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Atividades em Comunicações
(Série C - ATIVIDADE 14 - Qual é a base dos instrumentos telegráficos simples?)

Prof. Luiz Ferraz Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br

O telégrafo surgiu na época em que os pioneiros norte-americanos, que viajavam em carroções, ainda eram jovens. Estes homens e suas famílias tinham sofrido as dificuldades das longas viagens das cidades do leste e terras cultivadas, dos Estados Unidos através das planícies, por sobre as Montanhas Rochosas e desertos do oeste, até a Costa do Pacifico. Só na viagem levavam uns seis meses. Numa época dessas, quando os amigos pareciam separados para sempre, deve ter existido uma dolorosa ansiedade durante os longos meses de espera até a chegada de uma notícia. Naquele tempo a distância parecia uma barreira intransponível e devia ser, sem dúvida, uma idéia emocionante sonhar com um meio de encurtar essa barreira e transmitir mensagens com a velocidade da luz.

As experimentações simples de Joseph Henry, o professor de Albany, indicaram o caminho. Ele fazia com que um ímã, situado num aposento adjacente, puxasse um pedaço de ferro, provocando um estalido. Partindo deste começo simples, ele criou um sistema de sinais ligando certos aposentos do edifício. Entretanto, foi necessária a imaginação de um jovem pintor de retratos, Samuel B. Morse, que se interessou pelas experimentações de Henry. Ele rapidamente percebeu as possibilidades do sistema de sinais de Henry, feito entre salas de aula, se este fosse estendido a partes distantes da Terra. Partindo deste começo simples temos agora o grande sistema telegráfico que serve ao mundo há mais de 170 anos e é ainda importante, apesar das maravilhas modernas do telefone, do rádio e da televisão.

Você agora construirá alguns aparelhos simples que poderão ser usados para produzir combinações de sons que representem as letras do alfabeto e deste modo vai permitir-lhe mandar mensagens em código através de fio.

Primeira Parte - Nesta parte você montará o aparelho mais simples possível, para enviar mensagens em código. Este vai ajudá-lo a compreender mais facilmente o principio do telégrafo do que um aparelho mais completo.
Arranje uma caixa de charutos ou qualquer outra caixa leve de madeira. Coloque sobre a mesma um pequeno pedaço de vidro grosso e um prego grande, com a ponta repousando sobre o vidro (figura 1). O pedaço de vidro pode ser substituído por uma barra retangular de alumínio ou latão; mas, não pode ser de ferro!

Prenda na caixa pequenos pregos, como está indicado no diagrama. Estes servirão de guia para manter o prego grande no lugar. Deixe uma folga suficiente para que o prego possa se mover livremente para cima e para baixo cerca de 1cm.
Agora use um dos eletroímãs da série anterior "Atividades com Eletroímãs" ou faça um outro, enrolando cerca de 75 ou 100 voltas de fio de cobre #24 em torno de um parafuso de 8 cm, do modo como é ensinado na Atividade 10. Ligue-o a uma ou duas pilhas. Você está pronto para pôr as letras em código. Segure ou prenda (essa é a melhor opção) o eletroímã, firmemente, numa posição mais ou menos 3 mm acima da ponta livre do prego, enquanto você ou um ajudante liga e desliga o circuito. Você ouve um estalo duplo a cada vez que o circuito é ligado e desligado?
Faça uma série de estalos curtos (liga e desliga rapidamente); estes podem ser chamados pontos. A seguir produza uma série de estalos mais longos, cerca
de três vezes mais longos(liga e ... desliga); estes podem ser chamados traços. O código telegráfico é feito por uma combinação destes “pontos” e “traços” para representarem as letras do alfabeto e os números de um a dez (figura 2).

 
1- Um traço é igual a três pontos.
2- O espaço entre as partes da mesma letra é igual a
     um ponto.
3- O espaço entre duas letras é igual a três pontos.
4- O espaço entre duas palavras é igual a cinco pontos.

Por exemplo: quando você produz um estalo breve, seguido de um longo, você tem “ponto-traço”, que é a letra A. Tente reproduzir algumas das letras com seu aparelho rudimentar. Este equipamento rudimentar ilustra claramente o princípio do telégrafo, mas você percebe que ele é pouco prático para enviar um código. Esta dificuldade será corrigida na parte seguinte.

