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Noções básicas sobre transformadores Prof.
Luiz Ferraz Netto [Léo]
Um transformador consiste em um núcleo fechado sobre si mesmo, formado por lâminas de ferro doce (para diminuir as perdas devidas às correntes de Foucault), no qual há um enrolamento primário (A) e outro secundário (B), conforme se ilustra.
Porém, R1 é sempre pequeno e podemos considerar R1 = 0, obtendo-se então U1 + E = 0 , ou seja, Uo.senw.t = n1.dF/dt ou ainda dF/dt = (Uo/n1).senw.t Por integração se obtém: F = - (Uo/w.n1).cosw.t = (Uo/w.n1).sen(w.t - p/2) O fluxo magnético no núcleo de ferro apresenta, portanto, a mesma forma senoidal que a tensão primária U1, porém tem sua fase atrasada de p/2 com relação a tensão. A relação acima, entre o fluxo F e a tensão primária U1 existe sempre no enrolamento primário, inclusive quando existir corrente no enrolamento secundário, já que é uma conseqüência necessária da relação sempre válida U1 + E = 0. Consideremos
agora a corrente de imantação im que produz o
fluxo F.
Posto que F
= n1.im/Rm , resulta que im
fica fixada a todo momento pelo valor de F.
Porém, a relutância Rm depende da resistividade
magnética h
ou da permeabilidade magnética m
= 1/h
do núcleo de ferro, que está submetido a uma imantação cíclica
permanentemente. O fluxo F atravessa todo o núcleo de ferro e, portanto, passa também através das n2 espiras do enrolamento secundário; recorde que iniciamos a discussão considerando um circuito aberto no secundário. O fluxo F, variável com o tempo, induz nesse enrolamento secundário uma força eletromotriz E2 = - n2.dF/dt e, portanto, dF/dt = E2/(-n2) que levada à expressão Uo.senw.t = n1.dF/dt fornecerá: Uo.senw.t = n1.E2/(-n2) ou, E2 = - (n2/n1).Uo.senw.t = - (n2/n1).U1 = (n2/n1).Uo sen(wt - p) Assim, a força eletromotriz induzida no enrolamento secundário (E2), que tratando-se de um enrolamento aberto corresponde integralmente à tensão que aparece entre seus terminais (U2), é superior ou inferior à tensão primária U1 na relação n2/n1 (relação de transformação), e tem um desenvolvimento puramente senoidal; sua fase apresenta um atraso igual a p com respeito à tensão primária. Quando
o enrolamento secundário estiver sendo atravessado por corrente i2
(pense inicialmente numa carga puramente resistiva), está
produzirá um fluxo adicional F2
no núcleo de ferro, que atravessa também o enrolamento primário;
com isso, resultará perturbada a condição de equilíbrio no
enrolamento primário, expressa pela equação U1
+ E
= 0. Porém, este se restabelece instantaneamente, porque além da
corrente de imantação im , se origina uma
corrente adicional i1 às custas do gerador que
alimenta o enrolamento primário, cuja intensidade é justamente a
necessária para a produção do fluxo F1
que anula exatamente o fluxo F2
de i2. Com carga, a corrente no primário aumenta! O fluxo F2 vale F2 = n2.i2/Rm e sendo F1 = n1.i1/Rm , pelo fato de ser F1 + F2 = 0 ,podemos por n1i1 = - n2i2, ou seja: i1 = - (n2/n1).i2. Num
dado instante, a potência da corrente secundária vale P2
= E2.i2
= - (n2/n1).U1.i2 . A
potência da corrente i1 (uma parte da corrente
primária, pois ainda há a parcela im) é P1
= U1.i1 = - (n2/n1).U1.i2.
Tem-se, pois, P1 = P2 . Outras causas de perda de energia são: as ligeiras dispersões de linhas magnéticas para o ar, nos ângulos do núcleo, onde umas poucas linhas de campo dos fluxos se fecham através do ar, fora dos enrolamentos primário e secundário e o fato de que as resistências ôhmicas dos dois enrolamentos não podem ser consideradas rigorosamente nulas. Todavia, essas perdas de energia (e algumas outras que não citamos) são muito pequenas e, um bom transformador deverá funcionar com rendimento próximo de 100%. Vimos que a força eletromotriz secundária E2 se deve unicamente ao fluxo variável com o tempo produzido pela corrente im, a qual é independente da carga. Por causa disso não é possível fabricar um transformador que trabalhe economicamente e que seja construído sem ferro (núcleo), ainda que os dois enrolamentos se disponham tão juntos quanto possível. O fluxo é proporcional à permeabilidade m e, portanto, im será tanto maior quanto menor for o m. Se substituirmos o ferro por ar, im se tornará umas m vezes maior, quer dizer, umas centenas de vezes mais intensa e já não representará uma fração insignificante da corrente total; a potência im2.R1 será agora considerável --- o transformador não resultará econômico. As vantagens apresentadas pela elevadas tensões para o transporte da energia elétrica se deduz das seguintes considerações: Seja R a resistência dos condutores à longa distância e i a intensidade de corrente que circula por eles. A condução consome uma potência i2.R = DP. Sendo E a força eletromotriz responsável pela condução, a potência total será P = E.i. Portanto, na condução desaparece a fração DP/P = R.i/E que resulta inutilizável. Porém, quanto maior for E, para uma dada potência P = E.i, tanto menor será a intensidade i. Por conseguinte, a perda relativa diminui quando E aumenta.
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