos.
Fracamente ferromagnéticos são o cobalto, o níquel e o
gadolínio.
3.2
- Ímã permanente e ímã temporário
A descrição supra
caracteriza ímã permanente.
Corpo ferromagnético não previamente magnetizado
imanta-se quando submetido a um campo magnético.
Suprimindo-se o campo magnetizante, ou retirando-se
o corpo do campo, podem ocorrer dois casos:
a) a
magnetização persiste: o corpo tornou-se ímã
permanente;
b) a magnetização se extingue: o corpo só manifesta
imantação enquanto submetido ao campo,
é pois ímã temporário.
No eletroímã, a corrente no
enrolamento gera um campo magnético que imanta o núcleo;
interrompida a corrente, o núcleo se desimanta.
3.3
— Pólos Norte e Sul de um ímã
Ímãs permanentes e eletroímãs, podem ser construídos em
formas variadas. Mais simples e comuns são ímãs retos
(prismáticos ou cilíndricos) e ímãs em U
(ferradura). Em geral, constatam-se em um ímã duas
regiões nas quais ele manifesta mais intensamente seu
magnetismo: são os pólos
Norte e Sul. Quando apoiado ou suspenso de modo a poder
orientar-se livremente no espaço, junto à superfície da
Terra, o ímã tende a voltar um de seus
pólos, então chamado
pólo norte, para o Norte
local; o outro é o pólo sul
do ímã. Um ímã jamais possui um pólo só (não existe ímã
monopólo!), mas pode exibir mais de dois pólos.
Avizinhando-se um ímã a outro, observa-se que dois pólos
se repelem quando têm nomes iguais (N e N,
ou S e S), e se atraem quando tem nomes
apostos (N e S).
3.4
— Aplicações de ímãs
São importantes e variadas. Citemos:
Bússola magnética
Galvanômetro
Microfone
Gravador magnético
Fones de ouvido
Alto-falantes
Freio magnético
Pequenos motores |
|
Pequenos alternadores
Medidores elétricos
Amortecimento de oscilações
Vídeo de TV
Garrafa magnética
(fusão nuclear)
Bomba magnética (plasma)
Cícloton |
3.5
— Bússola magnética
A agulha magnética é ímã permanente tendo um
pólo N e um pólo S. É apoiada em ponta de
pivô, ou em flutuador. Quando submetida a um campo
magnético de indução
B, a agulha alinha seu eixo
S-N com o campo: SN |x|x
B.
|

Agulha magnética em campo de indução B |
Nos pólos N e S da agulha o campo B
exerce forças opostas (FN
|x|x B e FS
|x|x B). Estas
forças formam um binário ou conjugado C
(torque). O conjugado equilibrante C'
pode ser exercido de diversos modos (atrito,
fio de torção etc.). Na ausência de
conjugado equilibrante C', a agulha
executa oscilações amortecidas, vindo a
estacionar em posição alinhada com o campo:
SN |x|x B. |
Comumente corpos de ferro
(pregos, fragmentos de limalha) não são magnetizados
(você não compra 'prego magnético de 15 x 15'!).
Todavia, um corpo de ferro não magnetizado, quando
imerso em um campo magnético B, passa a
magnetizar-se, então exibindo pólos magnéticos N e S;
ele se torna ímã
temporário. Se tiver liberdade suficiente para girar,
ele se alinha com o campo (SN |x|x
B.), assim comportando-se como bússola.
3.6
— Espectro magnético de ímã
Campo magnético estacionário é gerado por ímã
permanente ou por corrente elétrica contínua (veja parte
4). Seja um ímã permanente repousando em uma mesa. Sobre
o ímã coloquemos uma folha de cartolina em posição
horizontal. Sobre a cartolina espalhemos limalha de
ferro em fina camada. A limalha pode estar contida em um
pequeno frasco, com peneira na boca larga; isso facilita
sua distribuição aproximadamente uniforme.
Feito o experimento (e isso é altamente recomendado!),
convém recolher cuidadosamente a limalha para limpeza do
equipamento e para uso futuro. O campo magnético do ímã
magnetiza cada partícula de limalha, que então se
comporta como minúscula bússola magnética. Sua tendência
é orientar-se segundo
o campo no local onde ela se situa (nessa minúscula
região onde o campo pode se assumido como uniforme, ele
tem ação diretriz, não motriz --- ele faz girar, mas não
transladar!).
Ligeiros golpes desferidos na cartolina abalam os
fragmentos de limalha libertando-os transitoriamente do
atrito com a cartolina. Coletivamente, eles formam uma
figura chamada “espectro magnético”
do campo; ele visualiza as linhas de força do campo. A
grosso modo, a limalha desenha as linhas de campo na
superfície de apoio. O espectro magnético pode ser
visualizado, também, mediante uma dúzia de minúsculas
bússolas (diâmetro da ordem de um centímetro), dispostas
ao redor do ímã.
 |
No espaço externo ao ímã, as linhas de força
do campo de indução se estende da região
polar norte para a região polar sul. Dentro
do ímã, pode-se verificar que as linhas de
indução se
estendem de sul para norte. |
As linhas do campo B
são sempre fechadas: campo de indução não tem fontes nem
sorvedouros. Também nisto o campo de indução se
distingue do campo eletrostática E : este surge
em carga elétrica positiva (fonte do campo) e termina em
carga negativa (sorvedouro do campo), sendo nulo no
interior de condutor em equilíbrio elétrico. Em geral,
esta propriedade de B não se verifica no campo de
excitação H, este assunto é esmiuçado em
livro-texto.
Segue
Parte 4 - Campo magnético de corrente elétrica
|