Segunda Parte - Esta parte da Atividade14 vai lhe ensinar como construir um receptor e um manipulador ou chave e como enviar um código, quase tão bem, como com o equipamento verdadeiro (figura 3).

Um receptor de telégrafo consiste, essencialmente, de três partes: eletroímã, bigorna e armadura. Estas partes serão montadas dentro de uma caixa de charutos, como aquela ilustrada na figura 1.

Enrole 75 a 100 voltas de fio de cobre esmaltado #24 em torno de um parafuso de 6 a 8 cm de comprimento; esse será nosso eletroímã. Deixe sobrar a extremidade de rosca do parafuso, num tamanho suficiente para conter duas porcas e a espessura da caixa, de modo que o eletroímã possa ser presa à caixa. A boa dica é usar tarugo com rosca  ao longo de toda sua extensão. Nas lojas de ferragens tem desses vergalhões com rosca, com 1 metro de comprimento e diâmetros a escolher. Comprei hoje (14/12/2004) na Casa do Parafuso, Rua 18, em Barretos - SP, 1 m de barra com rosca, de 1/4", 10 porcas de 1/4" e 10 arruelas, por R$ 1,80.

Para fazer a armadura, um parafuso de 10 cm com 1/4” (6mm) de diâmetro e com a cabeça redonda será mais satisfatório (é só cortar 10 cm da barra com rosca e colocar uma porca numa da extremidades e duas na outra). Prenda-o com um pitão (parafuso de cabeça em gancho) e duas porcas à caixa, de modo que a 'cabeça' do 'parafuso' fique bem debaixo do eletroímã.
Um bloquinho de madeira com um pedaço de vidro colado ao mesmo será uma bigorna eficiente. Prenda (cole) a bigorna firmemente à caixa. Cola de madeira é excelente para fixar tanto o vidro quanto a bigorna.  A altura da bigorna deve ser tal que fique um espaço de 3 mm entre o eletroímã e a ponta da armadura.
Só falta agora uma mola para puxar a armadura de volta, caso ela tenha tendência a ficar presa ao ímã, quando a corrente é interrompida --- devido ao magnetismo residual. Uma tira de elástico ou punho de dinheiro servirá. Passe-a sobre a armadura e prenda-a à caixa com um percevejo. Dê-lhe a tensão suficiente para impedir que a armadura fique presa ao eletroímã quando esse estiver desligado. Uma boa dica é colocar um ´quadradinho´ de durex na cabeça do parafuso, onde há essa tendência de ´colar´.

Você está pronto para a montagem do manipulador. Arranje uma tabuinha de cerca de 7 cm por 15 cm. Corte uma tira de lata, com cerca de 3 cm por 12 cm e passe sobre a mesma uma lixa ou palha de aço para remover qualquer verniz, mancha ou tinta. Um pedaço de mola de relógio também é excelente para este fim. Os orifícios podem ser feitos com um prego grande e uma forte pancada de martelo. Enfie um parafuso numa extremidade da tábua e prenda a tira metálica na outra extremidade, de modo a ser ligado o circuito, quando a tira metálica for apertada de encontro à cabeça do parafuso.

Faça, com fio comum (ou cabinho #22), as ligações necessárias: o receptor, as duas pilhas e o manipulador devem ser ligados em série, como é mostrado na figura 3.

Você está pronto para sua mensagem experimental. Se, ao comprimir o manipulador, você não obtiver uma série de estalos, isto quer dizer que suas conexões estão frouxas ou que é necessário reajustar a tira elástica.

Bom sucesso!

... Atividades da Série C - Comunicações ...
    #14 Qual é a base dos instrumentos telegráficos simples?
    #15 Como montar uma ligação telegráfica bi-lateral?
    #16 Como é construída uma cigarra simples?
    #17 Como é feito e como funciona uma campainha elétrica?
    #18 Uma campainha didática, mas que funciona de verdade.
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    #20 Como usar dois carvões e lápis para fazer um telefone?
    #21 
Dois tipos interessantes de ‘telefones', com caixas de charuto.
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    #23 
Como construir uma linha telefônicas e usá-la nos dois sentidos?

 

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