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As bússolas
Prof. Luiz Ferraz
Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Aqui propomo-nos a um resumo didático sobre as bússolas. O
'histórico' sobre elas é envolvente; vale uma pesquisa acurada.
Dependendo do princípio sobre o
qual baseiam seu funcionamento, as
bússolas se classificam em:
a) magnéticas; b) repetidoras; c) à indução terrestre; d) giroscópicas; e) telebússolas
giromagnéticas; f) à luz solar; g) eletrônicas.
a) Bússola magnética
Desfruta a propriedade de uma agulha magnética de
indicar a direção do meridiano magnético; é essencialmente constituída por uma
caixa (não ferromagnética) contendo uma agulha magnética (ou um sistema de agulhas magnéticas), que
podem girar em torno a um eixo vertical, suspenso a uma ponta de suspensão
e contrabalanceado de modo que seu eixo magnético seja horizontal(*). A caixa das
bússolas magnéticas pode conter ar (bússola a seco), ou conter líquido
(bússola a líquido).
Segundo o emprego as bússolas magnéticas recebem
diferentes denominações: topográfica, de mineração, náutica, de declinação,
de inclinação, geológica.
(*) Devido a este contrabalanceamento local (feito no local de sua
produção) é preciso tomar cuidado na hora da compra deste equipamento. Bússolas
balanceadas no país de origem podem se apresentar desbalanceadas aqui no Brasil,
assim, com a bússola colocada na horizontal a agulha inclina e toca o fundo da
caixa, tornando-se inútil!
A bússola topográfica
é um instrumento fixado
sobre o eixo de um tripé, em torno do qual pode girar livremente, conservando
sempre a sua posição horizontal. Pode também ser dotada de uma luneta e de um
círculo vertical para a medida dos ângulos zenitais; serve para as operações
topográficas, para medir azimutes magnéticos, ângulos de inclinação, para
levantamentos planimétricos rápidos, etc. Alguns teodolitos (mais antigos)
possuem a tal bússola acoplada à sua estrutura, como é o caso do teodolito de
trânsito. Do acervo do MAST colhemos a seguinte ilustração:
A bússola de mineração é um instrumento usado nas pesquisas de minerais
fortemente magnéticos. É essencialmente constituída de uma curta agulha
magnética, contida em um estojo cilíndrico de latão, cujas paredes são providas
de graduação, sobre a qual se lê a inclinação da agulha em relação ao horizonte;
a agulha é suspensa de modo a poder dispor-se na direção do campo magnético
local.
A bússola náutica (ou de rota) é
uma bússola especial, formada de uma caixa de cobre ou de latão,
contrabalanceada com chumbo e suspensa de modo a manter sempre a posição
horizontal, qualquer que seja o movimento da nave (suspensão Cardan).
Sobre o fundo da caixa em posição central, está fixado um eixo vertical, sobre o
qual gira a agulha magnética, fixada a um disco que possui a rosa dos ventos.
Para evitar perturbações, produzidas pela massa metálica do navio, dispõem-se,
em torno da bússola, massas de ferro, geralmente de forma esférica
(compensação magnética). Na direção da proa, a caixa da bússola possui uma
linha vertical (linha fiel ou fiel), que corresponde exatamente ao
eixo do navio.
A bússola de declinação, serve para medir
a declinação magnética, isto é, o ângulo que o meridiano magnético forma
com o meridiano astronômico. É sinônimo de declinômetro.
A bússola de inclinação serve para medir a
inclinação magnética, isto é, o ângulo que forma com a horizontal uma
agulha magnetizada móvel, no plano do meridiano magnético. É sinônimo de
inclinômetro.
A bússola geológica é empregada para medir
os valores angulares relativos à direção, imersão e inclinação de camadas. É
essencialmente constituída de um basamento retangular, sobre o qual se fixa a
bússola magnética. Os lados longitudinais do basamento são
paralelos à linha NS do quadrante, sobre o qual os pontos W(O) e E(L) são
mudados de posição. O quadrante é provido de uma graduação externa de 0° a 360°
para a leitura dos ângulos azimutais e de uma graduação interna de O a ± 90°,
sobre a qual desliza o indicador de um pêndulo (clinômetro), para a
leitura dos ângulos zenitais. A medida do valor azimutal da direção, (referido a
N magnético) efetua-se dispondo-se a bússola horizontalmente com o lado longo do basamento fixado no plano da camada. O valor do ângulo de inclinação da camada é
lido diretamente sobre o indicador do clinômetro, dispondo em vertical a base da
bússola, ao longo de uma linha de máxima inclinação.
