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Eletroímãs e Relés
(Parte 1)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Eletroímãs
Os eletroímãs, através do campo magnético que produzem,
aplicam uma força magnética em peças adequadas, as
quais, por sua vez, podem ser utilizadas para elevar uma
carga, acionar um relé, afrouxar um freio sob pressão
por molas, sustentar um peça de trabalho etc. Para
tanto, os eletroímãs apresentam diferentes formas
construtivas, conforme se ilustra:
Em (a) temos o eletroímã de
núcleo, utilizado para afrouxar freios, para vibradores,
contactores etc.; em (b) aquele de alavanca móvel,
utilizado em contactores e relés; em (c) aquele de
armadura tipo pistão, utilizado em freios, acionamento
de engrenagens etc.; em (d) o tipo com núcleo em E
e, em (e) o tipo de bobina anular usados nas embreagens,
por exemplo.
A parte móvel de um
eletroímã se chama armadura.
A atração que o núcleo do eletroímã aplica sobre a
armadura é tanto mais intensa quanto mais intenso for o
fluxo magnético. Assim, para um dado eletroímã (ou seja,
fixado o número de espiras do enrolamento), a
intensidade da força atrativa (chamada
força portante) sobre a
armadura será tanto maior quanto mais intensa seja a
corrente elétrica e quanto menor for a distância que
separa a armadura do núcleo. Essa
distância entre a armadura e o núcleo (há várias
situações) é o 'entreferro'.
Na maioria dos modelos de eletroímãs a força portante
cresce ao diminuir o entreferro, conforme ilustramos
abaixo, à esquerda.

Intensidade da
força
em função do entreferro |

Intensidade da excitação de um
eletroímã durante a atração |
Os eletroímãs podem
funcionar com corrente contínua ou com corrente
alternada, desde que a construção de seus núcleos sejam
adequadas. Quando a armadura está 'colada' ao núcleo,
depois de conectada a corrente alternada, esta cresce,
paulatinamente, até seu valor final e estabiliza; quando
a armadura é móvel, varia também o fluxo magnético pois
o entreferro está variando. Devido a isso, aparece uma
tensão induzida na bobina (veremos mais detalhes sobre
isso, mais adiante) e uma conseqüente variação da
intensidade de corrente durante o movimento da armadura,
como ilustrado acima, à direita. A intensidade da força
portante (força de atração entre núcleo e armadura)
também pode variar lentamente durante a atração.
Os
eletroímãs de corrente contínua podem ser
acionados facilmente e atraem com certa suavidade suas
armaduras. Podem ser ligados e desligados milhares de
vezes uma vez que se aquecem menos funcionando de forma
intermitente do que continuamente. Ao ser desligado, um
eletroímã de corrente contínua produz uma elevação de
tensão devido ao colapso do campo magnético, que pode
produzir um arco voltaico entre os terminais do
interruptor. A causa disso, como sabemos, é a
auto-indução.
Os
eletroímãs de corrente contínua são fáceis de conectar
porém difíceis de desconectar.
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Extinção da faísca nos eletroímãs de
corrente contínua |
Os eletroímãs de corrente
contínua têm a vantagem, em relação aos de corrente
alternada, de trabalhar silenciosamente. Por isso, eles
têm preferência de uso nos hospitais, hotéis,
alojamentos de idosos, por exemplo, como elementos
acionadores de interruptores à distância (contactores).
Quando queremos desconectar
uma eletroímã acionado por corrente contínua, sem que
apareçam centelhas (faíscas) entre seus terminais (ou do
interruptor que o aciona), devemos ligar em paralelo com
o enrolamento do eletroímã, uma associação série RC
ou um diodo semi-condutor, como ilustramos acima.
Em lugar da associação RC ou do diodo semi-condutor
pode-se usar de varístores.
Ao abrir o interruptor, a associação RC deixa circular
uma corrente em curto intervalo de tempo, a qual
decresce paulatinamente, de maneira a evitar uma alta
tensão induzida na bobina. O diodo, do mesmo modo, deixa
passar a corrente gerada por auto-indução e, assim,
recebe a denominação de 'diodo supressor'.
Nos pequenos eletroímãs de corrente contínua (por
exemplo naqueles utilizados em relés automotivos)
usam-se diodos supressores ou associações RC; nos
grandes aparelhos (por exemplo naqueles utilizados em
acoplamentos magnéticos) são empregados exclusivamente
diodos semi-condutores.
Os eletroímãs de corrente
alternada têm um núcleo e uma armadura constituídos de
chapas ferromagnéticas (ferro-silício) isoladas uma das
outras. A impedância do enrolamento (reatância indutiva)
é substancialmente maior que a sua resistência à
corrente contínua (resistência ôhmica). Por isso, a
bobina dos eletroímãs de corrente alternada têm menos
espiras e fio mais grosso que aquela dos eletroímãs de
corrente contínua de força portante equivalente. A
corrente de conexão dos eletroímãs de corrente alternada
pode ser muito intensa (ilustração abaixo),
principalmente se o valor instantâneo da tensão,
precisamente no instante de "ligar", for ZERO!
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Intensidade de conexão nos eletroímãs
de corrente alternada. |

Vibrador eletromagnético |
Devido a atração da
armadura, aumenta a impedância e diminui a intensidade
da corrente. A força portante máxima aparece, portanto,
no instante de "ligar"; a atração é brusca. O arco
voltaico que se produz ao se "desligar" é menos perigoso
que nos eletroímãs de corrente contínua, uma vez que
desaparece ao se anular a corrente. Os picos de
tensão que por ventura apareçam, apesar do dito acima,
podem ser sanados com uma associação série RC
ligada aos terminais da bobina (em 220 VAC são típicos
os valores: R = 220 ohms e C = 0,5
mF).
Os
eletroímãs de corrente alternada se aquecem mais que os
de corrente contínua.
Os vibradores
eletromagnéticos (ilustração acima, à direita) são
eletroímãs de corrente alternada com armadura oscilante.
Com eles podemos produzir oscilações mecânicas. São
usados em instalações de transporte e seleção, máquinas
de compactar, bombas de membrana etc.
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