b) Bússola repetidora
É um tipo
particular de bússola, no qual a rosa de leitura não é diretamente
orientada pelo campo magnético, mas está submetida,
mediante dispositivos de vários gêneros, à rosa de leitura de uma bússola
magnética.
c) Bússola à indução terrestre
O seu
princípio de funcionamento é baseado na variação da indução eletromagnética
causada pela presença do campo magnético terrestre. Muito conhecida é a
bússola Guerra, cujo elemento sensível é constituído de dois transformadores
idênticos, de núcleos retilíneos, sustentados por um eixo vertical ligado a um
servomotor.
d) Bússola giroscópica
Baseia-se na
propriedade de inércia ou da estabilidade do eixo giroscópico (efeito
giroscópio). O plano horizontal relativo a um observador O
(ilustração acima), situado na
latitude
j, está submetido, por efeito da rotação terrestre
w, a duas rotações
resultantes da decomposição do vetor
w, segundo a direção da vertical CO, da
linha meridiana NS, que passa por O. A rotação em torno da vertical vale
w.senj; a rotação em tomo da linha meridiana vale
w.cosj). Um
giroscópio, colocado em O, com o eixo de rotor vinculado a permanecer no plano
horizontal, portanto, coincidente com a linha EW, e livre
para rodar em torno de um eixo vertical, está submetido, por efeito de
w.cosj,
a um momento de precessão que tende a alinhar o eixo do rotor na direção NS.
Desse modo o eixo do rotor indica a direção do N. É evidente que a bússola giroscópica
tem um limite de funcionamento no próprio princípio sobre o qual se baseia. O
binário que provoca a precessão é com efeito nulo, quando
w.cosj
é igual a zero, isto é, quando o observador está à latitude de 90°. Na prática,
tal tipo de bússola é ineficaz em zonas de altas latitudes, onde a força
w.cosj resulta mínima.
e) Telebússola giromagnética
Usada na
navegação aérea. É um instrumento composto de um elemento magnético, baseado no
princípio da indução eletromagnética (revelador), de um direcional
giroscópico e de um sincronizador. O revelador, montado em uma extremidade alar
ou de uma outra maneira
desde que afastado das massas magnéticas de bordo (de onde a denominação bússola à distância ou
telebússola), é um complexo eletromagnético
que traduz o fluxo magnético terrestre em corrente elétrica que é enviada ao
sincronizador. Este último, ligado ao sistema de precessão do direcional
giroscópico, mantém constantemente sincronizado o eixo do giroscópio, com a
direção do meridiano magnético fornecida pelo revelador. Toda vez que a direção
do eixo giroscópico, tende a deslocar-se da direção do referido meridiano, por
efeito de variações de proa, o sincronizador é percorrido por uma corrente que,
devidamente amplificada, aciona o sistema de precessão e posiciona o eixo do
giroscópio paralelo à direção do meridiano magnético. Simultaneamente, o
quadrante do instrumento, que é ligado ao direcional giroscópico, gira indicando
os valores da proa do avião.
f) Bússola à luz solar
Baseia-se no
princípio de que a luz solar é parcialmente polarizada; assim, sendo a polarização
máxima em direção perpendicular ao raio incidente do sol, é possível obter pelo
plano de polarização a direção do sol. Dá ótimos resultados no crepúsculo e
também quando o sol está a diversos
graus sob o horizonte, desde que seja visível a zona zênite. Compõe-se
essencialmente de um analisador, para determinar o plano de polarização da luz,
de um círculo azimutal, para a indicação do azimute do sol, e de um relógio
que faz rodar o índice de 360° em 24 horas, em sincronismo com o movimento
aparente do sol.
g) Bússola eletrônica
É constituída de um
tubo eletrônico, no qual o feixe emitido focaliza-se sobre uma tela
fluorescente (ilustração acima). Sob a influência de um campo
magnético, convenientemente disposto, o feixe se curva, e a mancha luminosa se
desloca do centro da tela. Supondo-se que o tubo esteja em posição tal que seu
eixo seja vertical, e o canhão eletrônico de características tais que o feixe
possa ser curvado sob a ação da componente horizontal do campo: se o feixe se
desvia para Este, a mancha luminosa vai sobre a tela P1P2; o ponto P2
está exatamente a Este; o plano OP1P2 é normal ao plano das linhas de
força magnética (regra de Ampere). Se a tela tem uma rosa cujo diâmetro seja da
ordem de grandeza P1P2 = a, a mancha serve de índice. Para uma boa precisão de
leitura, é necessário que o desvio seja o maior possível. Este depende do
comprimento do tubo e da tensão do campo acelerador que determina a velocidade
v dos elétrons de carga e de massa m, sujeitos a um campo
magnético
horizontal H por uma força F = e.v.H.
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